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Nem todo texto é fácil de ser lido, mas não significa que não trará uma boa experiência ao final da…

De leitura difícil, fiquei muito feliz pela extensão desse ensaio ser curta (rs).

Gbrufini · 2025-01-24 22:21 · 0 claps · 2.6 min read
#catástrofe #sentimentos #poesia #arte #resenha
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https://www.iluminuras.com.br/sentimentos-da-catastrofe-o

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Nem todo texto é fácil de ser lido, mas não significa que não trará uma boa experiência ao final da leitura (parte I)

De leitura difícil, fiquei muito feliz pela extensão desse ensaio ser curta (rs).

Afinal, isso me possibilitou uma releitura logo em seguida para aí sim, mergulhar num grande mar fresquinho da paisagem mais linda e fantástica nesse calor da desgrama que enfrentamos.

E aí sim pude entender a poesia da idéia e o tanto que ela serviu para romper ideias seguras e inquestionavelmente exatas em mim com a força de bombas atômicas ou tsunamis como o que tanto destruiu na Ásia em 2004, criando novas linhas para novas ideias.

Esse é o potente, encantador e (insira um palavrão à sua escolha aqui) dessa autora, desse ensaio, da Filosofia e dos textos que tratam sobre as ideias.

Do surgimento moderno do conceito de catástrofe a toda mudança de significados que ele foi assumindo e transformando ideias pelo caminho até os tempos atuais (que parecem ser bem semelhantes com os anos 80, quando essa obra foi originalmente escrita) , a autora mostra a importância em não perdermos o “sentimento de catástrofe”, já que ele carrega uma potencia imensa mas que parece ter sido cooptado pelo mesmo sistema que produziu esse modo de vida que vivemos: vazio, que não deseja, que continua e visa continuar sem questionamentos ou modificações.

Apesar de parecer superficialmente um ensaio niilista, trata — se na verdade um “texto — cofre”, onde a autora guarda a potencia do desconhecido que parece (veja bem, PARECE) existir cada vez menos em nosso (fim de) mundo

Para a autora, catástrofe tem um sentimento de abertura, de mudança, de encontrar desejo onde ele encontra — se adormecido, de encontrar — se desejante e de misterioso “inumano” , que sempre carrega uma fusão de medo e desejo, simultaneamente.

E o fim de mundo, esse que temos atualmente — desde os anos 80 na verdade, quando a autora escreve esse texto — trata — se de imagens homogêneas esvaziadas ligadas direta e historicamente

  • ao modelo ocidental — racional de pensar o homem e sua forma de relação com o mundo e com a natureza, separando — os e deixando — os em categorias distintas e independentes;
  • ao cinema hollywoodiano e seus filmes de catástrofe que homogeneízam a catástrofe na imaginação humana para algumas poucas e específicas possibilidades, trabalhando inclusive certezas sobre o mundo posterior a ela, extinguindo com qualquer possibilidade outra de pós — agora;

Outro esvaziamento que a autora demarca que a leva a defender ainda mais a catástrofe e seu sentimento, assim como a natureza, são algo a dar ao homem informações para compreender e explicar sobre sí, sobre o que sente e é.

Se o homem é parte da natureza, separá — lo deixa a faltar uma parte de sí mesmo (agora eu entendi isso!!). E falta significa quem é, o que sente, características e como expressar tudo isso.

Na ausência de tudo, é claro que o homem vai surtar com o silencio e quando tem que olhar para sí mesmo. Muito do seu medo de catástrofes inclusive trata — se de, na derrubada do mundo certo e conhecido, ter que olhar para sí e identificar o que é “essencial”. E nessa hora parceiro, ele olha diretamente para o vazio.

Então recomendo que você leia e transcenda essa simples e vazia imagem de fundo de mundo que vc acha que conhece. No próprio “sentimento de catástrofe” existe um universo muito maior e potente do que vc pode imaginar.

Entenda como no livro a seguir (hahahaha)

Mas seguem links da editora para mais informações (e devaneios) e em para encontrar nas bibliotecas públicas de SP.

[embed]SENTIMENTOS DA CATÁSTROFE, O Annie Le Brun Annie Le Brun (1941) é poeta e ensaísta francesa. Publicou importantes estudos sobre Sade e outros…www.iluminuras.com.br

https://bibliotecacircula.prefeitura.sp.gov.br/pesquisa/titulo.jsf?codigo=452589&fonte=SMC


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