no colo desta serra
há muita coisa que aprendo rápido mas
no colo desta serra
há muita coisa que aprendo rápido mas a generosidade persistente da serra das flores é uma coisa que me balança todos os átimos. a gente ainda se estranha nessas boleias quase indiscriminadas de zelo, de beijos fortes na banda da cabeça, ainda que o afeto de infância tenha se criado hoje mesmo. mas eu não resisto.
descobri um pouco sozinha que numa capital sudestina posso botar toda a minha trouxa de forças a serviço do mundo sem qualquer homeopatia e ainda assim talvez invente (outras giras?) a roda que já roda lá.
mas quando a serra aqui me pega e me beija e me chama pra sentar à mesa, quando a serra me chama de uma casa a outra e me serve uma duas trinta geladas, quando a serra me pergunta onde ousei deixar o pandeiro que não trouxe mais à rua, quando a serra me convida pra recitar e cantar e tocar e dançar junto e pede pra conhecer as belezas que já aprendi, eu choro.
esquisito demais desbravar muito mundo um pouco sozinha porque nesse quê de sozinha não dá muito pra ver no que é que pode dar. só se vai, é certo; sem saber direito aonde, só ao quê.
quando a serra me machuca por capricho pequenino que sabe que é capricho e é pequenino, eu que vim do mar morto de arrecife cuido logo de deixar pra trás.
mas a serra pega e me amolenga nos braços. pergunta onde está minha voz que não me ouve cantar. quando ouve, vem me beijar. e eu choro.
(26/Jan/20)
메타데이터
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