Mais que um Vestido Branco
O altar pode esperar.
Mais que um Vestido Branco
O altar pode esperar.
“Eu errei para que você não precise errar também.”
Se eu pudesse voltar no tempo e conversar com a menina que eu fui há alguns anos, eu daria um abraço apertado nela e diria exatamente essa frase. Naquela época, eu achava que sabia de tudo, que o mundo tinha respostas mais atraentes e que um pequeno desvio no caminho não faria diferença. Eu quebrei a cara, chorei escondida no quarto e achei que Deus tinha desistido de mim.
Se você é uma jovem cristã e se sente tentada a dar um passo na direção errada, senta aqui comigo. Este não é um texto de julgamento, é o diário de alguém que já pisou nos espinhos e quer te ensinar a desviar deles.
Quando você tem 15 anos dentro da igreja, parece que o relógio corre mais rápido contra você. Olhamos para os lados e a conversa é sempre a mesma: o namoro na santidade, o sonho do casamento, a pressa para encontrar o “varão” e subir ao altar. Ninguém te avisa que a vida cristã é muito mais que um vestido branco. Ninguém te diz que a pressa para casar cedo, por achar que fora disso tudo está errado, pode ser a armadilha que vai sufocar o seu futuro.
Eu sei disso porque eu comprei essa pressa. Eu aceitei esse peso. E foi tentando correr para um altar que eu nem conhecia direito que o meu mundo desabou aos 21 anos. Hoje, eu olho nos seus olhos e digo com todo o amor de uma irmã: acalma o seu coração, o altar pode esperar.
Aos 15 anos, já comecei a me destacar na igreja. Neta de pastores, filha da regente do círculo de oração e filha de um homem desviado e bêbado na época. Sempre fui dedicada aos estudos e à casa, pois desde cedo aprendi a ser uma dona de casa: lavar, limpar, passar a farda do meu pai com vinco e fazer seu lanche e sua marmita.
Mas eu tinha meu momento de lazer, claro. Minha mãe trabalhava com faxina e sempre ganhava muitas coisas, inclusive brinquedos. Digamos que eu tinha tudo o que era febre na época, porém genérico.
Com 10 anos, eu pedia muito um irmão para a minha mãe, mas ela não podia mais ter filhos segundo a medicina. Eu já era um milagre, pois fui a terceira gestação de duas que ela havia perdido. Mas o Deus que eu sempre servi sempre foi um Deus de milagres, e foi aí que o meu irmão chegou, no ano de 2000.
Logo completei meus 15 anos e os comentários começaram: “E os namorados?”. Tinha alguns meninos na época, mas o critério era rígido: tinha que ser bem crente, filho de pastor, músico ou pregador, de boa família, com formação, etc.
Eu entrei para essa mesma lista de critérios da igreja, mas dessa lista eu era reprovada quando descobriam que o meu pai bebia e era violento. Inclusive, fui humilhada pela minha primeira sogra por causa disso, mas isso é algo para o próximo capítulo.
Mesmo assim, segui firme na igreja e era bem vista. Cantava, fazia teatros, coreografias… Eu era a mais extrovertida da galera da igreja, aquela menina “povão”. Aos 16 anos, fui convidada a reger meu primeiro coral de jovens e foi aí que a minha paixão pela música e pelas vozes aumentou.
O que eu jamais imaginava era o que estaria por vir…
메타데이터
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