O Inferno
A separação total e irrevogável de Deus
O Inferno
A separação total e irrevogável de Deus

"O Diabo, que as enganava, foi lançado no lago de fogo que arde com enxofre, onde já haviam sido lançados a besta e o falso profeta. Eles serão atormentados dia e noite, para todo o sempre." (Apocalipse 20:10)
Dotado das potências superiores de sua alma, inteligência e vontade, o homem consegue agir livremente para aderir ou não ao bem, e somente é livre quando escolhe o bem, mais apenas pode escolher o bem quando conhece a verdade, ou seja, quando ocorre a união da sua vontade à vontade divina. Portanto, toda escolha humana pelo pecado constitui algum nível de ignorância, devido ao raciocínio, que é uma maneira fraca de conhecer e passível de enganos. Diferentemente dos anjos, que entendem (inteligem/sabem) as coisas de maneira intuitiva, direta e plena, não havendo ignorância quando aderem sua vontade a algo.
O homem, quando escolhe o mal, ainda pode arrepender-se, sendo necessário o emprego de induções, deduções, silogismos ou raciocínios para que possa formar juízos, fazendo o uso dos sentidos, como o acúmulo de memórias sobre as coisas experimentadas para comparar, e por meio de discursivo progressivo, ser capaz de perceber o erro e mover a sua vontade, passando da potência ao ato.
Para que a inteligência humana mova a vontade e ocorra o arrependimento de sua adesão ao mal (pecado), é necessário haver o processo cognitivo entre alma e cérebro, e tal processo ocorre no espaço, um componente da existência material e do tempo, que é a sequência das transformações da matéria (movimento). Na morte do corpo, não é mais possível haver processos cognitivos para atualização da potência, pois na eternidade a relação tempo e espaço não mais existe, estando a alma, caso escolha o mal, destituída do tempo e da graça para que possa ocorrer o arrependimento e a conversão; a vontade então se cristaliza e a morte de uma pessoa na inimizade com Deus fará com que seu estado impenitente seja eterno.
“Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus, significa permanecer separado d’Ele para sempre, por nossa própria livre escolha. E é este estado de autoexclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra «Inferno».” (CIC, n° 1033)
A Bíblia faz menções a um lugar de condenação eterna para os pecadores, e no Novo Testamento três palavras são usadas no original e posteriormente foram traduzidas como “Inferno”: Hades (usada dez vezes; veja o capítulo 17), Tartarus (usada uma vez) e Gehenna (usada doze vezes); Gehenna tratava-se de um vale ao sul de Jerusalém utilizado para sacrifícios pagãos de crianças por meio do uso de fogo.
Nosso Senhor Jesus Cristo confirmou solenemente essa revelação e fala quatorze vezes acerca do Inferno nos Evangelhos. No Novo Testamento, principalmente nos Evangelhos, são feitas diversas referências. Eis algumas:
• “Ele tem na mão a pá, limpará sua eira e recolherá o trigo ao celeiro. As palhas, porém, serão queimadas num fogo inextinguível.” (Mt 3, 12)
• “Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão ‘imbecil’, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser ‘louco’, será condenado ao fogo do Inferno.” (Mt 5, 22)
• “Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo no Inferno.” (Mt 10,28)
• “Ali haverá choro e ranger com os dentes, fletus et stridor dentium.” (Mt 13,42)
• “Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo do Inferno?” (Mt 23, 33)
• “Ele se voltará em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: ‘Apartaai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes’.” (cf. Mt 25, 41-46)
O inferno consiste no afastamento definitivo de Deus (apartai-vos) e nas penas sensíveis (para o fogo); e isto para sempre (eterno), em companhia dos demônios (o diabo e seus anjos) e dos outros condenados. Pode-se sintetizá-lo em duas penas principais: a pena de dano e a pena de sentido.
A pena de dano

É a privação eterna da visão de Deus e de todos os bens que dela se seguem. O Catecismo da Igreja Católica ensina que o Inferno é a palavra que designa o “estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados.” (CIC n° 1033)
“O inferno consiste, sobretudo, numa pavorosa pena de danação. A danação é a separação total de Deus. Portanto, um condenado é uma criatura total e definitivamente privada de seu Criador. Nosso Senhor mesmo nos assinalou a danação como a pena principal e imperiosa dos condenados. Lembremos dos termos da sentença que Ele pronunciará contra os condenados no julgamento final: «Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos». Atentemos à primeira palavra da sentença do Soberano Juiz, que nos faz compreender o que é a separação, a privação total de Deus que caracteriza o inferno. Essa é a maldição de Deus, em outras palavras, a danação ou reprovação.” (Monsenhor de Ségur, trecho do livro “O Inferno”)
Junto com esta privação de Deus, a pena de dano consiste, de modo secundário, na privação de todos os bens que se seguem da visão beatífica, sendo eles:
- a exclusão do Céu, ou seja, da verdadeira pátria das almas; os condenados são uns exilados eternos de sua verdadeira pátria;
- a exclusão da companhia de Jesus e da Virgem Maria, dos anjos, santos e bem-aventurados do céu;
- a privação da luz com que os bem-aventurados contemplam a formosura de todas as coisas naturais e sobrenaturais;
- a perda eterna de todos os bens sobrenaturais: a graça, as virtudes, os dons do Espírito Santo, etc.;
- a privação da glória do corpo e dos atributos que usufruem os corpos gloriosos (a impassibilidade, a sutileza, a agilidade e a claridade).
A pena de sentido

Os condenados também sofrem a pena de sentido, que atormentará seus corpos após sua ressurreição no juízo universal. Esta é uma verdade de fé expressamente definida Santa Igreja. Quanto mais alguém tiver ofendido a Deus com algum dos sentidos, mais sofrerá. Todos os sentidos e todas as faculdades do condenado terão o seu próprio tormento. Santo Afonso Maria de Ligório, doutor da Igreja, escreveu acerca das penas dos sentidos no Inferno.
Visão
“A vista será atormentada pelas trevas. Que compaixão não sentiríamos, se soubéssemos que um pobre homem está encerrado num cárcere escuro por toda a vida, por quarenta ou cinquenta anos! O inferno é um abismo fechado de todos os lados, onde nunca penetrará um raio de sol ou de qualquer outra luz. O fogo mesmo que na terra ilumina, no inferno deixará de ser luminoso, tão somente arderá.” (Santo Afonso, p. 129)
Olfato
“O olfato terá também o seu suplício. Quanto não sofreríamos se estivéssemos num quarto junto com um cadáver em putrefação? De cadaveribus eorum ascendet foetor (2) – « De seus cadáveres levantar-se-á grande fedor ». O condenado deve ficar no meio de milhões e milhões de cadáveres, vivos com relação aos sofrimentos, mas verdadeiros cadáveres pelo mau cheiro que exalam. Diz São Boaventura que o corpo de um só condenado, se fosse atirado à terra, bastaria com a infecção para fazer morrer todos os homens.” (Santo Afonso, 1921, p. 129)
Audição
“No inferno será também atormentado o ouvido, pelos rugidos e queixas daqueles infelizes desesperados. Como não se sofre quando se quer dormir e se ouvem os gemidos contínuos de um enfermo, o ladrar de um cão ou o choro de uma criança? Qual não será então o tormento dos condenados obrigados a ouvir incessantemente durante toda a eternidade estes ruídos e clamores insuportáveis?” (Santo Afonso, 1921, pp. 129–130)
Paladar
“O gosto será atormentado pela fome. O condenado sentirá uma fome canina: Famem patientur ut canes (4), mas nunca terá nem uma só migalha de pão. Terá uma tal sede, que nem todas as águas do mar bastariam para lh’a apagar; mas nem terá uma só gota. O mau rico pediu-a, mas nunca a obteve e nunca a obterá, nunca.” (Santo Afonso, 1921, p. 130)
Tato
“Infelizes, quantos mais lá encontrarem, tanto mais sofrerão, por causa da infecção, dos gritos e do aperto, porque os réprobos estarão no inferno tão juntos uns dos outros, como ovelhas encerradas no curral durante a tempestade: Sicut oves in inferno positi sunt (3) – « Como ovelhas são postos no inferno ». Para melhor dizer, serão como uvas esmagadas no lagar da cólera de Deus. – Daí nasce o suplício da imobilidade. Da maneira como o condenado cair no inferno no último dia, estará sempre, sem nunca poder mudar de situação, sem nunca poder mexer pés nem mãos, enquanto Deus for Deus.” (Santo Afonso, 1921, p. 129)
Condenação das almas e sensualidade
“Minha filha, hoje lá caíram as almas no inferno. Caíram aos milhares. Como Eu fui ofendido! Como me renovaram a minha Paixão! Muitas também que mereciam lá estar, mas poupei-as pela tua reparação. O pecado que me leva a condená-las é o pecado da impureza, a maldita carne. Já lá estão a cair fartas de me ofenderem e Eu abundado de as suportar. São de todas as classes: jovens e donzelas, casados e viúvos, velhos e novos. Estão mais para lá cair. Se me dás o teu corpo para sofrer por eles, ainda lhes acudirás. Pede-me por elas. Dá-mas porque são minhas. Custaram-me o meu Sangue.” (Jesus à Beata Alexandrina de Balasar)
“Quantos cristãos meditaram no Inferno como tu, mas, porque não quiseram romper com o pecado e abusaram da divina misericórdia, estão agora queimando ali para sempre!”
(Santo Afonso Maria de Ligório)
São João Bosco discorreu em sua obra “O Jovem Instruído”, as penas dos sentidos sofridos no inferno, local “destinado pela Justiça divina para castigar com suplícios eternos os que morrem em pecado mortal”. O santo escreveu:
Cada sentido sofrerá a própria pena; os olhos sofrerão pela fumaça e pelas trevas e serão aterrados pela vista dos demônios e dos outros condenados. Os ouvidos, dia e noite só escutarão contínuos uivos, prantos e blasfêmias. O olfato sofrerá enormemente pelo mal cheiro daquele enxofre e pez ardente que o sufoca. A boca será atormentada por sede devoradora e fome canina: At famem patiéntur ut canes.
[…]
Recordarão o tempo que Deus lhes deu para evitar a perdição, os bons exemplos dos companheiros, os propósitos feitos e não cumpridos. Pensarão nos sermões ouvidos, nos avisos do confessor, nas boas inspirações para deixar o pecado; vendo que já não há remédio, lançarão gritos desesperados. A vontade nada terá do que deseja e ao contrário padecerá todos os males. A inteligência conhecerá finalmente o grande bem que perdeu. (São João Bosco, 1937, pp 47–48)
Conforme é asseverado no livro 1º de Timóteo, capítulo 2, versículo 4, “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”, ou seja, por Sua vontade antecedente, Deus deseja que todos voluntariamente encontrem a salvação, porém, devido as circunstâncias particulares e concretas, por Sua vontade consequente, permite as escolhas livres dos pecadores obstinados, que se separam e O abandonam (Santo Agostinho, En. Ps. 5,10), e privados de todos os bens, sofrem o estado definitivo de inferno. Portanto, Deus não deseja punir os condenados, mas permite que se autoexcluam, caso queiram, de Sua comunhão e da comunhão dos santos.
“Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti.”
(Santo Agostinho)
Assim como o Céu (Paraíso), o Inferno tem a ver com corpos, pois os réprobos, após o juízo universal, terão seus corpos ressurrectos para o recebimento de suas justas penas. Santo Tomás de Aquino escreveu:
“Pelas cousas em que alguém peca, por essas é também atormentado, não se verifica necessariamente senão em relação aos principais instrumentos de pecado. Pois, é por pecar pela alma e pelo corpo que o homem será punido em ambos. Mas nenhuma necessidade há de ser o pecador punido no mesmo lugar em que pecou; pois, o lugar que ocupa o homem nesta vida é diferente daquele onde estão os condenados. ─ Ou devemos responder que esse passo se refere às penas com que somos punidos nesta vida, onde cada culpa tem a sua pena correspondente, pois, cada Clima que vive na desordem é para si mesma o seu castigo, como diz Agostinho.” (Santo Tomás de Aquino, STh., III, Q. 98, a.7, resp.)
A Divina Comédia

"Dante e Virgílio no 9° Círculo do Inferno", de Gustave Dore
Em sua clássica obra, o poeta Dante Alighieri (1265–1321) escreveu sobre os níveis do inferno, baseado na teoria medieval de formação do universo por círculos concêntricos, o Inferno de Dante é formado por nove círculos, contendo três vales, dez fossos e quatro esferas. Quanto mais profundos são círculos, mais graves são os pecados neles punidos.

Visualização do Inferno de Dante
Antes do Aqueronte (Acheron), o primeiro dos rios do inferno, no qual Caronte (Charon), o barqueiro conduz as almas até o Inferno, há o Vestíbulo ou Ante-Inferno, lugar destinado àqueles que não conheceram a verdade.
1º Círculo: Limbo (Pagãos Virtuosos)

“Ali, atormentadas somente pela aspiração à felicidade sem esperança, vê as almas dos que não foram batizados: é a mansão de Virgílio.” (Canto IV)
As almas que ali estão vagam sem destino em completa escuridão, porém, sem dor; é onde estão os cristãos virtuosos e os agnósticos não batizados, o que inclui as crianças que morrem sem pecados pessoais mas também sem o batismo que apaga a mancha do pecado original. Nesse lugar Dante encontra várias figuras clássicas como Homero, Hesíodo, Platão, Sócrates, Aristóteles, Ovídio, Virgílio, Adão, Abel, Noé, Abrão, David, entre outros.
2º Círculo: Vale dos Ventos (Luxúria)

“À entrada do círculo segundo está Minos, que julga as almas dos pecadores. Dante e Virgílio penetram no lugar tenebroso, onde os luxuriosos são atormentados eternamente.” (Canto V)
Local onde estão os luxuriosos e adúlteros, que são atormentados e arrebatados por um furacão e turbilhões de vento que nunca se encerram (uma analogia às paixões que em vida arrastavam tais pessoas). Nesse lugar Dante encontra Aquiles, Paris, Tristão, Cleópatra e Dido.
3º Círculo: Lago de Lama (Gula)

“Descreve-se o terceiro círculo, onde são punidos os que se deram ao pecado da gula. Guarda-o o cão Cérbero, monstruoso e triunfante, sempre a latir, a vexá-los, a mordê-los. Sobre os condenados cai chuva eternamente misturada de granizo e neve.” (Canto VI)
Local onde estão os gulosos, que permanecem eternamente atolados em uma lama suja e espessa, imersos no próprio vômito e atormentadas por uma tempestade fortíssima de granizo, gelo, neve e torrões de água suja que caem ininterruptamente. Nesse círculo está Cérbero, o cão com três cabeças que com seu apetite insaciável, arranha, esfola, esmaga, dilacera e esquarteja os espíritos dos pecadores.
4º Círculo: Colinas de Rocha (Ganância)
![“À entrada do círculo quarto, Pluto, o demônio da riqueza […]. Prossegue a viagem: e o poeta vê de um lado os avarentos, e do outro os pródigos, os quais, de pontos opostos, empurram desmedidos fardos, e do outro os prodígios, os quais, de pontos opostos, empurram desmedidos fardos até se encontrarem violentamente entre brados de recíproca censura.” (Canto VII)](https://miro.medium.com/v2/resize:fit:1400/1*4GHvJs0BebRQMq6PG4LOlA.jpeg)
“À entrada do círculo quarto, Pluto, o demônio da riqueza […]. Prossegue a viagem: e o poeta vê de um lado os avarentos, e do outro os pródigos, os quais, de pontos opostos, empurram desmedidos fardos, e do outro os prodígios, os quais, de pontos opostos, empurram desmedidos fardos até se encontrarem violentamente entre brados de recíproca censura.” (Canto VII)
Os condenados que lá estão foram em vida pessoas que acumularam dinheiro, eram materialistas ou gastavam suas fortunas com prazeres mundanos. Nesse local, as riquezas materiais dessas almas transformam-se em grandes pesos de barros e moedas de ouro, que elas devem empurrar umas contra as outras. Ali Dante encontra Plutão, rei mitológico do submundo.
5º Círculo: Rio Estige (Ira)

“Aos sinais, que se fazem na torre, surge na lagoa a barca dirigida pelo demônio Flégias, na qual entram Dante e Virgílio. Enquanto vogam, aparece-lhes Filipe Argenti, florentino famoso por seu gênio irascível e violento: é salteado por outros sombras furiosas e mergulhado no lodo.” (Canto VIII)
Os raivosos, irritados e mal-humorados encontram-se nas águas do Rio Estige, que em sua entrada contém uma cachoeira de água e sangue fervente que formam um lago, onde os pecadores permanecem batendo-se e torturando-se numa raiva infindável. No fundo do Estige estão os rancorosos, que por nunca terem demonstrado explicitamente sua ira, jamais podem subir à superfície, permanecendo atolados na lama do fundo, expelindo bolhas que podem ser vistas na superfície.
Antes do sexto círculo, existe a cidade de Dite, que separa os círculos dedicados aos castigos das almas que pecaram sem intenção (culposamente) das que pecaram conscientemente (dolosamente).
6º Círculo: Cemitério de Fogo (Heresia)

“Manifesta Dante o desejo de ver e falar a alguns dos hereges, sectários das doutrinas de Epicuro, que jazem nos sepulcros ardentes.” (Canto X)
Primeiro círculo dedicado aos pecadores dolosos, enquanto o último círculo como um todo é dedicado aos hereges que não criam na existência de Deus ou possuíam crenças contrárias às crenças dos sacerdotes de teologias ortodoxas, como o cristianismo. As almas que ali se encontram permanecem confinadas em túmulos abertos, com cerca de mil condenados em cada um, de onde sai um fogo eterno, proporcionalmente mais ardente quanto maior for a heresia. Este é um paralemo da prática medival de queimar hereges em fogueiras. Dante encontra Epicuro, o papa Anastácio II, o imperador Frederico II e o líder militar e aristocrata Farinata degli Uberti, que tentou usurpar o trono italiano e que foi condenado por heresia no ano de 1283.
7º Círculo: Vale do Flegetonte (Violência)

“Chegados ao fundo, depara-se-lhes um rio de sangue, onde são castigados os violentos contra o próximo.” (Canto XII)
Nesse sétimo círculo há o vale do Flegetonte, que ainda é subdividido em três vales e uma cachoeira de sangue. Nele Dante encontra Átila, o Huno.
Vale do rio Flegetonte: estão as almas das pessoas que praticaram violência contra o próximo, como assassinato ou espancamento, que permanecem mergulhadas no rio de sangue daqueles aos quais oprimiram (quanto maior a violência, maior a parte imersa).
Vale da Floresta dos Suicidas: estão quem cometeu violência contra si ou contra os próprios bens (suicidas e esbanjadores), onde os suicidas se tornam sementes e crescem, tornando-se árvores de folhas escuras que cosntantemente são comidas por harpias, causando-lhes imensa dor. Os esbanjadores são perseguidos por cadelas famintas (representando a pobreza e o desespero).
Vale do Deserto Abominável: estão os que praticaram violência contra Deus, os blasfemos ou que agiram em antagonismo aos dogmas religiosos, que jazem em um deserto de areia quente onde as chuvas são chamas de fogo.
8º Círculo: Malebolge (Fraude)
![“Oitavo círculo repartido em dez valas [fossos], denominado Malebolge, onde são castigadas dez espécies de fraudulentos.” (Canto XVIII)](https://miro.medium.com/v2/resize:fit:1400/1*ibWiFEv1Xd7BYsUGKsnQzg.jpeg)
“Oitavo círculo repartido em dez valas [fossos], denominado Malebolge, onde são castigadas dez espécies de fraudulentos.” (Canto XVIII)
Estão os fraudadores, contendo dez fossos, cada um deles destinado com um tipo específico de castigo destinado a um tipo de pecador.
Fosso dos Rufiões e Sedutores: açoitados por demônios.
Fosso dos Aduladores e Lisonjeiros: submergidos em um fosso de fezes e esterco.
Fosso dos Traficantes de Artefatos Sagrados: enterrados de ponta-cabeça enquanto suas pernas são assadas por velas.
Fosso dos Adivinhos: têm a cabeça torcida, voltada para as costas, de forma que não conseguem olhar para a frente.
Fosso dos Corruptos: submergidos em um lago de piche fervente.
Fosso dos Hipócritas: vestidos com roupas brilhantes, mas pesadas como chumbo, sentido o peso do seu falso brilho.
Fosso dos Ladrões: têm seus corpos roubados constantemente por serpentes e outros répteis monstruosos que os atravessam e os desintegram, roubando seus traços humanos.
Fosso dos Maus Conselheiros: estão envoltos por chamas, oceanos de lava e uma tempestade de raios contínua.
Fosso Semeadores de Discórdia: são esfaqueados por um demônio.
Fosso dos Falsários: jazem cobertos por todo tipo de doença e pestilência.
9º Círculo: Lago Cócite (Traição)

“Ali penam os traidores de seus benfeitores. No centro demora Lúcifer.” (Canto XXXIV)
O mais profundo círculo do Inferno possui a sua entrada obstruída por gigantes acorrentados em poços congelados, e há nele o lago Cócite, também conhecido como “lago das lamentações”, formado pelas lágrimas dos condenados e pelos rios de sangue do Inferno que lá desaguam.
Caína: estão os traidores e assassinos de parentes, que estão presos no gelo, com o rosto voltado para baixo.
Antenora: destinado a traidores de sua pátria, que ficam presos no gelo com rosto virado para cima.
Ptomomia ou Tolomeia: estão os traidores de seus hóspedes, que ficam imersos com o rosto para fora, chorando lágrimas congeladas que cobrem seus olhos.
Judeca: estão os traidores de mestres, reis e benfeitores, que permanecem totalmente submersos no gelo do Cócito de maneira consciente. Local onde se encontra Lúcifer e os maiores traidores da história humana, como Judas Iscariotes, que traiu Jesus Cristo, e ainda Brutus e Cassius, que traíram Júlio César. Lúcifer, descrito com três cabeças, mordem esse três traidores.
“Deixai, ó vós, que entrais, toda a esperança!”
(Dante Alighieri, A Divina Comédia, canto III)
Tratado do Inferno

Livro “Tratado do Inferno”, de Santa Francisco Romana
A mística Santa Francisca Romana (1384-1440), que teve noventa e três visões do Inferno e Purgatório, descreve na obra “Tratado do Inferno” que o Inferno é dividido em três regiões, uma superior, uma intermediária e uma inferior, possuindo diferentes suplícios para nove diferentes tipos de pecados culpáveis, a saber: suplício dos que ultrajam a natureza pelas impurezas, suplício dos usurários, suplício dos blasfemadores, suplício dos traidores, suplício dos homicidas, suplício dos que abandonam a fé católica por corrupção, suplício dos incestuosos, suplício dos feiticeiros, suplício dos excomungados. Há também punições específicas para cada um dos sete pecados capitais praticados (orgulho, ira, avareza, inveja, preguiça, gula e luxúria) e para sete espécies de pecadores (ladrões, filhos desnaturados, infiéis aos votos de castidade, perjuriosos, detratores, virgens oligofrênicas, viúvas viciosas e idólatras da beleza).
“Por todo este lugar ressoavam horríveis blasfêmias. Seus infelizes habitantes amaldiçoavam a Deus, como se Ele lhes tivesse feito todo o mal e jamais nenhum bem; e amaldiçoavam a humanidade sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo; amaldiçoavam todos os Seus mistérios, cuja lembrança lhes recordava todas as criminosas ingratidões delas; amaldiçoavam todas as graças que tinham obtido pelos Seus méritos, e cujo abuso tinha causado tão horríveis castigos. Toda a santa vida do Deus Salvador levava-as às blasfêmias; mas cada uma se esforçava em profanar de uma maneira especial a circunstância de que mais lhes desgostava. Essa amaldiçoava a Encarnação; aquela, o Nascimento; essa outra, a Circuncisão; aquela outra, o Seu Batismo; uma, a Sua Penitência; outra, a Sua Paixão; outra acolá, a Sua Ressurreição; mais outra, a Sua Ascensão gloriosa. Nada do que fez o Nosso amável Salvador para a salvação das almas era respeitado, porque todos estes benefícios não foram para eles senão objeto de ingratidão. Amaldiçoavam e blasfemavam o doce nome de Maria, as suas prerrogativas, as suas virtudes, mas, sobretudo, a sua maternidade divina; porque se ela não tivesse dado a luz ao Filho de Deus, elas teriam menos culpas e não seriam entregues a tão horríveis tormentos. Assim toda a eternidade delas é empregada em blasfemar e amaldiçoar e, com tal raiva e tão profundo desespero, que, se não houvesse outros suplícios, isso seria suficiente para torná-las infinitamente infelizes. Mas sofrem ainda as outras penas comuns a todos os réprobos, e, além disso, sofrem ainda as penas que lhes são particulares, conforme acabei de descrever.” (Santa Francisca Romana, 2017, pp. 25–26)
Em sua décima sétima visão, a santa viu que os demônios (anjos caídos) também se encontram em terrível sofrimento no Inferno, e que há uma hierarquia entre esses espíritos baseada em sua ordem angélica caída, sendo casa uma delas lideradas por um demônio. São elas:
- primeira hierarquia, chefiada por Lúcifer, composta de Serafins, Querubim e Tronos, habita o inferno inferior;
- segunda hierarquia, chefiada por Asmodeus, formada de Dominações, Principados e Potestades, habita o inferno intermediário;
- terceira hierarquia, que se compõe de Virtudes, Arcanjos e Anjos, tem por chefe Mamon, que habita o inferno superior.
“Lúcifer, que quis ser igual a Deus no céu, é o monarca do inferno, mas é um monarca acorrentado e o mais infeliz de todos os demais. Há abaixo dele três príncipes aos quais todos os demônios, divididos em três coros, estão submissos por vontade divina; da mesma maneira que no céu, os anjos bons formam três hierarquias presididas por três espíritos de glória superior. Estes três príncipes da milícia celeste foram retirados dos três primeiros coros, onde eram os mais nobres e os mais excelentes; assim os três príncipes da milícia infernal foram escolhidos dentre os piores dos espíritos dos mesmos coros que empunharam o estandarte da revolta.” (Santa Francisca Romana, 2017, p. 27)
O Inferno segundo Mons. De Ségur

Livro “O Inferno — se existe; o que é; como evitá-lo”, de Monsenhor de Ségur
O livro “O Inferno”, do sacerdote Monsenhor Louis Gaston de Ségur (1820-1881), relata que mesmo inexata, como uma verdade primitiva, a ideia de inferno perpassa por todos os povos de todos os tempos, como era a ideia de Tártaro ou Plutão para os gregos, ideia similar também nos povos da América, África e Oceania, e dos paganismos da Índia e da Pérsia.
Monsenhor de Ségur assevera que a principal pena do Inferno é a danação, isto é, a separação total do divino, sendo o condenado definitivamente privado de seu Criador. Como não há mais a ação da graça pela privação total de Deus, que fundamenta sua existência, não há arrependimento, apenas um desespero e um profundo ódio a Deus, sem fim ou mesmo uma atenuação de suas penas, pois dada a natureza da eternidade (um presente sempre atual, indivisível e imutável), é impossível que essa hipótese ocorra.
“Sabemos, de forma absoluta pelo ensinamento infalível da Igreja, que, imediatamente após a morte, os condenados caem no inferno e em seu fogo. Ora, entende-se que são suas almas, pois até à ressurreição seus corpos permanecem confiados à terra, em seus túmulos. Uma vez separada do corpo, em relação à ação misteriosa do fogo do inferno, a alma do condenado se encontra na mesma condição dos demônios. Com efeito, embora não tenham corpos, os demônios são atingidos pelo mesmo fogo no qual um dia serão lançados os corpos dos condenados. É o que indica a sentença do Filho de Deus aos réprobos: «Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos».[Mt 25,41sq]” (Ségur, 2011, p. 55)
Nesta obra existem diversas histórias sobre a existência do Inferno. Eis três delas:
O jovem religioso de Santo Antônio

O sábio arcebispo de Florença, Santo Antônio, conta-nos um episódio terrível que, em meados do século XV, apavorou todo o norte da Itália.
Um jovem de boa família, com dezesseis ou dezessete anos, caiu em desgraça ao esconder um pecado mortal na confissão e comungar nesse estado. Em função de uma miserável honra humana, passou a adiar a comunicação do seu pecado, entregando-se, semana após semana, mês após mês, à confissão e a comunhão sem revelar o seu sacrilégio.
Remoído pelo remorso, passou a fazer grandes penitências e houve quem o tomasse por santo. Não podendo levar isso além, decidiu entrar para um mosteiro: «Lá, ao menos, eu poderia confessar tudo e expiar meus terríveis pecados», pensava.
Mas para sua miséria, os Superiores, que o conheciam de reputação, acolheram-no como se um santo fosse.
Tomado pela vergonha, que o impedia de revelar seu pecado, continuou a adiar a confissão e redobrar suas penitências. Passou dois ou três anos nesse deplorável estado, sem ousar revelar o peso medonho que o esmagava.
Por fim, uma doença mortal o atacou e parecia facilitar-lhe o meio para a sua remissão. «De uma vez por todas, confessarei tudo antes de morrer».
Mas, por amor próprio, sempre omitia o seu pecado. Suas confissões eram tão confusas que o confessor não as entendia. Então, sempre guardava para o dia seguinte um vago desejo de se redimir.
Porém, de súbito, foi atacado por um acesso de delírio e, pouco tempo depois, o infeliz acabou morrendo sem revelar o grave segredo.
Na comunidade, onde ninguém tinha conhecimento de tão terrível realidade, ouvia-se: «Se esse não foi para o céu, quem de nós poderá ir?» E colocavam cruzes, rosários e medalhas de santos em suas mãos. Por fim, o corpo foi levado, com certa veneração, para uma igreja do mosteiro e lá permaneceu exposto até a manhã seguinte, quando se celebraria o funeral.
Instantes antes da hora fixada para a cerimônia, um dos frades, enviado para fazer soar os sinos, percebeu que diante dele, próximo ao altar, o defunto estava cercado por rodas de fogo e algo incandescente parecia refletir do corpo. Apavorado, o frade caiu de joelhos com os olhos fixados na terrível imagem, quando o próprio condenado lhe disse: «Não orem por mim, pois estou no inferno para toda a eternidade»; e passou a contar a lamentável história de sua miserável honra e todos os seus sacrilégios. Logo depois desapareceu, deixando na igreja um odor fétido que se espalhou por todo o mosteiro, como que para atestar tudo o que o frade havia testemunhado.
Tão logo foram avisados, os superiores mandaram dali retirar o cadáver, julgando-o indigno de sepultura eclesiástica.
O doutor Raymond Diocrès

São Bruno de Colônia presenciou em Paris um dos prodígios que mais comoveram o seu tempo, tanto pela extraordinária natureza do acontecimento, quanto pelo grande número de testemunhas qualificadas que o assistiram. Foi por causa deste acontecimento que São Bruno (1030-1101) foi ao extremo ao rejeitar os prazeres deste mundo, fundando um mosteiro nas Montanhas Chartreuse, lar da Ordem dos Cartuxos. Os cartuxos são, até hoje, conhecidos por serem os mais rigorosos e ascéticos de todas as ordens de clausura.
Raymond Diocrès, professor da Sorbonne, era um homem com uma reputação universal de erudição e aparente virtude, morreu em Paris. Três dias depois, seu caixão, lindamente adornado com os símbolos de sua profissão, foi trazido com solenidade para a catedral, acompanhado por seus colegas professores, por um grande grupo de estudantes e muitos padres.
Centenas compareceram ao serviço fúnebre; inúmeras velas foram acesas e orações foram feitas por ele por aqueles que admiraram o grande conhecimento e virtudes do ilustre falecido. Mas quando o coro chegou à passagem no Ofício dos Mortos: «Quão grandes e numerosas são vossas iniquidades?» — que o Santo Jó pergunta nas Escrituras, de repente o cadáver — , uma voz sepulcral se produziu debaixo do manto fúnebre, e todos na assistência entenderam estas palavras: «Por justo juízo de Deus, eu fui acusado!»
A cerimônia foi interrompida por alguns instantes, mas não tardou em recomeçar, ainda que todos estivessem amedrontados com o que acabavam de testemunhar. Então, retomou-se o Ofício e, mais uma vez na citada inquirição, o morto, aos olhos de todos, levantou-se e, com uma voz tão intensa quanto acentuada, disse: «Por justo juízo de Deus, sou julgado!», caindo de volta ao leito.
Os médicos apressaram-se a examinar o corpo e constataram novamente a morte. O cadáver encontrava-se gelado, rígido. Não havendo quem tivesse coragem de continuar a cerimônia, postergaram-na para o dia seguinte.
No dia seguinte, o serviço funerário recomeçou no mesmo horário. Como na véspera, Bruno lá estava junto com seus companheiros, então, novamente recomeça-se o Ofício e, no momento da inquirição, «Respondei-me», o corpo do doutor Diocrès se pôs sentado para dizer com um indescritível sotaque de terror que a todos paralisou: «Por justo juízo de Deus, estou condenado!», caindo mais uma vez imóvel.
O amigo do conde Orloff

Este relato ocorreu em Moscou, na Rússia, pouco tempo depois da horrível campanha de 1812 em que o conde de Rostopchine, governador militar de Moscou, muito ligado ao conde Orloff, um dia, logo após jantarem, passaram a fazer zombarias em relação à religião e também ao inferno.
– E se por acaso – divagou Orloff – houver alguma coisa do outro lado da cortina?
– Ora, quem for primeiro voltará para avisar o outro! Combinado? – respondeu o general.
– Excelente ideia! – concordava o conde Orloff. E os dois, embora embriagados, empenharam seriamente suas palavras de honra para o cumprimento da mútua promessa.
Algumas semanas mais tarde, uma guerra eclodiu, e o general V recebeu a ordem para partir imediatamente e assumir um importante posto de comando.
Após algumas semanas, um dia, pela manhã bem cedo, quando o conde se lavava no banheiro, a porta do seu quarto bruscamente abriu, e ao ver o general V, este lhe disse:
«O inferno existe e para lá eu fui!»
Logo após, o genral desapareceu. Dias após o estranho incidente ocorrido com o conde Orloff, um mensageiro do exército trouxe a notícia da morte do general V. Ele havia morrido naquela mesma manhã em que o conde Orloff o havia visto, na mesma hora em que havia aparecido em Moscou.
«O inferno existe e para lá eu fui!»
Eis as palavras ditas pelo general V.
Carta de uma alma condenada ao Inferno

Livro “Carta do Além — O Relato de Uma Alma Condenada ao Inferno”, do Pe. Bernhardin Krempel
Este livro narra a história de uma jovem alemã falecida no ano de 1937, que depois de morta comunicou a uma amiga, por permissão especial de Deus, seu destino eterno. A carta foi encontrada entre os pertences de uma freira falecida, amiga da jovem que foi condenada ao Inferno. A “Carta do Além” conta a história da condenação eterna de uma jovem chamada Ani, sendo relatado pela freira os acontecimentos da existência da companheira, como fatos históricos sabidos e verificados, e sua sorte eterna comunicada em sonho. A Cúria diocesana de Treves (Alemanha) autorizou sua publicação como sumamente instrutiva.
“Clara! Não rezes por mim. Sou condenada. Se te comunico isso e se a respeito de algumas circunstâncias da minha condenação te dou pormenorizadas informações, não creias que eu o faça por amizade.
Aqui não amamos a ninguém mais. Faço-o como ‘parcela daquele poder que sempre quer o mal e sempre produz o bem’.
Em verdade, queria também ver-te aqui, onde eu para sempre vim parar!
Aqui pensamos todos da mesma forma. A nossa vontade está petrificada no mal — no que vós chamais ‘mal’. Mesmo quando fazemos algo de ‘bem’, como eu agora, descerrando-te os olhos sobre o Inferno, não o fazemos com boa intenção.
Nós aqui não reconhecemos bem algum em ninguém!”
“O nosso maior tormento consiste em que sabemos exatamente que nunca veremos a Deus.”
(Ani, condenada ao Inferno)
Referências:
AKAMINE, Dom Julio Endi. O inferno. Jornal Cruzeiro do Sul, [S. l.], p. 1–2, 4 jul. 2021. Disponível em: https://www.jornalcruzeiro.com.br/opiniao/artigos/2021/07/675267-o-inferno.html. Acesso em: 28 maio 2024.
ALIGHIERI , Dante. A Divina Comédia. 1ª. ed. Novo Hamburgo/RS: Editora Literatura Clássica, 2020. 752 p. ISBN 985-65-87036-00-7.
AQUINO, Tomás de. Suma Teológica. Campinas: Ecclesiae, 2016. 3996 p. v. 1. ISBN 978-85-8491-044-1.
BOSCO, Dom João. O Jovem Instruído na Prática de Seus Deveres Religiosos: (Parte I). São Paulo: Nova edição brasileira, 1937. 54 p.
DARK BLOG. Quais são os nove círculos do Inferno?. Dark Blog, [S. l.], p. 1-5, 13 abr. 2023. Disponível em: https://darkside.blog.br/quais-sao-os-nove-circulos-do-inferno/#:~:text=De%20acordo%20com%20A%20Divina,era%20formado%20por%20c%C3%ADrculos%20conc%C3%AAntricos. Acesso em: 28 maio 2024.
HENDRIKSEN, William. A Vida Futura Segundo a Bíblia. São Paulo: Cultura Cristã, 3ª edição, 2019, 192 p.
IGREJA CATÓLICA. Bíblia Sagrada — Ave Maria. 1.ed. [ S.l. ]: Editora Ave-Maria, 2020. 1696 p.
IGREJA CATÓLICA. Catecismo da Igreja Católica: IV. O Inferno [ S.l. ], 11 fora. 1992. Disponível em: https://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/indice_po.html. Acesso em: 28 abr. 2024.
KREMPEL, Bernhardin. Carta de uma alma condenada ao Inferno. Dois Irmãos/RS: Minha Biblioteca Católica, 2022.
LIGÓRIO, Afonso M. de. Meditações para todos os dias do ano: Tomo II. [S. l.]: Livreiros-editores Pontíficos, 1921. 419 p.
ROMANA , Francisca. Tratado do Inferno. 3ª. ed. [S. l.]: Editora Santa Cruz, 2017. 68 p. ISBN 978-85-5932-015-2.
SÉGUR, Louis Gaston de. O Inferno: Se existe – o que é – como evitá-lo. 3ª. ed. Campinas: Ecclesia, 2011. 140 p. ISBN 978-85-63160-69-0. Ebook.

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