A intenção do vestir
Existe algo invisível que guia o nosso comportamento no vestir, mas não nos damos conta disso apesar do grande impacto que faz na nossa…
A intenção do vestir

Existe algo invisível que guia o nosso comportamento no vestir, mas não nos damos conta disso apesar do grande impacto que faz na nossa vida. Por trás de cada roupa que escolhemos comprar e que decidimos vestir, existe uma intenção que guarda necessidades conscientes ou não. Então não percebemos que o nosso vestir é sustentado por intenções camufladas com justificativas e valores distorcidos, com o propósito de atender necessidades mais profundas e que não estão sendo atendidas por nós mesmas.
Aprendemos a usar diversas ferramentas do vestir para ajudar a esconder de nós mesmas e dos outros, algo que não queremos ver por que julgamos ser ruim, não suficiente ou diferente da imagem idealizada. Ficamos aprisionadas a uma imagem distorcida de nós mesmas, uma camada protetora e de falsa segurança que se desestabiliza diante de um olhar julgador ou reprovador.
Usamos o vestir como estratégia de defesa para evitar o contato com aquilo que doe profundamente em nós, uma espécie de anestesia mesmo. Assim criamos um ponto cego entre o que a nossa imagem mostra e o que ela esconde. Entre a complexidade que somos e a imagem que performamos, está o medo de não ser tão bonita, tão bem-vestida, tão elegante, tão adequada, tão amada e merecedora de valor. Na busca do melhor desempenho da aparência para evitar estes e outros riscos, vamos nos apaixonando pelo personagem que criamos, nos tornando dependentes da imagem que vemos no espelho e cada vez mais distantes de nós mesmas.

Quem sou eu antes de vestir as roupas que sustentam este personagem? Perceba que quanto mais distantes estamos da nossa autoimagem real e da nossa essência, mais necessidades revestidas de boas intenções teremos e maior o apego a imagem idealizada. Certamente o comportamento do nosso vestir está adoecido, com a autoimagem focada no que falta e avaliada pela régua dos padrões culturais, vamos distorcendo a realidade ao potencializar a opinião dos outros e negligenciar a nossa necessidade profunda de autorreconhecimento e autoaceitação.
A nossa autopercepção está fragmentada, nos reduzindo a um corpo e a uma aparência, impedindo de enxergarmos características, valores e de integrarmos outras partes de nós que precisam ser acolhidas como a nossa verdade mais profunda. Ao reconhecer que está tudo bem não ter o corpo dito como perfeito e que podemos nos amar mesmo com uma imagem diferente dos padrões, vamos suspendendo as crenças que limitam a expressão legitima de ser, de vestir e de estar no mundo livres de máscaras.
Trazer luz para as intenções que estão por trás do nosso vestir, significa nos colocar no processo de cair em si e de despertar a consciência para a essência, para então tomar a vida e o vestir nas próprias mãos.
메타데이터
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