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Resenha |“É toda a minha vida”, o livro da quase morte

Charlotte é um livro da vida. Um livro da arte. Um livro da vida e da arte. Um livro sobre as diferenças que não existiram entre a vida e…

Wesley Loebens · 2020-09-09 13:57 · 0 claps · 1.4 min read
#resenha #charlotte #david-foenkinos
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Resenha |É toda a minha vida, o livro da quase morte

Charlotte é um livro da vida. Um livro da arte. Um livro da vida e da arte. Um livro sobre as diferenças que não existiram entre a vida e a arte. Um livro da morte. Mas Charlotte não é só um livro. Charlotte já foi o que tinha que ser. Charlotte ainda é. E ainda está.

David Foenkinos é um artista apaixonado. Escreve Charlotte em tributo a paixão que sente pela jovem Charlotte Salomon. Que morreu nos campos de concentração. E que antes de morrer entregou sua vida a um médico. Sua vida em forma de quadros a um médico. Que cuidou de não matá-la por completo.

Mas Charlotte Salomon já nasce velha e quase morta. Tentava pintar sua vida à sua maneira. Vida que pra ela tinha o tom de um fado. Vida ou teatro? Quantas vezes essa questão vai precisar existir pra entender o que Charlotte, em plena juventude, também não soube saber? Charlotte pintava o mundo de cores que eram invisíveis à sua existência.

Do mesmo jeito que Homero fez em Odisseia, Foenkinos faz em Charlotte. Diz na primeira frase a que vem. “Charlotte aprendeu a ler o seu nome em um túmulo”. Quase um lead jornalístico. Quase uma síntese. Profecia. Todo o livro e a vida da artista toma forças e proporção avassaladora já na primeira frase.

Cada nova linha funciona como um gatilho. Cada novo verso em forma de prosa é um novo disparo. E a velocidade da leitura, o fluxo viciante que conduz o leitor, é uma nova forma de aprender que quase nunca dá tempo de se recuperar do que já foi lido. A próxima linha é um novo tiro a não se escapar.

Em Charlotte, todas as formas de amor, de sofrimento, de dor, alegria e entusiasmo. Todas as formas de emoções vividas e lidas se tornaram um quase. Charlotte, em livro, quadros ou memória, continua existindo depois de sua morte.


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