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Capacitismo no autismo: quando o diagnóstico define limites que não existem

Muito se falou, no início deste mês, sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e com razão, já que se trata de uma pauta urgente e…

Larissa Xavier Elesbão · 2026-04-28 19:29 · 1 claps · 2.0 min read
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Capacitismo no autismo: quando o diagnóstico define limites que não existem

Fonte: unsplash

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Muito se falou, no início deste mês, sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e com razão, já que se trata de uma pauta urgente e necessária. No entanto, junto ao diagnóstico, não vêm apenas informações ou caminhos de cuidado. Vêm também rótulos, expectativas limitantes e, muitas vezes, o capacitismo disfarçado de preocupação.

Estava com meu irmão, que é autista grau 1 de suporte, passeando em um parque no feriado. Ele sempre sai com o cordão que o identifica como autista fazemos isso por segurança e para sinalizar que ele pode precisar de uma atenção especial.

Nesse passeio, ele levou um carrinho de controle remoto e saiu brincando como qualquer outra criança. Enquanto eu o observava, uma mulher, ao vê-lo brincar, ficou admirada e comentou: “Nossa, ele brinca tão bem com esse carrinho, né? Consegue até fazer as curvas certinhas.”

O detalhe é que havia outras crianças ali, brincando, inclusive com coisas diferentes. Meu irmão estava apenas fazendo algo comum. E isso me levantou um questionamento: por que aquela mulher ficou surpresa ao ver meu irmão brincando como qualquer outra criança?

No dia seguinte, meu irmão quis andar de skate no parque. Ele aprendeu e saiu para andar como qualquer outra criança que aprende algo novo. Nesse momento, passou um grupo de meninos de aproximadamente 10 a 11 anos, e um deles comentou: “Você viu o cordão do menino ali? Será que ele é autista?”

O outro respondeu: “Ah, não sei o que ele tem, não, mas autista ele não é. Você viu o jeito que ele está andando de skate? Autista não anda de skate assim.”

Essas situações me fizeram refletir. A verdade é que, muitas vezes, a sociedade acaba rotulando pessoas autistas como incapazes de fazer determinadas coisas apenas por agirem e perceberem o mundo de forma diferente. No entanto, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) são, sim, capazes de realizar tarefas do cotidiano e de aprender atividades como qualquer outra pessoa.

O problema é que a maioria não busca se informar sobre o TEA e acaba tirando conclusões precipitadas e, muitas vezes, capacitistas sobre essas pessoas.

No dia 2 de abril, é celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. A data tem como objetivo promover o conhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), combater o preconceito e incentivar a inclusão social, escolar e profissional.

No entanto, no dia a dia, muitas pessoas autistas ainda são alvo de capacitismo e do preconceito que a sociedade insiste em manter. O mais contraditório é que, muitas vezes, essas limitações não vêm da criança, mas do ambiente, da falta de paciência, de informação e, principalmente, de disposição para enxergar além do diagnóstico.

Falar sobre o autismo não é exagero. É necessário.


메타데이터
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