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Não tão diferentes assim

Personagens de produções da Netflix parecem únicos, mas são comuns como na vida real

Mayara Nascimento · 2020-08-22 00:18 · 0 claps · 2.0 min read
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Não tão diferentes assim

Personagens de produções da Netflix parecem únicos, mas são comuns como na vida real

O filme “Felicidade por um Fio” (2018), indicado por uma amiga que se sentiu representada em uma fase de sua vida, me fez perceber que a Netflix está abordando assuntos atuais, muitas vezes polêmicos, e com personagens da vida real.

A produção conta a história de uma mulher negra que sofre a pressão do padrão de beleza e alisa os cabelos antes mesmo de se levantar da cama. Cansada de se privar de coisas simples da vida, como entrar na piscina no verão, ela decide raspar o cabelo e começar uma transição capilar, deixando os fi os afros naturais crescerem. Além do papel principal ser interpretado por uma mulher negra, a representatividade aumenta quando se trata de assumir os cabelos naturais, tema em alta e retrata uma questão do cotidiano.

Era comum ver nas telonas mulheres, em sua maioria, com cabelos lisos, sempre altas e magras. Aos poucos os tipos “diferentes” ou da vida real vão ganhando cada vez mais espaço, mostrando outros tipos de cabelo, corpo e belezas. Independente das características físicas, esses personagens não são tão diferentes, pois são inspirados em pessoas reais.

Pensando nisso, comecei a observar em outros filmes que se encaixam nesse perfil. A produção francesa “Eu Não Sou um Homem Fácil” (2018), além de trazer à tona o machismo implícito na sociedade, discute a sensibilidade dos homens ao mostrar que não existe certo ou errado quando se demonstra os sentimentos.

Os longa-metragens “Dumplin” (2018) e “Megarromântico” (2019), também originais da Netflix, colocam atrizes plus size em posição de destaque. Ao inserir personagens gordos fora do estereótipo explorado pelo gênero comédia, essas produções fazem com que o espectador se identifique e se sinta representado.

Esse tipo de abordagem e de produção ganha cada vez mais público por encenar a vida como ela é, por estar cada vez mais próxima do cotidiano e por priorizar a representatividade social.

Segundo a antropóloga e professora da Universidade Guarulhos (UNG), Ana Cláudia Fernandes, o desejo de identificação com personagens por parte do espectador muitas vezes vem da necessidade de se ver e até mesmo de enxergar o que gostaria de ser. “As representações são importantes para mostrar que aquela característica, seja ela física ou mental, é normal e não tem nada de diferente nisso”, conta.

Apesar das produções e das abordagens estarem mudando aos poucos, ainda existe um público que não foi representado nos originais Netflix, como aqueles que possuem doenças crônicas e de pele, por exemplo, o vitiligo. Esses personagens se encaixariam perfeitamente nessa nova leva de filmes, que retratam pessoas reais, com sentimentos, problemas e preconceitos, e que, em um futuro próximo, podem protagonizar e representar uma sociedade em uma produção cinematográfica.

Matéria publicada na Revista Cultcom #3: https://issuu.com/jornalismoung/docs/revista_cultcom_ed3_i?fbclid=IwAR2yH9Ut-mqJw6H5P8aiw6SjYcorysRgX1YBw7Ml9LuEjhoG7QkXGJ6gHzo

Ilustração: Matheus Deiró https://www.instagram.com/math.com.h/ (@math.com.h)


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