Cicatrizes interiores
PARTE 1
Cicatrizes interiores
PARTE 1
Capitulo 1
Quem eu era antes de tudo isso ?
Eu sempre fui rodeada de vários amigos, de vários conhecidos. Eu conhecia todo mundo. Onde eu ia, alguém me conhecia… às vezes eu nem lembrava quem era 😂
Mas enfim, só pra dizer que eu nunca fui de ficar sozinha. Eu sempre gostei de estar perto de várias pessoas, dos meus amigos, sabe?
Eu tive todo tipo de amizade, de crente a drogado… mas eu sempre soube ser eu mesma, sem querer ser igual a eles. Sempre fui eu. E acho que é por isso que eu sempre fui rodeada de tanta gente: porque eu sempre falava o que ninguém tinha coragem de falar. Eu sempre ajudava onde ninguém queria ajudar.
Nunca fui de julgar ninguém pela aparência. Minhas amizades são prova disso. Eu sempre tive algo que nem sei bem explicar… mas as pessoas gostam de confiar em mim. Gostam de conversar comigo quando precisam, ou até só da minha presença, porque eu era engraçada 😂
Enfim… eu tenho um coração enorme e gosto de ajudar todo mundo, sem olhar cor, tamanho ou idade. Pra mim, todos nós somos iguais.
Eu sempre fui uma menina alegre… mas brava ao mesmo tempo 😅 Brava no sentido de ser intensa. Eu odeio mentira e falsidade.
Por isso eu sempre digo: se eu me apegar a você… você está ferrado. Porque eu sou do tipo que faz TUDO por quem ama.
Mas também não me decepcione… porque eu te corto da minha vida pra sempre.
Eu fazia muita questão das pessoas na minha vida, sabe? E sempre ficava triste quando descobria que alguém tinha me feito mal. E, por eu conhecer muita gente, isso acontecia com frequência…
Eu sempre me perguntava: por que comigo? Eu sou tão boa com todo mundo… Tudo bem que eu falo tudo na cara, mas isso é um defeito? Ter coragem de falar pra alguém — seja amigo, família ou amor — o que você pensa, pelo bem da pessoa… isso é um defeito?
Eu não sei… mas esse sempre foi o meu jeito.
Eu sei que, às vezes, a forma como eu falo pode parecer rude. Às vezes sim, às vezes não… mas quando eu falo, pode ter certeza: é porque eu quero o seu bem ou porque quero te acordar pra vida.
Eu tenho 30 anos, mas sou uma mulher vivida. Hoje aprendi que nem todo mundo é meu amigo, e que nem todo mundo quer o meu bem ou estar comigo. E está tudo bem.
Eu não nasci para agradar a todos. Mas quem me tem — que são poucos — tem tudo de mim.
Hoje me afastei de muitas pessoas e aprendi a fazer a diferença entre amigos e conhecidos. Isso foi muito importante pra mim, porque só quando me dei conta disso é que consegui me afastar e mudar.
Eu também sempre fui uma menina que gostava de andar com pessoas mais velhas. E foi isso que fez com que, aos 14/15 anos, eu começasse a desrespeitar minha mãe. Eu fugia de casa, ficava dias fora… minha mãe chegou a chamar a polícia várias vezes por minha causa.
Foi nessa época que comecei a fumar cigarro e maconha. Eu não ia pra escola pra ficar fumando com amigos durante o horário das aulas.
Assim, fui entrando no mundo errado… e acabei decidindo sair de casa dos 15 para os 16 anos.
Eu me sentia “a mais foda” com 16 anos… fazia o que queria, dormia onde queria, ia pra festa de segunda a segunda… e, aos poucos, fui largando a escola.
Quando tinha 17 pra 18 anos, minha mãe me mandou pro Brasil como castigo, antes de eu completar 18. Porque depois, sendo maior de idade, a escolha já seria minha.
E você acha que eu mudei lá? Nada disso… eu fazia igual ou até pior. Eu era muito rebelde. Só andava com as pessoas erradas, se você me entende…
Me envolvi com alguém que quase me matou… e quase matou toda a minha família. Pra você ver o nível da minha cabeça naquela época.
Uma vez, conheci uma menina que também era desse mundo errado. Ela me perguntou se eu queria fazer uma tatuagem, porque estava praticando.
Eu, querendo me aparecer, fui na hora com ela.
De repente, ela me leva pro meio do mato e manda eu sentar. Eu nunca tinha visto aquilo na minha vida… Era uma caneta sem tinta, com uma agulha no lugar, e um motor improvisado, tipo uma maquininha de tatuagem.
Eu não entendi nada… mas, como queria me mostrar, fui lá sem questionar.
Até hoje eu tenho essa tatuagem: uma florzinha toda deformada em cima da minha bunda 😂
Quando cheguei em casa, minha irmã por parte de pai me denunciou… e eu levei uma surra que pode ser chamada de espancamento. Fiquei toda inchada.
Minha madrasta teve que entrar no meio, porque senão aquilo teria terminado no hospital. Ele estava com tanta raiva… eu nunca tinha visto algo assim.
Aquilo me deixou muito triste e com muita raiva. E, desde então, prometi que nunca mais o chamaria de pai e que não faria mais questão dele.
Saí de casa e fui morar com a minha tia — Hoje a gente se fala sem mais sem menos. Eu nunca fui a preferida dele.
Eu sempre senti que meu pai nunca me quis… que ele me odiava, que não fazia questão de mim. Quando era mais nova, eu me questionava muito.
Hoje eu entendo que as escolhas dos outros não são responsabilidade minha. E isso tornou esse processo mais leve.
Depois que voltei do Brasil, comecei a viajar muito. E, quando não viajava, estava sempre em festas.
Eu sempre trabalhei pra me sustentar. Trabalhei 11 anos como serveuse (garçonete) e fiz vários outros trabalhos até hoje. Então, o lado do trabalho nunca foi um problema.
O problema era o ambiente… muito álcool, drogas e tudo mais. Então, mesmo quando eu não queria, eu estava sempre nesse meio.
Mas não porque me obrigavam… e sim porque eu queria.
Eu era muito “Maria vai com as outras”. Alguém dizia “bora” e eu já ia.
Eu achava que estava vivendo… mas hoje eu sei que isso não é viver. Isso se chama se autodestruir.
Mas, naquela época, eu tinha certeza de que estava certa. Que estava apenas aproveitando a juventude.
Minha mãe trabalhava 7 dias por semana, de manhã até à noite. Sempre foi mãe e pai ao mesmo tempo para os 5 filhos.
Se existe um “defeito”, é que ela não conseguiu nos dar muito carinho. Eu ouvi o primeiro “eu te amo” dela só depois que tive meu filho — eu acho né..
Mesmo sabendo que ela sempre nos amou muito, eu gostaria de ter aprendido a abraçar naturalmente… a dar carinho sem dificuldade… a ser mais próxima.
Acho que essa parte eu herdei dela também. Ela sempre foi muito durona.
Mas eu sei que tudo o que ela fez foi por nós. E eu admiro muito isso. Porque criar 5 filhos sozinha, começando do zero, chegando a morar na rua e ainda assim alimentar os filhos com o que encontrava… isso não é pra qualquer um.
Minha mãe sempre mostrou que tudo tem solução… que todo mundo consegue.
Hoje ela mudou muito. Está mais leve, mais próxima, mais carinhosa.
Eu amo a minha guerreira.
Tenho 4 irmãos aqui na Bélgica: Joaquim, Dayane, Nivaldo e Valquíria. E tenho mais 3 por parte de pai no Brasil: Nielly, Nelyssa e Patrick.
Não tenho muito contato com eles, só com a Nielly, com quem sempre fui mais apegada.
Dos meus irmãos aqui, os dois mais velhos quase não vejo, porque têm a vida deles. Mas a Valquíria e o Nivaldo são meus melhores amigos.
Eu não sei o que seria de mim sem eles… principalmente a Valquíria, que me tirou dos meus piores buracos, quando toda a família tinha virado as costas pra mim.
Capítulo 2: Amor, Esperança e Confiança Cega
Eu tinha 18 anos e tinha acabado de voltar do Brasil. Eu tinha prometido à minha mãe que iria mudar, e foi por isso que ela pagou a minha passagem de volta.
Eu estava tão feliz quando cheguei… decidi começar a estudar de novo. Tudo corria bem… até eu conhecer o Ali, meu primeiro namorado.
Ele era cerca de 5 anos mais velho que eu. Como eu já disse, eu sempre gostei de pessoas mais velhas, sempre andei no meio delas.
Ele fazia parte de um grupinho de rapazes que vendiam maconha e outras coisas na estação. Naquela época, quem tinha amizade com eles se sentia “cool”. Eles eram mais velhos e davam em cima de meninas bem mais novas — e as meninas gostavam disso.
Quando a escola acabava, nós corríamos para a estação só para encontrá-los ou até mesmo só para observá-los.
Com o tempo, o meu grupo começou a se aproximar do grupo deles. Começaram as festinhas na casa deles, quase todos os dias… e foi assim que conheci o Ali. Ele era o melhor amigo do dono da casa onde estávamos sempre.
Ali era um rapaz carismático. Muito tímido, mas ao mesmo tempo muito “homem”, sabe? Não baixava a cabeça por nada, tinha um ego forte. Era bonito, charmoso, cheirava bem e era muito exigente com a higiene pessoal.
Ele me vendia sonhos… me tratava como uma rainha. Até o dia em que percebeu que eu estava completamente apaixonada por ele.
A partir daí, ele começou a mudar.
Ficou mais frio, mais grosso, menos presente. Quando eu reclamava, ele dizia que ia me deixar, que eu inventava coisas, que eu era louca… que eu não dava liberdade a ele.
Dizia que precisava do espaço dele, senão ia embora.
E eu… já completamente apaixonada… começava a duvidar de mim mesma. Será que eu estava cobrando demais? Será que eu era muito possessiva?
Então eu me calava. Parava de discutir. Engolia tudo.
Ele saía… e quando voltava, fingia que nada tinha acontecido. Me abraçava, me beijava, dizia que me amava… falava até em casamento. Mais isso nunca demorava..
Depois disso, começou a me humilhar na frente dos outros. Me xingava, me tratava como se eu fosse inferior. Brigávamos muito.
E foi aí que comecei a me perguntar se aquilo era realmente o que eu queria pra minha vida.
Comecei a tentar me afastar aos poucos… ainda nos víamos, mas já não era como antes.
Até que, no dia do jogo do Brasil na Copa do Mundo — aquele jogo em que o Brasil perdeu de 7 a 1 — tivemos uma grande discussão.
Ele ria de mim, falava mal do Brasil, me tratava mal… e eu já estava no limite.
De repente, comecei a passar mal. Tontura, febre, comecei a vomitar muito.
Meu melhor amigo disse que eu deveria ir ao hospital. E eu fui… sozinha.
Ali não quis me acompanhar.
Naquele momento, eu me senti a pior pessoa do mundo. Como assim? A tua namorada está passando mal e você simplesmente não se importa?
Ele ainda disse, na frente de todos, que se eu quisesse ir ao hospital, que fosse sozinha. E ninguém dizia nada… só o meu melhor amigo.
Mas até ele, quando falava, era maltratado também. Então, muitas vezes, ele ficava calado… mas eu via no rosto dele o quanto aquilo o machucava.
No hospital, fizeram vários exames. Esperei mais de 3 horas pelos resultados.
Até que a enfermeira chegou e me perguntou se eu tinha tido relações sexuais recentemente.
Eu disse que sim, que tinha namorado…
Naquele momento, meu coração gelou. Pensei logo que ele tivesse me passado alguma doença.
Perguntei o que estava acontecendo.
E ela me disse: — Você está grávida.
Eu não acreditei. Disse que não era possível, que ela estava enganada.
Mas ela explicou que o exame de sangue era seguro.
Naquele momento… o meu mundo caiu.
Como assim? Por que agora? Eu nunca quis ter filhos… ainda mais com alguém como ele.
Comecei a chorar muito.
Depois de me acalmar, liguei para a minha mãe. Ela estava na Espanha. Nem tive coragem de falar no início…
Mas ela insistiu, então eu contei.
E a única coisa que ela disse foi: — Se você tirar ja sabe, ela me deixou claro que eu tinha que assumir aquilo que eu tinha feito, nao tinha mas volta..
E desligou.
Eu fiquei perdida.
Na minha cultura e na minha religião, o aborto não era algo aceitável. Então, mesmo triste, mesmo destruída… decidi continuar com a gravidez.
Quando contei ao Ali, até hoje não sei se ele ficou feliz.
Ele só disse: — Se você tirar, eu te mato.
Depois disso, ele começou a contar para todo mundo… fingia ser o namorado perfeito na frente dos outros.
Mas comigo… era outra pessoa.
Mesmo assim, eu quis acreditar. Pensei: “ele é o pai do meu filho… isso precisa dar certo.”
Comecei a criar uma história na minha cabeça. Uma família perfeita. E passei a acreditar nisso… sem perceber que eu já estava em depressão.
Nos primeiros 4 meses de gravidez, ele me tratava bem. Depois… tudo voltou a piorar.
Ele usava muita cocaína e maconha. E quando não tinha, ficava agressivo… e eu era quem pagava por tudo.
Ele me obrigava a dormir em casas de amigos dele, lugares que pareciam abandonados.
E, no fundo… eu achava que aquilo era amor.
Hoje eu entendo: era manipulação.
Um narcisista te estuda primeiro… pra depois te destruir.
Ele usava tudo o que sabia sobre mim contra mim. Me fazia sentir a pior pessoa do mundo.
Era um ciclo sem fim.
Grávida de 6 meses, ele me obrigou a dormir na rua… num banco de um parque, em frente à casa onde ele estava.
Passei a noite ali. Sozinha. Com vergonha de pedir ajuda.
Porque eu sabia que iam me julgar… e eu não queria julgamento. Eu só queria ajuda.
No dia seguinte… eu voltei.
Porque, na minha cabeça, eu não tinha outro lugar pra ir.
E ele? Fingiu que nada tinha acontecido.
Mandou eu deitar no sofá e descansar.
Naquela altura, eu já estava completamente destruída. Em depressão. Grávida. Com medo.
Eu acreditava em tudo o que ele dizia… porque ele realmente fazia o que ameaçava.
Então eu me calei. E comecei apenas a obedecer.
Depois de alguns meses, ele decidiu contar para os pais dele.
Fomos morar na casa deles.
Quando cheguei lá, estavam todos sentados na sala: pai, mãe, irmãos…
O pai dele começou a me fazer várias perguntas. Sobre documentos, casamento na mesquita, religião… coisas que, pra mim, não faziam sentido.
Depois fomos para o quarto.
E aí tivemos uma discussão.
Eu falei sobre a falta de respeito do pai dele comigo… e ele não gostou.
Foi ali… a primeira vez que ele me bateu.
Me deu vários tapas nas costas, na cabeça… chutou… até eu gritar por socorro.
A mãe dele teve que intervir.
Eu arrumei minhas coisas, eu só queria ir embora e nunca mais voltar, sabe? Acabou que a mãe dele não deixou eu sair. Ele voltou e eu não consegui mais sair de lá. Depois disso, ele ficou um tempo sem me bater, sem me xingar. Estava tudo correndo basicamente normal, sabe?
Chegou enfim o dia em que meu filho nasceu. Ele não teve autorização da ginecologista para assistir ao parto, porque ela sabia de tudo o que ele tinha feito. Então ela disse que, se ele entrasse no hospital, ela tomaria meu filho. E assim foi. Meus irmãos e os amigos deles vieram todos me visitar. Foram três dias muito bons no hospital, sem ele, e a Valquíria sempre por perto.
O Jayden, meu filho, nasceu tão bonitinho, grande e com o peso perfeito. A primeira foto dele foi sorrindo, ele não tinha nem 24 horas de vida. Tão inocente… ele era feliz.
Fomos para casa e lá começou a pior fase da minha vida. Tínhamos nos mudado para o nosso próprio apartamento. Depois de uma semana em casa com o neném, comecei a perceber que ele não me ajudava em absolutamente nada e não participava de nada, só na frente da mãe dele.
Comecei a perceber isso e fui deixando de lado também. Eu falava que não queria o meu filho, que Deus tinha me castigado, que eu não seria uma boa mãe. Comecei a usar droga de manhã até de noite, junto com ele, durante uns dois meses.
Eu apanhava por um “sim” ou “não”, quando eu não tinha dinheiro para bancar droga, quando ele mandava eu fazer algo e eu esquecia, quando eu ia ao mercado e não trazia o que ele pedia. Já tinha virado um costume ele me bater.
Eu decidi então parar de usar e cuidar 100% do Jayden. Foi indo, mas ele não gostava, porque eu passei a passar mais tempo com o Jayden (meu filho) do que com ele. Isso o deixava muito chateado. Às vezes ele castigava ou batia no Jayden só porque eu pedia para ele parar de me bater na frente do meu filho. Quanto mais eu falava, mais ele batia nele. Um doente.
Eu tenho para mim que ele nunca amou o filho dele, sempre foi sobre me destruir.
Os anos foram se passando assim. Toda vez que ele me batia, piorava o jeito de bater e de machucar. Ele batia minha cabeça contra a pia do banheiro, pisava no meu corpo inteiro e me batia sempre de mão fechada. Ele só parava quando não tinha mais forças para bater.
Eu tinha uma mesa de vidro dentro de casa. Um dia, numa noite de surto dele por causa de droga, ele veio para me bater. Eu saí correndo, ele jogou a mesa no chão, ela quebrou em vários pedacinhos de vidro para tentar me bloquear, e depois me jogou dentro dos cacos de vidro como se fosse algo normal.
Eu levantei do chão e saí correndo pelo corredor. Como eu estava sangrando muito nas pernas, não consegui me esconder direito, porque ele foi seguindo o sangue. Eu estava sentada na escada, já tinha batido na porta de vários vizinhos, mas ninguém abria. Eu gritava para alguém chamar a polícia, mas ele me achou antes e me pegou pelos cabelos, me arrastando de volta para o apartamento.
Você já imagina, né? Ele me espancou até a polícia chegar. Ainda tentou sair correndo, mas o pegaram. Ele foi preso e o soltaram às 4h da manhã, “para ele se acalmar”. Se eu já não confiava na polícia, agora então eu estava perdida, porque quem vai me ajudar se nem eles fazem?
Ele voltou para casa. Eu tinha tampado a porta com vários móveis e pedi para a minha irmã dormir lá comigo. Quando ele chegou ao apartamento, começou a bater na porta. Eu ignorei até ele conseguir quebrá-la. Dessa vez ele agiu diferente: sabia que tinha gente lá, então começou a chorar e prometer milhões de coisas.
Mas, nesse ponto, eu já sabia que era tudo mentira e que tudo se repetiria de novo. Mesmo assim, o medo falava mais alto, então fingi que o perdoei e disse para ele ir deitar e descansar. Esse foi um dos piores dias da minha vida. Eu pensava que daquela noite eu não passava.
No outro dia, ele brigou porque eu tinha ido ao mercado e, se não me engano, tinha esquecido um queijo e demorado mais do que o normal. Ele começou a me ligar para saber onde eu estava. Quando eu cheguei em casa, ele já veio me pegando pelos cabelos e me xingando de tudo.
Mandou eu arrumar as compras. Quando perguntou do queijo e eu disse que tinha esquecido, isso foi motivo para ele quase quebrar minha cabeça na pia do banheiro. Eu fiquei uma semana dentro de casa, inchada, com vergonha de tudo e de todos.
Sempre me avisavam para sair, mas não era tão fácil assim. Quando é com esse tipo de pessoa, para você se salvar, você precisa literalmente fazer um plano de fuga, porque eles nunca aceitam ver você partir ou terminar a relação.
Teve uma vez em que ele me traiu e eu descobri no telefone dele. Eu acordei ele e ele viu que eu estava olhando o telefone…e me espancou, me xingou, dizendo que não era para eu me meter na vida dele, que ele fazia o que queria. Ele me bateu ali até se acalmar. Eu fiquei deitada o dia todo.
Do nada, ele veio deitar ao meu lado e começou a pedir desculpas. Nesse ponto, eu já não queria mais saber de nada. Se ele quisesse me matar, que me matasse, sabe? Ele insistia dizendo que aquilo já tinha passado, que era só uma briga. Para ele era só uma briga; para mim era dor, muita dor, humilhação. Era simplesmente desumano o que ele fazia comigo. Não era coisa de um ser humano normal, era coisa de filme.
Então ele começou a me abraçar e beijar no pescoço. Eu falava para ele me deixar em paz, que eu precisava do meu tempo para me acalmar. Mas ele continuava. Depois disso, ele me penetrou e eu só comecei a chorar. Vocês acham que ele parou? Não. Ele simplesmente não estava nem aí. Ele terminou o que queria fazer, depois foi tomar banho e foi para a sala fumar, como se fosse normal, e fingia que eu nem existia pelo resto do dia.
Eu me sentia a mulher mais fraca, me sentia suja, tinha nojo dele e de mim mesma. Como eu pude permitir isso? Como isso chegou nesse ponto?
Depois desse dia, eu nunca mais me deitei por vontade própria na cama com ele. Tentava dormir sozinha ou antes dele para ele não me tocar. Mas mesmo assim, quando ele sentia vontade, ele fazia o que queria, mesmo sabendo que eu não queria.
Assim foi indo até a fase em que eu decidi fugir dele. Eu já não queria mais aquilo. Eu estava começando a acordar para a vida, então comecei a tentar sair de diversas formas. No começo eu tinha muito medo, porque quando eu tentava sair ele descobria e me castigava, vamos chamar assim. Eu fugia e ele me ameaçava, e eu acreditava e acabava voltando.
Eu voltava por medo, não por amor. Ele dizia que ia sequestrar meu filho, que eu nunca mais ia vê-lo. A família dele tinha dinheiro, então eu acreditava. Ele chegou a dizer que ia queimar a casa da minha mãe e muitas outras coisas. Por essas razões eu voltava.
No final, minha família não tinha culpa de nada. Eles não fizeram essas escolhas por mim. Eu só queria proteger eles e o meu filho. Eu preferia que ele me fizesse mal do que fazer mal a alguém que eu amo.
Mas eu continuei tentando. Comecei a pedir ajuda a pessoas sem ele saber, à minha família, e por fim consegui fugir. Fui morar perto da minha mãe, na mesma rua, a umas quatro casas de distância, porque ali eu me sentia mais segura.
Alguns meses se passaram e ele acabou me encontrando. Invadiu a casa onde eu estava e começou a ficar lá como se fosse dono. Meu irmão morava com a minha mãe e tínhamos combinado que, se ele não tivesse notícias minhas por um dia, chamaria a polícia, porque sabíamos que a qualquer momento ele poderia me achar.
Nos primeiros dias ele não me fez nada, até estranhei. Mas depois a maconha dele acabou e ele queria que eu comprasse. Eu disse que não ia. Tu acha que ele gostou? Foi um filme de terror. Ele me espancou mais uma vez e dessa vez decidiu me amarrar no aquecedor com um cabo de televisão.
Ele me olhou e disse: “Tu vai ver se não vai me sustentar, sua puta.” Pegou meu cartão e foi embora. Desde esse dia nunca mais vi esse cartão.
Ele me deixou amarrada durante dois dias. A única coisa que me dava era água. No primeiro dia ele saiu só para comprar droga e voltou. No segundo dia ele saiu três vezes. Na segunda vez eu gritei, mas ninguém me ouviu. Não sei como, mas na terceira vez meu irmão sentiu que algo estava errado e tentou me ligar várias vezes.
Como eu não tinha acesso ao meu celular, não pude atender. Ele ficou preocupado e foi atrás de mim. Foi aí que eu consegui gritar para ele arrombar a porta, porque eu estava amarrada. Ele fez isso.
Saímos correndo para a casa da minha mãe com o Jayden. Eu te digo uma coisa: não existe humilhação maior do que ser destruída pela pessoa que deveria te proteger e te amar. Eu me sentia completamente quebrada. Não via mais graça em nada.
Chegamos na casa da minha mãe. Ele provavelmente chegou ao apartamento, não me encontrou, viu a porta quebrada e foi direto para lá. A casa dela tinha uma porta de segurança grossa, mas ele conseguiu arrombar.
Quando me encontrou na sala, começou a me ameaçar para eu ir com ele. Eu dizia que não iria, porque meu irmão já tinha chamado a polícia e a qualquer momento eles poderiam chegar. Então ele pegou uma faca, colocou na garganta do meu filho e disse que, se eu não fosse com ele, ele o mataria.
Em choque e em pânico, eu implorei para ele parar, para não machucar o meu filho. Então fui com ele para fora. Foi ali que eu vi, pela primeira vez, que eu podia não ter sorte no amor, mas eu tinha a minha fé, que nunca me abandonou.
Eu saí correndo em direção aos policiais que estavam chegando. Ele tentou fugir, mas foi preso.
Ele foi condenado a seis anos, cumpriu dois (pelo que sei), o pai dele pagou o resto, e ele saiu. Mas acabou sendo preso novamente porque não conseguiu cumprir as condições.
Eu só queria ser amada, sabe? Eu nunca vi minha mãe namorando mil homens. Para mim não é normal trocar de namorado todo mês. Eu sempre fui alguém que quer uma pessoa para a vida toda, e me entrego 100% em tudo o que faço.
Eu só queria ser amada no básico. Não sou difícil. Não me importo se a pessoa tem dinheiro, se é gorda ou magra, se tem defeitos — todo mundo tem. Eu só queria ser amada. O resto a gente constrói junto.
Tudo isso aconteceu quando eu era muito nova e muito manipulável. Eu não sabia o que era amor, porque eu nunca conheci amor além do de Deus. Ele sempre me protegeu e sempre me mostrou que eu conseguiria.
Minha fé foi uma das minhas maiores forças. No meu relacionamento, eu pedia a Deus para me dar um homem que me amasse de verdade, e quando meu filho nasceu, eu entendi que ele era o homem que eu tanto tinha pedido a Deus.
Sobre meu filho: no dia seguinte, meu tio chegou na Bélgica e conversamos. Achamos melhor eu dar um tempo longe daqui para me curar. Então eu fui e levei meu filho. Fiquei um ano fora. Depois voltei e deixei meu filho lá, porque ainda tinha medo do pai dele fazer algo ou tentar tirá-lo de mim.
Agora ele já faz dois anos que voltou a morar comigo aqui na Bélgica, e tem sido muito bom para mim. Eu aprendo todos os dias com ele.
PARTE 2: A QUEDA
CAPÍTULO 3: PALAVRAS QUE VIRARAM FERIDAS
Vou contar a minha experiência com um narcisista. Nem todos são iguais, mas as características de como eles funcionam são quase sempre parecidas.
Eles começam te amando da melhor forma, fazem você sonhar, te prometem o mundo, tudo o que uma mulher quer ouvir de um homem. Eles fazem isso até te conquistar. Uma vez que conseguem te conquistar, começam a te destruir com palavras. Fazem você acreditar que o que eles dizem é a verdade, até você se sentir a pior pessoa do mundo.
O Ali me xingava de todos os nomes: puta, vagabunda, feia. Ele dizia que nunca ninguém iria me querer porque eu era feia, que ninguém queria uma mulher com filho, que sem ele eu não seria ninguém. E assim foi indo…
O tempo foi passando e eu fui acreditando nisso tudo e absorvendo. Isso se repetia dia e noite na minha cabeça. Eu já não me cuidava mais. Emagreci mais de 15 quilos. Eu estava sem vida e sem ânimo para nada. Me sentia feia, achava que nunca mais ia conseguir alguém, que só ele iria me “suportar”. Eu me culpava por tudo, perdi totalmente a confiança em mim.
Durante anos, eu não conseguia me enxergar de novo como uma mulher normal, como todas as outras. Isso não tem nem dois anos, mas a confiança em mim ainda não está 100%.
Durante esse tempo, eu me deixei ir, sabe? Festejando, usando drogas, bebendo muito. Mesmo sabendo que era ruim, eu fazia isso para esquecer ou anestesiar a dor. Meu filho estava longe, então eu tinha “liberdade” para fazer essas coisas, e eu fazia.
Mas isso também me destruía mais ainda. Só que dessa vez não era ele… era eu. Eu estava me autodestruindo. Em vez de procurar soluções, eu procurava desculpas.
Eu visitava meu filho e, quando voltava, me sentia culpada e tudo começava de novo. Assim foi durante cerca de quatro anos.
Há três anos, depois de muito tempo sem ir, fui visitar meu filho. Quando vi o tamanho dele e o tempo que eu estava perdendo, fiquei muito pensativa. Foi uma das viagens em que mais refleti sobre a continuação da minha vida. Pela primeira vez, eu estava me questionando sobre tudo o que Deus já tinha me mostrado e que eu não queria entender.
Meu amor maior era meu filho, e eu precisava sair da vida que eu estava levando por ele. Eu não queria aquela vida para ele, não queria que ele vivesse um trauma como o meu.
A viagem foi passando, e eu tive que voltar para a Bélgica. Nunca me senti tão vazia, tão mal e tão culpada como na volta dessa viagem. Isso me mudou muito. Me fez questionar coisas reais da minha vida, e foi a partir daí que a minha vida mudou drasticamente.
Comecei a me ver de outra forma e a procurar saídas. Tentei ajuda profissional, família, tudo, mas nada funcionava. Eu conversava com Deus constantemente, e isso era o único que me acalmava e me dava esperança.
Eu fui pedindo uma saída, e Ele foi me mostrando o caminho. A minha fé foi uma grande bênção na minha vida e ainda é. O que Deus vem fazendo por mim nesses últimos anos é simplesmente incrível. Ter fé e conexão com Ele é a melhor sensação do mundo.
Eu tirava força de onde já não tinha mais. Eu estava decidida: não ia parar até conseguir sair dessa situação. Fui diagnosticada com depressão crônica e, mesmo assim, eu caía e levantava quantas vezes fosse necessário. E vou continuar levantando sempre que for preciso.
Aprendi a lidar com a minha ansiedade de uma forma melhor. Ir à academia tem me ajudado muito também.
Lutar contra os pensamentos negativos foi o mais difícil, porque o pensamento vem e o emocional muda na hora. Mas sempre que a minha cabeça diz “não”, eu digo “sim”.
Eu não falei muito sobre a agressão física porque sempre achei as palavras piores do que as agressões. Eu preferia que ele me batesse do que as palavras que ele me dizia, porque me deixavam fraca e sem forças.
Quando alguém diz que palavras têm peso, pode acreditar. A boca pode ser o nosso pior inimigo.
CAPÍTULO 4
Eu tive que muitas vezes não viver, mas sobreviver. Eu vivia em paranoia com tudo. Funcionava como um robô. Se eu chegasse um minuto mais tarde do trabalho, já era motivo para ele começar uma cena. Se eu ia ao mercado e esquecia alguma coisa, era motivo para outra cena.
Eu vivia 24 horas por dia com medo de errar e de acontecer o que sempre acontecia. Por muito tempo tive medo até de ir trabalhar e perder o autocarro. Tudo o que eu fazia era “errado”.
Dentro de casa, eu falava o mínimo possível, porque tudo o que eu dizia era motivo para ser xingada ou tratada de forma agressiva. Eu era praticamente a empregada da vida dele. Não podia falar nada.
Ele vivia saindo. Se eu falasse algo, era cena. Ou então ele me fazia sentir culpada.
Eu caí em todas as armadilhas dele até começar a ouvir os meus amigos e a minha família. Fui abrindo os olhos.
É muito importante que, nessas situações, a família e os amigos não abandonem a pessoa, porque muitas vezes ela precisa ouvir mil vezes antes de entender.
Mas no começo eu tinha vergonha da minha família e dos meus amigos, porque eles tinham me avisado. Eu tinha medo de ser julgada, então guardava tudo para mim e sofria em silêncio.
Talvez eu não falasse, mas tenho certeza de que era visível no meu olhar o quanto eu gritava por ajuda.
Acho que as pessoas também se cansam depois de um tempo. Ou a minha dor machucava tanto quem me ouvia que elas acabavam se afastando para não me ver sofrer mais. Ou simplesmente não entendiam por que eu continuava naquela situação.
E, para ser sincera, às vezes nem eu mesma sabia o porquê.
Então eu me sentia muito sozinha, sentia que ninguém iria me ajudar, porque fui eu quem escolheu ele como namorado — não eles.
Ou as pessoas usavam essa situação contra mim. Então eu decidi passar tudo isso em silêncio e sair dessa sozinha.
Claro que eu tive a minha família para me apoiar, mas mesmo assim eles também me julgavam muito. A minha mãe sempre martelava na minha cabeça que era uma escolha minha, sendo que eu já estava na situação em que eu estava e já sabia que tinha feito escolhas erradas. Mas eu só queria me curar e ficar bem para poder continuar a minha vida.
Era difícil, porque eu não podia parar de tentar. Eu tinha o Jayden para criar, então fui lutando.
CAPÍTULO 5: MEU FILHO
Meu filho chegou quando eu menos queria. Eu sempre fui aquela da família que dizia que não ia ter filhos, e fui a primeira a ter, haha.
Quando ele nasceu, demorei um tempo para perceber que agora tinha um pedacinho meu nesse mundo. Mas Deus me deu ele na hora certa. O meu filho foi a minha salvação.
Nós temos uma conexão muito forte. Mesmo hoje, com tudo o que aconteceu nesses anos de distância, sempre tivemos uma ligação muito intensa. O meu filho sempre foi muito apegado a mim, e eu a ele. Afinal, passámos tudo aquilo juntos. Ele viu várias vezes o pai a cuspir na minha cara, a me bater e a me chutar. Ele me viu chorar várias vezes e me viu levantar de novo todas as vezes. Por isso, a nossa ligação é muito forte.
Desde bebé, ele sempre tentava me defender. Mas apesar de todo esse trauma, o Jayden sempre foi uma criança muito feliz. Ele sempre quis me ver bem.
Mas uma coisa que esse homem me tirou foi muito tempo com o meu filho. Mesmo assim, graças a Deus, tudo acontece no tempo certo, e hoje o meu filho mora comigo. É um menino de 11 anos, lindo, de quem eu morro de orgulho, e a cada dia esse orgulho só aumenta.
Ele estuda e já fala três línguas. Às vezes é malandrinho, mas acho que todas as crianças são assim, né? Eu amo ser mãe.
Confesso que, quando ele voltou, foi tudo um pouco estranho para mim. Tive de me adaptar e mudar muitas coisas, mas eu nunca fui de baixar a cabeça, então, por mais difícil que fosse, eu enfrentei.
Eu amo o meu filho mais do que tudo neste mundo. Eu me tornei uma mulher muito forte, porque quero que ele cresça não pensando nos traumas que viveu, mas sabendo que eu fiz tudo o que estava ao meu alcance — e até mais — para dar a ele a vida que qualquer criança merece.
Ele foi acompanhado durante anos por psicóloga por causa dos traumas e chama o pai dele de “monstro”. Se você perguntar o que ele lembra, ele vai responder: “um monstro batendo na minha mãe”, entre outras coisas desse tipo. Ele não gosta nem de mencionar a palavra “pai”.
Mas, apesar de tudo isso, hoje sou feliz por tê-lo aqui comigo, e vou fazer de tudo para dar o melhor do mundo para ele. Ele é a minha força diária.
PARTE 3: OLHAR PARA FRENTE
CAPÍTULO 6: QUEM SOU EU HOJE?
Tem coisas que ainda me perseguem às vezes, mas eu tento ignorar. Por mais difícil que seja, sinto que estou quase 100% curada. Hoje tenho vontade de viver de novo.
Mas aprendi que viver não é aquilo que eu fazia antes. Viver é ter momentos com o meu filho, com a minha família e com os meus irmãos. Viver é viajar, realizar os meus sonhos e ir atrás das minhas conquistas.
Aprendi a ter disciplina. Por mais difícil que ainda seja, eu tento, e sei que tentando eu vou conseguir. Às vezes tenho dias ruins, mas no dia seguinte já estou melhor de novo é esta tudo bem!
Aprendi a me aceitar e a ver que tenho valor sim. Eu sou bonita do meu jeito, e isso basta. Eu sou forte. Eu sou capaz.
Hoje eu sei exatamente o que quero e já não tenho mais medo. Pela primeira vez, estou pensando mais em mim e menos nos outros. Estou treinando, estou escrevendo, algo que me ajuda muito. Estou tentando coisas differentes.. descobrindo outros lados meu.
Às vezes não conseguimos fazer as pessoas nos entenderem, ou não confiamos em falar com alguém. Então aprendi a escrever os meus sentimentos, e isso faz-me muito bem. Depois de escrever, sinto que tudo fica no papel e eu posso continuar.
Eu não queria ter passado por tudo isso, mas eu tive que passar. No início não entendia porquê, mas hoje entendo cada dor, cada humilhação e cada sofrimento. Tudo isso me transformou numa mulher leoa — mais forte, mais corajosa.
Tenho orgulho de mim.
Pela primeira vez em muitos anos, estou me sentindo viva de novo e capaz. Estou me amando, me cuidando e amando tudo isso.
Estou pronta para essa nova fase da minha vida, e ansiosa para ver o que Deus tem preparado para mim. Eu sinto que a minha missão aqui na terra é grande, e que o que vem pela frente será maior do que posso imaginar.
O Senhor sempre me guardou como a menina dos Seus olhos e me preparou para o que está por vir. Não há gratidão suficiente para expressar o amor que sinto por Deus. Sem Ele, eu não estaria aqui escrevendo a minha história.
Mas isso que estou fazendo me ajuda a curar, e espero que também possa ajudar outras pessoas.
CAPÍTULO 7: PARA QUEM ESTÁ LENDO
Quando você ver ou conhecer alguém nessa situação, não se afaste. Não desista dela. Ela precisa de você de verdade. Você pode salvar uma vida assim.
Não tenha medo de defender uma mulher nesse tipo de situação, porque se você ficar apenas olhando, ela pode perder ainda mais esperança.
Preste atenção nos sinais: quando tudo parece perfeito demais, muitas vezes não é real. As manipulações, na maioria das vezes, vêm em forma de promessas, ameaças, culpa e inversão de responsabilidade.
Quando ele começa a te culpar por tudo ou a virar todas as situações contra você, não baixe a cabeça. Você não está errada — ele está tentando te manipular.
Quando esses sinais aparecem, saia da relação, porque a partir daí só piora. Nenhuma mulher merece ser tratada dessa forma. Nossos pais não nos colocaram no mundo para sermos destruídas.
Quando um homem não te aceita como você é, ele não te merece. Se ele te pede para ser “mais feminina”, pergunta se ele alguma vez carregou as dores que você carrega.
Não aceite menos do que o seu valor. Toda mulher e todo homem merece ser amado de verdade. Não tem motivo para essa maldade.
Se não quer, tudo bem — existe alguém que vai querer. Não fique em relações onde só você ama. Não se questione se a errada é você. Não deixe ele te controlar até você virar um robô.
E se você estiver numa situação assim, o meu conselho é: não baixe a cabeça. Continue lutando todos os dias, mesmo nos piores dias. Assim você nunca poderá dizer que não tentou.
Não se entregue às suas dores, transforme-as em força. Eu consegui, então você também consegue. Você é muito mais forte do que pensa.
E não se esqueça: Deus não te daria esse fardo se você não fosse capaz de carregá-lo.
“E hoje, eu não sou mais a vítima da minha história, sou a autora da minha vida.”
메타데이터
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