A semana terminou como o esperado.
E, nesse caso, vale ressaltar: o bolsonarismo é um movimento absurdamente ruim para o povo. Despolitizou milhões, criou narrativas falsas…

A semana terminou como o esperado. A mobilização popular deste domingo, 21 de setembro de 2025, em todas as capitais do país e em muitas cidades menores, foi um movimento histórico da população frente ao avanço descarado dos sacanas do Congresso.

E, nesse caso, vale ressaltar: o bolsonarismo é um movimento absurdamente ruim para o povo. Despolitizou milhões, criou narrativas falsas, espalhou premissas distorcidas e se enraizou como um câncer em boa parte da sociedade. Mas o Centrão, essa cobra maledicente que vive entre nós, é ainda mais perigoso. É ele o verdadeiro responsável pelas articulações corruptas que paralisam e sabotam o Brasil.
Se 30% é Lula e 30% é Bolsonaro, os outros 30% são aqueles que dizem: “não gosto de política, não debato política, político é tudo pilantra”. É nesse espaço de descrença que o Centrão floresce.

O estopim: a PEC da Blindagem
A indignação popular explodiu após a aprovação, na última terça-feira, 16 de setembro, da chamada PEC da Bandidagem (ou da Blindagem). Uma vergonha nacional, apoiada irrestritamente pelo Centrão e por setores bolsonaristas, mas que também contou com votos de parte dos chamados progressistas.
Havia acordos em jogo: o governo queria avançar em pautas populares, como isenção de IR até 5 mil reais e redução da conta de luz para famílias carentes. Propostas importantes, mas travadas no Congresso desde que começou o julgamento de Jair Bolsonaro no STF.
Enquanto isso, o PL e seus aliados só se preocupavam em empurrar a anistia de Jair e sua turma, deixando o país de joelhos frente ao tarifaço de Trump, que eles chegaram até a festejar.

A paralisia do governo
Muitos movimentos populares já reagiam nas redes sociais, criticando o governo Lula pela postura vacilante. A desculpa da “correlação de forças” e a retórica de que “não devemos dar armas para a direita” já não convenciam.
O Brasil não pode ser refém de uma classe política extremista, que prega a destruição da esquerda, do petismo, que naturaliza a violência e os ataques à democracia. Mesmo assim, Lula não enfrentava o Congresso de frente, apesar do sequestro das pautas de soberania nacional.
O ponto de ruptura
O texto da PEC trouxe uma afronta ainda maior: o voto secreto em processos contra parlamentares. O governo comemorou como vitória a derrubada desse dispositivo, mas logo em seguida o Congresso deu o golpe final: aprovou sorrateiramente o voto secreto e, ainda, a tramitação em caráter de urgência da PEC da Anistia.
Foi a gota d’água. Até mesmo o petista mais acomodado percebeu que era demais.

A retomada das ruas
Na quarta-feira, as redes sociais já ferviam. Movimentos populares, artistas, coletivos e lideranças começaram a organizar a resposta. O chamado ganhou corpo: ir para as ruas no domingo, 21 de setembro.
E o povo foi. Foi um dia histórico. A retomada da mobilização de rua, que a esquerda já não conseguia mais realizar com tanta força. Mesmo sendo uma pauta moral — a luta contra a impunidade e a blindagem parlamentar — , ela marca um ponto: o povo voltou a ocupar o espaço público.
Houve críticas, claro, especialmente de setores petistas que temiam um “novo 2013”. Mas a mobilização mostrou que a sociedade não vai aceitar calada a blindagem da corrupção e da extrema direita.

O que vem depois
Celebrar o dia é importante. Mas é preciso dar o próximo passo. As ruas não podem se esvaziar. Elas devem ser palco das pautas que mudam a vida do povo trabalhador:
- Fim da escala 6x1 no trabalho
- Aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda
- Taxação de grandes fortunas
- Maior alíquota de IR para os super-ricos
- Redução de impostos sobre consumo
- Mais investimento público em saúde, educação e moradia
Essas pautas precisam estar todos os dias nas ruas — seja em grandes manifestações, seja em pequenos atos locais: um carro de som na praça, uma roda de conversa na escola, uma reunião no bairro.
A classe política já sabe como usar esse método durante campanhas eleitorais. Nós também precisamos usá-lo para politizar, conscientizar e organizar a classe trabalhadora.
Porque ela não virá até nós — nós é que devemos ir até ela.
Conclusão
21 de setembro de 2025 deve ser lembrado como um dia em que o povo disse basta. Um dia em que ficou claro que, apesar da blindagem do Congresso e da inércia do governo, o Brasil ainda pulsa.
A história não se faz apenas em grandes atos nacionais. Ela se constrói nas esquinas, nas praças, nos encontros cotidianos. Se o Congresso se blindou, o povo se despiu do medo. E a política deve voltar a ser nossa arma de transformação.
Parabéns, Brasil. Continuemos a lutar.
메타데이터
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