Alegria, alegria!
Por quê não?
Alegria, alegria!
Por quê não?

Imagem gerada por inteligência artificial para ilustrar a crônica “Alegria, alegria!
Alegria, alegria!
Hoje tive um encontro involuntário com minha melancolia. Sonhei asneiras demais — Penei tanto no sonho que acordei em sofreguidão Um péssimo despertar para tudo que planejei para o dia.
Onde te escondeste? - perguntei à alegria. Será que fugiste com medo de mim?
Eu queria que minha escrita fosse leve, gostosa de ler como mordida em maçã — daquelas que deixam o suco escorrer pelo queixo, sem pudor, sem pressa.
Mas o sussurro de Chico Buarque, com todo o seu afã em Não sonho mais, me tirou do eixo.
Em meio a tanta soturnidade, meus planos de escrever sobre ventos suaves foram vencidos por lamentos — aqueles vendidos aos gritos nas feiras da alma.
Como falar de coisas solares se acordo com a sombra a me abraçar?
Queria lembrar de fatos pueris, banais, cômicos — escrever uma crônica que arrancasse sorrisos discretos, com meneios de cabeça dizendo “sim” em silêncio e gargalhadas que explodem como fogos de artifício no final: breve, desalinhada, mas real.
Desculpe, Chico. Hoje não. Hoje vou de Caetano: Alegria, alegria!
Por que não?
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