Entre novas pistas e desafios estruturais, skatistas veem cena crescer em Cuiabá
Por Fellipe Moraes, Bruno Monteiro e Lucas Posser
Entre novas pistas e desafios estruturais, skatistas veem cena crescer em Cuiabá
Por Fellipe Moraes, Bruno Monteiro e Lucas Posser
Praticantes apontam avanços recentes na infraestrutura e na organização de eventos, mas destacam dificuldades de acesso, poucas pistas e falta de apoio institucional.
“Eu sinto que o skate está muito melhor do que já foi antes. Hoje tem mais pistas e mais gente andando, mas ainda falta muita coisa para a cena crescer de verdade.”
— Lucas Miguell, skatista
O skate em Cuiabá vive um momento de crescimento, marcado pela ampliação de pistas e pelo aumento no número de praticantes, mas ainda enfrenta desafios estruturais e de acesso à infraestrutura esportiva. A avaliação é de skatistas da capital e de Várzea Grande que acompanham de perto a evolução da modalidade na região e apontam avanços nos últimos anos, ao mesmo tempo em que destacam limitações que ainda dificultam o desenvolvimento da cena local.
Mais pistas e novos praticantes
Entre os sinais de avanço está a ampliação de espaços destinados à prática do esporte. Cuiabá conta atualmente com pistas como a Arena Skate Plaza, a Pista do Verdinho, a Pista de Skate Dom Aquino, a Pista da Orla do Porto, a Pista de Skate do Osmar Cabral e o complexo localizado no Parque Novo Mato Grosso.

Pista Arena Skate Plaza — Foto: Reprodução/Central do Skate

Pista do Dom Aquino — Foto: Reprodução/Central do Skate
Em Várzea Grande, a principal estrutura pública é a Pista Via 31, única pista da cidade voltada à prática da modalidade.
Para o skatista Lucas Miguell, a expansão das pistas mostra que o skate evoluiu em comparação com anos anteriores.
“Eu sinto que o skate está muito melhor do que já foi antes, em vários aspectos. Hoje em dia tem muito mais pista por aqui, pistas bem preparadas e interessantes, o que aumenta o número de skatistas e traz mais atenção para Cuiabá.”
Apesar disso, ele avalia que ainda existem obstáculos para quem pretende se dedicar à modalidade.
“Acaba sendo difícil se manter no skate aqui por falta de várias outras questões. Está melhorando, mas ainda tem muito que agregar à cena de skate da cidade.”
Investimento e visibilidade
A nova pista do Parque Novo Mato Grosso, considerada uma das maiores da América Latina, representa um dos principais investimentos recentes no skate no estado. O espaço possui área superior a 7 mil metros quadrados, com mais de 8 mil m² de área construída, reunindo pistas de Park e Street em padrão olímpico, além de áreas para iniciantes e espaços voltados ao desenvolvimento esportivo.
A estrutura foi projetada para atender tanto praticantes iniciantes quanto atletas de alto rendimento e já recebeu eventos e campeonatos.
O skatista Matheus Kasttro observa que a visibilidade da modalidade tem aumentado, principalmente na capital.
“Eu acho que cada vez mais o skate está se destacando. Está tendo mais visibilidade e começando a crescer mais para o lado de Cuiabá.”
Ele ressalta, porém, que o desenvolvimento ainda ocorre de forma desigual em algumas cidades do estado.
“Primavera do Leste tem muitos skatistas escondidos, mas pouca infraestrutura. Várzea Grande também tem muitos skatistas, mas só temos uma pista e praticamente sem atenção do poder público.”
Mesmo com essas dificuldades, Kasttro acredita que o novo complexo esportivo pode ajudar a impulsionar a modalidade.

Foto: Lennon Magno/Secel-MT
“É uma pista excelente, com capacidade para comportar grandes campeonatos e quem sabe até uma futura Olimpíada.”
Acesso ainda é um desafio
Nos últimos anos, além da construção de pistas, a cena local também passou a contar com maior organização de eventos e competições. Para o skatista Rafael Yokote, isso contribuiu para fortalecer o ambiente competitivo na cidade.
“Competitivamente, o cenário melhorou bastante nesses últimos dois anos. Teve mais investimento, mais organização nos eventos e até na própria rapaziada que anda.”
Apesar do avanço, Yokote aponta que a localização de alguns equipamentos esportivos ainda limita o acesso de parte da comunidade.
“O investimento no Parque Novo Mato Grosso foi excelente, mas a logística para chegar lá já é um pouco difícil. Isso acaba dificultando para muitos skatistas.”

Campeonato Brasileiro Amador e Master de 2025 — Foto: Julio Detefon / CBSk
Segundo ele, ampliar o número de pistas dentro da área urbana poderia facilitar o acesso e fortalecer ainda mais a cena local.
“Se tivesse mais pistas bem localizadas dentro da cidade, seria bem melhor. No geral melhorou, mas ainda precisa avançar.”
Falta de posicionamento institucional
Durante a apuração da reportagem, a equipe tentou contato com a Federação Mato-grossense de Skate, com uma skatista da capital e com a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Enquanto novos investimentos surgem e o número de praticantes cresce, o skate cuiabano segue em transformação. Entre avanços na infraestrutura, surgimento de eventos e desafios estruturais ainda presentes, os próprios skatistas apontam que a cena local vive um momento de expansão — ainda que distante de atingir todo o seu potencial.
메타데이터
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