crianças, jovens e garotos — homens
vou confessar algo para vocês que me leem: sempre coloco personagens reais nas minhas histórias. minha criatividade só vem depois que…
crianças, jovens e garotos — homens

enan e rudá
vou confessar algo para vocês que me leem: sempre coloco personagens reais nas minhas histórias. minha criatividade só vem depois que tenho algum tipo de interação com essa as pessoas. vejo, escuto, imagino e, do nada, essa pessoa é protagonista de um dos meus contos.
às vezes coloco o nome delas, às vezes coloco o apelido, às vezes mudo o gênero, às vezes falo de mim. imagino como ela está, como foi o passado e consigo criar um futuro para ela. às vezes, um futuro feliz e, outras vezes, nem tanto.
mas, elas sempre estão presentes nas histórias.
estou confessando isso porque escrevi uma história quando vi essa imagem que foi registrada pela minha cunhada, denise patrícia.
afinal, não foi difícil contar história de duas pessoas que conheço bem: meu sobrinho de dez anos e meu primo de uns trinta e poucos. dois homens, negros, jovens e saudáveis… da mesma família, de vivências diferentes e de atitudes parecidas.
porém, me peguei tendo um longo período de reflexão ao tentar escrever o que este registro me passou e isso me trouxe uma inquietação. (caso não queira ler o texto até o fim, eu resumo para você: o amor!)
mas, se chegou até essa linha, eu quero explicar o porquê da inquietação (ou o amor).
alguns parágrafos acima, mencionei que via dois homens nessa foto. sim! em seguida eu disse que uma delas tem apenas dez anos, o que dá a entender que um dos homens é uma criança. mas, ao mesmo tempo me perguntei quantas crianças como a criança dessa imagem tiveram (ou tem) a possibilidade de ser criança?
olha de novo para essa criança: ela está com o celular na mão em um dia com família que os adultos estão bebendo e, de repente, o tio inconveniente vem pedir um beijo. para se livrar do inconveniente, a criança beija para sair de perto o mais rápido possível. — não foi isso que aconteceu, mas essa interpretação é válida para alguns.
para outros, seria um pouco mais difícil imaginar algo deste tipo. afinal, quando éramos mais jovens, homens não pediam para ser beijados por outros homens. e, além disso, uma criança de dez anos, na maioria das ocasiões, já eram os “homens da casa” (assim como o jovem de trinta e poucos anos da imagem foi).
e quem é este jovem de trinta e poucos? é o “Zé” de “eles se calaram” (um outro conto que escrevi). uma pessoa dócil, inteligente e carinhosa. criado em uma situação que a sua revolta seria justificada. ele, assim como eu, também é um homem de sorte. criado em um ambiente onde muitas inquietudes existiram, mas o “amor” foi a escolha. e que assim seja!
por isso gosto de contar histórias e ocultar os personagens, mas não quero fiz isso neste caso. quero que saibam que o amor é possível e está registrado pela lente da denise patrícia. a imagem diz muito mais do que está escrito neste texto.
e você? além do que já foi dito, o que mais você vê? compartilhe a sua inquietude (ou amor) também!
메타데이터
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