Assento 1D
Os voos que eu frequento são Recife > São Paulo e São Paulo > Recife. Há dias em que o voo demora 3 horas e 10 minutos e outros que duram…

Assento 1D
Os voos que eu frequento são Recife > São Paulo e São Paulo > Recife. Há dias em que o voo demora 3 horas e 10 minutos e outros que duram apenas 2 horas e meia. Dizem que esse é o famoso vento de cauda. O tal do vento acelera as coisas, assim como o tempo voa.
Normalmente eu paro para refletir sobre vários aspectos, sejam eles pessoais ou profissionais. Durante os últimos voos, eu me perdi no tempo pensando em uma pessoa, e o ato de escrever, por mais que às vezes eu me sinta triste, me faz bem. Confesso que escrever no avião, utilizando uma película de privacidade no meu notebook, é interessante. As pessoas ao meu redor olham, se contorcem e ficam curiosas. Afinal, quão comum é ver um homem escrevendo, ainda mais dentro de um avião? Nunca tive vergonha de expor meus sentimentos.
Entre uma resposta e outra no WhatsApp sobre uma reunião de hoje à tarde, volto para a escrita e escuto a famosa frase: “Bolinho e Bala? Suco de Caju ou Suco de Uva?”. Sim, essa é a autêntica refeição nas companhias aéreas atualmente. Se der sorte, você recebe um amendoim japonês e só faltaria uma cerveja para completar a harmonização.
Optei por um bolo de laranja, macio, doce e certamente nada saudável. Mas ele me trará memórias. Memórias que talvez me façam querer lembrar ou esquecer que, um dia, eu estava voltando para Recife enquanto a pessoa que eu queria por perto se distanciava geograficamente cada vez mais.
Eu costumo me perguntar: a vida é realmente uma simulação? O que há do lado de lá? Por que eu penso tanto? Eu nunca fui assim. Eu nunca escrevi. Talvez o seu sorriso tenha ficado impregnado na minha mente e nem uma borracha Faber-Castell seria capaz de apagá-lo. Eu disse “talvez” porque não sei. Hoje não consigo fazer nenhuma leitura do futuro nesse aspecto, embora tenha as minhas preferências.
Estar no avião faz você dormir (não é o meu caso), refletir, pensar, sorrir e chorar. Já vi algumas pessoas chorando no avião e imagino que seja por inúmeras razões: ansiedade, felicidade, luto ou até mesmo saudade.
Eu amo falar de saudade, principalmente porque acredito que seja um dos sentimentos mais honestos que existem. É fácil de mensurar. Se um dia você disser que está com saudade de alguém, certamente estará falando a verdade. Ninguém diz isso da boca para fora. É um sentimento forte e que, às vezes, soa até como “bobo”.
A saudade parece estar presente em todos os passageiros do avião. Todo mundo voltando para casa, para suas famílias, ou se distanciando delas. Isso nos dá a impressão de que a saudade vem e vai. Ela vem ao nosso encontro e depois vai embora.
E, se tem algo gostoso nessa vida, é a tal da “matar a saudade”. Talvez seja por isso que gosto tanto de voar. Não é pela viagem. É porque, durante algumas horas, somos obrigados a pensar em quem estamos deixando para trás e em quem esperamos encontrar quando o avião pousar.
메타데이터
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