Para além da assessoria de imprensa, uma comunicação construtiva: bate-papo com Cíntia Araium
A assessora de personalidades como Marcos Mion e Titi Müller nos conta sobre sua trajetória
Para além da assessoria de imprensa, uma comunicação construtiva: bate-papo com Cíntia Araium
A assessora de personalidades como Marcos Mion e Titi Müller nos conta sobre sua trajetória
Por Ana Luiza Messenberg, Letícia Riby, Maria Laura Mazo e Victória Gorski

Cíntia Araium em viagem a Bahia (Foto: Instagram @cintiaaraium)
Em uma padaria artesanal no bairro da Pompéia, em São Paulo, Cíntia Araium percorre por sua carreira e formação em um bate-papo de quase duas horas. A jornalista nos conta como foi que a assessoria chegou a sua vida e a forma que enxerga o mercado de comunicação atual. Mãe de dois e em seus recém-completos CINquenta anos (como brincou no Instagram ao comemorar o aniversário), Cíntia hoje trabalha com personalidades — como Marcos Mion, da Globo, e Titi Müller, apresentadora do Multishow — mas também já passou por grandes veículos como o Estadão e a Revista Caras.
Em seu perfil no Conversarium, plataforma que permite a interação entre profissionais e pessoas interessadas, afirma acreditar que “com verdade e responsabilidade, combinação de alcance e influência é capaz de mudar uma carreira e o mundo”.
Anos de formação
Natural de Sorocaba, Cíntia veio para São Paulo em meados de 1992 para ingressar no curso de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero. Durante os primeiros meses de estadia, a assessora conta que sofreu muito com o choque de realidade entre o interior e a capital: “Cada um seguindo sua vida, principalmente quem é de São Paulo. Eu sentia muito isso, eu não tinha uma galera.” relata a jornalista.
Durante o primeiro ano, outros dois companheiros de sala compartilhavam a mesma experiência, Denise, de São José do Rio Preto, e Júnior, de Franca. Conforme os meses foram passando, ambos abandonaram o curso por problemas pessoais, deixando assim a sorocabana com o posto de única pessoa de fora: “Acabava a aula e era tchau. Não tinha ninguém para almoçar comigo, todo mundo ia almoçar com a mãe, ou ia pro inglês, entendeu? Então assim, abracem as amiguinhas de fora, é muito punk.”
A vivência acadêmica oferece muitos ensinamentos além das aulas, e foi assim para a jornalista, que relata as primeiras experiências no mundo político na faculdade com os discursos do, na época, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lindbergh Farias: “Eu descobri que tinha PSOL na faculdade. Nunca tinha ouvido falar, não era nada politizada naquela época. Lindbergh Farias, que hoje é deputado, ia na faculdade, subia na mesa para protestar. Imagina, uma menina de Sorocaba, achava isso sensacional.”
Durante o bate-papo, a assessora comenta sobre os momentos de desânimo na universidade, causados principalmente pela solidão, mas pontua o quanto a terapia e as experiências de estágio ajudaram o caminho. Cíntia compartilha a importância do apoio dos pais e como eles a encorajaram no início:
“Meu pai falou para eu fazer terapia e minha mãe pediu para eu ir trabalhar. Eu fiz as duas coisas, o que foi muito importante. Minha mãe falou: ‘vê na prática se é isso mesmo que você quer, se você gosta, porque se não gostar é melhor sair’. Já a terapia foi para discutir o quanto era difícil ficar sozinha na cidade.”
Das cadeiras da redação à assessoria de imprensa
A jornalista comenta que sua vontade sempre foi trabalhar em uma revista, que inclusive foi o tema de seu TCC: junto de duas amigas, Cíntia apresentou à banca um veículo voltado para a terceira idade, em 1995.
Durante o último ano, conta que trabalhou na Rádio Gazeta e que essa experiência foi essencial para garantir sua vaga no Estadão — onde conheceu seu ex-marido. Cíntia percorreu desde o infantil até o “Seu Bairro”, que cobria separadamente regiões de São Paulo, mas logo voltou seu olhar para as revistas. Foi então que começou a escrever para a Caras, conhecida por suas notícias de celebridades e novelas, onde ficou dois anos antes de migrar para uma revista de decoração e arquitetura — temas pelos quais é apaixonada.
Em seus anos como redatora, Cíntia estava com seus filhos, Marina e João, ainda pequenos e comenta que muitas vezes a rotina de jornalista atrapalhava seus compromissos como mãe. Foi então que, enquanto ela e o ex-companheiro consideravam uma mudança para o Rio de Janeiro, recebeu uma ligação da sua ex-chefe da Revista Caras:
“A primeira frase que ela me disse foi: ‘olha, não é Rio, mas eu acho que é a sua cara!’. E aí me fala de um trabalho de assessoria que eu nunca tinha pensado. Alguém de fora olhou um conjunto meu de características que entendeu que podia fazer sentido para aquele perfil, que era para uma assessoria de personalidade, para entender como é que funciona o mundo das celebridades. Por eu ter trabalhado na Caras, eu entendia como fazer jornalismo de celebridades e assim fui, mesmo sem saber pra quem seria o trabalho.”
Cíntia relata que, na época em que se formou, a assessoria não era sequer mencionada na faculdade e que é interessante ver como hoje se tornou um marcado imensamente maior e mais complexo. Hoje, enxerga seu trabalho como uma “comunicação construtiva”:
“Eu sinto que a assessoria, hoje, está muito mais em um terreno de preparar as coisas antes de qualquer manifestação, seja na imprensa ou no stories. É importante estar junto do cliente para pensar as coisas. Eu tento despertar neles a responsabilidade dessa influência. Entender que tudo que você publica, posta ou mostra num programa está influenciando aquele público. Essa percepção de saber quando falar, quando ouvir ou quando abrir espaço é o que eu chamo de comunicação construtiva.”
Durante sua carreira, também trabalhou com grandes nomes da mídia brasileira como Eliana, Ticiane Pinheiro e Tom Cavalcante.
Eliana

Cíntia e Eliana na época em que trabalhavam juntas (Foto: Instagram @cintiaaraium)
Num período entre o final de 2003 e começo de 2004, após um almoço com o empresário da apresentadora, sem muitos detalhes sobre o novo trabalho e contato com a área, Cíntia agarrou, em 24 de fevereiro, a oportunidade de começar a trabalhar efetivamente como assessora da apresentadora de TV Eliana, que na época ainda estava no ramo infantil.
“Eu lembro de ter que encerrar onde eu estava, finalizar as matérias pra poder ir lá pedir demissão, então eu fui. Era um trabalho que não era CLT, o que foi uma loucura.” Relata a entrevistada sobre a mudança.
Um ano depois de estar trabalhando com a apresentadora, Cíntia foi contatada de novo por sua ex-chefe, Andrea Dantas, a quem ela apelidou de “madrinha profissional”, a indicando para Tom Cavalcante, com quem trabalhou por oito anos.
Cíntia relata que a apresentadora sempre foi alguém muito pontual e que gostava sempre de se preparar antes de uma entrevista, para que suas palavras não fossem tiradas de contexto. Segundo a assessora, Eliana é uma pessoa muito disciplinada, o que a mesma julga como algo muito importante neste ramo. Ela também diz que aprendeu muitas coisas com a apresentadora e com todos os seus clientes.
“A Eliana foi um capítulo muito importante da minha vida por quinze anos. Eu comecei a trabalhar com ela em fevereiro de 2004, e em outubro, mês das crianças, ela fez seu último programa infantil. Eu fechei para trabalhar com uma pessoa que era de um determinado lugar da mídia e de repente ela ia começar uma outra história. Foi algo muito importante, a gente realmente precisou fazer uma transição, e foi gratificante ouvir dela que eu era parte daquilo.” Comenta Cíntia sobre seu tempo de assessora da apresentadora de TV.
Marcos Mion

Cíntia Araium e Marcos Mion em festa comemorativa (Foto: Instagram @cintiaaraium)
Seu trabalho com Mion começou em 2013. Ao longo da entrevista, Cíntia comentou muito sobre a visibilidade que o artista trouxe para a causa do TEA (Transtorno do Espectro Autista), em razão de seu filho Romeu: “Mas ele trouxe o assunto, e esse é o mérito dele. Ele não vai solucionar o autismo, ele não fala com todos os pais de autistas, mas ele trouxe o assunto para a pauta.”
Indagada sobre a área de torcedores com TEA na Arena Corinthians, da qual Mion foi consultor de projeto, Cíntia disse que acompanhou o artista até lá, e que ele não participa desses projetos pela imprensa. O apresentador decidiu falar sobre o autismo do filho anos atrás, escrevendo um texto e sendo orientado por Cíntia a postá-lo em sua página do Facebook. Ela disse que foi Eliana quem a ensinou a incentivar os artistas a utilizarem seu próprio espaço.
A jornalista brinca que virou o “SAC do autismo no Brasil”, visto que o ex-MTV é militante pela causa:
“Dentro da comunidade autista mesmo existem críticas a ele, dizendo que ele romantiza, enquanto ele apenas compartilha a sua vivência. Então, com o tempo nós fomos aprendendo a colocar nossas vírgulas, deixando explícito que aquela é a sua realidade e que existem múltiplas. Ele é alguém que milita pela paternidade também, então ele procura incluir as diversas realidades fora do ‘convencional’ em seus discursos.”
Ela relata, com certo orgulho, que a trajetória de Mion passou de “moleque da MTV, muito doido”, para um homem casado, pai de três filhos e ciente de sua responsabilidade como tal, visto que levanta pautas sobre paternidade.
Ao citar seu trabalho como assessora, Cíntia relembra um caso de fake news envolvendo o apresentador e conta como lidou com isso. Perfis de fofoca soltaram que Mion havia retirado um câncer de pele, coisa que ela nem levou em consideração, pois era menos grave do que estavam postando. A solução foi postar, de forma descontraída e enquanto passeava com seu cachorro, que estava tudo bem e não passava de um procedimento simples. Cíntia diz que prefere ignorar e não dar ainda voz a esses perfis, que, segundo ela, só querem “aparecer e aumentar a informação.”
Titi Müller

Cintia e Titi Müller em foto divulgada nas redes (Foto: Instagram @cintiaaraium)
Recentemente, Cíntia iniciou o trabalho de gerenciamento de crise com Titi Müller, que vem de uma luta pública contra seu ex-marido Tomás Bertoni, acusado de violência física e psicológica contra a apresentadora. O contrato tem a duração de 3 meses.
메타데이터
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