a björk que é uma grande artista
entao galero, eu meio que passei um ano fazendo uma experiência pessoal de ouvir toda a discografia da bjork, mais ou menos um mês para…
a björk que é uma grande artista

Capas lindas? temos (infelizmente a foto não é minha)
entao galero, eu meio que passei um ano fazendo uma experiência pessoal de ouvir toda a discografia da bjork, mais ou menos um mês para cada album (com algumas pausas), mas principalmente ouvindo cada um na ordem de lançamento dele, e queria compartilhar um pouco do que eu absorvi, minhas impressões, e tudo o que eu senti com essa discografia que, sem exagero, mudou a forma como eu escuto música. decidi expressar com palavras toda essa experiência que tive, e ideias pessoais que fui construindo a medida que ia consumindo mais e mais cada album, e criando playlists tbm. enfim, todos os meus sentimentos. então, senta que vai ser uns textão bem grande.

um rosto é um rosto meu amor
Prefácio
antes de iniciar a discografia em si, gostaria de dizer que sempre tive vontade de conhecer mais a fundo o trabalho dela. sendo fanático por música no geral, uma hora ou outra você acaba se deparando com o nome: bjork. eu sabia que ela tinha vários albuns, e sabia que ela era uma referência para a musica pop, alternativa e tudo mais, então a curiosidade foi o principal fator que me fez iniciar nessa experiência. antes de conhecer tudo, as únicas músicas que eu conhecia dela eram Army of Me, Pluto (pela gritaria) e Oral (eu era bem obcecado na rosalia tbm), então eu fui quase incólume quando dei play no debut, que vamos falar jajá.

sou ela
para cada album, escreverei o que eu senti ouvindo e consumindo ele durante os dias e dias (e eu ouvi bastante antes de passar para o próximo kkk). momentos específicos que me fisgaram, acontecimentos que me influenciaram, instrumentais e letras que me tocaram em determinados tempos. em seguida vou (tentar) elencar as minhas 3 musicas favoritas de cada album, e por fim vou dar uma nota em estrelas (que nem no letter). não ouvi toda as musicas complementares, só algumas, então vou pontuar quando gostar muito de alguma fora do album. e também não darei nota para os albuns de filmes, só escreverei um pouco, pra não passar batido.
é isso, bora lá, e cuidado que o seu celular está prestes a explodir…
debut

linda linda, sinto como se estivesse vendo uma foto antiga da minha mãe
(set/out 2024) com os dois primeiros albuns da bjork, devo admitir que ouvi sem nenhuma pretensão. nem fiz o que eu disse que ia fazer no inicio dessa review kkk de ouvir primeiro um, e depois passar para o próximo. meio que consumi o debut e o post ao mesmo tempo, mas os sentimentos que carrego sobre eles são bem diferentes.
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acredito que ambos os dois primeiros são álbuns exploratórios (meio que todo album é um pouco), mas no sentido de desbravar mesmo. imagino literalmente alguém explorando uma floresta em alguns momentos, como na faixa de abertura (human behavior), e em outras que eu amo de paixão (one day e aeroplane). só que o debut me soa mais fluído que o post, e mais coeso sla. gosto como cada faixa tem o seu estilo particular, mas que, ao mesmo tempo, se conecta perfeitamente com a próxima faixa, e de um jeito único tbm (é exemplo da transição entre there’s more to life than this para like someone in love).
meus momentos favoritos ouvindo esse album são dois: (1) primeiro foi quando eu fui caminhar e coloquei o debut eo post em sequencia, e nossa, foi uma coisa muito boa. particularmente, não gostava da última faixa do debut, mas nessa tocada na caminhada, ela soou de um jeito tão diferente, que naquele momento eu entendi o album, e a sua conclusão, e hoje em dia acho que the anchor song é uma das melhores últimas faixas da discografia dela. sinto sinceridade, saudade, diversão, e curiosidade principalmente.

eu quando amo meu lar
(2) o segundo momento foi quando ouvi like someone in love em um dia aleatório que fui de carro com minha mãe a um mercado (incrivelmente essa musica passava despercebido pra mim). eu tinha dado play no debut logo de manhã cedo, quando saímos de casa, e ela (minha mãe) até que estava gostando das faixas dançantes (ficava balançando a cabeça ao som da musica). quando acabou a faixa 4, chegamos no mercado, e ela desceu pra ir fazer as comprinhas, e eu fiquei esperando debaixo de uma árvore. foi ai que começou as primeiras notas daquela harpa linda (acho que é uma harpa). gente, que coisa mágica. o sol estava lindo, e lá no fundo a grama balançava de maneira tão simples, e as folhas da árvore também. a letra fala sobre simplesmente se apaixonar, sobre como a pessoa se pega do nada apaixonado, e flutuando nos pensamentos. é sincera, é linda, é simples, como o vento. me tira um sorriso sempre que eu escuto. a voz dela está tão linda nessa, que meu deus, chega a ser emocionante pra mim. e então (spoiler) essa se tornou minha faixa favorita do album, e se pá, uma das minhas favoritas da bjork. sinto a alma nessa música, em coisas pequenas, e ela definitivamente me faz querer apaixonar denovo e denovo, me desligar brevemente da realidade só pra escutar o vento passar. é lindo, lindo.
muitas musicas no debut (e complementares a ele), me trazem esse sentimento singelo de paixão, e todas são destaque pra mim: venus as a boy, come to me e i remember you (que eu só ouvi por conta daquele maníaco da bomba). todas me transmitem paz e paixão, e eu amo isso muitooo. também destaco as faixas desbravadoras, pela produção incrivel, e o vocal angelical dela. sendo bem sincero (e pessoal) o debut é o meu album favorito dela kkkk. sei todas, não pulo nenhuma, e acho ele bastante incompreendido veii
destaques do album: (1) like someone in love (2) one day (3) the anchor song
nota do album: ★★★★★ (5 estrelas, perfeitinho do seu jeito)
post

shes so funny
(set/out 2024) como eu disse anteriormente, escutei esse album mais ou menos ao mesmo tempo que o primeiro. antes de ouvir completamente, eu só tinha escutado antes a música Army of Me, que eu amava de paixão (hoje em dia pra mim ela tem tantas outras musicas boas que não escuto mais tanto essa, mas ainda assim é boa).
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quando eu fui ouvir o album completo pela primeira vez, estava varrendo a minha casa (um processo que eu adoro fazer escutando musica), e lembro de ficar realmente impressionado com a transição da primeira faixa para Hyper-ballad, e com o tempo a segunda faixa ficou sendo a minha favorita da bjork, contando os dois primeiros albuns. a produção, os vocais e a letra dessa música é coisa de doido vei, muito lindo mesmo mesmo (sem falar do refrão que é top refrões da história da musica). é uma ótima música pra introduzir alguem no mundinho bjork, amo muito de paixão.
consigo ver bem que aqui temos uma explosão de criatividade, ritmos e letras (algo expressado tanto pela capa quanto pelas faixas em si). também vejo o mesmo caráter exploratório do album anterior (principalmente em Isobel), mas aqui ele está em outro nível, a ponto de explodir de fato, inclusive ela até grita a ponto de explodir kkk eu amo.
no entanto, eu não me conecto tanto a esse album, e não sei bem explicar o motivo. quando é uma faixa que eu gosto, eu amo de verdade (Hyper-ballad, It’s Oh So Quiet e Enjoy), mas quando é uma faixa que não gosto (tanto), meio que passa despercebida pra mim sempre (como The Modern Things, You’ve Been Flirting Again e Cover Me). E não se encaixam tão perfeitamente pra mim na tracklist. Acho que vejo esse album mais como uma mixtape, com faixas tremendamente boas, e outras meio bleh.
ainda destaco que tem faixas que beiram a perfeição, e outras que eu tive que consumir de outras maneiras pra pegar o sentimento dela (como Possible Maybe, que só fui amar depois de saber da história, e da versão ao vivo lá no album 7, falaremos melhor no futuro). E as transições entre umas também dão um tempero a mais (como de Its Oh so Quiet para Enjoy, que vejo super uma dicotomia entre o sentimento explosivo da paixão e o anti-sentimento pós a explosão, e de Cover Me para Headphones, que quase soa como uma música única pra mim). não gosto muito também do encerramento desse album, acho que ele termina meio vazio, sla.
geralmente não dou play nesse album, mas quando eu dou, eu gosto. e acho uma ótima contiuação do debut, apesar de não ser muito pra mim. (abrindo um parêntesis aqui pra pontuar que depois de ouvir os dois primeiros albuns, eu ouvi uma outra musica da bjork para um filme, pelo video de react do licentrismo. a musica é play dead, e até hoje sou gamado nessa musica, tipo muitoooo. toda vez que acabava o post eu botava essa. gosto demais dos vocais dela, e do refrão estridente e poderoso, mas eu mal podia esperar pra o quão poderoso seria o proximo…)
destaques do album: (1) hyper-ballad (2) isobel (3) it’s oh so quiet
nota do album: ★★★☆☆ (3 estrelas, boa mixtape)
homogeeenic

off: sempre tive medo dela nessa capa
(nov/dez 2024) i’m the Hunter! ouvir a faixa de abertura desse álbum foi um life changing total, é uma produção tão magnífica que chega a ser emocionante (sou obcecado por cada milésimo de segundo da produção dessa). acho que foi a partir desse momento que fui acompanhando também os reacts do licentrismo para cada álbum, e ele disse uma coisa no react desse que ficou muito na minha cabeça, e que eu concordo super: “ouvir isso me dá vontade de criar”.
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é incrível como a música pode transmitir uma infinidade de coisas, e esse sentimento explosivo de criatividade é tão radiante aqui nesse álbum que chega a contaminar. é como se eu estivesse sla, passando para um outro nível. muito lindo de verdade.
amo muito mesmo a produção da maioria das faixas, e as melodias são fantásticas demais (o que é aquele refrão super eletrizante e épico de Joga, ou a vibe inteiramente imersiva e introspectiva de Unravel?). As 3 primeiras faixas de fato foram as que mais me pegaram de cara quando eu estava nas minhas primeiras ouvidas, pra mim elas são perfeitas. Cada uma trás um aspecto de força diferente, se pá um dos melhores começos de albuns que existem. Especificamente a faixa 3 mexe muito comigo, toda a letra, e a melodia, só me faz pensar em lembranças boas e tristes, mas que já passaram (we’ll have to make new love, precisamos seguir em frente, apesar disso), e concluindo com aquele instrumental etéreo no fim… meu deus, é aquele tipo de música que não necessariamente te faz chorar, mas sim te deixa com aquela sensação meio :/ Uma das músicas mais belas da bjork sem sombra de dúvidas.

msc linda, clipe lindo
De Bacharelotte em diante, sou forçado a reconhecer que não me pegaram tanto quanto as primeiras (nessas primeiras experiencias com o album), mas que cresceram sim, de certas maneiras, pra mim. Especificamente a faixa 4 me transmite muita força, como as 3 primeiras, mas não sei, é diferente. Já as próximas 3 músicas (All neon like, 5 years e Immature), demoraram bastantee pra eu curtir de verdade. não que eu desgoste, mas as que circulam essas parecem tão mais kgfjkgfkg, que elas ficaram um pouco de escanteio durante algum tempo.
Foi só bem recentemente (coisa de um ano depois kkk) que eu fui pegar pra ouvir a versão ao vivo desse album (também sou obcecado por versões ao vivo), e as versões dessas 3 faixas em live são tãooo boass. Immature vira outra coisa (que agora pra mim é um grande destaque do album). Recomendo demais você ouvir, se ainda não tiver ouvido. Eu também fui gostando de criar playlists de alguns albuns dela, juntando as versões do album mesmo, e as versões em live, meio que pra combinar o que eu acho de melhor, e do homogenic basicamente eu mudei as 3 faixas do meio pra versão live e adicionei mais outra do album ao vivo:
https://open.spotify.com/playlist/4B5qkgSy4AU0G7PKQIUUKo?si=504361747dec404b
Hoje em dia eu adoro a letra de 5 years, e toda a diversão de immature (que me identifico muito). Depois disso temos ainda Alarm Call, que apesar de seguir na mesma vibe das anteriores, pra mim soa diferente, sla, de um jeito mais espontâneo, que eu gosto muito (me lembra até o debut). Só depois fui saber que essa musica era meio que uma homenagem ao michael jackson, e agora não posso ouvir ela sem imaginar eles dois dançando juntos.

mamis e papis
e o que dizer sobre as duas ultimas musicas…? EU QUERO EXPLODIR de amor. simplesmente. assim como muitos, eu tinha uma aversão muito grande a faixa Pluto. Lembro que tinha até medo de tocar ela no meu fone e sla, meu ouvido papocar kkkk (coisa que hoje em dia nao importo se papocar, então as vezes escuto no talo). Mas vamos falar a verdade, essa música é o maior divisor de águas (assim como esse album é para a carreira dela), fala serio. e pra mim ela é a mistura perfeita de simplicidade lírica, e ainda assim, explosão sentimental. sinceridade, e só. liberdade para falar o que está sentindo em seu íntimo, e se isso significa se auto explodir e se tornar outra pessoa? que seja, é o que estou sentindo agora. a música é um grito de alma, e explodir as vezes nos faz sermos maiores do que nós mesmos. então gente, que se explodaaaa! eu amo essa música AAAAAAAAAAAA. quero me sentir, acima de tudo.
e pra fechar com chave de ouro, temos All is Full of Love. uma música de esperança e fé em nossos proprios corações (um sentimento que me lembra a faixa Oceano, do Djavan). essa faixa tem pelo menos umas 10 versões, mas a versão em live (do próximo album) de longe é a melhor pra mim. é o que precisamos ouvir quando estamos nos sentindo sozinhos. eu sei que não é o que parece, e eu sei que é dificil enxergar, mas o amor está lá. ao seu redor, nos mínimos detalhes, em todo o lugar. não dá pra transcrever o quanto essa musica me deixa feliz por viver. é tudo o que quero. tudo está cheio de amor, e eu quero senti-lo, em tudo tudo tudo.
destaques do album: (1) hunter (2) all is full of love (live) (3) unravel
nota do album: ★★★★⯪ (4.5 estrelas, um trovão no deserto)
selma songs

acho essa imagem linda, gosto ainda mais que a capa do album mesmo
(dez/jan 2025) eu ouvi esse album uma única vez, quando fui assistir o filme.
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embora não tenha curitdo muito a experiência de assistir (depois saber do desgraçado do diretor), algumas musicas ficaram muito comigo (como scatterheart, cvalda e i’ve seen it all, adoro a produção dessas), só que só quando passei para o proximo album. porém, acredito sim que o filme influencia, ao menos minha ouvida e interpretação do próximo, que é o melhor album dela, hands down.
destaques do album: não tem pq não ouvi muito
nota do album: também não tem, pq acho que é um album de transição
my vespertine

que capa linda meu deus
(jan/fev 2025) belo, frágil, e forte. sombrio e divino. escondido dentro de si mesmo. um charme que o torna invisível. escondido dentro de seu cabelo. eu posso me esconder aí também?
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ouvir isso pela primeira vez enquanto viajava de carro pela serra, observando as montanhas verdes das chuvas passadas, e imaginando um cisne gigante serpenteando as encostas com seu longo pescoço, e cobrindo os céus com suas asas de penas brancas. eu viajei em ambos os sentidos. Hidden Place é minha música favorita da bjork, e entra no top músicas que ouvi em toda a minha vida. eu amo tudo, tudo, tudo nessa música.

eu quando
O teatro, a letra e o instrumental imersivo, frio, cuidadoso e ansioso, coisas trêmulas na entrelinhas, e épicas no refrão. tudo isso transmite a vibe de todo o álbum pra mim. belo, frágil e forte. sombrio e divino. é uma música de ouvir baixinho e de gritar (ou melhor, gemer), de notar todos os pequenos detalhes, e como se encaixam como as penas do animal, movimentando-se juntas. essa música é um orgasmo pra mim, eu me arrepiei de fato quando ouvi, não consegui segurar o sorriso, de tão sla, esplêndido, de tão grande e íntimo. tudo o que vi ao ouvir foram essas imagens, que nunca deixaram minha mente. um cisne circuncidando as montanhas. e de tão teatral, isso pra mim introduziu uma história de amor na forma de uma álbum, e posteriormente eu fui encaixando melhor cada música a uma parte da grande história. que talvez diga mais sobre mim mesmo, do que sobre a bjork. eu amo muito, nasci pra ouvir isso. nanana, nanana, nana. nanana, nanana, nana…
se a primeira faixa pra mim é um belo de um orgasmo, Cocoon vem em sequência para ser aquele doce e breve momento de ternura posterior a uma boa transa. ali, deitado na cama, você sente o calor e a ternura nos minúsculos movimentos, e nos sons quase inaudíveis das respirações, dos corações batendo, nas sombras afáveis a observarem os dois. a letra é fenomenal, uma declaração de amor carregada de honestidade, em versos belos e rimas que flutuam à medida que os vocais doces dela prosseguem. é como se ela estivesse sussurrando um segredo no meu ouvido, sobre sua paixão naquele breve momento, nos braços do cara. lindo e singelo, quem diria que um sentimento assim pudesse existir?

clipe estranhozin, mas eu gosto
as duas próximas faixas (It’s Not Up To You e Undo) pra mim servem bem como prelúdios do que vai acontecer com ela do meio pro final (nessa história que pensei). A personagem agora acorda no outro dia, procurando motivos para as coisas que estão acontecendo ao redor dela, e que ela não quer que aconteçam, o refrão é muito como se ela própria tentasse se consolar em vão: Certas coisas simplesmente não dependem de vc. O teor “musical” nessa terceira faixa pra mim é bem grande; consigo imaginar certinho a personagem andando pela rua de inverno e as pessoas dançando e cantando essa música para (e com) ela. E logo depois, vem a reflexão forçada em Undo, de que ela precisa se desfazer desse sentimento, talvez por não poder ficar com o cara que a fez sentir as coisas das duas primeiras faixas.
Aqui ela tenta tristemente se ver “livre” de algo que a fez tão feliz por um breve momento. “Mas é preciso”, ela diz a si mesmo. “Se isso está te fazendo sofrer, desfaça. Se está te fazendo chorar, desfaça.” Eu amo muito as melodias dessas duas, e além de se encaixarem na história, são ótimas músicas para passar mensagens para a vida também. letras incríveis, melodias mágicas e instrumentais serenos. Eai então a faixa 4 vai se desfazendo aos poucos, fio a fio até o vazio, desfazendo-se a si mesma, até culminar no ápice de loucura da personagem.

não esta escrito na história do planeta o quão linda essa imagem é
luzes piscando frenéticas ao ritmo da caixinha de música, um par de cruzamentos de ruas sombrios no alvorecer silencioso. as sombras que antes eram carinhosas, agora trazem sentimentos de perseguição, de angústia, enquanto ela vagava sozinha por essas ruas, sendo perseguida por seus pŕoprios conflitos. “Mas há um poço ainda mais escuro dentro de mim.” Pagan Poetry é a melhor música da bjork, aquela pela qual ela sempre será lembrada, e eu me lembro bem do profundo sentimento de perseguição que essa música me transmitiu quando ouvi pela primeira vez. a tristeza resolutiva de Undo deu espaço para um conflito interno gigantesco. É frenético, lacerante e poético em todos os sentidos.
Com uma letra desordenada à refletir os próprios pensamentos dela em meio a esse turbilhão de incertezas que a rodeiam agora, no lugar das pessoas. Essa é a poesia pagã. Aqui ela grita que o ama incansavelmente, e aconselha a si mesma que ela não pode se entregar a ele, mas como? É uma luta interna e sombria sobre se manter livre ou entregar-se por inteiro, e como, o próprio Genius coloca no texto, “todos nós sabemos como isso acabou”.
A partir desse ponto, temos uma transição para uma parte mais etérea do album, meio pós vida pra mim. começando pelo anúncio de Frosti rumo à contemplação branca e vazia pela neve, nos cristais de gelo de Glacia (a versão ao vivo é tipo, muito melhor), e depois para o teor fantasmagórico e vingativo de An Echo, A Stain (aqui consigo imaginar bem um fantasma voando pela cidade anoite, observando as coisa lá de cima, com uma expressão raivosa, querendo assombrar geral). Seguindo a toada do homogenic, aqui eu também ouvi a versão ao vivo, e cara, que diferença isso fez nessas duas faixas, mds. o instrumental, os vocais e backing vocals do ao vivo ajudam muito a entrar na vibe delas, e eu real prefiro a versão live delas.
Também criei uma playlist para o vespertine, trocando e adicionando algumas faixas da live version:
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eu vou abrir um tópico só pra esse album ao vivo pq serio: eu ouvi pela primeira vez quando estava voltando para casa no ônibus da faculdade, bem de noite mesmo. logo, eu já estava meio que com aquele sentimento propício a só prestar atenção na música, enquanto via a minha cidade passar através do vidro. não consigo colocar em palavras o quão espetacular foi ouvir o começo com Frosti (que na verdade é o instrumental de Pagan Poetry), passando para Overture e depois para All is full of love (depois de uma bela e grande apresentação, a primeira coisa que a bjork canta é: You’ll be given love, fala serio). os instrumentais são mais notáveis aqui (como de Glacia, An Echo A Stain, Ive Seen It All e Its In Our Hands, essa ultima inclusive vira uma fritação muito boa), as minúcias, mais perceptíveis, e o vocal mais pronunciado, mais perto dos sons, ao mesmo tempo que distante do ouvido. eu recomendo muito você ouvir se ainda não ouviu, tipo, de verdade mesmo.

fofinha
além disso, essa live me fez ouvir a minha música favorita da bjork: Generous Palmstroke. GENTE QUE MUSICA LINDA. “Um toque de mãos generoso, o mais poderoso dos abraços”, tudo nessa musica, nessa versão, me trás a vibe de Like Someone In Love, só que dessa vez mais maduro e mais certo de si. é aqui que a paixão passa a ser amor. a letra dessa musica é linda, a melodia é perfeita, o instrumental (tocado pela digníssima zeena parkins, que lacra demais), e a letra… meu deus. uma súplica por comprometimento, por uma prova de amor e confiança, e a confusão é super expressa pela loucura que vira a harpa em determinado momento. mas ela termina do jeito que começa: resiliente de si, certa que ela comete erros, mas também de que ela é forte com ele, ela é forte nas mãos dele… é de tirar o fôlego, deslumbrante.
voltando ao album, chegamos ao arco final desse sonho de inverno. as quatro ultimas musicas conversam muito entre si pra mim. são letras doces, poderosas, e instrumentais que beiram ao celestial. a versão normal de Sun in my mouth eu vim gostar de verdade por agora, antes eu ouvia mais o remix side-b do single Cocoon, mas nossa, a melodia dessa musica é a coisa mais linda, meu deus (também é outra musica de se ouvir baixinho e se arrepiar com a crescente que tem, esplendorosamente linda).
depois vamos para Heirloom que é a mais divertida do album pra mim, lembrando também o Debut, e a letra me trás um sentimento de conforto e nostalgia muito bom, como uma conexão de si mesmo e do seu passado, de sua família, seu ponto de partida (fofinha demais). e para fechar essa tríade temos Harm of Hill, que é outra música épica e singela ao mesmo tempo, daquele tipo que você só ouve para admirar mesmo (também pontuo aqui que ela é ainda mais linda com os backing vocals da versão live), e também é a musica perfeita para introduzir o fim da nossa história.
e depois desse esplendor etéreo de conexão pessoal, a ultima faixa vem para encerrar o album com chave de ouro. Unison é meu encerramento favorito de todos os albuns da bjork, e entra no meu top do album com toda certeza. ela mistura e sintetiza toda a história, a paixão, o comprometimento (eu nunca pensei que fosse me comprometer), conceito e emoção do album, em uma musica linda de entendimento e aceitação, um firmamento de uma união. aqui ela diz para si que sim, ela pode aceitar o amor dessa maneira, e ainda ser ela mesma. aqui, a nossa personagem aceita o seu destino em nome do amor, e, naquele momento, ela é feliz por essa decisão de união. união e felicidade, amor e paixão, ser a si dela, e dele também. além de ser um encerramento perfeito (na verdade nem perfeito, perfeição nem diz respeito ao quão bom isso é), também é uma musica completa. é divertida, épica, sincera, e genuína, uma declaração para ela mesma do quão lindo o amor pode ser. uma mão ama a outra, e o som dos seus corações tocam uma mesma musica ao mesmo tempo. Unissono, unissono, unissono… um dia quero me sentir assim também.
off eu acho esse vestido um bafo
para encerrar esse album, gostaria de dizer que acho lindo que ele surgiu em meio ao isolamento da cantora em sua casa. os sons são caseiros, as melodias são vividos, e as letras carregadas de emoção, e por isso é tão confortável para mim. ela fez algo lindo e completamente diferente aqui usando as pequenas coisinhas que se escondem ao redor de todos nós, e dentro dela também.
destaques do album: (1) hidden place (2) generous palmstroke (live) (3) unison
nota do album: ★★★★★ (5 estrelas, um sonho de inverno)
medúulla

os peitoes da mother
(fev/mar 2025) poder, ancestralidade e profundezas. depois de um super trabalho intimista e produções minuciosamente compostas, a mother vem e lança o seu album mais experimental (possivelmente de toda carreira). assim como no album anterior, esse também foi construído em meio a limitações criativas, já que tudo se resume à voz humana, e como ela por si só consegue ser tão predominante e forte quanto qualquer instrumento artificial. aqui as limitações criativas levaram ao auge da construção musical, quanto mais pressão se faz sobre uma mola, maior é o seu salto.
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minha visão sobre o medúlla não é de uma história partida em faixas, mas sim uma grande orquestra sinfônica e épica, que emerge dos confins do oceano, onde se escondem os ancestrais da humanidade, dos seres que vieram antes de nós. bom, eu nunca fui a uma apresentação de uma orquestra, mas imagino que o sentimento de arrepio que dá ao ouvir a magnitude dos sons em harmonia deva ser parecido com o sentimento de notar as produções robustas e flexíveis das músicas desse album. é como se fosse um músculo mesmo, cada fibra dando apoio e conexão à próxima (por isso o tamanho número de interludes e faixas de transição).
as duas primeiras faixas são ótimas introduções do album, sendo a primeira, Pleasure is all mine literalmente uma faixa de boas vindas com foco na ambientação sonoro por meio de “chamamentos” das vozes, e a segunda, Show me forgiveness, uma música acapella que transmite bem o sentimento de desconforto que dá na gente quando alguém começa a cantar sozinha do nada. além disso, também são ótimas introduções para a faixa Where is the line, que por um bommmm tempo foi minha faixa favorita do album, e é um dos seus grande destaques. a música vai num embalo tão grande e imersivo que é meio que impossível ouvir ela e prestar atenção em outra coisa, e ela funciona visualmente como um músculo (elástico), com uma elevação melódica que prende demais e já começa chutando o balde, mais ou menos parecido com o que a faixa pluto faz.

clipe bizarrissimo eu amo
como eu disse antes, muitas das faixas daqui servem como transição para outros do album (é exemplo de Vokuro, Oll Birtan, Sonnets/ Unrealities XI, Submarine e Miðvikudags), o que eu acho perfeito no sentido de que a cada momento estamos nos aprofundando mais e mais nesse oceano. eu fiquei bastante confuso na primeira ouvida, e essa disposição de mśuicas poderosas e faixas de transição não me pegou exatamente. eu fiquei bastante perdido mesmo, porque eu gostava de alguns pontos altos, como a faixa 3 e Who Is It (a segunda mais divertida do album), mas não via coesão. hoje em dia eu amo as transições, e o álbum só é fluido desse jeito para mim por causa delas (coisa que eu só vim perceber em uma faixa específica mais pro final).
falando especificamente e singularmente das faixas de transição, a minha favorita é Submarine. foi ouvindo essa música (e Oceania, uma das melhores produção que usam a voz, eu até me assusto as vezes com a harmonia do fundo) que comecei a ter uma visão um pouco mais clara da história abordada aqui. o poder da voz ligado à ancestralidade, ancestralidade essa ligada às profundidades da água, do oceano escuro, escondido e adormecido, mas ainda poderoso. eu não exatamente pesquisei a fundo cada conceito certinho de cada album, por isso, essa foi uma imagem visual que tirei da minha interpretação mesmo, e é assim que gosto de ouvir e sentir o album, como a apresentação de uma orquestra nas profundezas do mar, cercado por corais e fósseis de seres primordiais da terra kkk é uma loucura, mas eu vejo assim.
e seguindo a ideia de nos aprofundarmos, faz muito sentido a próxxima faixa ser Desired Constellation, a mais imersiva aqui, cantada com a mesma voz doce de Cocoon, e uma distorção de uma guitarra irreconhecível, que eleva os vocais dela, ora sensíveis e calmos, e ora gritantes. uma das mais belas mesmo.
foto mais bafo do mundooo
bom, e depois de nadar no oceano, é hora de encarar nossa própria linhagem: eu só entendi o medúlla depois de ouvir a música Ancestors pela primeira vez. fui sucnero quando disse que eu me arrepiei quando tive o primeiro contato com Hidden Place, no album passado, e eu meio que estava esperando sentir o mesmo quando ouvisse esse. mas a medida que o album ia seguindo, eu continuava perdido, me perguntando “gente.. pra onde ela tá indo com isso?” mas foi depois de Sonnets/ Unrealities XI (que acho a transição perfeita, porque coloca o vocal em primeiro lugar, em total dissonância com a próxima) que eu verdadeiramente peguei o que ela queria me transmitir desde o princípio. Ancestors me arrepia, me tira sorrisos de felicidade por ouvir algo tão incrivel e diferente. das mśuicas mais experimentais da bjork, essa é minha favorita, e é minha favorita do medúlla.
todo o desconforto proporcionado pelos gemidos, que vão ficando mais esganiçados e animalescos, é tudo uma homenagem aos cânticos dos ancestrais da cantora, e isso é lindo demais. a bjork literalmente se coloca atrás da voz principal, e o piano só deixa um clima mais e mais tenso e até assustador. esse estilo de cântico especificamente não me incomodou por conta que no album live do vespertine (na faixa An Echo, A Stain) as vozes do fundo vociferam sinfonias similares, então eu estava um tanto acostumado, e a música elevou meus sentidos ainda mais do que eu esperava. foi ouvindo isso que entendi o que era o “poder da voz”, o poder dos nossos ancestrais, e das nossas tradições. eu nunca tinha ouvido algo parecido com isso antes, então verdadeiramente fiquei chocado kkk e ainda fico quando escuto, acho impressionante, de tirar o fôlego mesmo. isso é música.

dia do cabelo maluco
Mouth’s Cradle nos introduz de maneira super divertida à tríade de conclusão da nossa ópera. adoro a sinfonia das vozes masculinas de fundo e as harmonias enérgicas que vão guiando essa faixa pra uma coisa que tocaria no asilo de American Horror Story, e todos iriam dançar felizes (precisamos defender o nosso direito de dançar). em questão de produção, na idealização do album, essa é uma das melhores também. logo depois vamos para a ultima faixa de transição, Miðvikudags, que também é uma outra super sombria, para dar uma quebra total com a faixa final.
últimas faixas pra mim são tão importantes quanto as faixas de introdução. pra mim, o sentimento que prevalece ao fim de um album é o que vai me fazer querer ouvi-lo denovo e denovo só para chegar naquele fim mais uma vez, então geralmente eu gosto quando as faixas de encerramento recebem um destaque total (tanto que não gosto muito do post pelo encerramento). o medúlla encerra sua apresentação oceânica lá em cima com Triumph Of a Heart, com um beat box eletrizante e contagiante (e um clipe super divertido também), de maneira a já dar um gostinho do que viria a ser explorado lá na frente. particularmente gosto de como todo o album é bem carregado de ideais, de inovações e experiências únicas, mas a única faixa é especial “apenas” por ser dançante, eu amo isso. me lembra muito o debut.

o arranhão na testa, num guento o love violence
eu acho que o medúlla é um dos mais coesos da carreira da bjork, e não vejo muito ele sendo destaque dentro da comunidade de fãs no geral, o que é uma pena. esse album também não tem uma versão em live infelizmente (porque não teve turnê de divulgação), e acho que se tivesse eu iria gostar ainda mais dele (se é que isso é possível). imagino que seria dificil transmitir essa experiência de poder vocal ao vivo, mas eu tenho certeza que a mamis conseguiria, enfim… album bem redondinho, gostoso de ouvir, e merece mais destaque sim!
destaques do album: (1) ancestors (2) mouth’s cradle (3) where is the line
nota do album: ★★★★★ (5 estrelas, ópera no fundo do oceano)
drawing restraint 9

topicos capas assustadoras
(mar/abr 2025) meio que levei um susto quando vi que tinha um album entre o medúlla e o volta, pq eu nunca tinha visto a capa nem esse nome na minha vida. posteriormente descobri que se trata do segundo album da bjork para um outro filme (que eu não assisti). na época eu estava bem engajado a ouvir tudo dela, então peguei pra escutar esse enquanto arrumava a casa.
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não foi uma experiência pra lá de ruim, mas tbm não guardei muita coisa desse, tanto que só ouvi esse inteiro uma vez, e nem assisti o filme (talvez eu veja no futuro). pelo menos foi legal para pegar a referência da faixa Hunter Vessel no próximo album (para além dessa, acho que esse tem muitos elementos que lembram bastante o volta, em seu sentido caoticamente estruturado).
destaques do album: não tem pq só ouvi uma vez
nota do album: também não tem
volta

aquela amiga funny
(mar/abr 2025) sim, ele voltou… a era mais polêmica (musicalmente falando) da carreira solo de bjork, o volta (ora vejam só) é um retorno à diversão da cantora, e segue na linha de experimentar coisas novas, e uni-las com coisas antigas.
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o album já começa com dois pés na porta com Earth Intruders. essa música é milimetricamente caótica em todos os sentidos, e foi escrita depois que bjork fez uma passagem por um lugar que tinha sido atingido por um tsunami, por isso a reflexão (até pessimista) de que todos nós somos intrusos na terra (muito bem transmitido pelo clipe), e o dia em que a natureza se revoltará está cada vez mais próximo. a produção dessa musica.. meu deus, é uma loucura de exploração que eu não consigo parar de pensar, e os vocais perfeitos dela, com essa melodia agitada e emergente, só me faz querer correr em direção à lugar nenhum, ou só mexer o corpo loucamente. refrão insano de bom, e adoro o final com o som portuário do lar dela, fazendo jus à The Anchor Song.

acho esse clipe muito divertidoo
no geral, a sensação de ouvir o volta pra mim é se preparar para o caos (você sabe que ele está chegando, e fica temeroso por não saber exatamente o que vem lhe atingir). os instrumentais graves e o eletrônico ferrado de faixas como Wanderlust (outra muito boa para sentir o tom exploratório e crescente), Dull of Flame, Innocence e Declare Independence são o que conduzem perfeitamente a “arrebentação” criativa.
mas acontece comigo a mesma coisa do post, quando é uma faixa que eu gosto, eu gosto muito, mas quando não me apego tanto, ela meio que só passa despercebido, ou seja, eu não tenho aquele ímpeto de pegar para escutar. por exemplo, quando eu escuto Wanderlust eu fico fascinado real, pq a produção é fenomenal na crescente da música, mas também não pega ela pra ouvir solta, em um dia aleatório slla. pra mim ela funciona no album, é lá que eu sinto ela, e tá tudo bem.
outra coisa a ser pontuada é que, apesar de não curtir todas do post, eu consigo sentir um fluxo entre as músicas, o que ajuda a consumir o album por inteiro. já aqui é diferente. o tom caótico é tão intenso pra mim que me sinto um cego em meio a um tiroteio. vão ter uma balas muito bangers, e outras que só passam reto pela orelha. Innocence é outra que é muito boa, é divertida e explosiva, até meio infantil (pois bem), mas não sei, depois de ouvir muito, talvez ela fique um tanto repetitiva demais? não sei bem como explicar isso. lembro que me impressionei bastante quando ouvi pela primeira vez, a transição da faixa 3 pra ela é uma quebra ótima.
admito que ainda nao vi esse clipe, mas essa imagem é belissima
depois de I Seen Who You Are (que eu adoro pela versão em live do vulnicura, por isso acho que já tem resquícios do que seria tratado melhor), o álbum vai para um meio ainda mais experimental, e que não sou conectado tão bem a nenhuma kkkk acho engraçadinha a música hope (me lembra aquele video da galinha do tt), e fiquei orgulhoso de mim por ter percebido o instrumental de Vertebrae by vertebrae, mas é só. especificamente essas do meio me afastam de ouvir o album sempre por completo, pois tanto me lembram a estranheza sonora do drawing restraint 9 (pelo pouco que me lembro), quanto acho longas demais.
“declare independence… don’t let them do that to you…” AGORA SIM FALANDO DE MÚSICA DE VERDADE. Declare Independence é a faixa de revolta completa, explosão total, um grito de independência, ela junta tudo de melhor do poder das músicas crescentes da cantora, com o alto e vibrante som da rebeldia destruidora. “DAMN COLONISTS! IGNORE THE PATRONIZING!” ela instiga você a gritar em uníssono, como se fosse um rock (doido) pesadão de liberdade ou morte. mas sem guitarra, é tudo construído na bateria (nossa quando entra as batidas nos pratos mds) e no som distorcido do eletrônico. minha favorita do volta (também adoro a versão live do Biophilia), não tem nem como ser outra. e o grito vai aumentando, aumentando, aumentando até o topo de uma montanha, até o céu, até os limites do inimaginável. mais alto, MAIS ALTO, MAIS ALTOooo!!!!. DECLARE INDEPENDÊNCIA AGORA MESMO!

AAAAAAAAAAAAAAAAAAA
depois vai meio que virando um padrão de álbuns da bjork, ter uma música explosiva seguida por uma mais íntima, como faixas de encerramento, mas das faixas de encerramento, My Juvenile é a que menos lembro. no geral, é como eu já disse, quando eu pego pra escutar o volta, eu gosto muito de algumas. mas também não ´é aquele tipo de album que eu pego pra escutar sempre kkk aquele meio muito longo me afasta, real, e a falta de fluxo um pouco também.
destaques do album: (1) declare independence (2) earth intruders (3) wanderlust
nota do album: ★★☆☆☆ (2 estrelas, caótico {até demais}, e divertido em alguns momentos)
biophilia

dia do cabelo maluco parte 2 (lindaaa)
(abr/mai 2025) “o amor pela natureza e todas as suas manifestações” a intro da versão em live começa com essa frase de boas vindas, que, pra mim, diz muito sobre esse album e sobre esse momento da vida da bjork. adiantando previamente, esse é o projeto dela que sou menos conectado, mas não por falta de músicas interessantes (que aqui temos várias), nem por falta de versão em live (já que aqui temos duas). talvez entender isso não seja um processo fácil, mas vou tentar discorrer à medida que avanço nessa review.
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o gosto que ficou na minha boca depois do volta foi um tanto… desnorteado. e não é que eu esperava que o próximo album fosse melhor pra mim (sei que todo album tem seu momento, e compara-los desse jeito é um tanto injusto), porém, não pude deixar de imaginar que queria uma história a ser contada. o biophilia tem muitas faixas doces, como Moon (gosto de destacar que é o começo do álbum, a porta de entrada já bem íntima, o que admiro de cara), Virus e Solstice, e também varias faixas elétricas, como Crystalline, Sacrifice e Mutual Core, além das faixas experimentais que me lembram trabalhos futuros dela, por isso acredito que esse foi o pontapé inicial de albuns como o utopia e até o fossora.
apesar de gostar e admirar Moon como música, eu no geral sinto que o começo do album poderia vir de um jeito diferente, talvez mais enérgico. em contra partida, a segunda faixa, Thunderbolts, eu já acho que tbm poderia vir um pouco mais para frente (particularmente prefiro a versão em live). mas ainda com essas sugestões, não tenho certeza se mudaria completamente meu sentimento geral.

os bichos de evangelion
poucas faixas aqui transmitem grandiosidade pra mim, apesar de serem legais de se ouvir, e o meio, de Cosmogony até Virus não ficam muito comigo, pois tanto acho mais paradinhas, quanto longas, e sem muita variação. eu ouvi esse album muitas vezes, e ainda assim, não me lembro particularmente de quase nada dessas faixas do meio kkk. ainda assim, quando eu escuto elas, não desgosto, é só que passa despercebido depois de um tempo. talvez não fosse o objetivo exato de serem musicas marcantes, talvez a ideia seja justamente curtir esse momento de amor pela natureza.
e também nem todas produção são tãoo marcantes para mim. eu gosto da virada de Crystalline (em live fica muito bom, o batidão emerge do coral de backing vocals), como também das viradas de Sacrifice e Mutual Core (mas tbm não são tão marcantes quanto outros batidões da bjork). infelizmente, para chegar nessas duas últimas a gente tem que passar algum tempo considerável nas faixas do meio. mais uma vez, eu não desgosto delas. acho interessante que Cosmogony parece um hino nacional que nasceu da junção do volta e do medúlla; Dark Matter, apesar de ter um teor sombrio que no geral gosto, ela meio que fica no mesmo tom até o fim; Hollow até que fica divertida lá pro finalzin; e Virus acho uma fofura no geral, a letra e o instrumental me lembram as caixinhas de música e os microbeats do vespertine. no entanto, não fico muito no mood de ouvir todas elas em sequencia kkk

nao sei nem o que é isso, mas sei que é lindo
tópico: biophilia (live). eu escutei muito essa versão, tipo, até mais que o album normal mesmo. por conta do ambiente e da captação, o instrumental de algumas musicas aqui ganha outroo tom. aqui o já tem uma introdução mais bem formulada, e a caracteristica eletrizante das musicas fica ainda melhor (pensando naquele instrumento musical baseado em eletricidade), além da tracklist muito boa. nossa eu fiquei realmente surpreso quando chegou em Possibly Maybe (que tá tipo, beirando a perfeição com esse beat elétrico), e em Isobel; ouvir elas assim, um tantinho repaginadas depois de tanto tempo, deu um quentinho no coração. os backing vocals no coral também ajudam demais na imersão do ao vivo.
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além disso, lá pro fim, temos a sessão de “balada da natureza”, com Náttúra (minha favv demais, ela sintetiza bem o que há de melhor aqui, a produção com aquela bateria e o grave, a letra e a manifestação energética da natureza; “and if you feel like dancing, don’t.., stop yourselves.”), Declare Independence e Sacrifice, então temos um fim bemm contagiante, e que eu amo. outra recomendação de versão para ouvir, caso não tenha conferido ainda, e sla, tenha esse mesmo sentimento que eu em relação ao album.
esses dois albuns (volta e biophilia) fazem parte da carreira da cantora, e apesar de não serem tão marcantes pra mim, achei importante ouvi-los e entendê-los. precisamos de um respiro às vezes, e nesse caso, antes do próximo álbum, eu diria que um respiro desses é mais do que necessário.
destaques do album: (1) náttúra (live) (2) moon (3) crystalline (live)
nota do album: ★★☆☆☆ (2 estrelas, as vezes enérgico, e as vezes não)
vulnicura

incrivel como parece o completo oposto da capa do vespertine
(mai/jun 2025) em outubro de 2020, um mês depois da minha avó materna falecer, minha mãe me acordou bem cedo na manhã. eu não lembro exatamente o que ela disse, só sei que a voz dela estava meio rouca, como se já tivesse chorado bastante. foi nesse momento que ela disse pra mim que meu pai ia sair de casa. fiquei do lado dela durante meses e meses, ouvindo-a e conversando com ela. com o tempo, fomos nos curando juntos.
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é impossível não escutar esse álbum e não se emocionar de alguma maneira, se você já experienciou algo assim. todo ele, formado de documento pessoais da cantora ao longo do processo de divórcio de seu casamento, até aquele momento, de mais de 10 anos (com o caro que ela dedicou o vespertine). é um album sumariamente humano, carregado de emoções de dor, súplica, e de misericórdia por si. o foco geral aqui é a imersão pelas composições, textos arquivados de situações, palavras presas na garganta; ora reflexivas, ora carregadas de raiva, ou descompaixão. o instrumental é belíssimo, e guia o fluxo das mensagens durante os períodos do album (pré, durante e pós divorcio), no processo dela de cura pela sua ferida aberta.
Stonemilker abre esse arquivo pessoal de maneira perfeita. eu não sei exatamente se essa é uma experiência que todo mundo compartilha, mas é inacreditável como essa música transmite identidade. aquele presságio ruim no peito, você sente que tudo aquilo que você guardou com tanto carinho, está prestes a ser destruido, e você quer fazer alguma coisa. você quer tomar as redeas da situação, nem que isso te machuque. mas uma relação é construída a dois (no sentido geral kk nao tenho nada contra poligamia vei), e não adianta nada apenas um se dedicar. “Momentos de clareza são tão raros, é melhor eu documentar isso.” diga pra mim alguma coisa, qualquer coisa, nem que seja ruim. eu preciso saber.
“Quem está de peito aberto? Quem se deixou coagular?” já estive do outro lado desse sentimento, e é algo que me arrependo profundamente. depois de um tempo assim, você simplesmente não consegue parar. não demonstrei respeito, e já não havia mais como sincronizar nossos sentimentos (Unison). além de ser uma linda abertura, a música é linda por si só, a melodia é envolvente a um ponto em que você nem percebe ela passando. você só é carregado (na verdade o album todo é assim). lindo, belo, humano.

as vezes sla..
eu me sinto confuso quando fico magoado, e excepcionalmente a consequência da traição é a raiva. não que o divórcio tenha ocorrido por uma infidelidade (que se saiba) ou algo do tipo, só é inevitável pensarmos no acontecimento de maneira amarga. Lionsong, como sequencia da faixa de abertura, transmite calorosamente toda a confusão e a ira contida dela; na melodia torta, nas batidas eletrônicas crescentes e dissonantes, e claro, na letra. “I smell declarations of solitude. Maybe he will come out of this.” não há como contê-lo, ou domá-lo. só o que resta é pensar sobre esses sentimentos complexos e abstratos. como lidar com eles?
é estressante, frustrante, mas de alguma forma, ela tenta dizer a si mesma que não liga, que não se importa de maneira alguma. e então chegam os beats tão quebrados quanto a melodia, emergentes, saltam na sua cara. bjork quer mais do que tudo sinceridade por parte dele. no entanto, ele acredita ser um leão (na cabeça dele né meus amores…), não há o que se possa fazer.
algumas músicas são tão bem escritas, tão bem compostas que nem precisamos de qualquer vídeo para visualizá-las em suas imagens. e alguns momentos, ainda que insignificantes, por algumas razões desconhecidas, se impregnam nas nossas mentes, e ficamos repetindo as mesmas cenas vez após outras. bjork, em History of Touches, (uma das, se não, A música mais triste da cantora), captura um momento muito específico do fim de uma relação. “I wake you up… in the middle of the night… to express my love for you”, toda a atmosfera, sombria e noturna, de um toque, um última tentativa de expressão de amor. ela observa o seu par dormindo ao lado, e o sentimento é o de finitude, e incapacidade. “I wake you up… in the night feeling, this is our last time together.” eu adoro como as pequenas crescentes no instrumental se dão em momentos críticos e íntimos do sexo; ela desce o tom para algo mais grave, ao mesmo tempo em que o som ambiente cresce. especialmente essa linha, sobre ela sentir que aquele é o ultimo momento deles juntos, é o que mais me toca (por eu já ter vivenciado algo assim).
e a música transmite de forma tão crua esse sentimeento de incapacidade, de saber que aquilo vai aconrtecer e não poder fazer nada além de observar, e registrar tudo, todos os toques, todos os momentos juntos, o sexo e a história dos dois, tudo comprimido em um grande arquivo pessoal. é a menor música do album, e talvez a mais grandiosa pra mim.

nao sei o que é isso tbm, mas sei que é lindo
mas todo mundo se solta em algum momento, se explode, se quebra, é impossível segurar tantas coisas sem falar nada (e haja coisas a serem faladas). minha sensação ao ouvir Black Lake é de um grande confessionário (ou um cenário judicial de acusações), não exatamente um diário, ela não falando aquilo pra ela mesma. é pra outra pessoa definitivamente. e ela precisa dizer, faz parte do processo de cura. liricamente e conceitualmente, esse é o ponto do album de rompimento definitivo, não tem mais volta, aconteceu e ela precisa descarregar essa energia pelas palavras. assim como Possibly Maybe, a ideia é que cada verso retrata um momento cronologicamente diferente, e aqui, especialmente aqui, o que mais é interessante são as pausas entre os versos. às vezes, quando desabafamos ou brigamos com alguém, falamos as coisas meio que sem pensar em tudo tudo o que vamos dizer, e precisamos de pausas também.
acho incrível como essa música é tão imersiva que você nem vê ela passando, você só mergulha nesse fluxo intenso que vai crescendo e crescendo e beats que parecem socos na cara (o clipe retrata bem isso). “I did it for love, I honored my feelings. You betrayed your own heart, corrupted that organ.” tudo o que ela não disse pra ele na noite anterior, ela disse nessa música. está aí, tudo o que ela sente. pra mim é o ponto de virada do album.

esse clipe é uma das coisas mais lindas da carreira dela..
e por falar em soco no estômago… “Existe algum lugar para que eu possa prestar respeito pela morte da minha família?”, é o questionamento inicial de Family, mas antes mesmo dela começar a cantar isso, o instrumental já vem potente como um soco mesmo. pra mim esse é o ponto de virada do álbum. do peso da dor até o momento da cura enfim, e isso é muito bem expresso pelas 3 partes que essa música. ela começa super densa e sombria, é uma luta interna que exprime muita indignação, consigo mesma e com o cara, e também com seus filhos, o “triângulo de amor” que agora se encontra destruído na visão dela. a segunda parte da música já vem com esse violino (ou violoncelo sla) super torto e estranho, que dá até um pouco de desconforto em mim, enquanto ela se pergunta como poderia conseguir cantar sobre esse sofrimento. e, nessa terceira e ultima parte, eu preciso destacar o quão lindo é a versão em live dessa música. é nesse ponto em que vamos para uma coisa mais etérea, até confessional eu acho. a letra que ela canta…
meu deus, quem dotou o ser humano com tanto sentimento? tudo se encaixa agora. depois da destruição só o que resta é a esperança, presente na melodia, na harmonia. a esperança de que vamos passar por isso, de que vamos ser curados por isso. “Isso vai nos aliviar da dor. Vai nos fazer parte disso. Desse universo de soluções, desse lugar de soluções… ”ah sei lá… eu só acho magnífico demais o quão humana e sincera ela se mostra aqui, literalmente pedindo, quase implorando, no final para ser curada. “Me cure, me cure, me cure…” me dá muita vontade de chorar, de verdade mesmo. já to chorando escrevendo isso.
as duas próximas músicas, Notget e Atom Dance, funcionam muito como uma duplinha mesmo. e preciso destacar outra versão do vulnicura, que é a versão acústica Vulnicura Strings. nossa, essas duas ficam extremamente lindas nessa versão, mds. na linha de pensamento e narrativa da história, Notget dá continuidade à soturnidade da primeira parte de Family, e passa tipo aquela sensação de puxar o band aid que está sobre a ferida com força; é preciso, mas doi. e depois vamos para a música mais doce do album, que é atom dance. essa foi outra que peguei pra ouvir durante as minhas caminhadas, e nossa, fez total diferença pra mim escutar ela ao ar livre (inicialmente não tinha gostado muito). é uma balada para os átomos dançarem literalmente, para sentir o vento passando e o cheiro das folhas, uma mśucia para ser ouvida em movimento. assim como os átomos, todos estamos em eterno movimento, dançando e dançando. então vamos só apreciar essa coreografia. lindo demais demais, e também já é um ponto do album onde ela finalmente consegue apreciar outras formas, outros padrões. quando ela começa a fazer o dueto com o ANOHNI, fica a coisa mais linda do mundo, juro. e complementa bem com a terceira parte de Family, acho essa sequência perfeita demais.
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logo depois do volta, a bjork infelizmente teve que fazer uma cirurgia de remoção das suas cordas vocais, e consequente, ela teve que passar um tempo em silêncio, período esse que é documentado na música Mouth Mantra. eu gosto de pensar que essa musica é meio que o oposto de Pluto, no instrumental e na letra, porque toda a atmosfera envolta dela é de implosão, compressão para um lugar denso e sombrio de silêncio. “Em voto de silêncio, exploro o espaço negativo ao redor da minha boca. Ele implode, um buraco negro.”. e destaco denovo a versão live dessa, que nossa, vira um batidão muito foda, tão bom que encerra o album ao vivo, eu amo.

clipes que aterrorizam
“Define her abyss, show it respect.” eu iniciei a review desse album contando a história que acompanhei e vivenciei com minha mãe durante e depois desse momento complicado, e não tinha jeito mais especial de encerrar essa obra prima sem que bjork citasse sua mãe (um tema que ainda será muito bem trabalhado no Fossora). primeiro que eu já muito especial ela ter escolhido Quicksand, que foi uma mśuica feita antes do processo de construção do Vulnicura, para encerrar ele. e assim, falando sobre sua mãe, a cantora também fala sobre sua filha, e a filha da sua filha. sua continuidade. “And if she sinks. I’m going down with her”. eu estive do lado da minha mãe esse tempo todo de cura dela, e, como eu disse, fomos nos curando juntos. hoje em dia considero que o laço que tenho com minha mãe é a coisa mais preciosa em relação a outra pessoa do mundo inteiro, ainda que não moro mais em casa, eu posso sentir que ela está comigo, está guardando por mim, e eu por ela. “Our mother’s philosophy. It feels like quicksand”.
ela fez essa música quando a mãe dela ficou doente, ou algo assim, então faz muito sentido toda a reflexão sobre a areia, e a continuidade do tempo, sobre se afundar no chão, e se agarrar nas mãos dela para sobreviver, salvando-a. é muito mágico pra mim como o instrumental eletrônico transmite a vibe de areia mesmo, chacoalhando e dançando. é uma música muito dançante, mas sem sair do lugar sabe, você se move parado kkk muito difícil de explicar. mas enfim, musica perfeita, eu amo demais, e dá super um gostinho do que iriamos ver no próximo album, excepcionalmente nos versos finais: “We are the siblings of the sun. Let’s step into this beam”, lindo, lindo, lindo.
veredito final: pra mim é o album com as melhores letras dela. ele é muito grande, mas passa que você nem percebe, de tão imerso que a pessoa fica por conta das melodias e da composição como um todo. é um album de sentir emoção mesmo, impossível não se identificar minimamente, se você prestar atenção. ainda que as últimas músicas já representem um tanto o processo de cura da ferida, a cura de fato, não vem nele. essas ainda serão coisas tratadas nos dois pŕoximos albuns, por que é isso mesmo. uma relação dessas demora para você conseguir se resolver por completo (se é que se resolve).
mas eu sei de uma coisa: hoje em dia me trás muita felicidade de observar minha mãe curtindo a vida, e amadurecendo de fato. hoje vejo ela mais independente, hoje vejo que ela se ama muito mais, eo amor dela por nós (eu e meus irmãos) é muito maior do que a dor que passou. meus pais, apesar de separados (e mesmo que não se falem sempre), se respeitam. é isso que importa pra mim, que sejam felizes por eles mesmos. eu amo isso. ainda que minha família não seja mais como antes, eu ainda os amo do mesmo jeito.
tenho os meus proprios arrependimentos e conflitos internos sobre todas as relações amorosas que tive, mas eu decididamente, me vejo hoje priorizando aquilo que sempre vai apaziguar meu coração. e escutar essa discografia se encaixa muito bem aqui. então, obrigado bjork por esse documentário pessoal.
destaques do album: (1) quicksand (live) (2) history of touches (3) family (live)
nota do album: ★★★★★ (5 estrelas, obra prima, humana)
utopia

eu aaaamo essa capa, uma das melhores dela, resume bem toda a atmosfera desse album
(jun/out 2025) sim… eu demorei muito nesse ponto da discografia kkkkk por desencargo de consciência, eu também muito dos outros álbuns dela durante esse período, curtindo eles de fato (e também para aproveitar enquanto eu me aproximava cada vez mais do décimo e último [até então] album da bjork). esse tempo de respiro foi muito necessário pra mim, e para a pŕopria artista.
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na minha visão, o utopia vem como um um respiro da natureza (e do coração de bjork), carregado de vida e emoção. depois de um trabalho tão profundo e documental, onde muitas coisas foram ditas, ela precisava mesmo redirecionar a sua direção pessoal a outro lugar, um lugar compartilhado com a Arca. também vejo esse como um dos álbuns mais imersivos que já escutei, e muito disso dessa linda colaboração entre as duas lendas (minhas mães vei). um dia ainda vou fazer uma experiência de escutar todos os álbuns da arca também, eu tenho fé! mas voltando para essa review…
esse sopro da natureza já vem arrebatando tudo pela frente com a faixa Arisen My Senses, uma música que, pelo que entendi, era da Arca, mas a bjork gostou tanto dela que acabou ganhando ela de presente. e não como escolher outra faixa para estar no top desse album sem considerar essa abertura. é um soco de vitalidade, um relâmpago de luz, uma súplica épica por conexão, por surpresa, pela paixão em si. considera essa como a mais poderosa no sentido de punch, e ouvir de fones de ouvido assim no talo, é capaz até de arrepiar. a letra aqui fala muito bem e singelamente sobre esse pedido inerente exprimido no título, “Desperte os meus sentidos!”, e eu amo quando ela fala “WWW”, acho muito fofo mesmo. é uma música auto-libertadora, e solar, sumariamente, e eu queria muito escutar essa ao vivo (digo, em carne e osso kkk), deve ser a coisa mais transformadora.

clipe da carreira, e digo mais
em sequência temos então Blissing Me, a faixa que é complementar a Cocoon, do vespertine, inclusive adoro escutar elas duas uma atrás da outra. o tema da faixa de abertura é essa bomba de liberdade, e vamos para o íntimo dela durante esse período, uma mulher que ama música, uma mulher que ama se apaixonar pela música, e que ama o amor. tudo nessa fala sobre amor, sobre gentileza, paixão e descoberta. acho muito engraçado que assim, eu escutei essa musica meio fora da ordem correta… estava conversando com meu ex em um certo dia, e ele me mandou essa, meio que para me mostrar o quanto aquela música falava sobre nós: dois nerds conversando sobre música. eu quase chorei quando escutei essa pela primeira vez kkkk. só depois descobri que esse album, segundo a cantora, era o seu “album tinder” (e eu conheci esse meu ex no tinder kkkk), e agora não paro de pensar que não há melhor termo para descrever essa experiência se não essa.
tudo aqui me trás aquele ardor, aquele quentinho que dá no peito quando estamos conhecendo pessoas novas, pessoas que se parecem tanto conosco. e então conversamos e conversamos por horas, trocamos vivências, trocamos promessas, histórias, e músicas também. tudo em um instante que sabemos se tratar de apenas um instante, mas que é tão bom, tão bom, que nos traz paixão pelo sentimento em si, pela musica, e pela experiência. recomendo muito você escutar a versão em harpa dessa, que nossa… é capaz de fazer chorar, de tãao lindo. “Did I just fall in love with love?”
eu tenho algumas questões com esse álbum. apesar de concordar que ele é, sim, muito imersivo, e tem as produções talvez mais experimentalmente consistentes desde o Medúlla, em certo ponto, as melodias para mim acabam soando muito parecidas, de modo que eu quase não consigo perceber as individualidades de algumas faixas, principalmente após a metade do álbum. por conta disso, pra mim, depois de ouvir durante um tempo, as últimas musicas meio que viram uma coisa só, e uma coisa longa demais. pra mim, isso, no geral, acaba me afastando de ouvir o album por completo as vezes, sempre me sinto cansado antes de chegar a última faixa. e isso não culpa de nenhuma pessoa fora a mim mesmo, é algo que sinto em particular, que algumas faixas, em especial Features Creatures, Courtship, Losss, Tabula Rasa e Claimstalker, quase se fundem de tão parecidas melodicamente. eu preciso realmente tirar um tempo para escutar, no sentido de me concentrar e focar no que estou ouvindo, por isso foram poucas vezes que ouvi esse album por completo.
e esse teor melódico é algo que percebo até mesmo na faixa The Gate e Utopia (primeira faixa título da carreira dela), são duas músicas que eu aprecio muito as produções, os sons da natureza pulsantes e os cantos quase etéreos e mágicos dos pássaros, mas não sei, as melodias não me saltam tanto aos ouvidos. diferente do que acontece em Body Memory, que é umas das minhas favoritas aqui.
essa é meio que a antítese de Black Lake, uma viagem interior de autodescoberta e selvageria pessoal, uma tensão misteriosa no ar, é uma faixa que me lembra o tom exploratório de Isobel só que mais sombrio, ritualístico, mais épico e cruel. eu amo quando entra os sons distorcidos de um rugido ou rosnado animalesco, nossa, dá muito a vibe de algo selvagem, e isso vai guiando você até o fim de forma que você nem percebe a longitude da faixa no tempo. e entra um coral magnético depois que só vai deixando as coisas mais densas, é tipo a mistura do natural do Biophilia, do violento do Volta, da energia do Medúlla sob a produção magistral do Vulnicura. super destaque.
esse clipe me da angustia
mesmo que eu não goste tanto do final do álbum (acho que tem o mesmo problema do final do post, não é um final muito impactante, ou sla, de muito destaque para mim), separadamente são uma trilogia muito bela. concordo com o licentrismo quando ele fala que Saint lembra muito undo, e future forever acho muito fofa também, é bem esperançosa, mas acho que prefereria que não fosse a última faixa. se pá, saint fecharia ainda melhor (encerramendo com ópera linda do final da música). enfim, pra um álbum que eu considero longo, eu queria que o final fosse realmente algo muito foda, e que valesse a pena esperar, mas eu entendo também que há muita beleza durante essa jornada solar da bjork, seus sentimentos quentes e vibrantes, à flor da pele.
destaques do album: (1) arisen my senses (2) blissing me (3) body memory
nota do album: ★★★⯪☆ (3.5 estrelas, experiência imersiva e um tanto prolongada)
fossora

outra capa tão linda quanto a anterior
(nov/dez 2025) é meus amores… esse momento tinha que chegar :/, o último trabalho de bjork lançado até então. seu décimo álbum, que é, pra mim, um de seus melhores, mais divertidos e emocionantes. antes de começar, gostaria de celebrar o quão linda e transformadora foi essa jornada pra mim durante o ano, escutando e escrevendo sobre cada álbum, cada música, cada momento compartilhado com meu fone de ouvido. ouvir bjork mudou minha vida e minha maneira de pensar, e eu sou extremamente grato por isso. obrigado!!!
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se eu pudesse resumir o fossora em apenas 3 palavras, estas seriam: maternidade, amor e, claro, fungos (mas não qualquer fungo). aqui não estamos falando exatamente sobre essa curiosa e colossalmente complexa forma de vida subterrânea, que se entrelaça por debaixo do mundo usando milhares e milhares de conexões físicas e sensoriais das quais se passam todos os tipos de dados e informações. aqui estamos falando sobre os fungos que estão presentes em todos nós, e cavando profundamente atrás deles encontramos nosso íntimo. nossas histórias, nossas lembranças, nossas conexões. puramente encontramos amor e esperança, e uma outra infinidade de coisas que podem estar conectadas abaixo de nossos pés. cavamos fundo até percebermos que, de fato, “abaixo da terra cresce algo monumental”.
certa vez, alguém se referiu a mim como “mofo de pão”, e isso ficou/está grudado na minha cabeça durante um bom tempo, matutando e matutando o que poderia significar pra mim, ser um “mofo de pão”. embora não tenha encontrado essa resposta ainda, eu continuo cavando, e acho que… tem tantas outras coisas legais para se achar lá dentro, que isso meio que deixa de importar tanto. aos fungos, retornaremos, enquanto isso só aproveito a jornada.
já vou logo tirando o elefante da sala, e dizendo que eu desgosto muito da ordem escolhida para as músicas desse album. e tipo, eu acho as mśuicas PERFEITAS, mas não sei, ficam meio desconexas do jeito que estão lá. na minha (humilde) opinião, as primeiras faixas deveriam ser todas meio na vibe fungal, pra seguir na sequencia de Atopos (que acho uma ótima faixa de entrada; eu não gosto muito de Ovule também, então seria bom se ela viesse um pouco depois. e outra, as faixas talvez mais emocionais do album, Sorrowful Soil e Ancestress já vem logo no começo também, o que eu não aprecio muito. acho que elas crescem bastante depois que você já está meio que imerso no universo do Fossora, e na temática de fungos, mais lá para o arco final. tirando isso, que é basicamente minha única critica, eu amo todas as faixas desse album, e até organizei uma playlist de como eu queria que fosse a ordem (playlist essa que vou seguir durante a escrita dessa review hehe).
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como adiantei antes, acho Atopos o começo perfeito para o album. essa era a única que eu meio que já tinha ouvido o beat anteriormente, e fiquei muito ansioso para escutar toda a completude da mśuica pela primeira vez. nessa ocasião, eu também estava em uma viagem de carro, e lembro que denovo kkk não consegui segurar o sorriso. é uma faixa explosiva, confusa, dançante e sumariamente divertida. eu literalmente fico igual ela no clipe, pulando e balançando as mãos (muito fofinha veY). e pra mim o aspecto de confusão é justamente o que me trás a ambientação de “fungos”. a mśuica vai numa crescente desenfreada assim como eu imagino a rede de micélios crescendo debaixo da terra, e depois todos aqueles seres dançam e comemoram a conexão, de um jeito estranho, mas amável. e essa música é perfeitamente seguida por Victimhood e Fungal City.

ai que fofinha
penso que, se a faixa inicial é essa explosão de emoções, como foi em Hidden Place, Victimhood serviria perfeitamente como a Cocoon desse álbum. uma faixa mais “lenta”, digamos assim, mais introspectiva, e no entanto, nem um pouco contida. essa faixa é tão sombria quanto An Echo, A Stain, então seria como uma irmã sombria e estranha de Cocoon. eu aaamo demais a produção que vai guiando os ouvidos pacientemente até a festa do final, e você só é levado por aquele chamado místico, muito loko.
e depois dela, Fungal City seria a It’s Not Up To You desse album. uma faixa apaixonante que fala do amor como uma cidade de conexões interior a ela, e todos os indivíduos pulsam de felicidade pela paixão. eu amo o refrão dessa, nossa, me faz querer gritarrr. “His capacity for love is enormous!”, muito foda. e a produção também vai guiando você, os violinos que entram, e depois aquela quebra digital do nada perto do segundo refrão, que dá um susto em você, mas está lá pra te puxar completamente pra cidade fungal. a cidade, o coração dela, pulsando de felicidade. lindo de se ver, de se ouvir. e a sequencia de introdução do album finalizaria com Myscelia, que é meio que a transição de boas vindas do Fossora, meio que a Frosti daqui (junto com o poema de Fagurt Er í Fjörðum, outra transição mistica de palavras). acho muito fofinha essa faixa de transição, e ela te convida para as outras temáticas do album, mais e mais profundamente enterradas.
tipo assim er.. não é que eu não goste totalmente de Ovule, é só que ela, pra mim, é a que menos se destaca dentro do álbum, e acho que estar tão perto do começo acabou me afastando ainda mais de apreciá-la. acho que ela sendo um hino (que fala sobre amor) de introdução pra parte do meio do album faz mais sentido, levando em consideração também que combina com outras musicas em serem parecidas com projetos antigos da bjork (Allow sendo uma faixa descartada do utopia, e Sorrowful Soil me lembra muito o medúlla). então juntar elas pra mim criou uma transição até que boa, é meio que um respiro muito agradável, e que nos prepara bem para as fortes emoções das duas próximas músicas.

é uma deusa mds
é mãe, eu nem consigo imaginar o quão profunda foi a tristeza no coração de bjork ao perder a sua mãe.. esse par de músicas, Sorrowful Soil e Ancestress talvez sejam as mais emocionais de bjork desde o Vulnicura. é até um pouco dificil de escrever sobre elas as escutando (algo que eu fiz durante toda essa review), porque é impossivel não prestar atenção nos sentimentos, na dor expressa pela melodia. ambas, escritas depois que a mãe de bjork faleceu, refletem quase que visceralmente o luto continuo, e a convivência com a dor, além de também serem hinos de passagem. Sorrowful Soil dá um embrulho na barriga, não sei descrever bem. mas tem alguma coisa nessa melodia que sla, me transporta para um lugar de terra molhada, um lugar chuvoso, de enterro, escuro mas acolhedor, tal qual deve ser um túmulo de uma mãe. “Você fez bem, você deu o seu melhor”, é engraçado pensar o quão essa linha parece uma fala dita por minha mãe, para mim. sempre fui muito desacreditado das coisas que podia fazer, mas minha mãe estava lá por mim, para crer em mim. foi isso que me tornou especial, e é isso que bjork exclama para sua mãe, no meio das lágrimas da chuva. lindo demais.

clipe lindooo
e já que estamos banhados de lágrimas… Ancestress é uma carta pessoal da cantora para sua falecida mãe, uma carta que nunca será lida. certa vez, eu fui comentar com minha amiga sobre as temáticas do album, e também sobre como eu estava me sentindo mais emocional ultimamente, e o quanto as músicas do fossora dedicadas à maternidade estavam tocando em mim (falarei sobre minha favorita lá no final..). falei com ela sobre imaginar as raízes profundas da ancestralidade, e como, mesmo depois de mortas, as matérias orgânicas mantém vivas toda a comunidade. logo depois disso, subimos juntos no ônibus, e eu coloquei meus fones de ouvido novamente para escutar Ancestress, e manas… eu chorei nesse ônibus igual um bebê. a produção dessa é uma das mais primorosas, adoro os detalhes dos sons de relógio quando ela está falando de tempo, dos sinos de igreja, ou o quão rica e complexa ela vai se tornando à medida em que a carta é escrita. minha parte favorita da letra (foi nesse momento que eu comecei a chorar) é “Você vê com seus próprios olhos, mas ouve pelos de sua mãe. Há um medo de ser absorvido, oh, pelo outro.”, cara essa é uma das mais lindas de todas da bjork, de verdade. ela é sinceridade à flor da pele, e energia da vida colocada sobre a morte, sobre o amor puro de uma mãe por sua mãe, de uma reciprocidade tão harmônica quanto o círculo de vida natural. meu deus, to chorando dnv..

épico
e voltamos a temática de amor de Fungal City, Ovule e Allow com Freefall (que também acho ser a transição perfeita para a parte final do album). o sentimento que fica ao ouvir ela é de uma esperança de amor, na verdade. como se você estivesse entrando e entrando dentro de uma caverna úmida e escura, sendo guiado unicamente por um feixe de luz lá no fundo. e quando você chega ao final, a música faz uma transição (muito parecida com a de Family), para algo desconhecido e curioso, que vai crescendo cada vez mais na sua frente, sem parar. esse instrumental do final da mśuica é até amedrontador um pouco, meio que um mal presságio, mas que leva justamente ao centro do coração fungal, e também ao fim do fossora, e da nossa jornada.
e é com a festa dos fungos que encerramos esse grande projeto. Trölla‐Gabba é a musica de introdução perfeita para a faixa título, e dá super para imaginar, ouvindo, alguém entrando e entrando cada vez mais na terra. os murmúrios, as batidas, os gemidos, toda a força da natureza gritando e esperneando na sua cara. e logo depois vamos para a minha faixa favorita, aquela que também é pra mim uma das melhores da carreira: Fossora, a escavadora. como é bommmm ver bjork se divertindo pra valer novamente! essa musica é um hino, uma festa sem fim. “Por milhões de anos estivemos expelindo os nossos esporos”, FOOOOO-SSOOOORA! é um hino dos fungos literalmente! e os clarinetes, o instrumental, o batidão do final, meu deuss. que fritação maluca e doida, isso aqui é o ápice dos batidoes de bjork, chega em um ponto de imersão tão grande que dá pra sentir cada micélio pulsando e brilhando, crescendo ao redor do mundo, invisível aos olhos, monumental no subterrâneo; um crescimento que não para por nada. Fossora… fossora.. fossora… e então percebemos que não há limite para a nossa profundidade, e não há limite para o tudo que é conectado. Fossora… fossora.. fossora… que penetram o concreto e o plástico, o artificial que é subjulgado pela natureza que existe lá dentro; a natureza que uma hora triunfará. “Embora o solo esteja queimado, debaixo da terra cresce algo MOMUMENTAL!”. É DE ARREPIAR.

ela toda fofa se divertindo
e finalizamos o album com mais uma musica emocionante sobre maternidade. vou tentar escrever o que sinto sem me prender a nenhum sentido kkk mas as três palavras que resumi o album: maternidade, amor e fungos, também resumem perfeitamente Her Mother’s House. vamos lá… esse ano de 2025 também foi um marco para mim porque, pela primeira vez, estou morando longe de minha família, longe de minha mãe (e isso está se mostrando cada vez mais impactante na minha vida). essa musica, para mim, fala sobre filhos que saem de casa. você cuida deles para que eles fiquem fortes e possam se proteger sozinhos, você os ama até o ponto em que eles possam ter liberdade suficiente para viverem as próprias vidas. “Quanto mais eu te amo, mais forte você fica, e menos você precisa de mim…”, eu acho essa letra fenomenal, sem falar do instrumental que já passa toda ambientação de uma despedida. “A casa de uma mãe que tem um quarto para cada filho, só demonstra o quanto ela ama cada um à sua maneira”. particularmente, eu nunca tive um quarto só meu na minha casa, sempre dividi com meus irmãos, e ainda assim, consigo o amor individual de minha mãe por cada um de nós. eu divido muitas histórias com minha mãe, e nossa… só de ouvir essa musica me faz querer chorar de pensar em como deve ser se sentir assim… ainda mais no final da mśuica, quando ela fala: “Desfaça, desfaça, defaça… Os quatros espaços… Desfaça, desfaça, desfaça… do coração dela”. MEU DEUS QUE COISA LINDA.
não vou me estender mais tanto, só tenho a dizer que nossa, que benção foi chegar a esse album e ainda ser surpreendido de todas as maneiras possíveis! fossora eu te amo!!!!!
destaques do album: (1) fossora (2) her mother’s house (3) ancestress
nota do album: ★★★★⯪ (4.5 estrelas, e só não é 5 por conta da ordem original!)
considerações finais

essa foi eu que tirei!!!
bom… já foi um looongo texto sobre a discografia toda kkk então vou tentar ser breve aqui, e redizer que essa experiência mudou a minha vida e a forma como eu escuto música, hoje em dia eu sou uma pessoa diferente da que eu era ano passado, e de maneira semelhante também são os meus gostos musicais. ouvir bjork abriu os meus sentidos e as minhas vontades em conhecer coisas novas, não simplesmente ouvir de uma vez, sem digerir. eu sei que muitas pessoas tem vários pés atrás quando se trata dessa discografia, mas se você dispõe de alma, eu posso garantir que só vai te trazer bons frutos.
no mais, sou MUITO GRATO por esses albuns existirem, e tão igualmente grato também a todas as pessoas (acho que uma ou duas), que me recomendaram, hoje sou eu que recomendo kkk fora isso, animadíssimo para saber o que nos espera no b11 (já estão correndo varios rumores), e eu até montei uma playlist do que eu acho que possa ser.
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e MUITO OBRIGADO também a você leitor, por ter chegado até aqui! eu espero que você tenha gostado das reviews! e é isso, até a próxima discografia, byeeee…
메타데이터
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