Personalidade e escolha profissional: Carta aberta à comunidade negra
No espaço profissional, para alguns, é comum estar sempre correndo atrás de algo, sempre se sentindo atrasado, mesmo que com um currículo…
Personalidade e escolha profissional: Carta aberta à comunidade negra
No espaço profissional, para alguns, é comum estar sempre correndo atrás de algo, sempre se sentindo atrasado, mesmo que com um currículo bem qualificado, sempre tem como dedicar mais horas ao trabalho. Esse sentimento é comum ao negro que se encontra no momento de ascensão social/profissional.
Quando refletimos sobre carreira e oportunidades, faz diferença pensar no quesito financeiro como uma das partes importantes para se ter segurança na vida e ter acessos a educação, alimentação, moradia, lazer, cultura e hobbies.
Nessa fase de reflexão sobre as escolhas profissionais ou mudança de carreira, é comum coloquem sobre nós definições de quem somos, quem devemos ser, qual é o melhor caminho que devemos trilhar, qual é a nossa personalidade e por fim, ditarem qual função mais se alinha ao nosso perfil profissional.

Essas definições entre personalidade e perfil profissional podem chegar como um caminho muito claro: de muito esforço e de muitas renúncias conosco mesmos. Não é incomum o discurso de esforço, dedicação e de evolução constantes ser usado de forma estressante sobre os esforços do negro que já desempenha muito trabalho para lidar com a necessidade em superar muitos obstáculos que o racismo impõe.
O discurso do caminho para a vitória de pessoas negras, já está todo preparado pela branquitude (que em sua maioria é quem lidera os cargos de liderança nas organizações). O script foi rascunhado, passado a limpo e vem sendo pregado por séculos. Esse discurso que aliena o negro de novas possibilidade de colocação e de crescimento profissional sem ele se quebre todo no caminho, pode ser uma armadilha e vem sendo usada com naturalidade por ser resquício colonial, nos levando mais uma vez a ser a força de trabalho das mentes que não são pretas e que nem contra o sistema racista lutam. Esse discurso se torna ferramenta para manter as opções de caminhos fechados. Afinal, as ferramentas do senhor nunca vão desmantelar a casa-grande.

O adoecimento de pessoas da comunidade negra aparece, com frequência, por conta dos excessos de auto cobrança sobre o quanto devemos entregar no dia a dia. E isso entra em conflito com o que o nosso corpo consegue suportar, mostrando que somos de carne e osso (ideia contrária ao que o capitalismo nos impõe ao dizer que somos máquinas de vencer).
Por isso, ao pensar no trabalho, carreira e profissão é importante agirmos, mais do que nunca, com base na auto reflexão, com base na consciência de raça, com base no auto amor ao entender os seus limites e suas potências individuais e de forma criativa traçarmos nossos próprios caminhos profissionais.
Caminhos que não entrem em conflito com nossas origens, que não sejam agressivos aos nossos corpos e mente. Que busquemos trilhar os caminhos que queremos, ultrapassando o discurso limitante da personalidade que é aceitável para exercer determinada profissão. Que busquemos ser quem realmente somos, em caminhos que nos permitam trabalhar, mas também descansar bem, exercitar, amar, compreender que nosso corpo que é o nosso lar.
Abraço,
메타데이터
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