Os problemas na construção do Grêmio de 2024.
Com oito rodadas já tendo se passado pelo campeonato Gaúcho de 2024, o Grêmio têm apresentado muitas dificuldades em criar chances de gol e…
Os problemas na construção do Grêmio de 2024.
Com oito rodadas já tendo se passado pelo campeonato Gaúcho de 2024, o Grêmio têm apresentado muitas dificuldades em criar chances de gol e ser dominante em suas partidas, mesmo dentro da Arena. Muitos atribuem essas dificuldades à falta de reforços e a falta de qualidade dos jogadores do elenco atual. Acontece que nem tudo se resume a isso. Algumas dificuldades são de ordem tática, de ideias. A forma com que o Grêmio busca ligar o seu jogo desde a primeira fase de construção não favorece as valências de seus atletas, e é isso que eu vou tentar demonstrar a seguir.
Primeira fase de construção:
Na primeira fase de construção, o Grêmio se caracteriza por uma estrutura de 4+2 -sem contar o goleiro pois o Grêmio pouco utiliza esse recurso na construção- sendo que os laterais, que fazem parte do 4, atuam de forma mais adiantada em relação aos zagueiros. Essa saída se dá de forma apoiada, com nenhuma condução de bola por parte dos zagueiros, tampouco existe a procura dos mesmos por passes de ruptura, os volantes constantemente baixam no campo para buscar a bola junto à dupla de zaga. Em posse da bola, os volantes direcionam a posse majoritariamente para as laterais do campo, para daí dar seguimento na segunda fase de construção.
Problemas:
A não condução de bola e a falta de procura dos zagueiros por passes mais verticais também se apresenta como um fator de dificuldade na primeira fase de construção, uma vez que todo fica a cargo da dupla de volantes, obrigando-os a baixar muito no terreno de jogo. Quando Pepê e Villasanti baixam, acabam sendo marcados pelos dois atacantes do adversário, pois os avançados não têm nenhuma preocupação com Geromel e Kannemann, já que estes não conduzem bola, logo, não apresentam ameaça na construção. Dessa maneira, a dupla de volantes do time oposto têm apenas Cristaldo para se preocupar, já que os pontas do Grêmio pouco ocupam o terreno central do campo. Isso faz com que o jogo do Grêmio não se conecte de forma fluida, e o time acaba sempre dependendo de jogadas individuais para constituir perigo ao adversário.

Ligação com os volantes:
A primeira fase de construção do Grêmio é marcada pela constante procura dos volantes em receber a bola dos zagueiros, para que daí, o time consiga ir subindo no campo até chegar à segunda fase de construção. Acontece que, pela forma com que Pepê e Villasanti se colocam no campo -com o tronco sempre totalmente virado para a bola, é sempre muito simples para os adversários pressionarem, eles estão sempre de costas e não percebem a pressão chegando. Isso atrasa a progressão pois a zona de campo onde essa dinâmica acontece é uma zona muito perigosa, o que faz com que os jogadores ao serem pressionados, optem sempre pelo passe mais seguro, o passe para trás ou o passe lateral.

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Análise das relações:
Os números nos ajudam a explicar essa falta de fluidez na primeira fase de construção do Grêmio. Para isso, usei a opção de análise das relações no site do FootStats, fazendo um recorte dos 4 jogos que o Grêmio fez em casa até aqui, por se tratar dos jogos onde o time teria uma maior obrigação de dominar seus adversários. Além disso, também não considerei os jogos fora de casa pois nem sempre foram com o 11 ideal de Renato.
Dessa maneira, se olharmos para a quantidade de passes trocados entre Pepê / Villasanti com Cristaldo, vamos observar uma relação muito pouco efetiva. Os volantes, pelas dificuldades citadas anteriormente, pouco conseguem olhar o jogo de frente, isso impossibilita a ligação com Cristaldo. Fato que dificulta o jogo do Argentino, obrigando-o, caso queira participar do jogo, a baixar e receber a bola muito longe das zonas onde o jogo dele é mais perigoso para o adversário.

Grêmio x São Jose

Grêmio x Novo Hamburgo

Grêmio x Juventude

Grêmio x São Luiz
Além disso, os números mostram que, invariavelmente, as relações mais fortes são as relações: zagueiro x zagueiro — zagueiro x lateral — lateral x volante — volante x volante. Já a relação dos volantes/zagueiros com Cristaldo, não ultrapassa os 5 passes por jogo. Como demonstrado anteriormente, os números apenas deixam mais claras as dificuldades apresentadas pelo time do Grêmio no momento de criação. Outro ponto interessante é observar a relação lateral x ponta pela ótica da orientação corporal que isso provoca.
Problemas de orientação corporal:
Além do posicionamento dos volantes, a orientação corporal dos laterais não é a mais adequada. Ela favorece a pressão adversária na medida em que, quanto mais alto no campo, mais difícil fica para o lateral orientar o domínio e ficar de frente para o jogo, atrasando a progressão no campo de jogo.


A opção de usar os laterais, nesta fase do jogo, um pouco mais subidos no terreno, se justifica quando os zagueiros têm boa qualidade de passe vertical e, principalmente, quando achar passes entrelinhas isso é a intenção nesta fase de jogo!
Nessa situação, quando o extremo oposto subir pressão, o zagueiro têm um maior espaço entre Extremo — Volante para achar um passe vertical. O extremo do time em posse da bola vêm para a entrelinha para receber, dessa maneira, o volante oposto têm maiores preocupações no momento defensivo, aumentando o repertório ofensivo e de criação.

Do contrário, se a opção é a troca de passes entre os 4 da primeira linha para que daí o time siga com sua construção pelas laterais, a melhor opção é recuar os laterais para a linha dos zagueiros. Dessa forma, o extremo oposto terá de subir muito no campo caso queira pressionar, aumentando, assim, os espaços na estrutura defensiva adversária.

Ainda, se olharmos novamente para a relação dos passes entre os jogadores do Grêmio, vamos observar que, depois das relações entre os jogadores mais defensivos, a relação mais forte é a relação Lateral — Extremo. Vamos observar como recorte o jogo Grêmio x São Luiz.

A segunda relação mais forte do lateral Reinaldo no jogo foi com Gustavo Nunes - empatado com Geromel, e a terceira foi com Jhonata Robert, os dois extremos esquerdos do jogo. Ainda, a terceira relação mais forte do lateral João Pedro no jogo foi com André Henrique, que foi com extremo direito nesse jogo. Todas essas relações ultrapassam as trocas de passe entre os volantes e o meia Cristaldo.
Quando a posse está com o lateral e a equipe do Grêmio busca ligar a primeira fase de construção com a segunda fase de construção através da relação Lateral - Extremo, isso faz com que estes jogadores de beirada recebam a bola, muitas vezes, de costas para o gol adversário, com pressão nas costas e sem a possibilidade de girar e ficar de frente.

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Falta de profundidade:
Outro ponto que faz com que a equipe do Grêmio tenha dificuldades em criar chances é a falta de ataque à ultima linha adversária, faltam movimentos coordenados para receber bola às costas da linha de zaga do time rival.



Neste exemplo, Soteldo está com a bola e toso os jogadores ofensivos estão voltados para a bola. Não existe nenhum movimento de ruptura com a intenção de fazer a linha baixar e, assim, liberar espaços centrais. Ao contrário, Galdino, JP Galvão e Cristaldo apenas observam a jogada se desenrolar sem dar opções de passe ao jogadores que está pressionado.
Com estes exemplos, espero ter contribuído para um melhor entendimento dos problemas que a equipe gremista têm enfrentado neste começo de ano. Algumas ideias precisam se ajustar aos jogadores, não temos dinheiro para contratar atletas prontos, tampouco temos dinheiro para contratar 8 a 9 jogadores com nível de titularidade. Jogadores como Cristaldo, que representam um investimento financeiro importante por parte do clube e que foi o segundo jogador que mais participou de gols na temporada de 2023, não pode ser visto como um problema para o time. As dinâmicas do time precisam mudar com o interesse de tirar o melhor de cada jogador.
메타데이터
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