Rascunhos de um Encontro
Sobre brownies, capricornianos e a arte de encontrar
Rascunhos de um Encontro
Sobre brownies, capricornianos e a arte de encontrar
O Brasil perdeu para a Noruega na Copa do Mundo, e o Hexa ficou para depois. Ano que vem, temos a Copa Feminina — e ela será aqui. É uma virada de chave. Uma mudança de foco. E, no meio disso, a vida segue.
Nos últimos dias, fui examinador em três turmas — duas de ballet, uma de contemporâneo. A escola é de uma grande amiga que conheci há anos. A vi no trem, a caminho de uma audição para a Disney. Ela apresentava todos os sinais de que iria para o mesmo lugar que eu. Arquétipo de bailarina. Estava só, e percebi que ela também. Aproximei-me e perguntei se ela ia para a audição. Ela respondeu prontamente que sim. Desde então, a dança tem sido nosso lugar de encontro.
Ganhei brownies deliciosos de presente pela colaboração nos exames. Foram dias preciosos, de contato direto com o método, observando corpos em processo de lapidação. Ver um trabalho tão requintado acontecendo foi muito bom. Também foi cansativo — é uma outra maneira de dançar. E ser enxergado como alguém capaz de fazer essa honraria, de estar ali para avaliar e contribuir, é uma forma de ser reconhecido que alimenta o ofício de uma maneira única.
Entre essas rotinas, aconteceram encontros românticos. Atravessei fronteiras para encontrar um homem — de pelagem branca, corpo forte, sorriso doce. Atencioso. Capricorniano, como eu.
No sábado, foi nosso segundo encontro. Eu havia perguntado se ele já tinha ouvido o novo álbum da Madonna, e ele disse que amaria assistir ao show comigo.
O que me atravessa, e o que eu ainda estou processando, é que ele foi claro ao dizer que era um convite. Que ele queria estar comigo. Que ele me desejava. E, desde o primeiro encontro, eu não consigo parar de pensar nele.
Perguntei para quando — e ele respondeu: “Hoje?”.
Eu fui.
Houve show. Houve massagem. Houve sexo. E foi muito gostoso.
Eu havia levado um brownie dos que ganhei. Assim que nos encontramos, eu o presenteei. Ele guardou para o final. Depois de tudo, quando eu já me preparava para voltar, ele lembrou do brownie e propôs dividirmos. Eu não queria, então pedi para vê-lo comendo o primeiro pedaço. Ele achou estranho, mas fez. Quando sentiu o sabor — o chocolate meio amargo, a maciez da massa, a suculência — , ele cercou aquele pequeno pedaço de bolo com os dois braços, como um urso protegendo seu alimento. Olhei para ele e disse que não precisava dividir. Me olhando perguntou se eu tinha brownies em casa. Disse que sim. E então retornei.
Estou apaixonado?
Vivendo enredos de amor no meio de tanta coisa caótica que, em nível planetário, estamos vivendo.
Ficarei por aqui. Eu enxergo vocês! Compartilhando vulnerabilidades.
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