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Um legado de sonhos e conquistas

A Vila Olímpica da Mangueira não é só um espaço esportivo: é um lugar onde vidas são mudadas

Camila Pedroza · 2025-04-10 21:10 · 0 claps · 13.2 min read
#mangueira #escola-de-samba #esporte #inclusão
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Um legado de sonhos e conquistas

A Vila Olímpica da Mangueira não é só um espaço esportivo: é um lugar onde vidas são mudadas

“O esporte é uma ferramenta fundamental de transformação social” Maria Augusta Buarque (Foto:Reprodução/Instituto Mangueira do Futuro)

“O esporte é uma ferramenta fundamental de transformação social” Maria Augusta Buarque (Foto:Reprodução/Instituto Mangueira do Futuro)

Na Mangueira, o samba é a alma e o esporte, o coração. Na Vila Olímpica (VO), o verde e o rosa ganham novas cores: o dourado das medalhas, o azul da superação e o branco da paz. Localizada na comunidade da Mangueira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, a Vila Olímpica Mangueirense foi umas das primeiras Vilas Olímpicas do estado do Rio de Janeiro. Inaugurada em 1987, foi criada visando oferecer uma alternativa de lazer e desenvolvimento para jovens da comunidade, afastando-os das influências do crime e das drogas.

Antes da construção da VO, os mangueirenses faziam suas práticas esportivas na quadra da escola de samba. Samuel Belarmino (coordenador da Vila Olímpica da Mangueira e Supervisor do Centro de Referência Esportiva Mangueira), explica como surgiu a Vila: “O projeto surgiu da necessidade de se ter um espaço, para a prática esportiva, e que esse espaço fosse adequado para esse tipo de coisa. Na Mangueira já se faziam atividades esportivas, mas elas eram feitas na quadra da escola de samba. O espaço não era apropriado. Você queria treinar, não podia, porque tinha ensaio da escola de samba”.

Foi então que surgiu a necessidade de construir algo mais, algo que pudesse organizar e melhorar o trabalho que já era realizado. Desde sua fundação, a Vila tem sido um espaço essencial para o fortalecimento da cidadania e para o desenvolvimento de atletas de alto nível. Ao longo dos anos, a VO tornou-se um verdadeiro celeiro de talentos esportivos e de esperança, revelando nomes como Tamires Morena, jogadora de handebol da seleção brasileira, e Eriká Souza, ex-atleta de basquete que defendeu a seleção por 25 anos e atuou na WNBA, a maior liga de basquete feminino do mundo. Além de formar grandes esportistas, possibilita que jovens da comunidade tenham a chance de se dedicarem ao esporte em um local adequado, com a estrutura necessária para desenvolver seus talentos e, acima de tudo, seus valores.

Atualmente, a Vila Olímpica da Mangueira atende cerca de 2.800 crianças e adolescentes em diversas modalidades, como atletismo, basquete, dança, balé, futebol, futsal, ginástica rítmica, levantamento de peso, jiu-jitsu, judô e natação. São aproximadamente 50 professores, com destaque para a natação, que conta com 12 a 13 profissionais, incluindo especialistas em hidroginástica e no atendimento a PCDs. O judô é a única modalidade com um único professor, enquanto as demais têm equipes maiores.

As raízes do sucesso

“Quando a gente escuta Mangueira, a referência é samba. Não adianta. Mas já conseguimos desconstruir isso e mostrar que a Mangueira, como um todo, é uma escola de cidadania” Maria Augusta Buarque (Foto:Reprodução/Instituto Mangueira do Futuro)

“Quando a gente escuta Mangueira, a referência é samba. Não adianta. Mas já conseguimos desconstruir isso e mostrar que a Mangueira, como um todo, é uma escola de cidadania” Maria Augusta Buarque (Foto:Reprodução/Instituto Mangueira do Futuro)

Quando se pensa em sucesso, sobretudo quando o assunto é esporte, a primeira coisa que as pessoas pensam é nos campeões, na ideia de estar no topo. Dirigentes e professores do Centro de Referência Esportiva Mangueira deixam claro para os seus alunos que o sucesso não tem relação com as vitórias que eles tiveram dentro do esporte, e sim com o que eles estão construindo como indivíduos e cidadãos fora das quadras e arenas. “Na Olimpíada vão chegar poucos, até porque é a nata do planeta Terra que está alí. Mas você tem outras situações que são importantes, que as outras pessoas também precisam ver”, afirma Samuel Belarmino.

O foco principal do Centro de Referência Esportiva Mangueira é o esporte como ferramenta educacional e de transformação social. Maria Augusta Buarque destaca acima de tudo a importância do desenvolvimento integral na formação das crianças e adolescentes. “É claro que iremos descobrir potenciais, não é raro que a gente tenha crianças que demonstram um potencial, que possam ser futuramente atletas e desenvolverem esse potencial. Mas o nosso foco principal aqui é que todos tenham a oportunidade de praticar um esporte de forma saudável, com qualidade, com permanência, com sucesso para o desenvolvimento integral.”

Maria Augusta Buarque, popularmente conhecida como Professora Guta, é Bacharel em Educação Física pela UFRJ e Mestre em Educação pelo Programa de Pós-Graduação da UFRJ. Guta trabalha há 24 anos na Vila Olímpica da Mangueira, começou no ano 2000 dando aula de Ginástica Rítmica (GR) e em 2004 se tornou coreógrafa da comissão de frente da Mangueira do Amanhã — Escola de Samba Mirim do G.R.E.S Estação Primeira de Mangueira.

Além de falar sobre a importância da educação enquanto processo formativo, a professora Guta Buarque defende a ideia de que a base do trabalho vai além do esporte. Ela acredita que a verdadeira transformação está em ampliar horizontes e oferecer possibilidades para que cada jovem descubra e alcance seu potencial.

“Acredito que a palavra chave é a educação. Precisamos gerar oportunidades para que eles construam perspectivas diferentes, seja como artistas de carnaval, atletas, engenheiros, jornalistas ou professores. Vou mostrar para eles que esse mundo pode se descortinar com várias possibilidades, para que escolham e sigam naquilo que desejam, mas com sucesso.”

Professora Guta

Os professores e estagiários da Vila Olímpica são um exemplo claro de como o trabalho desenvolvido ali promove continuidade e impacto duradouro. “Temos muitos ex-alunos que se formaram e hoje fazem estágio ou já são professores aqui”, conta Samuel. O programa oferece oportunidade para ex-atletas e jovens talentos que cresceram no projeto para retornarem como profissionais, contribuindo no desenvolvimento de novas gerações. “Quando a pessoa passa por aqui, ela acaba sendo multiplicadora. Porque ela com certeza passa valores, passa situações que ela aprendeu para as crianças que hoje são alunos dela. Ela incentiva essas crianças a fazerem a prática desportiva. Então, isso tudo são coisas importantes em relação aos resultados do projeto”, completa.

Thaiane Ferretti, ex-aluna da instituição e atualmente professora de Ginástica Rítmica, reconhece que sua trajetória foi moldada aos 7 anos quando começou a treinar na VO. “A minha vida se transformou totalmente, porque quando eu comecei a fazer atividade, eu não tinha noção do que queria para a minha vida. Foi através das aulas da Guta que as portas se abriram para um dia cursar Educação Física. Quando me formei, eu sabia que queria trabalhar com ginástica”, conta Thaiane. Após passar por diversas experiências profissionais, ela voltou ao lugar que considera seu lar. “Voltar para a Vila foi o meu maior presente. Aqui, posso transmitir tudo o que aprendi há muitos anos”, afirma, emocionada.

Erguendo Sonhos

O levantamento de peso da Mangueira é responsável por revelar grandes talentos e impulsionar carreiras no esporte (Vídeo: Reprodução/LPO Mangueira)

O levantamento de peso da Mangueira é responsável por revelar grandes talentos e impulsionar carreiras no esporte (Vídeo: Reprodução/LPO Mangueira)

O levantamento de peso (LPO) na Vila Olímpica da Mangueira é uma das modalidades que mais revelam talentos na comunidade. Sob a orientação de Alex Tozzi, ex-atleta da modalidade e hoje treinador, a Vila se tornou um dos maiores centros de formação de levantadores de peso do Brasil. O esporte consiste em levantar pesos em duas modalidades: o arranco e o arremesso. Para praticá-lo, é necessário desenvolver força, técnica e disciplina.

Alex Tozzi começou sua trajetória na Vila Olímpica da Mangueira aos 7 anos. Passou por várias modalidades até se apaixonar pelo atletismo aos 9 anos. “O esporte sempre fez parte da minha vida, e o apoio da minha mãe foi essencial para minha trajetória, principalmente com as bolsas de estudo”, conta Alex, que foi bolsista no Colégio Santa Mônica e, mais tarde, na Universidade Universo em Niterói.

Aos 15 anos, Alex conheceu o levantamento de peso e, desde então, nunca mais parou. Começou a estagiar na Vila Olímpica, passando, mais tarde, a treinador. “O esporte me levou a escolher Educação Física. A Vila Olímpica me formou como atleta e me trouxe de volta como treinador”, orgulha-se.

Atualmente, além de treinar os jovens da Vila, também é treinador da Seleção Brasileira Júnior de Levantamento de Peso. “Minha trajetória na Vila Olímpica foi essencial para meu sucesso. É aqui que muitos atletas têm a chance de conquistar o mundo”, afirma. O sonho olímpico ainda não foi alcançado, mas ele segue firme na busca. “Meu sonho é ser o melhor treinador do mundo, e para isso, preciso ter os melhores atletas do mundo”, diz. Trabalhando com jovens entre 13 e 17 anos, ele sabe que o processo de formação de um atleta de alto rendimento pode levar anos. Mesmo assim, os resultados estão começando a aparecer.

No Campeonato Brasileiro Sub-17, realizado na Vila Olímpica da Mangueira, nove medalhas foram conquistadas por 11 atletas locais. “Isso mostra que estamos no caminho certo”, afirma Alex. Ele destaca ainda a conquista de dois atletas da Vila, que foram convocados para o Training Camp da Seleção Brasileira e podem integrar a equipe em 2025.

Uma das maiores estrelas do LPO da Vila Olímpica da Mangueira é Taiane Justino. “Ela treina com a gente desde os 12 anos e hoje é a única atleta do Brasil a conquistar medalhas no Campeonato Mundial Sub-17 e Sub-20 por anos consecutivos”, comemora Alex, seu treinador. Esse feito transformou o cenário do levantamento de peso na Vila, com as mulheres assumindo destaque. Enquanto a equipe masculina conta com cerca de 12 atletas, a feminina já ultrapassa 20 atletas.

Superando dificuldades financeiras, Taiane conseguiu uma bolsa de estudos na universidade Estácio de Sá, oferecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro, devido aos seus resultados. “Ela é a maior estrela que já encontrei, tanto pelos resultados quanto pela evolução como pessoa. Seu sucesso inspira outros atletas, mostrando que a formação completa deles — tanto no esporte quanto na educação — é fundamental”, afirma Alex.

Com apenas 20 anos, Taiane Justino já escreve seu nome na história do levantamento de peso. Natural da Mangueira e aluna da Vila Olímpica, ela brilhou ao quebrar 10 recordes na Copa do Mundo Sub-20, em Phuket, Tailândia, conquistando uma medalha de prata e duas de bronze. Em 2024, viveu um marco especial: foi convidada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para o Programa Vivência Olímpica, durante as Olimpíadas de Paris. Lá, ela pôde mergulhar no universo olímpico, participando de palestras e vivências exclusivas com atletas de alto rendimento.

Micaella Severiano também é uma promessa do levantamento de peso da Mangueira. Com apenas 14 anos, a jovem atleta, que entrou na VO em agosto de 2022, passou por várias modalidades, como atletismo, natação e ginástica rítmica até se encontrar no levantamento de peso. “No início de 2023, eu troquei a ginástica rítmica pelo LPO. Com o tempo, fui me destacando mais no levantamento de peso, e percebi que tinha mais chances de crescer aqui. Foi quando decidi focar só no levantamento de peso, já que o atletismo estava me atrapalhando e os horários da natação não batiam mais”, conta Micaella.

“Aqui — Levantamento de Peso — eu ia competir mais, tinha mais chances de ser alguém na vida” (Foto:Camila Pedroza)

“Aqui — Levantamento de Peso — eu ia competir mais, tinha mais chances de ser alguém na vida” (Foto:Camila Pedroza)

Ela já participou de dois campeonatos brasileiros. Embora ainda sinta nervosismo antes das competições, Micaella tem aprendido a lidar com isso. “Eu sei o que tenho que fazer nas competições, e isso me ajuda a lidar melhor com as coisas na vida também”, diz.

Apesar de ter iniciado sua trajetória em 2022 em outros esportes, Micaella se apaixonou pelo LPO ao se deparar com o esporte durante os Jogos Olímpicos de 2016. “Sempre gostei de mulheres fortes e, quando vi o levantamento de peso, me identifiquei de imediato”, conta. A paixão, no entanto, veio com alguns desafios familiares. Sua avó, que sempre a incentivou a ser “princesinha”, inicialmente não gostou da escolha por considerar o esporte masculino. “Eu comecei a praticar escondido, mas, com o tempo, minha avó aceitou e até conta para todo mundo quando eu ganho ou os pesos que faço”, comenta, sorrindo.

Para Micaella, a história de Taiane Justino é uma grande inspiração. “Ela é uma motivação para todos nós. Ela se dedicou muito, e eu vejo que posso chegar lá também, se eu me esforçar”, afirma. Micaella sonha em seguir o mesmo caminho de sucesso e, assim como Taiane, representar o Brasil em competições internacionais. Em relação aos Jogos Olímpicos de 2024, Micaella revela o quanto foi bom assistir com a família, agora sem ressalvas:

“É ótimo poder assistir agora com a minha família, porque agora todos conhecem, né? Eles torcem junto e falam que um dia eu vou estar lá também. Antigamente eu não acreditava, mas hoje em dia eu já sei que, se eu me esforçar, eu posso ir para competições internacionais e ser atleta olímpica também”.

O apoio da família tem sido essencial para a jovem atleta. “Eles sempre me incentivam, principalmente quando erro. Me ajudam a ficar mais tranquila e a focar no meu progresso”, explica Micaella, que vê a dedicação de sua família como um grande pilar para seguir em frente.

Jorge Lucas Campeiro, de apenas 16 anos, é outro jovem destaque do levantamento de peso. Ele é filho da ex-atleta de LPO Aline Campeiro, tricampeã sul-americana, primeira medalhista pan-americana e recordista feminina de medalhas sul-americana. O jovem treina na Vila Olímpica e obteve o índice para representar o Brasil no Campeonato Sul-Americano Juvenil. “A Vila Olímpica é minha segunda casa. Passo mais tempo aqui do que na minha própria casa. Estou aqui desde muito novo e, embora tenha praticado outros esportes, foi no levantamento de peso que me encontrei, muito pela influência da minha mãe”, afirma.

“A minha maior meta é ser atleta a nível mundial” (Foto: Reprodução/Instituto Mangueira do Futuro)

“A minha maior meta é ser atleta a nível mundial” (Foto: Reprodução/Instituto Mangueira do Futuro)

Ele também compartilha suas conquistas até agora: “Até hoje, só participei de campeonatos nacionais. Tenho quatro títulos nacionais, sendo três títulos de campeão brasileiro. Este ano, fui reconhecido como o melhor atleta masculino sub-17 da categoria até 73 kg, levantando 131 kg no arremesso e somando 231 kg no total olímpico”. Para Jorge, o sul-americano será o campeonato com a maior estrutura que ele já viu. “O último campeonato brasileiro foi na Vila e a estrutura aqui é incrível, mas imagino que os materiais no Sul-Americano sejam ainda melhores. Minha expectativa é enorme, é um verdadeiro sonho”, revela.

Sua rotina de treino é intensa. “Acordo, vou para a escola, volto, almoço, porque tenho acompanhamento com nutricionista, e aí começo o treino. Eu tenho que chegar, alongar, pegar um elástico, uma madeira para fazer os alongamentos e depois partir para a barra. A gente começa com a barra pura e vai montando. Com uma hora de treino, já começo a comer uma fruta, como uma banana, uma maçã ou um cacho de uva” A Vila Olímpica também oferece alimentação para os atletas. “A gente tem pão, doce, muito bom, e Guaravita. Antigamente era biscoito Piraquê. Eu não pego mais, porque a minha nutricionista não recomenda, mas a Vila oferece”, completa.

Jorge também equilibra a vida acadêmica com a rotina de atleta. “Para estar bem no esporte, preciso estar bem na escola. Não podemos faltar muito, porque o rendimento escolar também é exigido. Esse ano, estou muito bem na escola e não tive problemas com os treinos.”

Bolas, Arcos e Fitas

“Hoje tenho o prazer de trabalhar com duas professoras na Ginástica Rítmica da Mangueira que foram minhas alunas. Elas são sementes que cresceram e agora estão gerando árvores que darão outros lindos frutos” Guta Buarque (Foto: Reprodução/Selma Souza — Voz das Comunidades)

“Hoje tenho o prazer de trabalhar com duas professoras na Ginástica Rítmica da Mangueira que foram minhas alunas. Elas são sementes que cresceram e agora estão gerando árvores que darão outros lindos frutos” Guta Buarque (Foto: Reprodução/Selma Souza — Voz das Comunidades)

A ginástica rítmica (GR) é uma modalidade esportiva que combina elementos de dança, ginástica e manuseio de aparelhos como arcos, massas, fitas e bolas. A prática exige habilidade e coordenação, além de flexibilidade, força e expressividade. Na Mangueira, a modalidade atende crianças de 5 até 17 anos e também se tornou uma das principais referências do centro esportivo.

Guta Buarque, que há 25 anos se dedica ao desenvolvimento da Ginástica Rítmica na Vila, é uma das grandes responsáveis pelo sucesso dessa transformação. Para ela, o trabalho é mais que um ofício: “É o trabalho do meu coração”, afirma. Ela acredita que a ginástica, além de ser um esporte, é uma poderosa ferramenta de educação e transformação social. “A Ginástica Rítmica oferece a essas meninas a possibilidade de criarem novas perspectivas de vida, de se desenvolverem de forma integral e, com isso, se tornarem cidadãos conscientes”, explica Guta.

Ao longo dos anos, a Ginástica Rítmica, que antes era vista como um esporte “amador” no Brasil, tem ganhado notoriedade. A participação de atletas brasileiras em competições internacionais, incluindo a conquista de medalhas em Mundiais, é um reflexo do árduo trabalho de técnicos e da resiliência das atletas. “Ver o desenvolvimento da GR no Brasil é uma sensação incrível de orgulho”, diz Guta.

O aumento da visibilidade do esporte, especialmente com o crescimento da Ginástica Rítmica no Brasil, tem levado a um aumento no número de inscrições de novas atletas na Vila Olímpica. “Das Olimpíadas para cá, a gente teve um crescimento muito grande na procura de meninas. E muitas delas vinham dizendo que queriam ser a próxima atleta a participar de uma Olimpíada”, compartilha Thaiane. Com o Mundial de Ginástica Rítmica em 2025 no Rio, a expectativa é que esse interesse aumente ainda mais. O evento representa uma oportunidade para as jovens verem as grandes atletas em ação e se motivarem ainda mais a seguir esse caminho.

O impacto social da Ginástica Rítmica na vida das crianças e adolescentes da Mangueira é algo que transcende as vitórias nas competições. Thaiane Ferretti, compartilha a história de uma mãe:

“Ontem mesmo eu recebi uma mensagem de uma mãe dizendo que a ginástica para a filha dela era muito importante, a filha dela era muito tímida, não conseguia se relacionar e hoje ela tem uma vida diferente. Não é nem pensar que ela pode ser uma atleta. É pensar que a gente realmente está mudando o cotidiano da criança a partir de agora”.

O poder da inclusão

Foto: Camila Pedroza

Foto: Camila Pedroza

A Vila Olímpica oferece uma grande diversidade de atividades para todas as idades, graças aos projetos patrocinados tanto pela Petrobras quanto pela Prefeitura do Rio de Janeiro. O projeto da Petrobras é voltado para crianças e adolescentes de 6 meses a 17 anos, tem como foco o desenvolvimento e a inclusão. Já o projeto patrocinado pela Prefeitura não se limita à infância e adolescência, mas também oferece várias opções para adultos e idosos, como hidroginástica, alongamento, funcional, e até mesmo ginástica rítmica para a terceira idade. “Na parte de idosos, temos a academia da terceira idade, com acompanhamento adequado para garantir o bem-estar deles durante as atividades”, explicou Tatiana Perrota, responsável pela imprensa.

O esporte adaptado faz parte do projeto da Petrobras, que atende pessoas com deficiência (PCDs) na Vila Olímpica. A porta de entrada para esses alunos é uma anamnese realizada pelas professoras especializadas, e a primeira atividade oferecida é a natação. “É uma aula de natação voltada para eles, com a participação ativa dos pais. Alguns alunos, por exemplo, têm dificuldades de interação com outras pessoas, então os pais entram na piscina com os filhos. À medida que o aluno vai se desenvolvendo, os professores avaliam e podem encaminhá-lo para outras modalidades”, explica Tatiana Perrota.

Atualmente, há alunos com diversas necessidades, como TDAH e autismo, praticando modalidades como levantamento de peso, futebol, basquete, judô e jiu-jitsu. “Temos alunos em todas as modalidades, e também aulas de psicomotricidade, que trabalham a coordenação motora desses alunos”, diz Tatiana. Em breve, no dia 3 de dezembro, a Vila Olímpica irá inaugurar uma sala dedicada a esse núcleo de conhecimento, que vai oferecer suporte tanto para o desenvolvimento psicomotor quanto para o desenvolvimento cognitivo e mental, com o auxílio de uma psicopedagoga, também responsável pelo reforço escolar.

Firmado em 2022, o contrato com a Petrobras marcou um avanço no atendimento a alunos PCDs na Vila Olímpica. Apesar de sempre ter sido um espaço de portas abertas para todos, até então não havia um atendimento especializado para essas crianças e jovens. Hoje, a estrutura conta com profissionais capacitados, oferecendo um serviço de excelência, com foco no desenvolvimento e inclusão desses alunos. No entanto, Tatiana menciona uma dificuldade: “Infelizmente, ainda temos um desafio para atender todos os alunos, principalmente porque alguns profissionais especializados são difíceis de encontrar. O professor de psicomotricidade precisa ser formado em educação física e ser psicomotricista, e nem sempre conseguimos essa combinação”. Apesar disso, ela destaca que o projeto já é um diferencial.


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