Sou Leoa
“Sinto algo selvagem, feroz e belo despertando dentro de mim.”
Sou Leoa

“Sinto algo selvagem, feroz e belo despertando dentro de mim. É tão assombroso que ao mesmo tempo que me causa um medo intenso, me liberta e reverbera numa paz que ultrapassa todo o entendimento humano.”
Oiii pessu, como vocês estão?
Nem parece que já estamos no final do ano, não é mesmo?! 2019 foi um ano super WOOOOOW e sinto uma vontade estrondosa de dividir algumas experiências :)
Esse texto resume um pouco de como foi meu ano. Trago reflexões de vivências dentro do Engajamundo, estudos sobre Negritude, acesso a espaços de protagonismo e descobertas sobrenaturais com Jesus hehehe. Foi uma jornada mucho louuuuca, onde esses elementos coexistiram e me levaram para um novo nível de curiosidade e investigação.
Agora me sinto uma LEOA! No final do texto vocês vão entender por quê :)
“Compartilhar a vida é viver na luz!”
Recentemente li o livro “O Despertar da Leoa”, da Lisa Bevere. Lisa disse que* *uma vida aberta é um presente para a sociedade! Super massa, não é? Desejo que a minha narrativa seja mais do que uma teoria, retórica política ou conjectura esperançosa. Quero que meus caminhos inspirem muitos jovens a sonharem e transformarem seus sonhos em realidade!
“O sentido da minha vida é dar sentido a vida de alguém.”

Desde janeiro de 2019, comecei a ter consciência da minha capacidade de influência. Sou ativista no Engajamundo, uma organização que reúne a juventude brasileira para debater temas socioambientais e construir coletivamente soluções para os principais desafios brasileiros. Dentro do Engaja, coordeno um Grupo de Trabalho sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (GT ODS) e tenho o privilégio de me conectar com jovens das cinco regiões do Brasil para discutir como podemos implementar a Agenda 2030 tanto em âmbito local, como em âmbito nacional.
Também sou articuladora do #EngajaSampa, o núcleo local do Engajamundo na cidade de São Paulo. Junto com uma galera mara, organizamos rodas de conversa, participamos de manifestações, planejamos ativismos lacradores e realizamos formações em escolas/faculdades públicas com o intuito de ensinar ferramentas políticas para que o jovem tenha uma voz ativa junto com seus tomadores de decisão.
Formação Agenda 2030 — USP Piracicaba
SUPER BAPHÔ, NÃO É?
Só que poucos jovens sabem que podem arrasar dessa forma! Quando alguma autoridade política fala sobre Mudanças Climáticas, Políticas Urbanas, Desenvolvimento Sustentável etc., eles estão discutindo sobre a realidade da juventude, estão falando sobre o NOSSO FUTURO! Portanto, é direito nosso participar e opinar nesses espaços!
Reivindicando meu lugar de fala, comecei a ser convidada para palestrar, participar de painéis e representar o Engaja em reuniões importantes, com o objetivo de construir um Brasil mais sustentável.
Viver isso é MUITO LOUCO!
Confesso que quando comecei a ser inserida nesses lugares, eu era uma jovem alegre que se sentia super privilegiada pela oportunidade de sentar com a galera engravatada e dar pitaco numa mesa de reunião. Os meus argumentos eram ouvidos e eu sentia uma felicidade profunda por frequentar espaços de poder.
Tudo ia lindo e maravigold, até que em uma reunião em Brasília do GT A2030 me conectei com uma mana preta chamada Talita, do Coletivo Mangueiras (PE). A gente dividiu o mesmo quarto de hotel e compartilhamos vivências: falamos sobre erros, acertos e aprendizados. Antes de dormir, a Lita olhou dentro dos meus olhos e me disse de forma doce, porém firme:
Amandinha, está na hora de você parar de ser a jovem alegre que está contente em acessar esses espaços e começar a trazer a voz das pessoas que não são ouvidas.

QUE PANCADA!
Essa frase vibrou de uma forma bem potente dentro de mim! No momento eu não entendi muito bem, mas senti o impacto das palavras dentro do meu coração.
Muitos questionamentos surgiram:
- Quem eram as pessoas que não são ouvidas?
- Eu não poderia ficar alegre por acessar esses espaços?
- Qual é o problema em trazer uma perspectiva fofinha da juventude?
- Jovens são alegres e esperançosos, não são?

Descobri que tem algo mais profundo. MUITO MAIS PROFUNDO!
Não quero e não aceito ser a jovem figurativa que tira foto sorrindo ao lado do tomador de decisão. EXIJO que meus argumentos sejam realmente escutados, tenho consciência do meu lugar de fala e sei a potência da minha capacidade de influência!
E de quem são as vozes não escutadas?
Há séculos a POPULAÇÃO NEGRA vem sendo silenciada e infantilizada (infans é aquele que não tem fala própria, é a criança que se fala na terceira pessoa porque falada pelos adultos).
Essa reflexão nos dá uma pista sobre quem pode falar ou não, quais vozes são legitimadas e quais vozes são apenas figurativas.

Bom, para fundamentar minha narrativa, compreendi meu lugar social como mulher negra em uma sociedade racista e sexista (leia: Sou Mulher, Preta e Periférica e Me descobrindo negra) e desde então, trago questionamentos existencialistas na minha fala, seja em uma mesa de negociação fechada ou em uma palestra com um auditório lotado.
“Mulheres bem comportadas raramente fizeram história.” Laurel Thatcher Ulrich
Debater racismo com uma população que insiste em dizer que o Brasil não é um país racista têm sido doloroso e desconfortável, porém profundamente necessário e transformador. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o percentual de negros assassinados no Brasil é 132% maior do que o de brancos. Cerca de 20% da causa da morte de negros é atribuída a questões socioeconômicas e os demais 80% entram numa variável que não pode ser quantificada: o racismo institucional.
EIS MEU DESAFIO:
Conciliar a “visão esperançosa da juventude” com a “urgência de debater o racismo estrutural da sociedade brasileira”.
Na minha cabeça, eram temas opostos! Como eu poderia ser fofa e indócil ao mesmo tempo?

Para mim, a missão do Engajamundo de
“mostrar para o jovem brasileiro que se ele mudar ele mesmo, seu entorno e se engajar politicamente ele pode transformar a sua realidade”
é o que me permite sonhar e co-construir uma sociedade mais participativa e sustentável!
Ao mesmo tempo, sinto uma dor existencial ao olhar para o passado colonial escravocrata que deixou cicatrizes gigantescas em nossa sociedade. E eu, sendo uma jovem mulher negra da periferia, estou inserida num ambiente de submissão e inferioridade social. Mas reconheço que sou privilegiada, pois através do Engaja tenho acesso a ambientes de diálogo e de tomada de decisão.
Complicado, né?!
Essas duas questões fazem parte de mim e acompanham a minha narrativa. Quando eu estava em algum evento representando o Engajamundo, me via em dois personagens diferentes: eram duas Amandas lutando pelo predomínio do discurso.
Para simplificar o entendimento, vou citar exemplos:
Fala da Amanda 1: “Pessu, nós somos os responsáveis por construir nossa realidade. Nós podemos construir um Brasil mais diverso, inclusivo e participativo. O sonho da Agenda 2030 passará a ser realidade quando cada indivíduo entender sua função social e seu poder de ação. Podemos nos levantar como resposta para os desafios da nossa geração!”
Fala da Amanda 2: “Agora olhem para o lado. Quantas pessoas negras vocês estão vendo nesse espaço? Ahh, eu sou única né. De acordo com o IBGE, a porcentagem de pessoas que se autodeclaram pretas no Brasil é de 53,6%, mas nós não somos representados nos espaços de construção social. Você já parou para pensar qual é a sua responsabilidade nisso? Por que será que a porcentagem das pessoas pretas nesta sala é menor que 1%?”

BUMMMMM,
Eu chocava a todos, conseguia causar impacto e gerar reflexão! Contudo, o efeito era mais forte em mim do que neles! Eu não entendia como essas duas Amandas podiam viver dentro de mim, EU me sentia preste a implodir!
Ora estava super alegre, bolando planos baphônicos com a galera do GT ODS do Engaja, com o intuito de mobilizar a juventude brasileira para territorializar a Agenda 2030. Ora estava em meu quarto, chorando feito criança, sem entender as injustiças sociais e a dimensão do meu papel relacionados às questões de negritude.
“Diante de nós está a tensão tanto da vida pessoal quanto das necessidades do mundo. (Lisa Bevere, O despertar da Leoa)
Nessa caminhada, Rodolfo Bonifácio foi um amigo querido que me acolheu como a irmã caçula que precisava de cuidado. Lembro que durante uma noite calorosa em SP, trocamos experiências e estratégias para lutar contra o racismo institucional, mas sem perder o brilho da alegria sincera. Um de seus conselhos foi sobre leveza: a importância de encarar a vida com simplicidade, diversão, força e autoridade.
Apesar das minhas inquietações terem se acalmado, elas ainda estavam vivas e me causavam desconforto. Certo dia, resolvi abrir meu coração para o Izy, outro amigo querido que entende essa realidade.
Assim que eu terminei de compartilhar meus pensamentos, sentimentos e incômodos, Izy olhou dentro dos meus olhos e sussurrou:
“Amandinha, é o cordeiro e o Leão! Jesus também era assim. Com os pecadores ele era manso e humilde, mas com os fariseus ele era destemido e arrojado. Você está sentindo tudo tão intensamente porque Jesus está conquistando espaço no seu coração!

FOI UM MOMENTO MUITO SHEEEEEEEEEEEEEEY!
Depois disso, muitas coisas fizeram sentido: entendi porque meu coração queima quando pego o microfone: não é sobre mim, é sobre o que Jesus quer aprontar na minha geração. Estou vivendo um processo intenso com Deus, onde ele permite que eu sinta o que Ele sente, usando questões da minha realidade para mostrar como é a realidade dEle!
Desde então, decidi aquietar e me permiti FLUIR. Descobri o descanso e a paz quando parei de me esforçar. Quando parei de lutar em minha própria capacidade a verdadeira força foi revelada: uma força que vem do Deus que habita dentro de mim!
“Quando eu aquietei o meu coração e ouvi a voz de Deus, o meu mundo se expandiu!”
A revelação da majestade atrelada com a força despertou algo feroz dentro de mim. Os problemas do mundo presente são tão incrivelmente vastos que precisam de uma resposta ilimitada, divina!
E essa resposta não vem de nós, mas vem dos sussurros de vida, liberdade, esperança, força, valor, vigor e beleza que Jesus nos revela na intimidade do lugar secreto.
A força que sinto não é para causar um tumulto pessoal. ESSA FORÇA GERA FOCO! Com um foco maior, me apaixono cada vez mais pelas coisas que antes passavam totalmente despercebidas no meu imaginário.
Hoje posso afirmar que SOU LEOA!
Sou cheia de graça e ternura, mas também sou feroz e determinada! Compreendi que a minha força não deve ser temida, mas abraçada. Essa é a variedade e a vastidão que a reação do despertamento social tem o potencial de alcançar: mansidão e força estão sintetizadas na capacidade de agir!
Querido leitor, nosso mundo também precisa de você!
Desperte, levante e ouse descobrir tudo o que você foi criado para ser. Abrace sua força, desenvolva coragem e bora transformar o mundo. Seja um LEÃO SELVAGEM e DOMINE. Existe um universo esperando o seu reinado!
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BIBLIOGRAFIA
Geledés — Instituto da Mulher Negra: Racismo explica 80% das causas de morte de negros no país.
UOL — Economia: Negros representam 54% da população do país, mas são só 17% dos mais ricos.
Livro Lugar de Fala — Djamila Ribeiro (Amazon)
Livro O Despertar da Leoa — Lisa Bevere (Amazon)
Amanda Costa é estudante de Relações Internacionais, empreende o Climathon Brasil e o PerifaSustentável, coordena o Grupo de Trabalho sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (GT ODS) no Engajamundo, é facilitadora da Plant-for-the-Planet, participa das redes Global Shapers Community, United People Global (UPG) e Youth Climate Leaders (YCL).
메타데이터
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- 2026-07-29 10:25:49