Não monogamia para mulheres ciumentas
Pamela Silva (@brutarruda) e Juliana Caetano (@mcjulianadocapao )
Não monogamia para mulheres ciumentas
Pamela Silva (@brutarruda) e Juliana Caetano (@mcjulianadocapao )

Arte de @mcjulianadocapao
Text in english: https://medium.com/@contatojulianacs/jealous-non-monogamists-76a4e71c19ef
Texto en español: https://medium.com/@contatojulianacs/celosas-no-mon%C3%B3gamas-1d25eea0d861
Esse material possui linguagem chula e agressiva. Contra indicado em caso de pessoas dodóizinhas demais.
Esse texto é para 3 tipos de mulheres:
Se você é não monogâmica e odeia seus meta amores (as mulheres que se relacionam com as suas namoradas).
Se você é não monogâmica e fica com raiva quando sua namorada se relaciona com outras pessoas.
Se você é ciumenta para um caralho e se culpabiliza o tempo inteiro por estar se sentindo insegura, com ciúmes, com ódio, chorosa, ansiosa, perda de apetite, vontade de esganar sua namorada, vontade de esganar a namorada da sua namorada, se sentindo traída e se sentindo um lixo por não ser boa o suficiente.
As pessoas que vos escrevem são duas ciumentas e amigas não monogâmicas que xingaram suas namoradas pelas costas até não quererem mais.
Antes de qualquer coisa, que porra é ciúmes?
É um termo guarda chuva que pode abarcar uma série de sentimentos: alta autoestima, baixa autoestima, insegurança, controle, inveja, tristeza, medo e ansiedade.
Fisicamente, também pode ser aquela dorzinha no peito, na barriga e de cabeça.
Sobre a alta autoestima, a pesquisadora Geni Núñez traz a perspectiva de que você se acha tão incrível que se questiona do porquê sua companheira querer se relacionar com outras pessoas.
É querer que a namorada não gaste energia com outras relações ou tarefas e gaste o tempo apenas com você, porque você é imprescindível na vida dela.
Sobre a insegurança e baixa autoestima, temos um padrão de comportamento onde a pessoa se acha tão ruim e sem graça que busca justificar o porquê da companheira buscar outras relações.
Sobre o controle, o bagulho é louco, né? É querer que a sua namorada te informe o tempo todo onde ela está, com quem está e quando. É querer controlar a própria namorada quando ela está vivendo a própria vida.
O controle também é garantido ao estabelecer regras que garantam que sua estabilidade se mantenha concreta: não pode se apaixonar, não pode namorar, não pode transar, não pode ser íntima, não pode se aprofundar em outras relações. É estabelecer uma série de regras que conduzam como a sua companheira deve se relacionar com outras mulheres.
A inveja aparece de múltiplas formas. Quando sua companheira está tendo uma relação massa com outra pessoa e você, por não estar vivendo isso, inveja esse tipo de relacionamento e parceria. Ou até mesmo inveja pela sua namorada não sentir ciúmes de você em outras relações.
O medo pode aparecer com a insegurança de ser trocada, abandonada, insuficiente e inautêntica.
Medo de sentir ciúmes. Medo de ser tão ciumenta que ela irá te largar.
Uma definição formal, que ouvi recentemente no podcast não mono é “o ciúmes é a vontade de ter a intimidade que outra pessoa tem com a sua companheira, deixando de lado ou ignorando o que vocês próprias já construíram ou podem vir a construir juntas”.
Após todas essas definições, caso você tenha mais alguma, por favor, nos chamem e iremos incluí-la no texto.
Definido o ciúmes como todos esses pontos, vamos analisar se a minha namorada está causando ou se eu estou com ciúmes?
Quando conversávamos sobre ciúmes, em meados de 2017 e 2018, constantemente procurávamos alguma justificativa plausível para explicar o porquê estávamos incomodadas com aquilo e como nossas companheiras eram irresponsáveis afetivamente. Porém, na medida em que fomos explorando outras coisas dentro das relações não monogâmicas e sermos alvos dos nossos meta amores (ou seja, as mulheres que se relacionavam com as nossas companheiras também metiam o louco para conosco), começamos a questionar se a culpa era realmente das nossas companheiras e suas outras companheiras, ou se estávamos desnorteadas pelo ciúmes.
Aqui, trazemos uma série de perguntas para se pensar:
Quando a sua namorada está com outros vínculos, isso te incomoda? Mesmo que vocês tenham tido tempo de qualidade juntas em outro momento?
Você já sinalizou para a sua companheira que quer ter mais tempo de qualidade com ela e sente ela ausente? Ela realmente está ausente?
Sua namorada propositalmente tenta causar ciúmes em você? Como? Por quê?
Só porque ela saiu com outra pessoa? Ou porque outra pessoa se sentiu atraída por ela em momentos que vocês estavam juntas? Ou porque ela se apaixonou por outra pessoa?
Se a proposta da não monogamia é garantir que nos relacionemos de formas saudáveis com outras pessoas, sem hierarquias, sem controle e incentivando a autonomia umas das outras, as perguntas anteriores não deveriam ser o normal?
Já parou para pensar que a sua companheira se sente atraída por outras pessoas e se relaciona com outras pessoas porque ela quer se divertir e ser feliz e não porque ela quer o seu mal?
E se você respondeu todas essas perguntas sabendo que propositalmente ela se relaciona ou flerta com outras pessoas para te atingir, por que você ainda está com ela?
Responda todas as perguntas sem vergonha e com sinceridade. Não o que as pessoas dizem que é certo ou errado na não monogamia, mas com o que você está sentindo.
Sentir ciúmes é chato e vergonhoso pra caralho. Dá uma raiva desgraçada. Todas nós ciumentas sabemos e temos medo.
Mas a minha sugestão é: antes de olhar pesadamente sobre suas companheiras, entenda que você está com ciúmes e não precisa procurar mil motivos para validar o que você está sentindo e ferir sua companheira por isso.
Como se curar do ciúmes?
Estamos a 87 anos tentando descobrir, mas como ainda não conseguimos, temos alguns conselhos e táticas para amenizar essa porra desse sentimento que gera uma série de mal estares em nós e sobre as pessoas com as quais nos relacionamos:
- Aceite que é ciumenta. Não culpe o mundo inteiro pelo seu ciúmes. Entenda que o bagulho é louco e o processo é lento, mas sabendo que você é ciumenta a ideia é procurar quem te acolha e dê suporte para você viver a sua vida. Não tenha vergonha.
2. Estabilidade financeira
Se puder, não dependa financeiramente da sua companheira.
Já pensou sobre o controle que a sua companheira tem sobre você? Que ao vê-la com outras pessoas, lhe gera uma insegurança sobre uma possível perda de renda?
Que ao não ter renda, você está impossibilitada de conhecer outras pessoas também?
3. Tenha uma rede de apoio
Ter amigas que não estejam no mesmo ciclo de amizade que a sua namorada facilita você ter acolhimento em caso de alguma hostilidade entre o casal ou para que elas te ajudem a julgar se o que você está sentindo é bom ou ruim.
Além disso, é importante, dentro da não monogamia, descentralizar os afetos.
Como assim descentralizar os afetos?
Não gaste toda sua energia tentando fazer sua relação funcionar. Cuide das suas amigas, saia com as suas amigas, fortaleça suas amigas, se apoie nas suas amigas e, se quiser, beije suas amigas. Torne-as parte do seu cotidiano. Comam juntas, fumem juntas, bebam juntas, chorem juntas e corram juntas.
Suas amigas não são um item que você usa apenas quando convém ou quando a sua relação está ruim. Relações precisam de manutenção, diálogo e cotidianidade.
4. Se puder, faça terapia
Se você é ciumenta pra caralho, com certeza carrega uma série de traumas.
A terapia é um autocuidado que te orienta a não despejar todas suas expectativas e inseguranças na sua companheira.
É importante lembrar que as dores que você carrega, sejam por inseguranças sociais ou não, não são culpa da sua companheira, mas sim de uma estrutura capitalista, racista, machista e capacitista.
Minha dica é: pense sobre expectativas e controle. Sua namorada não dá conta de todas as suas demandas.
5. Beije na boca, chupe buceta
Um conselho que ninguém me deu, mas que poderiam ter dado durante os primeiros anos de relacionamento não mono é que quando você vive sua vida, você não enche o saco dos outros.
A não monogamia é sobre VOCÊ explorar outras relações. Se apaixonar incansavelmente, descobrir outros corpos e descobrir outras formas de se relacionar que não sejam só afetivos sexuais.
Como viver a não monogamia se a maior parte do tempo da relação você gasta pensando se a sua namorada está com outra pessoa? Ou sobre o que ela está fazendo?
A sua namorada te ama e está com você porque você é daora. Se apaixonar é gostoso, flertar é gostoso e dar rolê com outras gatas é gostoso. Vá fazer isso. Sem culpa.
6. Não desista. Isso não é nem discurso de coach. É sincero.
Sempre vai bater aquela vontade de fechar o relacionamento e garantir que as coisas fiquem tranquilas e controláveis na medida do possível. Admito pra você que essa não é a melhor solução e nem vai funcionar. Eu já testei, minhas namoradas já testaram e as namoradas das minhas namoradas também.
As inseguranças e o ciúmes não passam. Além de você estar gerando controle sobre o corpo da sua companheira.
Você realmente quer decidir sobre como, quando e com quem a sua companheira se relaciona?
Se ela está com você é porque ela gosta de você.
Proibir sua companheira de se relacionar com outras pessoas não é saudável para nenhuma das duas e não vai consertar suas insegurança;
7. Não foda o seu meta amor
Já parou para pensar que a mulher ou as mulheres que se relacionam com a sua companheira são afetadas pelas decisões ou ações que você toma?
E que colocar essas mulheres como vilãs é desumaniza-las? Que elas ainda são mulheres?
Isto pode ser rivalidade feminina e provavelmente é. E nós, enquanto feministas, devemos nos propor a pensar ativamente sobre isso.
8. Consuma conteúdo sobre não monogamia:
Podcasts:
Não Monogamia em Foco: https://open.spotify.com/show/2fDxxQXk7Nkdz7hcKKKoTd
Mamilos:
https://open.spotify.com/episode/08VfUFgSv86GiB0Z4zkciT
Este episódio do mamilos não é sobre não monogamia, mas é sobre expectativas. Me ajudou fortemente a repensar sobre minhas expectativas sobre as coisas.
Pesquisadoras e Perfis:
Não Monogamia em Foco — https://instagram.com/naomonoemfoco
Geni Núñes — https://www.instagram.com/genipapos/
Compersão — https://www.instagram.com/compersao_/
Livros:
Não Monogamia LGBT. Autoras: Takazaki, Tavares, Núñez.
O Desafio Poliamoroso. Autoras: Brigitte Vasallo.
메타데이터
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- 2026-07-25 04:20:42