Sonhando acordada: O que acontece quando o desejo de uma esposa não cabe mais na rotina?
Deby trabalha em uma floricultura e, todos os dias, levanta cedo. Ao acordar, o café já está na mesa. Ela olha para o marido e pensa…
Sonhando acordada: O que acontece quando o desejo de uma esposa não cabe mais na rotina?

Deby trabalha em uma floricultura e, todos os dias, levanta cedo. Ao acordar, o café já está na mesa. Ela olha para o marido e pensa: “Tenho o marido perfeito.” Mas, logo após o pensamento, um aperto lhe entristece o peito: o casamento já não é mais como antigamente.
Deby sempre foi louca por Sidney, seu marido, mas alguma coisa não estava certa. O romantismo já não era o mesmo. Na floricultura, ao ver homens comprando flores para suas amadas, ela se pega imaginando a cena daquele casal. Será que é aniversário? Será um encontro?
Nessa imaginação, seus olhos brilham com a saudade do passado. Ela se olha no espelho e se julga velha, talvez. Mas a vontade de ser desejada pelo marido a devora por dentro.
Sidney trabalha no mercado e chega sempre cansado. Mesmo assim, todas as manhãs, ele faz o café e põe a melhor xícara da casa, com café e leite, para Deby. É a sua forma de mostrar carinho. Às vezes, Deby lhe pergunta se ainda a ama. O marido, com um sorriso, responde de volta: “Gosto muito de você.”
Deby fica confusa com a resposta. Talvez seja apenas o jeito brincalhão dele que, de vez em quando, lhe dá um tapinha no bumbum como quem diz: “Sinto desejo por você”.
Os dias passam e as semanas se repetem. Deby aos poucos se entristece. Nada muda. É a mesmice do dia a dia, sem nenhuma surpresa ou movimento diferente na vida. Até na cama as coisas estão caídas. Como uma boa esposa, Deby o beija como se dissesse que está tudo bem.
No interior de Deby, contudo, o desejo a consome. Ela começa a fantasiar. Primeiro com o marido, por um tempo; depois, com outros homens. O desejo cresce tanto que ela já não consegue esconder de si mesma a vontade de viver uma aventura: uma troca de casal. Pensou que a ideia talvez fizesse bem a Sidney, deixando-o mais animado, e que tudo pudesse voltar a ser como no início do casamento.
Durante as carícias, Deby sugeriu a fantasia. Sidney, com os olhos arregalados e achando tudo muito estranho, disparou: “E se você gostar? Vai querer sempre isso”.
Deby ficou quieta. Pensou que, talvez, sim.
Durante alguns dias, ela chegou a cogitar a visita a um lugar liberal para casais. Sidney sorria, como se aceitasse, mas, no fundo, só queria que ela esquecesse a fantasia.
Aos poucos, Deby percebeu que aquela vontade era só dela. Com o coração ardendo e o desejo de se libertar, ela só encontrou uma saída: sonhar acordada. Abafou a mulher quente que existia em si, sublimando o vulcão interior. Como um pássaro em uma gaiola de ouro, vive Deby, sussurrando apenas para si mesma os seus desejos.
메타데이터
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