Entrevista // Black Bahia 2ª ed
O convidado de hoje é o poeta Jonedsun, o qual compôs a mesa “A Arte Griô”, na 2ª edição do Black Bahia.
Entrevista // Black Bahia 2ª ed


O convidado de hoje é o poeta Jonedsun, o qual compôs a mesa “A Arte Griô”, na 2ª edição do Black Bahia.
Mais conhecido como “poeta do Sol”, ele demarca orgulhosamente que é um baiano do interior. Acredita que a territorialidade atravessa não só a sua vida, como a arte que produz. Versando costumeiramente sobre deslocamento e não-pertencimento, em seus escritos.
O sol se tornou seu símbolo quando criou a página “sol de sábado”, nome também dado ao seu 1º e-book. Suas poesias são solares, irradiando e queimando, assim como queimou Ícaro e o pássaro mais medroso do mundo (seu novo livro).
Confira abaixo um pouco mais sobre a entrevista:
- Para você, qual o diferencial da poesia baiana?
A gente sabe como botar nossa identidade na arte. Se existem artistas que sabem imprimir sotaque, calor, afeto e ritmo em poesia, são os da Bahia. O diferencial é esse: ser como se é. Fora que ouvir poeta da Bahia declamar ao vivo é carinho pros ouvidos, experiência obrigatória.
2. Que impacto você pretende causar com a sua literatura?
Primeiro, que a poesia tá na vida real, na fala da gente, no olhar do menino cansado chegando tarde em casa com medo da rua noturna e pensando nas contas. Depois, quando escrevi e lancei o pássaro mais medroso do mundo,
vi que minhas obras são feitas pra serem narrativas sobre movimento e entendi que isso vem do não-pertencimento que sempre senti em todo lugar que morei. Quero impactar narrando as andanças dos impertencíveis Severinos de hoje em dia.
No mais, trago videopoemas e poesia visual pra literatura que eu faço, gosto de transformar meus escritos em obras que podem ser assistidas, escutadas, contempladas. Não quero estacionar no papel.
3. Na mesa “A Arte Griô” a importância da memória para o povo preto foi bastante ressaltada. A sua poesia também faz resgates?
Eu venho de uma família miscigenada e isso coloca alguns resgates em um lugar de difícil acesso porque os atravessamentos são diversos. O não-lugar fere. Na mesa, lembro de me sentir fora desse não-lugar e falei que estava sentindo minha família me assistindo. Resgate é isso. Mas ainda, quando escrevo sobre memória, noto que tudo vem muito de um lugar que me machuca por não conseguir acessar o passado como eu gostaria. É um tópico que escrevo pouco porque ainda me causa crises. Quero muito que a gente consiga resgatar o máximo do que nos foi tirado, tem muita gente que veio antes de nós, é preciso lembrar.
Para Jonedsun, aquilombar é o que pensamos ao ouvir Emicida cantar “Tudo que nós tem é nós”. É sentar com os mais velhos da sua família, resgatar um pouco a cada conversa. É um abraço ancestral no agora. Um lugar político e potente.
Você pode encontrá-lo no Instagram (@jonedsun), onde é possível adquirir seu livro e assistir aos videospoemas no feed e os bastidores de ser poeta nos stories. Assim como no Twitter (@soldesabado) e no TikTok (@jonedsun).
메타데이터
- post_id
- e597b45f034
- slug
- entrevista-2ª-ed-black-bahia-e597b45f034
- url
- https://medium.com/@revistaaquilombe/entrevista-2%C2%AA-ed-black-bahia-e597b45f034
- canonical_url
- https://medium.com/@revistaaquilombe/entrevista-2%C2%AA-ed-black-bahia-e597b45f034
- author_url
- https://medium.com/@revistaaquilombe
- status
- ok
- fetched_at
- 2026-07-24 02:50:28