O dentro e o fora
Meu olhar sempre foi muito voltado à estética das coisas
O dentro e o fora
Meu olhar sempre foi muito voltado à estética das coisas
O fora e o dentro de mim se retroalimentam e é particularmente prazeroso buscar coisas do fora que alimentem ou traduzam o que está dentro — mesmo que muitas vezes o dentro seja um tanto enigmático.
Em exemplos materiais, eu diria que meu quarto descreve bem quem eu sou — ou sinto que estou tentando ser no momento. É um quarto pequeno e aconchegante, cheio de objetos meus com memórias e significados.
A cama ocupa a maior parte dele, junto com as roupas. No entorno, tem minha mesa de cabeceira com alguns cremes, tabaco, pinças e coisas assim que eu possa usar quando estiver deitada.
Eu já habitei quartos pequenos e grandes, mas dessa vez tô gostando de estar num espaço comprimido. O espaço reduzido me obrigou a me livrar de muitas coisas que eu não precisava mais e ter que ponderar quais eram as coisas mais importantes. Esse processo me ajuda a ficar com pouco e esse pouco faz com que eu me sinta livre de objetos e coisas desnecessárias que eu acabei acumulando com o tempo. É só o que eu preciso.
Seguimos pro banheiro, que é um lugar que eu coloquei vários objetos “naturais” como conchas, pedras e coisas assim — produtos da própria natureza. Eu já falei que eu amo tomar banho? Eu amo. Amo principalmente no frio, quando eu posso esquentar meus pés, bunda e mãos que ficam frios não importando a roupa que eu tô. Eu adoro a sensação de me sentir limpa depois de um banho quente (daqueles cheio de vapor, tal qual uma sauna) e depois me secar, me vestir e entrar debaixo do cobertor. Sensação única.
Eu tenho um prazer especialmente pessoal por tudo que é utilitário e cabe perfeitamente no espaço que é necessário. Tipo um cesto de palha que eu uso de lixeira que eu comprei especialmente pra caber debaixo da mesinha de cabeceira (o anterior não cabia e ficava do lado da mesa, me atrapalhando)
Tudo que está fora inevitavelmente vai pra dentro e por isso eu aprecio lugares bonitos. Mas a beleza não é só estética, ela também passa por um julgamento que também contempla o que eu admiro, acredito. Também é importante dizer que por bonito eu não quero dizer “arrumadíssimo” ou com tudo no lugar. A bagunça tem a sua beleza por que ela conta histórias, gestos ou movimentos daquele espaço e isso é muito mais bonito do que um lugar estéril e sem personalidade.
메타데이터
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