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Paço do Frevo: um espaço vibrante que expõe e celebra cultura na cidade do Recife

O local difunde e preserva o frevo como uma espécie de santuário

Lucas Pinto · 2026-06-20 15:49 · 0 claps · 3.3 min read
#frevo #recife #pernambuco #cultura #brasil
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Paço do Frevo: um espaço vibrante que expõe e celebra cultura na cidade do Recife

O local difunde e preserva o frevo como uma espécie de santuário

Frenético, colorido, plural e, acima de tudo, pernambucano. É assim que o frevo pode ser definido. Patrimônio cultural imaterial da humanidade, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) desde 2012, o ritmo que é uma marcha acelerada acompanhada de uma instrumentação orquestral, surgiu entre o final do século XIX e início do século XX, e permanece até os dias de hoje como uma das maiores manifestações artísticas do Brasil.

O frevo teve sua origem em Recife, na rivalidade entre bandas militares. A palavra “frevo” vem do verbo “ferver”. O nome faz referência ao fato de ser, justamente, uma dança calorosa, onde os passistas usam as pernas e as mãos para movimentos desenfreados e velozes. É comum elementos de capoeira serem observados nos passos, especialmente nos carnavais de rua de Recife e Olinda, onde o ritmo é extremamente vívido. O frevo tem sua celebração em duas datas: dia 9 de fevereiro, que lembra a primeira vez em que foi citado na mídia e em 14 de setembro, quando é comemorado o Dia Nacional do Frevo.

Em 2014, foi inaugurado na capital pernambucana o Paço do Frevo, um espaço cultural de três andares que difunde informações sobre essa cultura. O local expõe, protege e celebra essa prática em uma espécie de santuário para o ritmo, que fica localizado na Praça do Arsenal, no Recife Antigo. O museu, além de oferecer palestras, promove concentrações de dança, cursos para formar passistas e visitas mediadas, funcionando das 10h às 17h, de terça a sexta-feira e nos sábados e domingos fechando às 18h.

No térreo, os turistas encontram bilhetes por R$10 (inteira) e R$5 (meia), mas também podem ser adquiridos online. No primeiro piso também funciona um café, onde o público pode se sentar e se preparar para a tour observando paredes vermelhas, que contam com o nome de diversos artistas relacionados ao frevo, funcionando como um mural.

As primeiras salas — que tem exposição fixa — permitem os visitantes conhecerem mais sobre o frevo e sua cultura de uma forma sensorial, contando com fones de ouvidos e até liquidificadores que emitem sons, revelando histórias e tocando músicas. Além de tudo, os espaços são de estruturas e arquiteturas chamativas e vibrantes, contando com um coração metalizado construído de instrumentos musicais e até um paredão cultural feito de isopor. Exposições não permanentes também são exibidas, dando sempre rotatividade e mostrando algo novo para quem já costuma ir.

O andar mais alto, no fim da visitação, os turistas se deparam com grandes janelas de vidro que dão uma visão ampla da cidade do Recife, tudo isso em um piso também transparente com estandartes de carnaval “enterrados” e paredes e tetos também enfeitados com símbolos carnavalescos, deixando quem visita imerso por completo. Todo o espaço é acessível e os andares podem ser visitados tanto de escada quanto de elevador.

Hinês de Paula, formada em gastronomia pela UFRPE, é apaixonada pelo frevo e conta o que a fascina nessa cultura. “Tudo me encanta no frevo. O tempo da música, os passos únicos e com técnica e a forma que o corpo se conecta”.

A gastrônoma, que também é admiradora da cultura pernambucana em sua totalidade, já participou de uma oficina no Paço, local que já frequentava, para aprender a frevar de forma amadora, e diz que fazer o curso também foi uma oportunidade de passar o tempo e se exercitar. “Entrei na oficina para aprender mais sobre minha cultura, mas também queria exercitar mais meu corpo. Passei mais de um ano nas aulas, mas sempre como forma de hobbie”.

Hinês está trabalhando em um cruzeiro pelo mundo, e conta sobre a saudade que vai sentir de brincar carnaval no período de fevereiro. “Meu coração sempre foi e será do frevo. Muito provavelmente não estarei em Recife, mas fico feliz de imaginar as festas e o calor”, completa.

Com as mais diversas formas de disseminar a cultura local, o Paço se mostra um ambiente rico, preservando a história, guardando e mostrando para seus visitantes através de imagens e outros registros a importância e beleza que o frevo abriga, como manifestação cultural e patrimônio.


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