Thelema não é uma escolha
O porquê você tenta ser thelemita e não consegue
Thelema não é uma escolha
O porquê você tenta ser thelemita e não consegue

Antigone au chevet de Polynice (Antígona ao lado do corpo de Polínice) de Jean-Joseph Benjamin-Constant, em 1868 (Na pintura Antígona executa o rito funerário que Creonte tenta impedir)
Faze o que tu queres há de ser Tudo da Lei
A tua lei não é a lei dos deuses; apenas o capricho ocasional de um homem. Não acredito que tua proclamação tenha tal força que possa substituir as leis não escritas dos costumes e os estatutos infalíveis dos deuses. Porque essas não são leis de hoje, nem de ontem, mas de todos os tempos: ninguém sabe quando apareceram. Não, eu não iria arriscar o castigo dos deuses para satisfazer o orgulho de um pobre rei.
Antigona à Creonte em Antigona, de Sófocles
Um pressuposto existente na Lei de Thelema, é algo que Frater Achad em seu texto “Passando do Velho ao Novo Aeon” vai mencionar como se fosse uma mudança na mentalidade a respeito desta Lei, que muitos podem acreditar que existe um “aceite”, mas vejo que não é sobre isto, mas sim sobre uma fortuita mudança de percepção onde após reconhecer a Lei de Thelema, tudo esta embasado nela, como se sempre estivesse, você sempre tivesse sentido, e agora você a conhece de certa forma para reconhecer seus rastros. Agora possui um nome.
Pense comigo, caberia eu perguntar se você acredita que está lendo este texto? Não, não cabe, pois você só tem acesso a ele através da leitura. É um fato que não depende de crença. Dizer que “cremos”, denota escolha, como se a Lei de Thelema fosse algo que diz respeito a uma escolha e não é, uma vez percebendo-a, não há mais volta até que algo te impacte como a mesma ou mais e então talvez outra percepção tome o espaço dela. Ou você olha para esta Era e percebe a Lei ou você ainda está no Velho Aeon.
Sei que muitos leem meus textos e buscam estudar Thelema na tentativa de serem convencidos para adota-la, mas correrão para sempre atrás de seus próprios rabos enquanto não entenderem que é a Lei de Thelema que nos adota. Não como se fossemos mais especiais que qualquer outro, mas sim no sentido de que somos exatamente o que esta Lei precisa para que ela se cumpra, num mundo em que muitas outras leis também competem entre sí. Lembre que Nossa Senhora Nuit escolheu nosso profeta e também nos escolheu, como diz no Liber AL vel Legis, capítulo I, versículo 31:
“mas vós sois meus escolhidos”
Por isso, você que está aqui lendo, e que busca incansavelmente se interessar por Thelema, como quem faz força para mover com os braços uma tonelada, busca em Thelema argumentos para que você a aceite, quando na verdade, deveria focar em conhecer de si mesmo quais motivos Thelema teria para adota-lo.
Recomendo que permita que seu coração sinta a partir do que já sabe a respeito de Thelema, porque é com o que sente que dará sentido a tudo o que sabe. Use o Amor, Agape, para sentir (fazer sentir) o que sabe sobre Thelema e o que busca ser à partir desta Lei, pois Thelema não é sobre encontrar satisfação, nem sobre realizar grande feitos. É sobre estar alinhado à sua Natureza Divina para ser parte dA Grande Obra, e sobre esta sabemos nada.
Lembre-se do que diz no Liber AL vel Legis, capítulo I, versículo 41:
“Não existe laço que possa unir os divididos a não ser o amor”
E se você está apartado de Thelema, somente Agape pode resolver.
Amor é a Lei, Amor sob Vontade
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