Crítica | Exit 8
Por Guilherme Marques
Crítica | Exit 8

Divulgação/Paris Filmes
Jogos sempre foram uma referência constante, o que abriu espaço para o cinema adaptar essas obras — às vezes com capricho, outras nem tanto. Há anos vemos versões cinematográficas baseadas em games eletrônicos ou de tabuleiro, e nos últimos tempos esse movimento só se intensificou, tanto nas telonas quanto na TV.
No universo dos games, a renovação e criação de tendências é contínua. Recentemente, ganharam força os chamados jogos de “anomalia”, nos quais o jogador assume o papel de vítima diante de uma entidade — seja um monstro, fantasma ou algo similar — e precisa inspecionar o ambiente, identificar falhas e encontrar uma forma de escapar. É daí que surge a premissa do filme baseado no jogo homônimo The Exit 8.
Na adaptação desse suspense com elementos de terror, acompanhamos brevemente um recorte da vida do protagonista, incluindo o drama com sua ex-namorada. De maneira sutil, ele acaba preso em um loop temporal nos corredores da saída de uma estação de metrô.
A recriação do cenário é um dos grandes destaques, extremamente fiel aos detalhes do jogo — que, apesar de simples, possui um charme próprio. Fica evidente o cuidado da equipe de produção, direção de arte e até da trilha sonora. Um elemento marcante é o uso de uma vinheta sonora para indicar o reinício de cada loop, intensificando a sensação claustrofóbica e de desamparo proposta pelo filme.
Outro ponto forte é o “Caminhante”, figura essencial do jogo, que surge aqui com uma caracterização fiel e talvez até mais assustadora. As atuações, tanto do protagonista quanto dessa entidade, são convincentes e ajudam a transportar o espectador para dentro desse confinamento temporal.
O aspecto mais delicado fica por conta do roteiro, que tenta desenvolver uma história pouco inspirada para aproximar o público do chamado “Homem Perdido” e seus conflitos pessoais. Ainda assim, há momentos bem-intencionados que justificam algumas quebras de ritmo em prol da imersão.
As rimas visuais com o jogo estão entre os elementos mais interessantes da adaptação, inclusive em sua cena final, que sugere uma possível continuação baseada em “Platform 8” — jogo com a mesma premissa, desta vez ambientada dentro de um metrô.
Assim, Exit 8 se firma como uma ótima opção para fãs de jogos de anomalia e terror e, além disso, como uma adaptação competente que certamente deve agradar quem decidir assistir.
Nota: 👑👑👑👑
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