Resenha — Como a política identitária dividiu a esquerda: uma entrevista com Asad Haider
No livro “Mistaken Identity: Race and Class in the Age of Trump”, Asad Haider faz uma rigorosa análise acerca das políticas raciais.
Resenha — Como a política identitária dividiu a esquerda: uma entrevista com Asad Haider

No livro “Mistaken Identity: Race and Class in the Age of Trump”, Asad Haider faz uma rigorosa análise acerca das políticas raciais norte-americanas e da história do país, debatendo a relação mutável entre identidade pessoal e ação política.
Haider argumenta que a política identitária contemporânea neutraliza os movimentos contra a opressão social, em vez de contribuir com a luta de base contra o racismo.
Para ele, a política identitária reforça as mesmas normas que critica. O livro é encerrado apontando que o objetivo final dos movimentos de massa é o paradoxo dos direitos. Para combater tal objetivo, o autor sugere a retomada de um universalismo insurgente, em que os grupos oprimidos não se posicionam como vítimas passivas, mas como atores políticos.
Na entrevista, Haider afirma que foi no ano de 1977 que ocorreu a transição da política identitária como prática revolucionária para uma ideologia liberal individualista.
Para ele, baseado em sua experiência de vida, não podemos reduzir a identidade a algo fixo. Uma política que busca fazer isso seria, então, um desserviço tanto para as pessoas quanto para as histórias de mistura e dinamismo.
Em sua experiência com o ativismo universitário, aprendeu sobre o marxismo por meio do movimento Black Power. Atualmente, entretanto, muitos agem como se houvesse incompatibilidade entre os dois termos, o que o motivou a escrever o livro. A questão racial, portanto, deixa de incorporar um programa de emancipação geral para tornar-se um catalisador de polarização, fragmentação e derrota.
Por fim, conclui que, para que a política identitária seja levada de volta às suas origens radicais, mesmo dentro de um discurso político e uma forma de organização contemporâneos, precisamos estar abertos a compreender que nossas identidades não são a base de nada.
Para Haider, é necessário aceitarmos os aspectos instáveis e multifacetados da nossa identidade, criando novas formas de nos relacionarmos que superem a fragmentação para qual a identidade conduz nos dias de hoje.
Referência bibliográfica
KUMAR, Rashmee. Como a política identitária dividiu a esquerda: uma entrevista com Asad Haider. The Intercept, 2018. Disponível em: <https://theintercept.com/2018/06/01/politica-identitaria-asad-haider/?fbclid=IwAR2kcr49Lve0z5JijG86UbNwYl2rBacnaYmJtTOMTrfIg0R9oG2PaTahOAI>
Escrito em dezembro de 2018 para a disciplina de Poéticas Visuais Contemporâneas
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