Leituras de setembro
Vem, Senhor Jesus — John Piper
Leituras de setembro 2024
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Vem, Senhor Jesus — John Piper

O que esperar de um livro sobre a 2ª vinda de Cristo, escrito por um pastor batista americano? Neste livro Piper trata que o amor pela vinda de Cristo é essencial para sermos cristãos! Algo pouco desenvolvido nas igrejas. E de forma brilhante, como é de costume do bom velinho, ele desenvolve seu argumento expondo textos bíblicos que abrangem vários aspectos do retorno de Jesus. Confesso que esperava mais explanações de textos do livro de Apocalipse, o seu foco é maior em outros textos do Novo Testamento. E no meio do livro uma descoberta… Piper não é mais pré-tribulacionista, é pós! O que isto significa? Que seu entendimento sobre quando Jesus volta e quando sua igreja se encontra com Ele mudou ao longo do tempo da crença de um arrebatamento da igreja antes do evento chamado “a grande tribulação” para o arrebatamento após estes tempos difíceis que virão. Ficou meio no ar qual seria seu entendimento do Reino de Cristo, tive a impressão, de que ele pende para o amilenismo. Contudo o milênio não era o tema deste livro, mas é o do próximo livro desta resenha.
O significado do milênio — Robert G. Clouse, George Eldon Ladd, Anthony A. Hoekama, Loraine Boettner, Herman A. Hoyt

Lembro-me de que no ano 2000, uma campanha para prefeito adotou o lema: “Preparando a cidade pra o 3º milênio!”. Mil anos é muito tempo. E mesmo já estando a mais de 2 mil após o nascimento de Cristo, não deu tempo dos cristãos terem um consenso sobre o que são os benditos mil anos de Apocalipse 20. Brincadeiras de lado, que livro bom de ler é este! É o primeiro livro debate que leio, onde um autor desenvolve sua interpretação do milênio, e na sequência os outros três contra argumentam. E é assim até o final das 4 posições.
Estas são: 1. Pré-milenismo histórico: George Ladd, que acredita que Cristo reinará literalmente por mil anos na terra e após isto haverá o juízo final, porém sem distinguir Israel da Igreja. 2. Pré-milenismo dispensacionalista: Herman Hoyt, que acredita (com variações internas) que a igreja será arrebatada antes da tribulação, depois Cristo vai reinar por mil anos, e após vai ter o juízo final, tendo distinção entre Israel e Igreja no meio disto tudo. 3. Pós-milenismo: **Loraine Boettner, que acredita que o mundo vai melhorar, mesmo em doses homeopáticas, até quase não existir mais pecado, e nisto Cristo virá e reinará mil anos, executando seu julgamento após este tempo, sem distinguir Israel da Igreja. 4. Amilenismo: **Anthony Hoekama, que credita que o milênio é simbólico, nós já estaríamos vivendo ele, pois seria o tempo entre a ressureição de Jesus e a sua 2ª vinda prometida, que quando acontecer, será um evento único: Jesus volta, tem o juízo final e vida eterna logo ali, sem distinguir Israel da Igreja.
No fim, é interessante ver que o que diferencia cada posição é a forma como se interpreta o texto bíblico, ou seja, uma diferença na hermenêutica.
Minha posição nisto tudo? Bom, nenhum sistema é plenamente perfeito, todos tem pontos fortes e fracos ao interpretar o texto bíblico, gostaría muito de que o pós-milenismo fosse o certo, é bonito de ver a ideia, de que o evangelho irá se propagar até ao ponto do pecado quase não existir, porém compreendo que “a grande tribulação” é futura, logo, por falta de um sistema melhor, diria que sou amilenista.
Espaço para Deus — Henri Nouwen

Um livreto pequeno e profundo, onde o autor busca explorar o que significa uma vida espiritual e como vivê-la. É muito interessante ver Henri desdobrar seu argumento em pouco texto, conseguindo ser simples e objetivo. Creio que muitos livros de mais de 200 páginas poderiam ser menores seguindo o “método de Nouwen”. Sobre o tema, ele busca mostrar que viver uma vida espiritual não é algo mirabolante. Nós devemos vivê-la em nosso contexto do dia a dia desenvolvendo disciplinas espirituais, a qual ele define como sendo um esforço concentrado para criar um pouco de espaço interior e exterior em nossa vida. Ou seja, se não houver este “compromisso” de um espaço de tempo em nossa “agenda”, não há como desenvolver disciplinas espirituais. Uma das disciplinas que ele trabalha é a solitude intencional sem distrações à sós com Deus! Algo tão raro e escasso nos dias atuais. Segue uma citação dele sobre este tema:
Portanto, entrar num quarto à parte e fechar a porta não significa que imediatamente excluímos todas as nossas dúvidas interiores, ansiedades, medos, maus pensamentos, conflitos insolúveis, sentimentos de ira e desejos impulsivos. Ao contrário, quando nos afastamos das distrações exteriores, frequentemente descobrimos que nossas distrações interiores se manifestam com toda a força. Muitas vezes, usamos as distrações exteriores para nos proteger dos barulhos interiores. Dessa forma, não é de se admirar que tenhamos dificuldade para ficar sozinhos. A confrontação com nossos conflitos interiores pode ser dolorosa demais. Pag 68
Uma espiritualidade do viver — Henri Nouwen

Outro livreto de Nouwen, na mesma “pegada” do livro “Espaço para Deus”. Neste ele desenvolve três disciplinas espirituais: solitude, comunidade e ministério. Algo que me chamou a atenção, foi quando apresentou o pressuposto fundamental que devemos ter para viver. Nós somos amados por Deus! E viver, partindo deste pressuposto, desta ideia fundamental, muda a forma como encaramos as dificuldades e os bons momentos.
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