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ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE DE LIBERDADE ECONÔMICA E O NÍVEL DE RENDA PER CAPITA PARA O CONTINENTE…

AUTORES: RAIMUNDO TORRES DE OLIVEIRA NETO, CHRISTIAN FARIAS DE OLIVEIRA, ITALO DIEGO PAULA DO NASCIMENTO, LUIS EDUARDO RODRIGUES PAIVA…

Christian Farias de Oliveira · 2025-04-13 17:31 · 2 claps · 19.5 min read
#instituições #macroeconomia #econometria #economia
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ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE DE LIBERDADE ECONÔMICA E O NÍVEL DE RENDA PER CAPITA PARA O CONTINENTE EUROPEU NO PERÍODO DE 2010 A 2019.

AUTORES: RAIMUNDO TORRES DE OLIVEIRA NETO, CHRISTIAN FARIAS DE OLIVEIRA, ITALO DIEGO PAULA DO NASCIMENTO, LUIS EDUARDO RODRIGUES PAIVA, ISAAC PEREIRA SOUSA, LEVI AGUIAR RODRIGUES, FRANCISCO WAGNER GOMES DE OLIVEIRA.

Lider da Equipe: Raimundo Torres

Pesquisa apresentada ao curso de Ciências Econômicas, na Universidade Federal do Ceará, Campus de Sobral, como requisito da segunda nota de avaliação para a aprovação na disciplina de Macroeconomia III. Orientadora: Prof. Dra. Alesandra Araújo Benevides.

INTRODUÇÃO

A economia da Europa é marcada por altos e baixos durante toda sua história, sendo alvo de muitos estudos, pois sempre foi berço de grandes acontecimentos históricos, como as Revoluções Industriais e Francesa, entre outros, além de criar fortes alianças como a formação da União Europeia, gerando assim grandes debates entre historiadores, filósofos e economistas. A função desse artigo será apresentar fatores que explicam o nível de renda por pessoa juntamente com o nível de liberdade econômica de cada nação. O crescimento econômico de cada país (aumento do Produto Interno Bruto-PIB) acontece de forma diferente, sendo um aspecto das áreas mais pesquisadas da macroeconomia nas últimas décadas a fim de encontrar os principais fatores que explicam o crescimento ou diminuiçãodas riquezas nacionais.

Existe uma grande importância para que sejam feitos tais estudos, devido à contínua busca para a melhoria dos países, visando uma melhor qualidade socioeconômica em cada nação, para que a sociedade tenha um aumento na qualidade de vida. Nota-se que os modelos econométricos têm um grande fator social para uma melhor perspectiva sobre o passado dos países e é fundamental para melhorar e ajudar nas tomadas de decisão no futuro, havendo assim uma destinação dos recursos públicos e privados mais efetiva em cada sociedade, o que deixa essa temática aquecida nas discussões. Há, portanto, a abertura de lacunas nesse ramo, principalmente no que diz respeito à heterogeneidade entre os países, aos efeitos de longo prazo das instituições e à interação entre instituições e políticas econômicas controversas. Ao aprofundar a análise dessas lacunas, este estudo tem como objetivo contribuir para uma melhor compreensão das relações da liberdade civil- econômica, das instituições educacionais e da tecnologia com o crescimento econômico, oferecendo conteúdo para novas pesquisas. Durante todo trabalho foram utilizadas diferentes variáveis para que tivesse um melhor entendimento dos fatores institucionais e de liberdade que influenciam nesse crescimento.

Diante do exposto, o estudo é baseado utilizando modelos econométricos em painel, que buscam correlacionar fatores que estão diretamente interligados ao sucesso ou fracasso econômico, nos quais são testados utilizando bases de dados obtidos durante ano pelas mais renomadas e sólidas instituições que analisam os países e seus resultados. Neste trabalho, será apresentado o estudo e análise do crescimento econômico de 30 países do continente Europeu durante o período de 10 anos (2010 à 2019), no qual foi utilizado o modelo fixed effects model (modelo de efeitos fixos), utilizando seis variáveis, que são, respectivamente, o PIB per capita-PPP (analisada em dólar) — o qual será denominado como sendo a variável dependente, e as outras que são denominadas como variáveis explicativas –, a Classificação das liberdades civis, (encontrados na Freedom House-Aggregate Category) , a estimativa do controle da corrupção, a porcentagem de usuários da internet, os custos para abertura de empresas e as despesas do governo com a educação (extraídos do Banco Mundial).

A partir da metodologia aplicada, foram obtidos resultados que indicam uma relação complexa entre as instituições, liberdade econômica e o crescimento econômico. Embora a literatura convencional sugira uma relação positiva entre essas variáveis, os resultados obtidos neste estudo apontam para nuances e heterogeneidades, com as variáveis de liberdade civil e políticas apresentando coeficientes negativos, reforçando a necessidade de mais estudos para entender melhor essas relações.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

O conceito de liberdade econômica tem sido amplamente debatido na literatura, tanto no âmbito teórico quanto empírico. Este termo se refere à capacidade dos indivíduos de realizarem escolhas econômicas com mínima intervenção governamental, abrangendo aspectos como a proteção da propriedade privada, liberdade de mercado e estabilidade monetária (Friedman, 2017; Hayek, 1995), sendo um assunto de vasta pesquisa e por muitas vezes, controversa, onde ao longo das recentes décadas vem se discutindo por meio de artigos distintos, como os apresentados a seguir, em relação a visão que tinham sobre o intervencionismo do governo e a qualidade das instituições presentes na sociedade.

Dentro da Europa o crescimento econômico é um estudo pautado sob perspectivas amplas, desde explicações políticas, econômicas e sociais, principalmente por ser um continente que passou por duas guerras mundiais, por ser o berço de revoluções impactantes, como a Francesa e a Industrial e apresentar diferentes níveis de implementação de instituições, sendo dividida em “diferentes Europas” com características diferentes, como é a região dos países nórdicos, países dos Balcãs, da Europa oriental e ocidental.

Segundo autores clássicos como Adam Smith, a liberdade econômica é imprescindível para uma alocação eficiente de recursos, promovendo maior produtividade e riqueza (“A Riqueza das Nações”, 2003). Smith defendeu que intervenções governamentais excessivas comprometem essa alocação, gerando distorções e ineficiências.

Hayek (1983) complementa que a liberdade econômica é um requisito essencial para a liberdade política. Ele argumenta que a intervenção estatal excessiva tende a legitimar governos autoritários e reduzir a autonomia individual. Nesse sentido, a economia é vista como um espaço de cooperação voluntária entre indivíduos, com restrições sendo prejudiciais ao desenvolvimento (Mises, 2010).

Estudos empíricos corroboram a relação positiva entre liberdade econômica e crescimento. Barro (1991) destacou que fatores como estabilidade política, baixos níveis de tributação e redução do consumo governamental estão associados a maiores taxas de crescimento econômico. Além disso, outros autores apontaram que a abertura comercial e a proteção dos direitos de propriedade são determinantes cruciais para o crescimento sustentável (Acemoglu, Johnson & Robinson, 2001).

Ademais, o estudo de Mayara Fenner, intitulado “A Relação entre Liberdade Econômica e Nível de Bem-Estar”, explora também a conexão entre a liberdade econômica dos países e seu crescimento e desenvolvimento econômico, com objetivo principal de compreender qual tipo de governo, mais intervencionista ou menos intervencionista, apresenta melhores resultados em termos de crescimento e desenvolvimento econômico, usando o Índice de Liberdade Econômica da Fundação Heritage para medir a liberdade econômica, o crescimento econômico pelo PIB per capita, enquanto o desenvolvimento econômico é medido pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). No quesito teórico, teve como resultado que países que fazem parte da categoria “livre” apresentam uma renda per capta média de $55 mil dólares, já os países “majoritariamente reprimidos”, de $6 mil dólares.

No âmbito teórico, o artigo discute as teorias de intervenção estatal e liberalismo econômico, citando autores como Keynes (1936), que acreditava que o governo deveria sim organizar a produção para garantir um nível de emprego, pois tinha como base que a economia não tende organicamente a um pleno emprego. Já Mises (2009), argumentava que o governo deveria apenas produzir segurança a nação e não intervir no mercado. A corrente intervencionista defende a intervenção do Estado na economia para garantir a demanda agregada e o nível de emprego, enquanto a corrente liberal defende a mínima intervenção estatal, argumentando que o mercado deve se autorregular, evidenciando acontradição do assunto.

O artigo de Fiani (2002) agrega a discussão destacando que a definição e a garantia de direitos de propriedade desempenham papel central no desempenho econômico das sociedades e estabelece uma agenda de pesquisa para compreender o vínculo entre liberdades e eficiência institucional nas democracias modernas.

O estudo de Fraga Machado (2016) explora esse tema e reafirma que a liberdade econômica tem um impacto positivo na qualidade de vida, indagando sobre por que de países serem mais pobres/ricos do que outros? Essa pergunta foi fortemente estudada por Solow (1956), além disso, a monografia sugere que futuras pesquisas poderiam explorar a relação entre liberdade econômica e outros fatores, como desigualdade social e acesso a serviços básicos.

Por outro lado, Toyoshima (1999) faz uma análise crítica a limitação do modelo de Solow, por definir as variáveis exógenas como fatores principais do crescimento econômico, essa teoria foi apontada como não condizente com a realidade, pois tratava como exógeno o fator tecnológico, porém não buscava explicar de onde surgia o avanço tecnológico. A partir dos estudos de Romer (1994) e Lucas (1988) foi apresentado a teoria do crescimento econômico endógeno, que valoriza as economias capitalistas e aborda a tecnologia como fruto das tentativas das instituições em obter melhores resultados em seus processos produtivos, esses autores incorporam conceitos como capital humano e spillover (transbordamento) de conhecimento nos modelos econômicos.

Nelson e Sampat (2001), que destacam o papel essencial das tecnologias sociais para entender as mudanças tecnológicas e suas consequências econômicas. As tecnologias sociais, para os autores, não se restringem às inovações materiais, mas incluem também a organização social do trabalho e os processos produtivos, essenciais para o funcionamento dos sistemas econômicos. A mudança tecnológica, portanto, resulta de uma coevolução entre tecnologias físicas e sociais, sendo moldada pelas instituições

É importante ressaltar que são levados em consideração os 2 tipos de instituições mencionados, a política e econômica, em que o primeiro determina os direitos políticos, os processos de tomada de decisão e a forma como os governantes são escolhidos e fiscalizados, em contrapartida, o segundo regulam as atividades econômicas, determinando os direitos de propriedade, Sachsida (2011).

METODOLOGIA

Neste trabalho, foi empregada uma análise de painel de dados tendo o PIB Per Capita PPP (Produto Interno Bruto por Paridade do Poder de Compra) como variável dependente. Este indicador apresenta valores per capita do produto interno bruto (PIB) em dólares internacionais atuais, convertidos pelo fator de paridade do poder de compra (PPP), sendo extraído do Banco Mundial. O PIB é a soma do valor bruto adicionado por todos os produtores residentes no país, acrescido de quaisquer impostos sobre produtos e diminuído de subsídios não incluídos no valor dos produtos, já o modelo do PIB escolhido permitiu uma avaliação mais precisa para a comparação de diferentes economias, já que a paridade do poder de compra controla as diferenças entre os níveis de preços dos países.

As demais variáveis foram obtidas dados da Fundação Heritage, Freedom house e do Banco Mundial de forma que capturasse diferentes dimensões do ambiente institucional e econômico que podem influenciar o crescimento econômico, sendo elas: Classificação das Liberdades Civis, Controle da Corrupção, Usuários da internet (% da população), Custo dos procedimentos de abertura de empresas (% do RNB per capita) e Despesa do governo com educação, total (% da despesa do governo).

O estudo abrangeu 30 dos 50 países europeus, com dados de 2010 a 2019. Países como Geórgia, Moldávia e Azerbaijão não foram considerados devido à carência de dados, pegando uma amostra com os seguintes países: Albânia. Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, República Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Noruega, Polónia, Portugal, Roménia. Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido. Isso resultou em 300 observações, permitindo uma análise detalhada das dinâmicas econômicas na Europa.

A seleção do modelo fixed como metodologia foi fundamentada na sua simplicidade. Essa abordagem é considerada mais adequada quando há diferenças sistemáticas entre os países que não são explicadas pelas variáveis incluídas no modelo, sendo realizado o teste de Hausman, com estatística Qui-quadrado(chisq) tendo o valor de 26,833, considerado bastante alto e Valor-p sendo extremamente baixo (0.00006147), muito menor que o nível de significância convencional de 5% (ou 0.05), nos fez tomar a decisão de utilizar o modelo de efeitos fixos

Além de analisar o crescimento econômico por meio do uso de dados em painel, este estudo adotou uma abordagem estruturada a partir de classificações relevantes fornecidas por instituições renomadas, como a Fundação Heritage e o Banco Mundial. Essas classificações proporcionam uma visão segmentada e aprofundada das economias analisadas, permitindo investigar a influência tanto de fatores econômicos como políticos.

O modelo de análise fundamenta-se na diferenciação entre variáveis dependentes e explicativas. A variável dependente, o PIB per capita ajustado pela paridade do poder de compra, é utilizada para mensurar o desenvolvimento econômico de um país. Já as variáveis explicativas buscam identificar os fatores determinantes do crescimento econômico, sendo cada uma delas considerada um possível elemento influenciador da variação do PIB per capita.

A seleção das variáveis explicativas para os países europeus foi guiada por critérios de disponibilidade e integridade dos dados. Assim, a escolha das variáveis explicativas foi feita levando em conta a capacidade de proporcionar uma análise robust e abrangente da região europeia.

MODELO ECONOMÉTRICO

O modelo econométrico utilizado foi com base metodológica no Gujarati (1997), com base nos resultados do teste de Hausman, usando o modelo log-lin a fim de conseguir buscar entender o efeito percentual das variáveis explicativas sobre o PIB per capita PPP, chegamos na opção de utilizar o modelo de efeitos fixos após comparar os resultados com os modelos pooled e random, utilizando o valor do teste F e p-valor, resultando na seguinte tabela de comparação entre os modelos testados.

Figura 1 — Comparação entre modelos testados

Fonte: software R, dados próprios.

Fonte: software R, dados próprios.

Entretanto, o modelo ainda apresentou problemas de autocorrelação e heterocedasticidade, influenciando na eficiência dos parâmetros produzidos, porém, mantendo a consistência, o não viés e a linearidade, ainda sendo necessário rodar um modelo robusto com o objetivo de tentar contornar tais problemáticas.

Fonte: software R, dados próprios.

Fonte: software R, dados próprios.

Chegando, no seguinte modelo de regressão:

Log (PIB) = 0,015 liberdadescivis + 0,1 controlcorrup + 0,022 internet + 0,010 custosopen + 0,036 gastoseduc.

RESULTADOS DESCRITIVOS

A priori, é importante analisar as características das variáveis utilizadas e assim, fazer ponderações a respeito dos resultados descritivos. Na tabela abaixo estão apresentadas média, mediana, mínimo e máximo de cada variável empregada no modelo.

Estatística Descritiva

Fonte: elaboração própria

Fonte: elaboração própria

Com base nos dados apresentados, é possível fazer algumas interpretações sobre a relação entre liberdade econômica e PIB per capita na Europa:

Log (PIB per capita PPP):

Apresentando uma variação entre 9.627 a 121.404, com média de 39.688 e mediana de 36.497. Podemos analisar que ocorre uma discrepância econômica entre os países, tendo em vista que, alguns possuem o PIB per capita elevado, que modificam a média para níveis altos.

Liberdade e Governança:

Classificação de liberdade civil: Podemos notar uma variação entre 1.00 e 6.00, com média de 1.397 e mediana de 1.00, ou seja, alguns países analisados apresentam mais restrições significativas enquanto outros possuem um grau mais alto na garantia das liberdades individuais. Controle da Corrupção: Variando entre –0.7787 e 2.3994, com uma média de 0.9716 e mediana de 0.9108, nota-se que, em certos países, o controle da corrupção precisa ser mais rigoroso, enquanto outros apresentam maior transparência.

Tecnologia:

Usuários da internet: Apresenta variações entre 39.82% e 99.50%, com média de 77.12% e mediana de 79.14%, percebe-se uma boa difusão da internet no continente europeu, que por sua vez, agrega no acesso da população as tecnologias e inovações.

Empreendedorismo:

Custos para abertura de novos negócios: Calculado pela porcentagem da RNB, é notado uma variação 0% a 31,8%, com mediana de 2,1% e média de 4,516%, sugere que a maioria dos países europeus possuem baixo custo para abertura de novos negócios, facilitando a atividade empreendedora.

Educação:

Gastos com Educação: A variação entre 7.124% e 16.257%, seguida pela média de 11.398% e mediana com 11.087% representa uma boa relação entre investimento e educação no continente europeu, impactando positivamente no crescimento econômico e renda per capita.

RESULTADOS ECONOMÉTRICOS

Os resultados econométricos do nosso modelo através da regressão dos dados em painel nos revelaram resultados importantes, sendo alguns controversos com a literatura e os demais convergindo com a teoria econômica, desse modo, essa seção busca fazer uma análise gráfica e apresentar as correlações encontradas entre cada variável selecionada e o Log (PIB per capita PPP). Como o modelo usado foi o de efeitos fixos, cada variável acaba tendo o seu próprio intercepto, com objetivo de capturar as características de cada país, os dados são centralizados em relação à média de cada indivíduo, ou seja, o efeito médio de cada indivíduo é removido dos dados e o intercepto global do modelo passa a representar a média dos efeitos fixos.

Analisando os dados da regressão, foi feita uma análise dos resíduos para entender se o modelo está capturando a maior parte da variabilidade dos dados ou apresentando alguma tendência, que não estar dispersa em torno do ponto zero, além de identificar graficamente a presença de outliers.

O gráfico de resíduos encontrado mostra a diferença entre os valores observados da variável dependente e os valores previstos pelo modelo ao longo do tempo. Em outras palavras, os resíduos representam o “erro” do modelo em prever os valores reais. Graficamente os pontos parecem estar em torno do resíduo zero de maneira aleatória, sendo positivo de acordo com a literatura. Além disso, foi feito um teste para entender a dinâmica dos efeitos fixos em cada país, onde o efeito fixo captura a influência de todas as características específicas do país que não estão explicitamente incluídas no modelo, mas que afetam o valor da variável dependente, dessa forma, o efeito fixo de um país representa a diferença média entre o valor observado da variável dependente para aquele país e o valor previsto pelo modelo para um país com características médias, controlando por todas as outras variáveis incluídas no modelo.

Portanto, países com efeitos fixos mais altos tendem a ter um PIB per capita maior do que o esperado, sugerindo que possuem características favoráveis ao crescimento econômico, enquanto os países com efeitos fixos mais baixos tendem a ter um PIB per capita menor do que o esperado. Observando países da Europa ocidental, como: França, Alemanha, Reino Unido, Bélgica, Luxemburgo e Irlanda, possuem em média um efeito fixo similar, além de ter dois outliers visíveis, Albânia e Luxemburgo, essa disparidade nos resultados dessas duas economias pode ser oriunda de fatores históricos, econômicos e institucionais, já que a Albânia sofreu séculos de dominação estrangeira e instabilidade política, enquanto Luxemburgo, embora tenha sido ocupada por diversas potências, beneficiou-se de uma localização estratégica e de uma economia diversificada, podendo ser mais um indício da hipótese institucional, corroborando com Daron Acemoglu, já que foram observados nos dados melhores instituições como acesso à internet e menores custos para abrir empresas por parte de Luxemburgo, o que pode explicar as características favoráveis ao crescimento econômico e como isso refletiu em um PIB per capita PPP 9,38 vezes maior em comparação a Albânia.

ANÁLISE GRÁFICA

Realizou-se alguns testes para entender a tendência da correlação entre cada variável explicativa do modelo e a variável dependente, a seguir estão as variáveis que mostraram correlações negativas com o logaritmo do PIB graficamente, sendo elas a Classificação de liberdades civis e Custo dos procedimentos de abertura de empresas, avaliado como uma porcentagem da Renda Nacional Bruta (RNB) per capita.

Gráfico 3

Gráfico 3

Observa-se nessa correlação negativa uma contradição com a literatura observada, uma vez que a relação entre as liberdades civis e o crescimento econômico na Europa pode ser caracterizada como predominantemente positiva, já que o maior nível de liberdade civil promove um ambiente mais propício a criação de negócios e investimentos estrangeiros, (Mohammadi et al., 2022). Mesmo com o parâmetro positivo de 0,015 (que indica que um aumento de uma unidade na medida de liberdades civis está associado a um aumento de aproximadamente 1,5% no PIB per capita), a visualização do gráfico resultou nessa inclinação negativa, portanto, essa relação contraintuitiva pode ser explicada por diversos fatores, incluindo a omissão de variáveis importantes, a heterogeneidade entre os países e a possibilidade de reversão de causalidade. É importante ressaltar que essa relação pode variar em diferentes contextos e períodos históricos.

Já essa variável vai ao encontro com a literatura e a intuição econômica, apresentando o resultado esperado na parte gráfica, onde pode-se notar que países que possuem altos custos para abrir empresas tem em média um Log (PIB per capita PPP) menor, já que pode desestimular o empreendedorismo e o crescimento econômico, já que estudos indicam que países com menor PIB per capita geralmente possuem uma gestão econômica menos eficaz, o que pode aumentar os custos associados à abertura de um novo negócio (Caporale et al., 2020). Porém, devido as limitações do modelo e a possível necessidade de dividir em subgrupos (como países subdesenvolvidos e desenvolvidos), o estimador para essa variável foi 0.011, expressando uma relação positiva entre as variáveis, onde um aumento de uma unidade na medida dos custos de abertura de empresas está associado a um aumento de aproximadamente 1% no PIB per capita, ceteris paribus.

Por outro lado, os seguintes gráficos mostram as variáveis explicativas com correlação positiva com a variável resposta, respectivamente a porcentagem da população total que tem acesso à internet, a estimativa de controle da corrupção e a porcentagem da despesa total do governo destinada a educação.

O gráfico acima deixa explícito a tendência positiva dessa correlação, o resultado do modelo fixo nos retornou um coeficiente estimado de 0.022, ou seja, um aumento marginal na medida de acesso à internet está associado a um aumento de aproximadamente 2,2% no PIB per capita, indo de acordo com o resultado esperado baseado na literatura econômica, as pesquisas indicam que um maior desenvolvimento digital se correlaciona positivamente com o aumento do PIB per capita nos estados membros da UE (União Europeia) e no mundo (Török, 2024), intuitivamente, uma população que predominantemente consegue ter acesso a internet influi em um maior nível de renda per capita, fatores como prontidão digital e serviços de governo eletrônico tem desempenhando papéis cruciais na melhoria do desempenho econômico.

Gráfico 6.

Gráfico 6.

Essa relação era esperada, onde o modelo nos retornou um estimador de 0.1, significa que aumentar uma unidade na medida de controle da corrupção está associado a um aumento de aproximadamente 10% na variável dependente, há uma robustez nessa análise devido a teoria político-econômica reforçar que o controle da corrupção de um país traz uma solidez nas instituições, que por consequência, ajuda a estimular um maior crescimento da riqueza das nações, portanto, países com maior controle de corrupção apresentam maiores níveis de riqueza. Entretanto, é importante notar a diferença dos grupos territoriais, países da Europa Ocidental e nórdicos, como Noruega, Suécia, Suíça, apresentaram maiores níveis dessa variável explicativa, enquanto a corrupção dificulta significativamente o crescimento econômico nos países da Europa Central e Oriental (Trpeski et al., 2023), como a Albânia, Romênia e Hungria, onde a alocação ineficiente de recursos e a corrupção no setor público são fortes.

Essa variável foi ao encontro com a expectativa, apresentando um resultado positivo de 0.036 no seu parâmetro, novamente aumentar uma unidade nessa variável explicativa está associada a um aumento de aproximadamente 3,6% no PIB per capita. A inclinação, mesmo que suave, indica que à medida que aumentam as despesas governamentais com educação como proporção da despesa total do governo, o PIB per capita tende a crescer. A literatura aponta que investimentos em educação aumentam o capital humano, que por sua vez, produz trabalhadores mais qualificados, onde são mais produtivos e podem contribuir para um maior crescimento econômico, mas também há estudos que dizem que essa relação é menos direta (Coronel & Díaz-Roldán, 2023). Enquanto alguns estudos encontram uma correlação positiva, outros relatam um efeito direto insignificante, o que pode explicar a pequena inclinação no gráfico e a sua dispersão.

CONCLUSÃO

Este estudo investigou a intrínseca relação entre fatores econômicos de liberdade e a qualidade de instituições e o crescimento econômico em 30 países europeus durante o período de 2010 a 2019, utilizando modelos econométricos em painel e dados de instituições renomadas como a Freedom House e o Banco Mundial, seis variáveis foram analisadas, buscando identificar os elementos que contribuem para o sucesso ou fracasso econômico.

Os resultados obtidos, embora revelem nuances e heterogeneidades, corroboraram com a complexa interação entre os fatores analisados. A análise gráfica revelou que algumas variáveis, como a Classificação de Liberdades Civis e o Custo dos procedimentos de abertura de empresas, apresentaram correlações negativas com o PIB per capita, contrariando parcialmente a literatura consultada.

Essa aparente contradição pode ser atribuída a diversos fatores, como a heterogeneidade inerente aos países analisados, a omissão de variáveis relevantes, e a possibilidade de causalidade reversa, a relação entre a classificação da liberdade civil e crescimento econômico, por exemplo, pode ter sido influenciada por outros elementos não capturados no modelo, como o nível de desenvolvimento social e a qualidade das instituições políticas. Outras variáveis, como a porcentagem da população com acesso à internet, a estimativa de controle da corrupção e a porcentagem da despesa total do governo destinada à educação, demonstraram correlações positivas com o PIB per capita, corroborando, em geral, a literatura consultada.

A importância da tecnologia, por exemplo, como fator de crescimento econômico, é evidenciada pela correlação positiva entre o acesso à internet e o PIB per capita. A difusão da internet, como ferramenta de acesso à informação e conhecimento, impulsiona a produtividade, a inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias, contribuindo para o crescimento econômico. A solidez das instituições, como o controle da corrupção, também se mostrou fundamental para o crescimento econômico, já que cria um ambiente institucional estável e transparente, com regras claras e justas, promove a confiança dos investidores, estimula o empreendedorismo e garante a segurança jurídica necessária para o desenvolvimento de atividades econômicas. A educação, como investimento no capital humano, demonstrou ser um fator importante para o crescimento econômico, pois uma população com maior nível de escolaridade e qualificação profissional tende a ser mais produtiva e gerar mais renda, impulsionando o crescimento econômico.

É importante frisar que a presente pesquisa, embora ofereça o objetivo da sua contribuição, ela possui limitações. A complexidade do tema e a dificuldade em isolar e quantificar todos os fatores relevantes para o crescimento econômico exigem que os resultados sejam interpretados com cautela, por quê o modelo ainda apresentou alguns problemas, como a endogeneidade, que surge quando uma variável explicativa está correlacionada com o termo de erro, isso leva a estimativas viesadas e inconsistentes dos coeficientes, comprometendo a confiabilidade dos resultados, sendo uma solução sugerida para as pesquisas futuras, utilizar variáveis instrumentais a fim de obter estimativas consistentes dos coeficientes, mesmo na presença de endogeneidade.

Além disso, sugere-se que futuros estudos aprofundem a análise da correlação entre variáveis econômicas e sociais e a riqueza por pessoa nos países ao longo dos anos, explorando outros fatores relevantes, como a qualidade da educação, a inovação tecnológica e a desigualdade social como variáveis controle que possam ajudar a ajustar mais os modelos, através da utilização de diferentes metodologias e a análise de dados de outros países e períodos também podem contribuir para o aprimoramento do conhecimento sobre o tema.

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