Aquenda Palooza 2026
Seis anos sem baixar o tom
Aquenda Palooza 2026: Seis anos sem baixar o tom.
Aquenda Palooza 2026
Seis anos sem baixar o tom
Eu criei o festival de comédia Aquenda Palooza porque sentia falta de um lugar assim. Não de um evento LGBTQIAPN+ de fachada, nem de uma noite temática criada para preencher calendário, nem de uma ação bonitinha para parecer inclusiva durante o mês do orgulho. Eu queria um palco onde artistas LGBTQIAPN+ pudessem fazer rir sem pedir licença, sem suavizar a própria existência e sem virar decoração de diversidade para marca nenhuma.
Durante muitos anos, artistas LGBTQIAPN+ circularam pela comédia brasileira quase sempre como exceção, estereótipo, alívio cômico ou presença lateral dentro de estruturas que raramente eram pensadas para eles. Havia talento, havia público e havia histórias urgentes. O que quase não existia era um espaço contínuo, seguro e assumidamente voltado para essas vozes.
Foi daí que o festival surgiu. Não como uma noite temática, nem como um evento oportunista colado no calendário, mas como uma tentativa concreta de criar um lugar onde a gente pudesse existir no palco sem precisar diminuir a própria voz para caber melhor no ambiente.
Acho que por isso chegar ao sexto ano tem um peso tão grande para mim. Manter um festival cultural no Brasil já é difícil. Manter um festival independente de comédia também é. Agora imagina manter um festival LGBTQIAPN+ sem patrocinador algum, com um orçamento apertado ao extremo, praticamente tirando tudo do próprio bolso, sem máquina corporativa, sem edital salvador e tentando fazer o melhor possível mesmo assim.
Os artistas merecem um agradecimento à parte. Muita gente topou construir o Aquenda comigo recebendo uma ajuda de custo que às vezes mal cobre o deslocamento. E ainda assim foi, acreditou, ocupou palco, trouxe texto, presença, afeto e coragem. Sem essa rede, o festival simplesmente não teria atravessado esses anos.
6º Festival de Comédia Aquenda Palooza noite de estreia lá no Quintal 1385 da Rua Augusta
Por isso eu digo que o Aquenda é quase um ato de teimosia afetiva. Ele foi crescendo na contramão da lógica que normalmente valida projetos culturais. Primeiro vieram as noites pequenas, os convites feitos no corpo a corpo, o público que chegava sem saber exatamente o que esperar, os flyers feitos entre uma demanda de trabalho e outra, as dúvidas sobre continuar e aquela sensação constante de que talvez tudo fosse grande demais para caber na realidade de quem estava organizando aquilo praticamente sozinho.
Mas alguma coisa segue acontecendo. As pessoas saem dos shows dizendo que nunca tinham visto uma noite de comédia daquele jeito. Artistas começam a entender que não estão sozinhos. Gente que passou a vida inteira ouvindo piada sobre si mesma finalmente consegue rir de dentro da piada, e não mais apenas como alvo dela.
Isso muda tudo, porque o Aquenda nunca foi só sobre humor. O humor é a ferramenta, claro, mas por trás dele tem pertencimento, visibilidade e a possibilidade de uma pessoa LGBTQIAPN+ subir num palco sem precisar explicar a própria existência antes de começar o texto.
Ao longo desses anos, o festival foi criando algo raro, que é continuidade. Uma edição muita gente consegue fazer. O difícil é voltar no ano seguinte, depois no outro, depois no outro, e continuar existindo quando passa o entusiasmo inicial e ficam os boletos, o desgaste emocional, a dificuldade de atrair público organicamente, a insegurança financeira, o medo de dar errado e aquela pergunta silenciosa que acompanha praticamente todo projeto independente no Brasil. Até quando isso vai ser sustentável?
Chegar ao sexto ano é sobreviver a tudo isso sem fingir que foi fácil. É olhar para trás e perceber que cada edição carregou uma camada de aprendizado, uma lista de erros, uma coleção de encontros, algumas frustrações, muitos improvisos e uma certeza cada vez mais difícil de abandonar. Esse espaço precisava existir.
Camarim do Aquenda Palooza lá no Barbixas
Também tem uma coisa que me orgulha. O Aquenda cresceu sem abandonar a própria identidade. Num cenário em que muitos projetos culturais acabam suavizando discurso para parecerem mais palatáveis, eu preferi manter o festival barulhento, afetivo, debochado, político quando necessário, vulnerável quando possível e profundamente humano.
O riso dentro do Aquenda nunca foi tratado como fuga da realidade. Ele sempre apareceu como uma forma de encarar a realidade sem se ajoelhar diante dela. Por isso a frase de Paulo Gustavo atravessa tão bem o espírito do projeto. “Rir é um ato de resistência.”
E talvez seja mesmo. Fazer pessoas rirem num país cansado já é difícil. Fazer isso enquanto a gente constrói espaço para artistas LGBTQIAPN+ exige mais do que talento. Exige coragem, insistência, rede, generosidade e uma certa dose de loucura organizada Hoje, olhando para trás, eu sinto que o Aquenda deixou de ser apenas um festival de comédia. Ele virou uma espécie de registro vivo de artistas da comunidade que decidiram não esperar autorização para ocupar palco, criar noite, formar público e transformar o riso em presença.
Seis anos depois, talvez o maior feito do Aquenda não seja ter crescido, talvez seja não ter desistido. Porque, quando um projeto nasce sem grandes recursos e ainda assim atravessa seis edições, ele deixa de ser apenas uma programação cultural. Ele passa a ser prova viva de que algumas ideias resistem porque são necessárias.
2021: Primeira edição lá no palco d Clube Barbixas de Comédia
Chegamos ao sexto ano, eu e o festival, assim, sem baixar o tom, sem pedir desculpa por existir e sem esconder as marcas do caminho. Chega carregando artistas, histórias, noites memoráveis, tentativas, tropeços, gargalhadas e a certeza de que o palco também é um lugar onde a comunidade se reconhece.
E quando uma comunidade se reconhece rindo, alguma coisa muito séria aconteceu ali. Por isso, cada ingresso faz diferença.
Comprar um ingresso para o Aquenda Palooza não é só garantir uma noite de comédia. É ajudar um festival independente a continuar existindo sem precisar abaixar a cabeça, suavizar discurso ou transformar diversidade em enfeite de campanha.
É ajudar artistas LGBTQIAPN+ a seguirem ocupando palco, criando público, contando suas histórias e construindo um espaço que ainda hoje quase ninguém teve coragem de manter de maneira contínua.
Se o Aquenda atravessou seis anos praticamente na raça, é porque muita gente entendeu que esse festival não pertence apenas a quem sobe no palco. Ele também pertence a quem senta na plateia e escolhe fazer parte disso.
Os ingressos já estão disponíveis. Vem rir com a gente e ajudar essa história a continuar viva.
Aquenda Palooza 2026 — Ingressos
LGBTQIAPN+ #COMEDIA #STANDUP #RESISTENCIA
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- 2026-07-11 16:13:17