Não vais trepar!
Disse o universo.
Não vais trepar!
Disse o universo.
Não importa, não vais trepar. Não vais, porque não sois vós quem determina o tempo, a hora e nem com quem. Também não é na hora que tu queres. É na hora certa, com a pessoa certa.
Quando quiserdes trepar, nenhum ser vivente quererás. Não se fordes uma mulher comum, que já não possui o viço da juventude.
Ainda que percas a dignidade, ainda que implores, ainda que arraste o corpo no asfalto, sedenta por uma trepada, não vais trepar e não adianta espernear.
Você já sabe como funciona. Aqueles a quem não queres dar, estes te ofertam em abundância. Já os que te apetecem aos olhos, aaah, estes hão de fugir. E não importa.
Não importa o quanto tu fordes cheirosa, formosa, a pele macia, a conversa agradável, a maestria com que lida com o outro na cama, nada disso importa. Não importa que implores e nem que percas a dignidade. Não vais trepar no teu tempo e nem na hora em que precisas.
Tu te sentirás esquecida num canto a murchar. Tu terás um cansaço da vida, que drena as tuas forças, apesar de saberdes que nada disso importa, pois conheces a tua força, o vulcão que mora em ti, todo o talento ancestral e atemporal da tua força sexual. Não adianta. Não vais trepar.
Por outro lado, vais direcionar essa força para outras coisas. Para o cuidado de sua casa, para o estudo, para a conclusão de tudo aquilo que começardes. Usará essa força para atingir outros objetivos que não o de trepar e será nublada pelo tempo. Talvez esqueças, ou talvez recorras a um daqueles que te querem, mas que você não deseja.

Foto de P.A.U.L.A na Unsplash
Vais passar pelas variações de humor e ai de quem estiver olhando atravessado. Ficarás possessa a ponto de estourar por dentro, porém por fora, há de disfarçar. Passeará com a elegância das que conhecem a ira que lhe queima por dentro.
Não fará como outras que se abandonam. Aquelas que se conformam em face do passar do tempo e, dizem, que o amor e os prazeres da carne já não lhes cabe. Você sabe o quanto te cabe.
A sua consciência não jogará a toalha. Ela te diz que a você cabem todos os espaços, os empregos, as viagens, os homens de todas as idades e as vontades do ser que vive. Não te enterrarás por conta de um conformismo. Estás viva.
Mas estás sola. Estás a sentir tudo e não ganhar nada. Vais tirar leite de pedra e compreender a magnitude do tempo. O tempo das coisas e a não dramatização da vida. Vais em frente após o cansaço de esperar. Aí, vais agir, vais sonhar o diferente e as coisas relevantes. Vais esquecer de ter que trepar e não vais morrer. Confiarás na jornada? Não saberá.
Haverá de viver. Haverá de apostar e jogar com a vida, dando as cartas sem medo. Será um processo intuitivo e parte da dança da vida.
Vais chorar, ainda que não queira. Ainda que se faça de fortaleza. Vais se render como em todo o fim de ciclo. Serás carregada no colo e terás um desfecho, que lhe trará aprendizado, uma calma ao coração.
É possível, não vais trepar. Mas é importante que sintas.
메타데이터
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