A parte ruim da maternidade que ninguém me contou
Quando se está grávida e, sobretudo, quando o filho nasce, a mãe de primeira viagem (e, talvez, todas as outras) é invadida com os mais…

A parte ruim da maternidade que ninguém me contou
Quando se está grávida e, sobretudo, quando o filho nasce, a mãe de primeira viagem (e, talvez, todas as outras) é invadida com os mais diversos comentários e palpites — e eles vêm de todos os lados.
Apesar dos inúmeros relatos de parto não requisitados, das recomendações sobre a quantidade de roupas para bebê que se deve comprar ou a calcinha descartável ideal para os primeiros dias de resguardo, fato é que ninguém te prepara para esse medo avassalador que passa a habitar o nosso ser de que algo ruim pode acontecer aos nossos filhos.
Ao longo da nossa existência, temos acesso aos mais diversos sentimentos, mas o que tenho percebido, no auge dos meus 8 meses de pós parto, é que um medo diverso de tudo que já senti passa a existir dentro da gente quando um filho nasce.
E é assustador.
Quando crianças e, até na fase adulta, ouvimos dos pais ou de quem quer que tenha apreço por nós frases de todo tipo para que a gente se cuide. A gente entende a preocupação, com frequência ficamos até irritados com o excesso de zelo, mas antes de ter um filho não conhecemos essa aflição.
Vejo o meu bebê, tão vulnerável, e a inocência daqueles olhinhos que me procuram chega a me dar pena, além de uma angústia enorme de que algo ruim pode acontecer a ele ou de que alguém possa lhe fazer mal. Se penso sobre o assunto, chego a contar quanto tempo ainda falta para que ele alcance alguma autonomia e não fique assim ‘tão indefeso’.
Quem segue alguma fé, como eu, pede saúde para que possa acompanhar o filho crescer, na esperança de que esse ‘existir’ seja suficiente para livrá-los de todo o mal, amém.
No início, eu achava que era coisa do puerpério e passaria; hoje, percebo que esse medo, esse sentimento sombrio que vez ou outra dá as caras, vem pra ficar. Descobri, inclusive, ao conversar com meu marido, que esse temor habita outros corações, não só os das mães.
Reportagens sobre bebês e crianças dão um tempero a mais para esse sentimento que a gente tenta, sem sucesso, arrancar do peito.
E se fosse o meu filho?
Quando nos tornamos mães, esse sentimento vem e nunca mais vai embora. Não adianta deixar de ver TV ou abandonar os jornais quando se tem um amor tão grande dentro do peito que você só quer proteger aquele pequenininho, custe o que custar. Que seja, por ora, só dos seus próprios pensamentos.
Sou daquelas apaixonadas pelo universo da maternidade; amo ser mãe do meu bebê. Mas se eu pudesse elencar uma coisa que me faz ter inveja da minha versão anterior seria essa: eu não tinha esse sentimento dentro de mim. Que alívio pensar em como eu era antes! Penso que LEVE!
Claro que, como todo mundo, já esbarrei em histórias tristes e lastimava, mas essa agonia que me pertence agora é diferente.
Por que será que não nos contam sobre isso? Pelo menos, por aqui, nenhuma menção. Não me preparei para esse sentimento, então, ao mesmo tempo que tomo posse dele, tento fazer com que ele não tome conta de mim a ponto de me paralisar ou perturbar meu filho num futuro não tão distante assim.
Uma vez, ouvi que, se você tem um problema e conta a alguém, esse problema se torna maior, aumentando à medida que cresce o número de destinatários. Talvez seja isso, então.
Talvez ninguém fale muito sobre isso que é para não ter que lidar com esse sentimento esmagador, ter de reconhecê-lo, convidá-lo a entrar e, sobretudo, aprender a tolerá-lo, tal qual o luto que a gente nunca supera, apenas aprende a conviver com ele.
Mas uma coisa é fato: se, antes, eu não tinha esse temor imenso, tampouco tinha esse amor que mal cabe no peito.
메타데이터
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