Clássico é clássico
BaVi que se preze tem que ter expulsão, invasão de campo, erro de arbitragem, ameaça e briga. Se não for para ser agonia, é melhor nem…
Clássico é clássico

Reprodução Instagram/EC Bahia
BaVi que se preze tem que ter expulsão, invasão de campo, erro de arbitragem, ameaça e briga. Se não for para ser agonia, é melhor nem começar.
O clássico é o momento de viver o futebol nas suas entranhas. É aquele parênteses no processo evolutivo da desportividade em que jogadores, imprensa e torcedores regridem ao estado puramente emocional.
Nesse episódio tão marcante para o jogo de bola, o coração trabalha em ritmo acelerado e descompassado, absurdos são proferidos, pensamentos impublicáveis vêm à mente e nas veias corre mais bile do que sangue.
O pH aceitável para acompanhar uma partida dessa dimensão é ácido. Se você não se sente assim, certamente não entendeu nada do que se trata um embate decisivo entre dois rivais.
Verdade seja dita, a final do Campeonato Baiano de 2025 entregou tudo o que se espera do maior duelo. Só de cartões vermelhos foram quatro. A arbitragem beirou o desastre. O gol de Kayky — empate do Bahia — aconteceu no último lance dos 18 minutos de acréscimos e foi seguido pela comemoração “fuga das galinhas” e de mais confusão.
Na decisão, jogada no Barradão, o que se viu foi um Bahia irreconhecível, desorganizado e errando passes que em nada se assemelhou ao time propositivo, cerebral e eficiente da partida de ida.
Por outro lado, os donos da casa vieram pra cima, tocaram a bola, dominaram o meio de campo e, caso tivessem um pouco mais de competência e qualidade, poderiam ter aberto o placar mais cedo. Um time bem diferente do que se apresentou na Fonte Nova.
Essa inversão técnica, por sua, é também parte da mística que envolve o dérbi. A famosa frase de autoria desconhecida “clássico é clássico e vice-versa” resume com precisão o que é esse jogo.
Clássico é clássico. Aqui não importam se os investimentos são milionários ou modestos, se o time é SAF ou está fazendo vaquinha para trocar as lâmpadas do estádio, se vai jogar a Libertadores ou deu adeus à Copa do Brasil de maneira precoce.
Trata-se de fato de um torneio paralelo onde o emocional pesa mais do que a técnica. Como diria Rock Balboa, mais do que bater, é sobre o quanto cada um suporta apanhar.
Em meio a esse turbilhão de emoções, o Esporte Clube Bahia, por mais contraditório que isso possa parecer, fez um dos grandes (se não o maior) jogos da temporada. Afinal de contas, o time de Rogério Ceni soube resistir. Quem calçou as chuteiras, provou que está abraçado ao manto.
No aspecto técnico, ainda que determinadas posições o elenco careça de reforços — que o diga a lateral-direita sem Santiago Arias — é inegável o salto em relação à última temporada. O plantel cresceu em qualidade e, pelo visto, a pré-temporada foi bem feita, pois atletas que terminaram o ano mal voltaram a render.
Faltava, no entanto, um psicoteste e podemos dizer que ele aconteceu neste domingo (23) com o time sendo plenamente aprovado. Aqui, é válido ressaltar a figura do volante Caio Alexandre, talvez o atleta mais identificado com a torcida no elenco atual.
Sua célebre frase: “Eu só tenho uma coisa pra falar: É o Esquadrão. Não tem jeito!” já virou um mantra após cada triunfo. O cara é um motor no meio de campo, essencial para desafogar o jogo e permitir que o maestro Everton Ribeiro crie.
Porém, ‘Caos’ Alexandre é, antes de tudo, o torcedor no gramado. Barulhento, bagunceiro e incontrolável, tem vestido a camisa como poucos fizeram nos últimos anos. Hoje, aliás, foi um dos expulsos. A arquibancada carece desse tipo de entrega para acreditar que alguém se importa com tudo aquilo ali e poder jogar junto.
Foi nesse clima hostil, como deve ser o BaVi, que o Bahia levantou o 51º título estadual da sua história. Nas melhores piores circunstâncias, o tricolor sambou na casa e na cara do vice.
Os Enzos certamente tecerão longos comentários a respeito dos problemas da equipe em campo e irão rechaçar a atmosfera do jogo. Pois bem, o que podemos dizer é que este ano não faltarão oportunidades para o Bahia ganhar bonito, com a cabeça no lugar e em clima de fair play. Porque contra as galinhas, em final de Campeonato Baiano, no Barradão, bom mesmo é quando a medalha vem na raça, com os nervos à flor da pele, a faca entre os dentes, a adrenalina no peito e o sangue batendo nos olhos.
Celebre, Tricolor! Bora Bahêa Minha Porra!
메타데이터
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