A recriação de Michelangelo e da hemorroíssa
Recentemente li na internet uma publicação que falou sobre o detalhe belíssimo do toque de Deus na pintura de Michelangelo , onde, se…
A recriação de Michelangelo e da hemorroíssa
Recentemente li na internet uma publicação que falou sobre o detalhe belíssimo do toque de Deus na pintura de Michelangelo , onde, se olharmos bem, o dedo de Deus está completamente estendido, nos dando a compreensão de que Deus fez toda sua parte naquilo que lhe compete. Já Adão, representando a humanidade, está com sua falange abaixada, indicando que para que o homem alcance a vontade de Deus, que está à sua espera, basta erguer o dedo, ou melhor dizendo, basta a correspondência da sua vontade.

A Criação de Adão, pintada por Michelangelo e A Hemorroíssa de Daniel Cariola
Em Marcos 5, 25 nos deparamos com a história da mulher hemorroíssa que “tendo ouvido falar de Jesus, foi por trás, em meio à multidão”. Tendo tocado o mando de Jesus, foi curada de 12 anos de sofrimento. Bastou um toque para restaurar uma vida. Um gesto tão simples, mas que custa tanto para nosso orgulho ferido. Quão grande deve ter sido a batalha travada consigo mesma para ir ao encontro de Jesus? A vergonha pela multidão, a falta de esperança pelo tempo da doença. Foi um simples toque aos nossos olhos, mas aquele toque carregava o peso de uma vida que já havia decretado o próprio óbito a muito tempo. O toque recriou.
Parecia tão fácil para Adão depois de ter pecado, era “só” ter encarado a bobagem que acabara de fazer, declarando sua culpa em desobedecer a Deus, mas ele se escondeu… Por quê? A vergonha pelo pecado que nos impede de recomeçar. Era “só ele erguer o dedo” para realcançar Deus que passeava no jardim
Deus em sua infinita bondade está sempre ali, presente, com o dedo estendido ao máximo para nos alcançar. Sua graça está sempre disponível, somos nós que a rejeitamos. Somos nós que não nos esforçamos, não erguemos sequer “um dedo” para corresponder a vontade dEle.
Precisamos ter coragem de ir ao encontro de Jesus, mesmo com as hemorragias que jorram das nossas almas feridas. Mesmo com a nudez de uma alma suja pela desobediência e pobreza de um amor que foi se esfriando com o passar do tempo.
Ele está SEMPRE com o dedo erguido, esperando nossa correspondência de ir ao Seu encontro. Precisamos ter coragem de enfrentar a multidão da tentação que grita tão forte em nosso peito: “Pra que tentar ser recriado se você não vale a pena o esforço?”. Acredite, você vale mais que a pena, vale o Crucificado.
Santo Afonso Maria de Ligório, em sua reflexão sobre a Paixão disse: “Fizestes-Vos homem para ter uma vida que dar por mim, e eu desejaria ter mil vidas para sacrificá-las todas por Vós”.
Se você não valesse a pena, acha que o Senhor do Universo se daria ao esforço de abraçar a fragilidade humana e se deixar pregar numa cruz por nada?
Não foram os pregos, nem as cordas que sustentaram Jesus na cruz, foi o amor. O amor que é capaz de tudo recriar com um só toque. Ergamos a falange do “reconhecimento de nossas fraquezas”, enfrentemos a multidão da “humilhação necessária” que se dá na confissão, e enfim, se deixe ser tocado por Deus.
Abrace (com todos os dedos possíveis) o começo de uma nova história.
Uma história que caminha rumo ao céu.
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