Enem 2023 escancara desigualdades sociais e educacionais no Brasil
Análise dos microdados do Inep revela disparidades regionais, renda média baixa entre os candidatos e desafios para a inclusão no ensino…
Enem 2023 escancara desigualdades sociais e educacionais no Brasil
Análise dos microdados do Inep revela disparidades regionais, renda média baixa entre os candidatos e desafios para a inclusão no ensino superior

Participantes do Enem 2023 durante aplicação da prova | todos os diretos reservados
Por André Zoratto, Gabriel Wunderlich, Gustavo Marchant, Kerolyn Machado e Rafaela Rey
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) reflete as desigualdades sociais, econômicas e educacionais do Brasil. Em 2023, o Inep divulgou os microdados do exame, permitindo análises sobre o perfil dos participantes e seus resultados.
Entre os participantes do Enem 2023, a predominância foi de alunos da rede pública: 83% dos estudantes declararam frequentar escolas estaduais, enquanto apenas 17% eram de escolas particulares. Essa proporção reflete a busca de jovens de baixa renda por oportunidades no ensino superior através de programas como ProUni e Sisu.
No Rio Grande do Sul, o cenário é semelhante, com 79% de inscritos de escolas públicas e 21% de particulares.
A renda familiar declarada pelos participantes mostra as particularidades. No Brasil, as faixas mais frequentes entre os candidatos foram:
- R$ 10.560 a R$ 11.880 anuais (11%)
- R$ 13.200 a R$ 15.840 anuais (10,5%)
- R$ 15.840 a R$ 19.800 anuais (10%)
No Rio Grande do Sul, os números seguem a mesma lógica, mas com uma leve diferença:
- R$ 10.560 a R$ 11.880 anuais (12%)
- R$ 13.200 a R$ 15.840 anuais (11%)
- R$ 15.840 a R$ 19.800 anuais (9,8%)
Ao analisar esses dados, podemos refletir que a maioria dos candidatos pertence a famílias com renda média baixa, reforçando o papel do Enem como porta de entrada para a educação superior.
Enquanto alguns municípios alcançaram as maiores médias em Linguagens e Códigos no Enem 2023, como Uruguaiana/RS (678,1) e Tucunduva/RS (648,9), outras localidades tiveram uns dos piores desempenhos na mesma área. As menores médias de 2023 foram registradas em:
- São José de Caiana/PB (291,1)
- Fronteira dos Vales/MG (299,65)
- Tupiratins/TO (306,7)
- Fortaleza de Minas/MG (338,4)
- São Félix de Minas/MG (348,7)
Já na prova de Matemática, os extremos também são evidentes. Os municípios com as maiores médias foram:
- Tucunduva/RS (759,6)
- Flora Rica/SP (730,4)
- Aspásia/SP (728,1)
- Santa Bárbara do Monte Verde/MG (728,0)
- Itapuca/RS (725,3)
Por outro lado, as menores médias em Matemática demonstram as dificuldades enfrentadas em algumas regiões:
- Canavieira/PI (0,0)
- Guarani d’Oeste/SP (181,1)
- Sítio d’Abadia/GO (222,3)
- Macedônia/SP (237,8)
- Muliterno/RS (268,0)
Essas discrepâncias revelam o impacto de fatores como infraestrutura escolar, desigualdades socioeconômicas e acesso a recursos educativos. A diferença entre as maiores e menores notas em Matemática chega a 759,6 pontos, refletindo os desafios do sistema educacional brasileiro.
Nos municípios gaúchos, os cinco com maior número de inscritos no Enem a cada 100 mil habitantes foram:
- Vacaria (412 candidatos/100 mil habitantes)
- Três Passos (399 candidatos/100 mil habitantes)
- São Jerônimo (387 candidatos/100 mil habitantes)
- Soledade (380 candidatos/100 mil habitantes)
- Serras de Sudeste (375 candidatos/100 mil habitantes)
Indicando maior interesse dos estudantes de municípios menos populosos, que, muitas vezes, buscam bolsas de estudos para estudar em regiões metropolitanas.
Quanto à diversidade racial, 57% dos participantes se autodeclararam pretos, pardos ou indígenas. No Rio Grande do Sul, a microrregião das Serras de Sudeste lidera em proporção de candidatos negros, com 320 inscritos negros a cada 100 mil habitantes.
Com isso, é reforçada a importância de programas de inclusão e políticas públicas que ampliem o acesso à educação superior.
Fontes:
Enem 2023: datas, edital, isenção e inscrição — Brasil Escola
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