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Como Pensa Quem Pensa Cultura Pop (Parte 02a: Os Culturais e a Cultura Pop Na Academia)

#DropsTangentes / S1E07

Coletivo Tangente in ColetivoTangente · 2019-09-27 17:32 · 54 claps · 3.5 min read
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Como Pensa Quem Pensa Cultura Pop (Parte 02a — Os Culturais e a Cultura Pop Na Academia)

#DropsTangentes / S1E08

Bem-vindos ao DropsTangente, uma coluna dedicada à investigação da cultura pop!

A ideia dessa coleção de textos é trazer pra cá os quebra-cabeças intelectuais sobre cultura, cultura popular, interação cultural de modo objetivo e acessível. Vamos distribuir nossos textos e episódios por temporadas — como se fosse uma série. Sendo assim, agora, na primeira temporada, exploraremos os tópicos preliminares do assunto, entre eles: as definições e conceitos de cultura, um pouco da história da cultura popular, além de suas abordagens de estudo, significados e características.

Eu sou o Bruno Maroni, e neste episódio vamos explorar um pouco da história, dos personagens e das principais ideias de uma das grandes teorias sobre cultura popular. Afinal, se o nosso propósito como discípulos de Jesus é o engajamento cultural maduro, antes de falarmos o que pensamos sobre cultura pop, é indispensável ouvirmos o que gente que se debruçou sobre o assunto tem a dizer. Hoje vamos conhecer a história dos Estudos Culturais.

Os Estudos Culturais consistem em abordagens teóricas à cultura pop, e surgiram na década de 1960 no Reino Unido, no Centro Contemporâneo de Estudos Culturais na Universidade de Birmingham.

Enquanto a Teoria Crítica representou a primeira iniciativa formal do estudo da cultura popular, os Estudos Culturais promoveram pesquisas e debates volumosos sobre o assunto — e tornaram-se referências na discussão. O centro de estudos formou críticos importantes, como Stuart Hall, Paul Willis, Angela McRobbie, Dick Hebdige e John Hartley. Graças à sua diversidade teórica e metodológica, múltiplos temas foram tratados dentro das investigações dos Estudos Culturais. O professor Kelton Cobb apresenta quatro (que ele considera os principais): hegemonia, estilo, bricolagem, e hiper-realidade. Daremos atenção a cada um deles nos episódios seguintes: neste falaremos a respeito do que desencadeou e impulsionou o surgimento dos Estudos Culturais e quais as suas ênfases.

Imre Szeman e Susie O’Brien (especialistas no tema) afirmam que três personagens foram decisivos para o florescimento da escola: os literatas Raymond Williams e Richard Hoggart, e o historiador Edward Palmer Thompson. Mas antes de chegarmos até eles, é muito útil traçarmos um breve histórico de como a cultura popular ganhou atenção acadêmica. Podemos citar três momentos precedentes: o final do século 19, os anos 20 e 40.

Matthew Arnold, que viveu na Era Vitoriana, foi um crítico influente na conceituação de cultura. Ele acompanhou de perto os efeitos dos progressos tecnológicos e movimentos políticos-comerciais na cultura do povo. Sua visão da cultura popular não era muito positiva… Para Arnold a mídia de massa desencadeava uma desintegração social. Ele e Frank Leavis chegaram à conclusão que a melhor maneira de resistir ao avanço midiático era educando as pessoas para distinguirem a suposta “verdadeira cultura” de sua contraparte.

Mas inserir a cultura popular na pauta curricular desencadeou o movimento contrário: a importância dela foi legitimada. Com o tempo os críticos perceberam que a cultura popular não era um problema social, mas uma força social pungente. Nos anos 20 Gilbert Seldes falava sobre Charlie Chaplin e George Gershwin (compositor americano de jazz) como equivalentes a Frederic Chopin ou Shakespeare. Seldes analisava artefatos populares, como filmes de comédia, tirinhas, rádio e música popular. De modo geral, nada disso era considerado “digno de crítica”. O jornalista Steve Turner explica que era como “uma crítica gastronômica sobre um Big Mac e batatas fritas.”. Nos anos 40, o influente pensador Marshall McLuhan, se empenhou no estudo sobre cartazes de filmes, propagandas, moda de rua, histórias em quadrinhos e capas de revista. Para ele, compreender essas coisas era um meio eficaz de captar a mentalidade coletiva.

Por fim, na década de 60, a partir da Universidade de Birmigham, Williams, Thompson e, principalmente Richard Hoggart (que mencionamos lá no começo), inseriram definitivamente a cultura pop nas investigações científicas. De certa forma, conforme Szerman e O’Brien, esses autores mantiveram a resistência à indústria cultural e uma espécie de nostalgia pela cultura folclórica, mas se apropriaram de técnicas da crítica literária para a leitura de uma ampla gama de expressões culturais: músicas, revistas, jornais e assim por diante. Acima de tudo, eles se preocupavam e perceber a interação desses materiais com aspectos do dia a dia das pessoas — como o lazer, relações familiares e papéis sociais. Dessa forma, o objetivo era promove, nas palavras do próprio Hoggart, o “letramento cultural” democrático.

Tudo isso é muito significativo para o amadurecer da interação cultural cristã. Em poucas palavras, com esse breve histórico dos Estudos Culturais, aprendemos que cultura pop é coisa séria: digna de atenção e estudo cuidadoso. O cristianismo tem a mesma consideração pela cultura popular? Discípulos de Cristo culturalmente conscientes e engajados devem reconhecer o que subjaz aos recursos, cenários e práticas do cotidiano — visões de vida percorrem sob tudo isso. Não tem nada mais significativo que o ordinário, e não tem nada mais ordinário que a cultura pop!

No próximo episódio do DropsTangente continuaremos nossa investigação sobre o que pensa quem pensa sobre cultura pop, começando a observar as principais ideias trabalhadas pelos representantes Estudos Culturais — temas decisivos para a compreender o que acontece na cultura popular. Até lá!


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