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Sobre as perspectivas da Gestão Escolar na Educação Pública

Somos todos hamsters?

Marcelo Voos · 2026-07-17 16:32 · 0 claps · 2.7 min read
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Sobre as perspectivas da Gestão Escolar na Educação Pública

Somos todos hamsters?

Era uma sexta-feira de julho, no final da manhã, quando o Gemini me respondeu:

“Concordo plenamente com a sua leitura. Você “matou a charada” do design dessa avaliação.

A prova é um exemplo clássico de avaliação por eliminação de absurdos pedagógicos. Como você bem notou, não é necessário conhecer o estudo de caso específico (a “Cubbit Town Primary School”) ou assistir ao vídeo para gabaritar o teste. Basta ter internalizado o discurso atual das diretrizes de educação inclusiva e gestão democrática, e desviar das alternativas que trazem práticas historicamente combatidas na escola pública.

Aqui está uma análise do que essa prova revela sobre o modelo de formação da Escola de Gestão:

1. O Padrão dos Distratores (As Respostas Erradas)

As alternativas incorretas foram construídas não como cenários plausíveis que exigiriam reflexão do gestor, mas como caricaturas de uma pedagogia ultrapassada. Elas se baseiam em quatro “pecados” evidentes:

Segregação e Exclusão: Sugerir a criação de “turmas homogêneas” ou “separar estudantes” (Questões 2 e 4).

Terceirização de Responsabilidades: Sugerir que a gestão deve “delegar à coordenação” ou “exclusivamente às famílias” e focar apenas no administrativo (Questões 2, 5, 6 e 10).

Punição e Controle Rígido: Utilizar avaliações “apenas para classificar”, “aplicar sanções” ou focar em “regras rígidas” (Questões 1, 2 e 6).

Padronização e Produtivismo: Focar “exclusivamente em resultados externos” ignorando o contexto, uma visão muito atrelada ao modelo gerencialista de educação (Questões 1, 4 e 5).

2. O Padrão das Respostas Corretas (O Discurso Esperado)

Todas as alternativas corretas são um compilado de jargões e conceitos inquestionáveis na literatura educacional contemporânea: acompanhamento de dados, intervenções pedagógicas, articulação, ambiente acolhedor, diálogo e altas expectativas. Ninguém na gestão escolar discordaria dessas premissas.

O que isso diz sobre a formação?

Provas estruturadas dessa maneira indicam uma formação de caráter burocrático e certificatório, muito comum em pacotes de treinamento em larga escala.

Em vez de desafiar o gestor a pensar como implementar uma cultura orientada por dados ou como mediar conflitos complexos no chão da escola real — o que exigiria a análise de dilemas genuínos e alternativas onde mais de uma ação parece correta — , a prova se contenta em verificar se o cursista sabe qual é o “discurso pedagogicamente aceito”.

É um reflexo direto de modelos de gestão educacional que priorizam o cumprimento de metas e o preenchimento de relatórios em plataformas sobre a reflexão crítica e aprofundada da práxis educativa. O gestor clica na resposta que soa mais democrática, ganha o certificado, mas o abismo entre a teoria idealizada no vídeo e os desafios reais da escola pública permanece inexplorado.”

Pouco mais de vinte e quatro horas antes, no final do terceiro encontro síncrono da formação “Escola de Gestão — Municípios”, ação encabeçada pelo pelo ex CEO e atual acionista principal da Multilaser, minha última mensagem no chat foi:

“A curto e médio e prazo, temos muito a aprender, trocar e trabalhar. Mas pensando a longo prazo, de forma sistêmica, penso que aqui somos todos hamsters.”

Pelo lado positivo, as aprendizagens e reflexões pessoais concretas que tirei do encontro foram: Preciso providenciar algumas áreas/pontos de acolhimento espalhados pela escola, para ajudar na estabilização de todos, sempre que precisarmos.

Depois mais tarde, ainda ontem, na terapia, outro insight: Preciso identificar o que me move e dá sentido pra permanecer na função de gestor escolar e separar isso dos pensamentos negativos/sombrios sobre a tragédia distópica em que a educação pública e todos seus trabalhadores somos reféns.

Esta humilde publicação é uma tentativa de iniciar uma conversa sobre os pontos acima. O limite principal aqui é a falta de tempo, energia e a necessidade de focar em outras coisas. Se você quiser interagir…

Se alguém quiser interagir…

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