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Quando o artista deixa de ser artista pra poder ser artista de fato.

“Passei num concurso, vou ser professora!” (passei mesmo!) “Parabéns!! Professora de artes?” “Não.” (eu, com cara de surpresa) “Não??? De…

Maria Estrázulas · 2020-02-04 21:28 · 3 claps · 1.5 min read
#arte #artes-visuais #educação #vida-de-artista
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Quando o artista deixa de ser artista pra poder ser artista de fato.

“Passei num concurso, vou ser professora!” (passei mesmo!) “Parabéns!! Professora de artes?” “Não.” (eu, com cara de surpresa) “Não??? De que, então?” (o outro, mais surpreso do que eu)

Explico:

Sou filha de artistas e fui estudante de colégio de freira. A entrada na escola criou um trânsito entre realidades paralelas com valores e regras discordantes, uma vida dupla: a de casa e a da escola.

A minha escola era intrigante, tinha castigo físico. Observava que uns aprendiam e outros não. E eu gostava de quase tudo: do material, das amigas e de fazer os trabalhos com elas, das brincadeiras, mas ficava sensibilizada pelos colegas humilhados.

Foi na escola bizarra que a educação formal e o desenvolvimento cognitivo começaram a chamar minha atenção como objeto de análise e reflexão, mas só consigo usar essas palavras porque sou Pedagoga. Fiz o curso sem pretenção de atuar, queria apenas estudar o máximo que desse. Estudei educação até que meu conhecimento não servisse pra nada que não fosse estudar mais e fui embora.

Sou artista porque tudo da minha vida pessoal é em torno de arte desde que nasci. Quando casei foi com um artista e sou mãe de filho com aptidão artística, é a linguagem da minha casa. Sou aprendiz de artistas e autodidata em algumas modalidades artísticas. A grande maioria das minhas amigas e amigos mais próximos são artistas e/ou produtores culturais. Se não tivesse estudado outra coisa, arte e produção seriam tudo que eu saberia fazer.

Ser artista é bastante coisa, eu acho. Sou orgulhosa da minha família, d@s amig@s e de mim, mas é vantagem que não seja tudo que tenho, porque chega! É enfadonho produzir obras cotidianamente para atender demanda. Na linha de produção, a arte que tem na pessoa adormece de tédio. Em 2020, passo oficialmente atuar como profissional da educação, aplicando o que estudei na academia. Estou enfadada de precisar da renda da arte pra viver, quero viver pra fazer arte.

Com 20 anos de formada, me orgulho de entrar numa rede de ensino. Florianópolis tem uma proposta pedagógica contemporânea e estruturas organizacional e física privilegiadas em relação a outras redes públicas. É uma felicidade imensa saber que vou trabalhar com crianças, peculiares pela sinceridade e comprometimento. É um grande desafio aplicar com coerência o que aprendi e defendo que a escola seja.


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