Japão, finalmente
Após o quase em 2018 e 2022, Japão será o adversário do Brasil no mata-mata
Japão, finalmente
Após o quase em 2018 e 2022, Japão será o adversário do Brasil no mata-mata

A seleção japonesa esteve perto de entrar no caminho brasileiro nas duas últimas copas. Caiu para a Bélgica nas oitavas em 2018 depois de abrir 2 x 0 e tomar a virada aos 49 minutos do segundo tempo. Em 2022, abriu o placar contra a Croácia na mesma fase, mas tomou o empate e perdeu nos pênaltis. Agora, finalmente, conseguiram nos encontrar. Será o segundo jogo entre Brasil e Japão na história dos mundiais. O único até então foi na fase de grupos de 2006. O resultado: 4 x 1 sobre o time treinado por Zico. Ronaldo marcou dois.
Daqui três dias, vamos enfrentar um adversário forte, que tem um estilo de jogo parecido com o nosso e que não vai abrir mão disso. O caminho das pedras está na contenção da dupla de criação Kamada e Tanaka e no versátil atacante Ueda, que desce muito para buscar o jogo — tal qual Matheus Cunha. E nossos laterais serão obrigados a manter o alto nível das performances até aqui nesta copa. Maeda, que cai mais pela esquerda, se movimenta por todo o sistema ofensivo e será uma dor de cabeça para Danilo. Doan, que arma mais, terá que ser perseguido de perto por Douglas Santos quando cair pela direita. Há ainda a possibilidade de retorno de Kubo por aquele lado depois da lesão contra a Holanda na primeira rodada.
O time de Ancelotti é o favorito, mas o jogo será equilibrado. As duas equipes gostam de ter a bola, apesar de preferirem construir em ligações rápidas pós-perda. O desafio é saber quem será mais eficiente no plano de jogo.
A princípio, essa partida será levemente mais difícil que a eventual disputa de oitavas, de onde virá o vencedor do confronto entre Costa do Marfim e — por enquanto — Noruega. Nenhum bicho papão, nenhum campeão mundial, e sim dois adversários fortes e importantes para o Brasil chegar forte na reta final da copa. A partir daí, poderemos ter pelo caminho Inglaterra, Portugal ou Argentina no caminho para a final.
[Desculpa. Estou pensando muito na frente. Vamos com calma, “sextar”. Temos um fim de semana de copa para curtir antes de nos preocuparmos de novo com a amarelinha.]
- Avante Suécia e Holanda
Japão e Suécia fizeram um ótimo jogo, apesar do 1 x 1. Os dois estão classificados. Já falei um pouco dos japoneses, então vou exaltar um pouco os suecos agora, que passaram em terceiro.
A Suécia fez sua melhor partida no torneio, incluindo a infame goleada de 5 x 1 sobre a Tunísia na estreia, que não foi parâmetro para nada — vide a derrota pelo mesmo placar contra a Holanda.
Graham Potter parece ter me ouvido [que presunção] e mudou tudo o que eu havia criticado na vexame que foi o desempenho contra os holandeses. No papel, o time viria de novo naquele 3–4–3 capenga, mas em campo Lindelof subiu para formar uma linha de três no meio e os alas recuaram para uma defesa clássica. Na frente, Isak deixou a armação e foi para a esquerda. E Elanga virou titular na outra ponta, esse fazendo sua função de origem.
Elanga melhora muito o time por dar profundidade e despovoar a intermediária em torno de Gyokeres. Fez o gol de empate, seu segundo na copa, e foi o melhor jogador ofensivo da Suécia no jogo. Isak ainda parece deslocado, porém pisou mais na área, seu habitat natural. “Gyo” tentou sair mais para receber a bola e acabou repetindo os erros no Arsenal ao buscar mais o contato do que fazer um pivô rápido.
Da classificação culposa para a copa para uma classificação ao mata-mata, nada mal para os nórdicos. Por ora, tem a França no caminho. A Alemanha é a outra opção. Se der muita sorte, cai no caminho da Suíça, como em 2018, e aí tem jogo — muito jogo.
No outro embate do grupo, a Holanda fez um jogo treino contra a Tunísia. Marcou duas vezes em menos de 10 minutos e administrou. Tomou um sustinho [e quase entrou no caminho do Brasil quando o Japão abriu o placar contra a Suécia], mas matou o jogo em um escanteio finalizado por Van Hecke.
Uma alteração nos laranjas que me agradou foi a escalação de Aké pela lateral esquerda. É meio improvisado, como Van de Ven, contudo cumpre a missão muito melhor, tendo jogado frequentemente na posição sob Guardiola no City. Na frente, Brobey parece ter ganhado definitivamente a posição na “centroavância.” Já tem três gols na copa e pode deixar Depay no banco por mais um tempinho. O atacante do Corinthians entrou no segundo tempo, como nas duas outras partidas da fase de grupos, e pouco fez.
A Holanda fará na segunda-feira um jogão contra Marrocos. Difícil cravar o favorito. Meus dois centavos iriam para os supostos Países Baixos. Quem passar desse confronto ficará feliz. Pegará o vencedor de África do Sul e Canadá.
- Plata supera Neuer
Estava pronto para abrir esse bloco falando da Alemanha, mas é preciso destacar quem merece. O Equador demorou, mas chegou na copa. Na hora certa. Após perder gol a vontade contra Costa do Marfim e Curaçao, fez um jogo de muita garra e arrancou a vitória contra a Alemanha. A seleção sul-americana está classificada como uma das melhores terceiras colocadas e tem quatro opções de cruzamento no mata-mata.
Caicedo dominou o meio-campo, Plata brilhou com o gol da vitória e a “maior geração” da história equatoriana mordeu minha língua. Chega com moral para os 16-avos.
Agora sim, a Alemanha. [Alguém prende o Julian Nagelsmann, por favor]. Por mais que pareça injusto pelo gol que fez com menos de dois minutos, nada justifica a manutenção de Leroy Sané no time titular. Depois do gol, sumiu. E ainda ficou os 90 minutos em campo. O técnico alemão se recusa a mudar o time, a não ser a modificação forçada na zaga com a lesão de Schlotterbeck.
O zagueiro do Dortmund fez muita falta. Rudiger não entrou bem e Tah fez um jogo bisonho, coroado com a marcação de churrasco no segundo gol do Equador. Kimmich segue um mero coadjuvante na lateral e a dupla Musiala-Wirtz não é nem sombra do seu potencial. [Sim, Wirtz deu a assistência pro gol de Sané. Como seu colega, sumiu do jogo depois da jogada inicial].
Eu cheguei a defender que Havertz continuasse no time ideal de Nagelsmann, contanto que Undav tivesse seu assento também depois de três gols e duas assistências nas primeiras rodadas. Com Sané ainda titular, era para Havertz ter iniciado no banco. O jogo provou isso. Undav, quando entrou, foi bem — só que a seleção como um todo foi abaixo.
É verdade que os alemães já entraram nesta rodada classificados para o mata-mata, mas os tetracampeões estão longe de ter um plano definido — coisa que o Brasil agora tem, por exemplo. Nagelsmann, tendo que buscar o placar, mudou para uma linha de três e promoveu a estreia de quatro jogadores em copas. Uma mistura de teste com desespero que não surtiu efeito. E precisamos refletir se o retorno de Neuer ao gol alemão era necessário. Não foi bem nos dois gols do Equador. Agora já era. Vai até o fim.
Para fechar, volto a bater na tecla aqui de que a Alemanha furou uma barreira que estava intacta há oito anos, a fase de grupos. “Deixaram chegar”. “A camisa pesa”. “Tem tradição”. Frases que explicam de forma simplista o que eu estou querendo dizer. Os possíveis adversários nos 16-avos são: Paraguai, Suécia e Escócia (essa já quase eliminada).
- Quem mais passou?
Na mesma chave da Alemanha, a Costa do Marfim bateu Curaçao sem muitas dificuldades e avançou em segundo. Dois tentos de Nicolas Pépé. Uma assistência de Diomande. Os caribenhos se despedem com um honroso ponto conquistado em sua primeira ida à Copa do Mundo.
O grupo D fechou o dia com dois jogos pragmáticos. Austrália e Paraguai fizeram de tudo para empatar, e conseguiram. Um 0 x 0 digno de uma partida de comadres. A Austrália passou em segundo e o Paraguai só não vai ao mata-mata em caso de uma hecatombe. Ambos sabiam dessa combinação antes de a bola rolar.
Os aussies até apertaram o passo nos últimos 20 minutos, mas não pareceram insatisfeitos com a falta de precisão. O time entrou em campo com seis mudanças e jogou bem melhor em relação ao confronto com os EUA. Pegará agora o vice-líder do tenebroso grupo G. Pode voltar às oitavas, onde chegou em 2006 e 2022.
Já os paraguaios vão ter que aceitar o que o destino separar. Entraram com o regulamento embaixo do braço e devem pegar uma potência na primeira eliminatória.
Em Los Angeles, os Estados Unidos colocaram um time B para enfrentar a Turquia. Só um titular começou a partida. A boa notícia foi o retorno de Pulisic, recuperado de uma lesãozinha na panturrilha. Entrou muito bem, apesar de os americanos brincarem de desperdiçar oportunidades. Perderam de 3 x 2. Com isso, o México segue o único 100% na primeira fase com seis dos 12 grupos já finalizados.
A Turquia, de malas prontas, fez dois gols nas suas duas primeiras finalizações. Isso depois de 61 chutes contra Austrália e Paraguai, sem gols. A copa para os turcos só serviu para melhorar o programa de milhagem da delegação.
메타데이터
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- 2026-07-10 12:09:34