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Azrazed

Azrazed é tido como a única entidade que tem uma história de possível origem registrada na Terra. Os relatos vêm de um antigo…

Master_Ariel · 2026-05-04 22:10 · 1 claps · 7.6 min read
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Azrazed

Azrazed é tido como a única entidade que tem uma história de possível origem registrada na Terra. Os relatos vêm de um antigo autoproclamado profeta indiano do século XVII, chamado Abdul Al-hazred (o qual aparenta ter tido seu nome usado como referência para o nome da entidade), que também carregava a alcunha de “O Profeta Ensandecido”. Al-hazred saia às ruas todos os dias para proclamar que havia obtido conhecimentos profanos vindos de uma entidade cósmica, a qual havia lhe ordenado que espalhasse sua palavra e criasse uma igreja para a tal. Por muito tempo, as pessoas o evitaram e o criticaram, diversas vezes o prendendo com a justificativa de “perturbação pública” dentro da cidade em que vivia. Em uma dessas prisões, implorou por 40 dias e 40 noites para que o entregassem pergaminhos e penas para registrar algo, e somente após tanta insistência que finalmente recebeu os itens. Quando começou a escrever, os guardas o questionavam sobre o que se tratavam as páginas — que ao primeiro dia já se contabilizavam dez delas — e esse só dizia que “eram importantes para a salvação de seu sangue”. Como aparentava somente loucura, os guardas ignoravam e após certo tempo pararam de questionar. Quando foi finalmente solto, correu com suas mais de trezentas folhas em direção à casa de um encadernador da região, e o implorou que fechasse seu novo livro com uma capa feita de pele de camelo escura. O homem, com muito desgosto, assim o fez. Al-hazred pintou a capa de pele com as escritas “Kalamicom” na parte de cima e “O Livro do Sangue” na parte inferior. Por sinal, o homem não escreveu o título em indo-ariana, muito menos em dravídica. Escreveu em letras romanas, muito posteriormente nomeadas como alfabeto latino. Foi quando finalmente começou a carregar o livro que passou a ser chamado de “O Profeta Ensandecido”, já que antes era chamado apenas de louco, mas agora verdadeiramente pregava a palavra da dita entidade que supostamente havia falado com o homem. Foi aos seus 66 anos (e supostamente 6 meses de vida) que ocorre sua fatídica morte, muito documentada por sua grande estranheza. Abdul andava calmamente no centro mercantil da cidade, se preparando para mais uma vez pregar a palavra de seu deus, quando algo ocorreu. Um estalo pôde ser ouvido por todos os mercadores próximos, que disseram ter sido o som de ossos estalando. Quando olharam na direção do profeta, seus olhos estavam virados para cima, completamente brancos, mas estranhamente ficando mais inchados e mais vermelhos que o normal. Um registro da época fala que “pareciam que iriam estourar a qualquer momento, e já ficavam do tamanho de maçãs.” Algumas mulheres e crianças próximas começavam a gritar de medo, enquanto diversos cães se aproximavam do homem paralisado, cheirando suas pernas e pés como se sentissem o cheiro de alimento. O indiano soltou o pesado livro, que esmagou a cabeça de um dos cães — e cuja marca de sangue permanece no objeto até hoje. Ele colocou as mãos na cabeça e começou a proferir palavras nunca antes vistas, e que foram mais tarde relatadas como alguma variante mais antiga do latim. Tentativas de relatos futuras tentam reproduzir (e traduzir) o que ele disse: “Azrazed in sanguine habitat. — Azrazed reside no sangue. Sanguis Azrazed pertinet. — O sangue pertence a Azrazed. Azrazed dominus omnium corporum est. — Azrazed é o senhor de todos os corpos. Azrazed nos sanguine suo profano benedicet. — Azrazed nos abençoará com seu sangue profano. Profanus in nomine domici Azrazed. — Profane em nome do senhor Azrazed. Azrazed omnia pura et sancta destruet.” — Azrazed destruirá tudo aquilo que é puro e santo. Não existe nenhuma confirmação de que o homem realmente tenha dito isso dessa maneira. Após proferir tais frases, os registros e relatos se tornam mais confusos e grotescos. Uma parcela conta que o homem começou a ter as canelas mordidas pelos cães, enquanto a outra jura que eram os punhos e dedos a serem mordidos primeiro. De qualquer maneira, foi agredido pelos animais até que seus membros ficassem totalmente ensanguentados e com a carne exposta. Nesse momento, mais uma divergência aparece nos relatos. Uns afirmam que ele se deitou no chão e começou a cobrir as feridas com areia, enquanto outros juram que ele rolou como um animal ferido. Após isso, se levantou, mas não de maneira comum. Levitou como uma folha, e começou a gritar cada vez mais alto a suposta oração já citada anteriormente. Seus olhos enfim chegaram no limite de tamanho, e explodiram em duas enormes chuvas de sangue, que respingou por quase três metros, atingindo mercadores, mulheres, crianças e cães. Nessa hora, guardas começaram a se reunir para tentar averiguar a situação, e como um milagre maligno, todos os seus olhos e boca começaram a sangrar quando enxergaram a cena. No lugar dos olhos de Abdul, estavam dentes de camelo, que mastigavam com violência os restos de suas escleras. As mulheres agora choravam em desespero, enquanto as crianças repetiam a oração proferida pelo profeta. Seus olhos estavam dilatados e começavam a chorar sangue. Quem via de longe achava ser algum tipo de possessão profana. E então, um estalo forte, oriundo da coluna de Abdul. Ela agora tinha o formato semelhante a letra “Z”. Mais um estalo, e os dedos de Al-hazred incharam, e da ponta deles saíram novos dedos. Em seguida foi a boca. Sua mandíbula estourou para baixo como se tivesse levado um soco divino, e seus dentes voaram para todos os lados acertando os mercadores e matando alguns. Os caninos dele foram achados dentro da boca de um cão, substituindo os do animal. O corpo de Abdul Al-hazred levitava cada vez mais alto, e seus gritos agora eram somente barulhos grotescos causados pela falta de uma língua. De repente, silêncio absoluto. As mulheres pararam de chorar, as crianças pararam de orar, Abdul parou de grunhir. Os cães pararam de latir, e os guardas pararam de correr. Foram contados sete minutos e seis segundos de calmaria, e um som gutural e violento saiu da garganta exposta do homem no céu. Seu corpo começou a se inclinar de ponta cabeça, e seus membros começaram a ficar flácidos conforme seus ossos eram expelidos por sua boca, deixando somente pele, músculos, carne e nervos no ar. Todas as pessoas em volta retomaram a consciência, e começaram a se agitar pelo que viria a seguir. O corpo nu e ensanguentado do profeta louco parecia esperar por algo. Uma nuvem negra começou a pairar a região, evento completamente anômalo no local e considerado por muitos como “obra do acaso”. Um trovão explodiu dos céus, e um raio furioso caiu em direção ao objeto flutuante. O impacto não o queimou, mas o explodiu. Uma chuva de sangue recaiu sobre o mercado. Os céus ficaram limpos e o sol voltou. Ninguém dizia uma palavra sequer. Dentre as quase trinta pessoas presentes no evento, metade se suicidou de forma violenta. Uma mãe e seu filho que presenciaram o ocorrido foram achados mortos em sua casa, ambos com a pele dos rostos removida e com seus pulsos cortados. Todos os cães que ainda restavam fugiram da cidade e foram achados meses depois como carcaças em meio as areias do deserto próximo. O Kalamicom, que foi deixado como herança amaldiçoada do local, acabou desaparecendo por alguns anos e só foi reencontrado por convertidos que queriam descobrir mais sobre seu novo deus. E foi ali que a bizarra origem de Azrazed foi lida pela primeira vez por alguém sem ser Abdul Al-hazred. Em um outro plano, outro mundo reside. E nesse mundo, criaturas violentas — amorfas ou não — residiam. A existência delas era baseada na brutalidade e no derramamento de seu sangue. Povos e raças inteiras dessas espécies se dizimavam todos os dias. Até que um certo ser resolveu mudar o ciclo. Essa criatura tinha a altura de uma fortaleza, e a força de dez mil exércitos. Seus passos esmagavam todo tipo de ser pequeno que passasse por perto. Ele se banhava no sangue dos povos que destruía e consumia seus corpos. Após enfrentar um Pigairo, ser de estatura colossal e assombrosa, removeu a pele do corpo derrotado e passou a vesti-la como um novo manto. Como se aquilo ainda não o agradasse, decidiu criar uma espécie de corrente feita através das línguas decepadas de uma raça devastada sem nome, que passou a vestir junto de seu manto de pele e só retirava quando ia para mais um massacre, para usá-la como arma. Como nunca olhava para seus inimigos quando os matava, resolveu que iria arrancar seus próprios olhos e colocar dentes de feras Meikolodan no lugar, para que conseguisse comer seis vezes mais os seus inimigos, pois havia seis olhos na face. Após alguns séculos vivendo sem mais novas mudanças, a criatura começou a vagar nos buracos e cavernas mais escuras do mundo, o que acabou resultando no seu encontro com uma raça guerreira poderosa e estrategista, os quais o ensinaram novas maneiras de tortura e violência, além de habilidades que usavam da mente para perturbar seus inimigos (ou para criar servos cegamente fervorosos). Depois de aprender tudo o que conseguiria no local, destruiu tudo e colocou o povo guerreiro em eterna escravidão, removendo suas pernas para que não pudessem fugir de suas terras conquistadas. Então, com seus novos conhecimentos de combate, o ser vagou pelos reinados restantes eliminando um a um, até que não sobrasse mais nada além de seu povo e seus escravos. Quando acabou, sentiu um vazio como nunca antes. Aquilo não fora exatamente o que desejara desde o começo? Então por que estava tão inquieto? Ele era o mais forte, o ser mais poderoso de todo aquele lugar. Isso não fazia sentido algum para a criatura. Olhou em volta, passou por cada campo de batalha, cada cidade dizimada por sua força e corrente, e começou a questionar se havia valido a pena. Sua raça lhe deu o posto de imperador supremo do mundo, e se sentou por milhares de anos em um trono feito através do derretimento do corpo dos derrotados. O tédio lhe consumia, e ver seus escravos trabalhando para manter sua raça já não era mais satisfatório. Matou todos os escravos e os deu de comida para a população, que já passava dos milhões. Isso era preocupante. Ainda haviam seres demais naquele mundo. Ele lutou para tornar sua raça na mais forte de toda a terra, mas a que custo? Só estava ele no campo de batalha desde o começo. Seu povo era inútil e mimado, e precisavam de uma correção. E daí surgiu um evento marcado no livro como “O Grande Sangue”. Não descreve muitos detalhes, somente de que a raça foi violentamente atacada por seu imperador e lentamente devastada igual todas as outras. No fim, o ser caminhava em cima dos cadáveres dos seus, e dos outros também. Seu mundo foi completamente coberto por corpos mortos, e mal havia onde pisar sem manchar seus pés com tripas. Mas ele não conhecia somente o seu mundo. Sua ciência já havia provado a existência de mundos inferiores e de outro plano, e foi isso que resolveu correr atrás. Como não poderia alcançar esses mundos fisicamente, decidiu chegar através da mente. E após milhares de anos lançando ideias profanas no infinito das dimensões, finalmente alcançou uma mente inteligente o suficiente para propagar suas conquistas em outro mundo. Esse era Abdul. Com o tempo, os cultos de Azrazed se espalharam pelo mundo e ganharam cada vez mais força conforme a imagem da entidade era escondida através de falsos santos cristãos ou deuses pagãos, e uma hora ou outra chegariam no Brasil. Azrazed deseja somente duas coisas. Sangue e luta. E para firmar um contrato, nada faz mais sentido do que sacrifícios e torturas dos mais diversos níveis de crueldade para o agradar e o alimentar. Os contratos de Azrazed são geralmente relacionados à manipulação de sangue, tortura corporal, mudanças físicas ou obtenção de conhecimentos grotescos e profanos de seu mundo e suas maneiras de violência.


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