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A Fome

Estou buscando expandir meu estilo. Se não gostarem de temáticas de terror ou horror, não prossigam. Boa leitura e boa sorte.

Cappuccino · 2026-07-01 21:31 · 0 claps · 2.2 min read
#terror #poesia #poesia-brasileira #melancolia #poemas-brasileiro
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Onde a fome encontra o vazio. O primeiro passo para o que não tem retorno.

Onde a fome encontra o vazio. O primeiro passo para o que não tem retorno.

A Fome

Estou buscando expandir meu estilo. Se não gostarem de temáticas de terror ou horror, não prossigam. Boa leitura e boa sorte.

Invadiu meu peito, rasgou meu coração;

não sou mais humano;

passei pela transformação;

me tornei algo profano?

A vontade humana é como uma bomba nuclear;

machuca, causa destruição e não sabe quando parar.

A fome me consome e cansei de lutar;

está na hora de deixar ela entrar.

Dor;

Injurias;

Terror;

Lamúrias.

Levanto como se nada tivesse acontecido;

ninguém do meu lado;

eu queria ter morrido, ter ido;

mas sei que estou condenado.

O Sol surge no leste,

o piso enegrece.

A luz some, desaparece;

só eu me destaco na escuridão celeste.

No dia seguinte, só uma certeza:

comida na mesa.

Uma xícara de café, tomo de má-fé.

Xingo, nem sei quem é.

Grito um pouco, rouco.

Coloco eles no seu devido lugar;

eles não são ninguém para me enfrentar.

Estão aqui por filantropia? Que ousadia.

Entro no carro, ele balança,

o banco bate em mim, melhor, na pança.

Um olhar fulminante e amedrontador,

só o suficiente para pisar no acelerador.

Olho para o céu contando bilhões;

não, perdoe-me, aviões.

A viagem é longa e me enche o saco,

não tenho paciência, só jogo buraco.

Chego lá de cara feia;

o chão tremendo ao andar;

todo mundo me olha, a esperar;

subo lá e começo a falar.

O tempo passa e eu não.

Fazer aquilo não é passatempo, é obrigação.

Não aceno e nem cumprimento;

no final, eu nem sinto meu coração.

Ajeito o terno e a gravata,

a roupa parecendo uma bata;

olho a hora, quero ir embora,

vamos, acaba logo, que demora!

Mais mil destinos,

mais mil hinos,

mais mil ensinos,

mais de mil inquilinos.

Chego no palácio e começo a sorrir,

chegou a hora da diversão.

Ligo o meu telão;

mulheres cativantes e simplórias a rir.

Eu não sou ignorante, sou importante;

não sou solitário, sou solidário;

não sou faminto, sou distinto;

não sou imoral, sou fenomenal.

Vou dormir, acompanhado dela,

o sentimento que em mim hiberna.

Papai deve estar orgulhoso lá do céu,

me tornei o seu maior troféu.

Eu, um sonho diferente, algo interessante;

voz grave, pele avermelhada, olhos escuros.

Ele diz que sou importante,

me alisa com seus cascos duros:

“Finalmente te encontrei, apesar do seu tamanho;

vamos nos divertir um pouco, senhor,

talvez tomar um banho;

há um lugar em minha casa lhe esperando”.

Horrorizado e amedrontado, fico gago,

pergunto quem ele é e o que quer.

Ele abriu a boca e começou a falar,

fazendo meu sangue gelar:

“Sou seu maior admirador,

você é de fato encantador, tem aviões, mansões e bilhões,

mas no final é tão vazio quanto seu professor,

aquele homem que destruiu tantos corações”.

Suas veias ferviam, sua pele queimava,

a figura o olhava e gargalhava:

“Eu sou o seu destino final;

seu pai o espera na minha terra natal”.

Ele abriu os olhos, assombrado;

em desespero, ele correu.

Mas, por sorte ou azar,

na janela ele bateu.

O que vem a seguir, podem imaginar:

a cena não é bonita e nem legal de observar.

Ele está bem pessoal, está dormindo;

a fome insaciável, finalmente sumindo.


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