Morrerei
Morrerei sem nunca ter batido no peito e dito quem sou, exigido respeito.
Morrerei
Morrerei sem nunca ter batido no peito e dito quem sou, exigido respeito.
Morrerei depois de muitos anos já morto,
em um emprego infeliz,
Algo que eu nunca quis,
Mas que me sustenta,
Que bota comida na mesa,
Diferente daquilo que sempre sonhei,
Diferente da sede de fazer arte, de ser arte que eu sempre almejei.
Morrerei trabalhado por seis dias que passaram devagar, como se o tempo estivesse parado no lugar,
E um que passa tão rápido,
Que nem deu tempo de viver,
Aproveitar,
De com a arte me reconectar,
Um quadro pintar.
Um poema recitar.
Ler páginas e mais páginas.
Morrerei após perder festas, peças, e minhas próprias peças.
Um quebra cabeça incompleto.
Morrerei após me prender a um casamento infeliz, movido por circunstâncias estranhas, de um tal de heteronormatividade,
Morrerei após anos perdidos, em uma morte em vida.
Depois de morrer dentro de meu corpo, ele também me deixará, e receberei as flores e confissões que jamais recebi em vida.
Morrerei, mas antes, deixarei de ser morto, e me tornarei eterno nas palavras que nunca pude dizer.
메타데이터
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