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Julian Bream (1933–2020), o erudito que popularizou o violão

Adeus a um ícone

Mario Mele in whateverreport · 2020-08-20 22:20 · 0 claps · 2.0 min read
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Julian Bream (1933–2020), o erudito que popularizou o violão

The Art of Julian Bream (RCA-Red Seal)

The Art of Julian Bream (RCA-Red Seal)

Adeus a um ícone

N o dia 14 de agosto de 2020, o violonista inglês Julian Bream morreu em sua casa, em Wiltshire, Inglaterra, provavelmente de causas naturais. Foram 87 anos de uma vida inteiramente dedicada a levar o violão a um novo patamar, busca alcançada com louvor: a importância de Julian no instrumento é comparada à do espanhol Andrés Segovia, o “pai do violão erudito”.

Durante os cerca de 50 anos em atividade (entre 1950 e 2000), Julian deu ainda mais forças ao violão solo, em gravações e apresentações. Tocando peças de Bach, Sor, Shubert, Vivaldi e Villa-Lobos, entre tantos outros, abdicou de floreios e fraseados poéticos, já considerados arcaicos, sem subestimar a alma em suas interpretações.

Longe de ser um malabarista em termos de técnica, sabia como ninguém extrair os mais diferentes timbres de seu instrumento. E dessa forma, crua e sublime, inspirou e ainda inspira gerações de instrumentistas.

Motivado pelo jazz

Curiosamente, foi o “cigano gênio” Django Reinhardt que fez Julian optar pelo violão. Nascido em uma família de amantes das artes, Julian tocava piano e violoncelo até ouvir as gravações de Django e decidir de vez mudar de instrumento. A intenção de seguir pelo erudito veio somente anos mais tarde, já influenciado por Segovia.

[embed]Julian Bream: do jazz ao clássico

O pai de Julian, que era guitarrista de jazz amador, sempre o apoiou em suas decisões, mesmo quando achou que ele teria poucas chances de se destacar como um violonista erudito. E, já pensando no fracasso da carreira do filho, até reservas financeiras fez.

“Meu pai certa vez me disse: ‘Se você levar em consideração toda a população do mundo e dado que só há um violonista clássico mundialmente famoso até hoje, a chance de sucesso para um segundo deve ser muito pequena’.” (Julian Bream: A Life on the Road — Tony Palmer, 1982)

Seguindo o coração, Julian se tornou único. Quando ingressou na Royal College of Music, em Londres, levava o violão para tocar no intervalo das aulas. Não havia aulas de violão nessa instituição. Julian, que tinha sido admitido nos cursos de violoncelo e composição, foi então advertido pelo diretor, que sugeriu que ele deixasse seu instrumento em casa.

Mas Julian preferiu deixar o curso. A carreira de violonista então só decolou. Compôs trilhas sonoras de filmes, passou a acompanhar cantores e realizar concertos. Até que suas excursões pela Europa e Estados Unidos se tornaram cada vez mais frequentes. Mesmo depois de se aposentar dos palcos, em 2002, continuou tocando em igrejas e capelas perto de sua casa.

Julian, que achava a música digital pobre, sempre foi exigente com o som extraído do instrumento. Preferia fazer recitais já tarde da noite, quando a cidade estava mais tranquila e as notas que saíam de seu violão pareciam conversar com o silêncio. ṿ


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