O copo cheio de ciúme
Ele vivia em sua boca, e, por isso, sujo. Restos, manchas, farelos… vez ou outra um batom rubro se faz presente. E é como se ele estivesse…
O copo cheio de ciúme

Ele vivia em sua boca, e, por isso, sujo. Restos, manchas, farelos… vez ou outra um batom rubro se faz presente. E é como se ele estivesse com vergonha, ou com as bochechas rosadas em contraste com o branco puro e límpido. Deixa de ser objeto para virar gueixa com seu pó de arroz por alguns instantes. O primeiro gole da manhã é sempre igual: água e sempre fica aquele “sebinho” mercado por quem acabou de acordar de um sono babado mas nem sequer escovou os dentes. Depois, a fumaça e a mancha meio marrom-amarelada do café. Mas à noite ele sempre repete a água, ou um chá de hibisco, ficando rubro, um vermelho quase fálico. Que vai para o quarto com a minha mulher. Ele sempre vai para os braços dela, para a boca dela, para a cama com ela. Não tem jeito. Eu vou depois, depois que eles terminarem o momento deles.
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