Carreira, segurança (?) e aprendizados
A velocidade das transformações que temos vivenciado é impressionante — e o mercado de trabalho é um bom exemplo disso.
Carreira, segurança (?) e aprendizados

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A velocidade das transformações que temos vivenciado é impressionante — e o mercado de trabalho é um bom exemplo disso.
No ambiente corporativo, carreiras que nem existiam há pouquíssimo tempo estão, hoje, entre as mais disputadas. Outras tantas, ‘mais tradicionais’, parecem caminhar a passos largos para a extinção.
Nesse cenário, a necessidade de nos ‘reinventarmos’, em intervalos de tempo sempre reduzidos, é cada dia mais real.
Em um trabalho bastante interessante, editado em 2025 (O profissional do futuro), Michelle Schneider observa que essas recorrentes ‘reinvenções’ nos impõem desafios diversos, sobretudo de ordem psicológica, e, diante disso, ela constata que, “como indivíduos, precisamos com urgência aprender a dissociar a nossa identidade da carreira.”[1]
Eis aí uma constatação profunda — e que convida a um exercício que pode se mostrar extremamente difícil, para muita gente. Não; nós não somos o nosso trabalho, a nossa carreira.
Em seu trabalho mais conhecido (Comece pelo porquê), o escritor Simon Sinek observou que “Quando uma organização se define de acordo com O QUE faz, isso é tudo que ela sempre será capaz de fazer”[2]. Não tenho dúvidas de que o mesmo pode ser dito sobre pessoas.
Como já escrevi em outro artigo[3], a vida não é linear — e, cabe aqui acrescentar, carreiras também não precisam ser.
Austin Kleon, em uma de suas obras, faz um ‘convite’ bastante pertinente a esta linha de reflexão: “Quando sentir que aprendeu o que dava para aprender com o que estava fazendo, é hora de mudar de rota e encontrar algo novo, para que você possa seguir em frente. Você não pode se contentar com o domínio, tem que procurar se tornar um aluno novamente.”[4]
Mudar é sempre desafiador. Aprender coisas novas, idem. Assumir os riscos de fazer isso quando tudo parece minimamente ‘seguro’, então, mais ainda. Ainda assim, vale perguntar: afinal de contas, o que te parece ‘seguro’?
Tentar responder a essa pergunta talvez o leve de volta ao título deste texto e, a partir dele, à sugestão de Amy, aqui já citada: preste atenção no que você presta atenção. Depois de tanto tentar estar atento ao que outros tantos (o mercado, as pessoas à sua volta, os ‘gurus’ da Internet etc.) te dizem para estar atento, que tal perguntar a você mesmo no que você presta atenção?
Não; nós não fomos ensinados a nos fazer esse tipo de pergunta — mas também não fomos ensinados sobre tantas outras coisas com as quais tivemos de aprender a lidar, não é mesmo?
[1] SCHNEIDER, Michelle. O profissional do futuro: como se preparar para o mercado de trabalho na era da IA. São Paulo: Ed. Buzz, 2025, p. 179.
[2] SINEK, Simon. Comece pelo porquê: Como grandes líderes inspiram pessoas e equipes a agir. Trad. Paulo Geiger. Rio de Janeiro: Sextante, 2018, p. 57.
[3] [3] SANTOS, André Luiz Lopes dos. A vida não é linear. Artgo publicado em 11.03.2025 e disponível, na íntegra, no endereço eletrônico https://www.linkedin.com/pulse/n%25C3%25A3o-linear-andre-luiz-lopes-dos-santos-5ocmf/?trackingId=71LzAe%2BlTmGdgPym7KXAIA%3D%3D
[4] [4] KLEON, Austin. Mostre seu trabalho! 10 maneiras de compartilhar sua criatividade e ser descoberto. Tras. Isabel W. de Nonno. Rio de Janeiro: Rocco, 2017, p. 197.
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