Vitória x Flamengo | 2° rodada Brasileirão 2025
No confronto entre rubro-negros, venceu o carioca, apesar da dificuldade inesperada. O gol de Bruno Henrique, já ao minuto 87, aliviou…
Vitória x Flamengo | 2° rodada Brasileirão 2025
No confronto entre rubro-negros, venceu o carioca, apesar da dificuldade inesperada. O gol de Bruno Henrique, já ao minuto 87, aliviou muito os ombros de Filipe Luís e companhia, que viram seu time criar muito mais (mais uma vez) e não converter o grande volume de chances criadas em gols.
O Flamengo teve mudanças táticas para o confronto no Barradão. Saíram Michael e Luís Araújo, que jogaram os dois últimos jogos como titulares, e voltaram os donos das respectivas posições, Gerson e Arrascaeta. É Importante frisar que existe uma diferença entre as definições de posição e função em campo. Michael e Luís Araújo são pontas de origem, e jogam como pontas na maior parte do tempo. Porém, em determinado recorte dos jogos contra Internacional e Deportivo Táchira, os dois exerceram diversas funções táticas muito diferentes das que as suas posições originalmente fariam. Ora abertos compondo uma linha de 4 atacantes para criar uma situação de igualdade numérica contra as defesas adversárias (lembrando que o Internacional pela primeira partida do campeonato decidiu mudar sua própria forma de jogar, abrindo mão da presença de mais um homem no meio para somar em uma linha de 5 defensores especialmente para jogar contra o Flamengo) ora se apresentando no entrelinhas as costas dos volantes adversários para se associar com os volantes.
Apesar do retorno dos 2 melhores jogadores, meias com grande poder de retenção e criação, o time manteve a média de posse de bola dos últimos jogos, em torno de 62%, e continuou criando muitas chances claras durante o jogo.
A saída de bola do time de Filipe Luís partia de uma base de 3 jogadores: Léo Ortiz, Léo Pereira e o lateral Alex Sandro. A frente como opção se posicionaram os dois volantes. Do meio para frente apareciam Arrascaeta e Gerson, e Cebola e Wesley podiam ser vistos dando amplitude e abrindo o campo e Juninho fazia referência.
No plano de jogo inicial, esse plantel apresenta uma disposição de algo como 4–4–2, mas com a bola rolando, o time atacava numa espécie de 3–2–2–3. Os mais familiarizados reconhecem o clássico WM.
O Vitória veio a campo com uma formação em 4–1–4–1, o que para muitos é um 4–3–3 metido a besta. Mas durante o jogo a disposição do time em campo foi visivelmente diferente, virando quase um 4–3–2–1, com os pontas fechando praticamente fechando os espaços ao lado do volante.

Formação defensiva do Vitória
O plano de jogo do time baiano visava fechar as linhas de passe no entrelinhas, evitando que a bola chegasse nos pés dos meias de forma equilibrada e forçando que a saída de bola do Flamengo contorna o bloco de marcação por fora.
Os 90 minutos podem ser analisados de forma separada, dividindo as fases e a alternância de dominância durante o jogo.
No primeiro momento, o Flamengo tentou furar a defesa através de bolas longas lançadas pelos zagueiros, estratégia que tem sido frequente nos começos de jogos em que o time de Filipe Luís enfrenta as recorrentes retrancas. O rubro-negro até consegue criar chances mas não converte em gols e passa pensar o ataque de outra maneira.

Ortiz lança buscando Wesley em profundidade
O Flamengo muda sua estratégia e passa tentar mais infiltrações com passes por dentro do bloco de marcação do Vitória, o que em determinado momento passa a favorecer a pressão do time baiano que começou a ganhar alguns duelos defensivos e através do centroavante Janderson, que descia junto com a marcação e conseguia reter a bola frente a pressão após perda do time carioca, conseguia desafogar, ficar um pouco mais com a posse de bola e puxar alguns contra-ataque.
Justamente em uma jogada onde a defesa do Vitória consegue interceptar o ataque flamenguista em passe errado de Arrascaeta, o uruguaio pressiona rapidamente e retoma a posse de bola para fazer um golaço.
A partir do gol, o Flamengo baixou as suas linhas e cede mais espaço ao time baiano que começa a aproveitar mais a posse com mais tranquilidade. Apesar do maior volume de jogo, o Vitória não consegue criar tantas vantagens táticas sobre o time carioca, mas encontra o gol em uma batida de fora da área, em que um desvio mata o goleiro.
O gol de empate do time baiano foi um banho de água fria para o time de Filipe Luís, mas o Flamengo ainda tinha muita qualidade e manteve a calma, até que no apagar das luzes, em um ataque posicional muito bem construído, tendo início na saída de bola equilibrada dos zagueiros, passando para o homem aberto na esquerda com espaço para pensar e buscar Luis Araújo no espaço vazio, que por sua vez encontrou um belo cruzamento para encontrar Bruno Henrique em vantagem posicional dentro da área para enfim resolver o jogo.

Ataque posicional que deu origem ao gol de Bruno Henrique
O Flamengo mais uma vez jogou para vencer e foi superior ao seu adversário, mas pecou em desperdiçar chances claras de gol e deixar o adversário vivo na partida. Partidas como essa, se bem aproveitadas ofensivamente, podem servir para rodar o elenco, dando minutagem aos reservas, e descansar os jogadores, evitando que fosse necessário poupar nos jogos de meio de semana pelas copas. O time de Filipe Luís tem o desafio de dar um passo além e transformar sua superioridade técnica e tática em vantagem no placar se quiser almejar grandes coisas na temporada.
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