A Seita mais perigosa da Coreia do Sul!
O caso das “Esposas de Deus” da Coreia do Sul virou documentário na Netflix!
A Seita mais perigosa da Coreia do Sul!
O caso das “Esposas de Deus” da Coreia do Sul virou documentário na Netflix!
Seitas existem em todos os lugares, ficamos sabendo de várias no Brasil nos últimos anos, mas acreditem em mim, não é apenas aqui que essas coisas acontecem! Com o aumento do uso das redes sociais, vocês já devem ter visto muitos estrangeiros que residem na Coreia do Sul comentarem em vídeos no Youtube, TikTok e até nos Reels do Instagram sobre alguma seita coreana, sempre avisando para não acreditarem em coreanos que se aproximam com muita simpatia de você falando em Inglês, porque os coreanos, no geral, não são assim, então, que tal falarmos sobre uma dessas seitas?
Eu estava assistindo o canal de lives do Mount enquanto jogava The Sims 4 e me deparei com um vídeo onde ele reagia ao Danilo, também conhecido como Dan, dono do canal do Youtube chamado K-Dan, ele fala bastante sobre o mundo do K-Pop e de doramas, mas ele tem um quadro em seu canal chamado Ásia Investigação, onde ele conta casos que ocorrem na Coreia do Sul, um dos casos que ele conta é o caso bizarro das “Esposas de Deus”, um culto considerado o mais perigoso da Coreia do Sul, e é pelo vídeo dele que irei me basear nesse texto.
Seitas parecem ser um problema muito recorrente para os sul-coreanos, ao ponto que até estrangeiros são puxados para dentro delas sem saber, se você procurar por seitas sul-coreanas na internet, aparecem várias para você escolher sobre qual gostaria de ouvir falar primeiro, mas o que mais chocou a Coreia do Sul foi um documentário produzido pela Netflix com o nome In the Name of God: A Holy Betrayal e tem até membro de k-pop que tomou na jabiraca por causa disso.
Vamos começar esclarecendo uma coisa: In the Name of God é um documentário que não fala apenas da seita onde as “Esposas de Deus” estavam inseridas, mas sim, sobre uma quantidade considerável de seitas em geral que existem na Coreia do Sul, mas a mais famosa, a maior e a que ganhou mais destaque na série foi a JMS, que recebeu três episódios apenas contando sobre ela. Antes de tudo, quero deixar meu ALERTA máximo porque fala sobre tópicos sensíveis como estupro, se você seguir a partir daqui, é por sua conta e risco!
A JMS tinha seguidores mundialmente, não apenas na Coreia do Sul, tanto que o nome da seita em outros lugares é Christian Gospel Mission, ela ainda está de pé e é gigantesca na Coreia do Sul, onde participam não apenas as pessoas comuns, mas também as pessoas da grande mídia e do entretenimento como ídolos de K-Pop.
A história começa com um homem chamado Jung Myung-seok, ele nasceu em Março de 1945, atualmente com 78 anos de idade, o ano do seu nascimento foi marcado na história da Coreia porque foi quando as tropas japonesas finalmente deixaram a Coreia do Sul de forma oficial, fazendo assim com que o país se libertasse do domínio japonês, essa época foi difícil para o país porque muitas pessoas estavam vivendo na extrema pobreza e pro Jung Myung-Seok não foi diferente, afinal, ele foi o terceiro de seis filhos da família com condições precárias de vida, em uma época que, para frequentar o Ensino Médio e a faculdade, precisava desembolsar uma quantia enorme de dinheiro, pois naquela época não existiam faculdades e escolas públicas.
Jung Myung-Seok passou muita dificuldade dentro da escola pois sofreu com violência escolar, que é um dos maiores problemas sofridos, não apenas dentro da Coreia do Sul, mas na Ásia em geral, por isso, o único conforto que ele encontrava para esse sofrimento era a fé, ele frequentava algumas igrejas que ficavam localizadas próximo a sua residência, foi quando começou a dar início a missão dele, indo para as montanhas frequentemente para orar e Jung Myung-Seok dizia que chegou a ler a Bíblia, pelo menos, duas mil vezes nessa época.
Já nos anos 70, Jung Myung-Seok se muda para Seul e trabalha para algumas igrejas que ficavam na volta até criar a sua própria igreja em 1978, porém, ela foi dissolvida pela congregação por não concordar com as práticas dele, achando que ele estava cometendo heresia, porém, a vida de Jung Myung-Seok muda drasticamente nos anos 80.
Como Dan relata em seu vídeo, uma coisa importante de ser contextualizada é o momento histórico que a Coreia do Sul estava passando naquela época, porque nos anos 70 até o final dos anos 80, o país passou por uma ditadura militar, um período sombrio na história, por causa disso, Jung Myung-Seok se aproveitou desse momento porque, na época, existiam vários movimentos estudantis que se colocavam na linha de frente para protestar contra a ditadura, mas também existiam movimentos que usavam a religião para as pessoas encontrarem a paz através da oração e da pregação para conseguir atravessar esse momento perturbador, por esse motivo, Jung Myung-Seok foi até a universidade da Coreia do Sul, bastante prestigiada com alunos que faziam parte da elite, e convenceu um dos alunos através da sua lábia, mencionando a situação difícil da Coreia do Sul, e falando que eles deveriam se juntar para se encontrarem dentro da oração.
Ao conseguir convencê-lo, esse aluno convenceu outro aluno da universidade, que convenceu outro aluno de outra universidade e assim foi indo até que Jung Myung-Seok conseguiu cinco membros, o mínimo necessário para fundar uma igreja, foi assim que ele conseguiu fundar a primeira igreja oficial dele em 1980, nesse momento, eles começaram a recrutar estudantes universitários, então 90% das pessoas que frequentavam a igreja JMS naquela época, eram pessoas jovens entre vinte e poucos anos até, no máximo, trinta anos de idade.
Jung Myung-Seok conseguiu levar essas pessoas para dentro da JMS através do discurso que ele pregava, atraindo os jovens ao falar sobre os problemas que ocorriam no país, algo que não era falado ou visto nas outras igrejas por serem controladas pelo governo, então ele falava sobre lutar contra a ditadura militar do país, além de tópicos atuais da juventude. A JMS era uma igreja bastante convidativa já que tinha líderes de torcida, dança, música, partidas de futebol e isso atraía as pessoas aos poucos.
Jung Myung-Seok estava começando a ser visto como um Deus, pois fazia várias previsões, um exemplo disso é que quando a JMS foi fundada com os cinco membros iniciais, ele falou que ia nevar naquele dia e isso realmente aconteceu, ele também previa sobre as eleições presidenciais da Coreia do Sul, falando qual candidato ficaria em primeiro lugar e qual ficaria em segundo, em uma das eleições presidenciais, ele adivinhou exatamente a posição de cada um dos candidatos.
Um ocorrido que chamou atenção foi quando uma mulher foi até Jung Myung-Seok falando sobre a sua mãe que estava com câncer terminal e foi desenganada pelos médicos, ele falou para a mulher não se preocupar, pois a mãe dela não morreria, e, de fato, a mãe da mulher sobreviveu.
Entrando no outro lado da história, o nome da igreja ser JMS tem a ver com as iniciais do nome Jung Myung-Seok, o nome dele, além disso, ele falava muito sobre ser um enviado de Deus, o novo Messias, criando uma conta matemática para explicar isso, era algo recorrente na JMS usar a ciência para convencer os jovens das principais universidades. Eles interpretavam a Bíblia Sagrada de um jeito metafórico, inclusive, Jung Myung-Seok falava que não acreditava na ressurreição de Jesus Cristo, dizendo que depois de ser morto, Jesus reencarnaria com o seu espírito no corpo de outra pessoa com os mesmos ideais que Jesus tinha, um pouco parecido com o que ouvimos sobre reencarnação pregado pela doutrina espírita, o que diverge do Espiritismo é que Jung Myung-Seok dizia que ele era o grande escolhido, fazendo uma conta matemática que resultava em 1945, segundo Jung Myung-Seok, isso significava que o Messias seria escolhido entre as pessoas nascidas entre 1945 e 1946, calculando o ano da Segunda Vinda de Cristo, era quando ele dizia que a profecia era sobre ele por ter nascido em 1945, isso fazia as pessoas acreditarem que o senhor delas não era Jesus Cristo, e sim Jung Myung-Seok.
Já que estamos falando de pessoas que acreditavam nele, os seguidores faziam de tudo por Jung Myung-Seok, ao ponto de arrecadarem fundos para ajudar ele no início da formação da igreja, vendendo amendoim na rua para conseguir doações das pessoas, foi quando Jung Myung-Seok conseguiu comprar uma Mercedes-Benz com o dinheiro dos seus seguidores nos anos 80, quando a Coreia do Sul estava passando por uma ditadura militar e a população estavam se ferrando, o país fechado para o resto do mundo.
Nos anos 90, a igreja JMS estava no auge com mais de 30 mil membros por toda a Coreia do Sul, foi quando Jung Myung-Seok recrutou muitas mulheres para participarem e serem suas seguidoras, grande parte dessas mulheres eram muito jovens, e tinham 1,70m de altura, pois Jung Myung-Seok se sentia atraído por mulheres altas, inclusive, muitos depoimentos de mulheres foram dados no documentário, uma delas chegou a mencionar que durante as férias de inverno nos anos 90, ela estava conversando com uma amiga no parque e um homem apareceu falando da igreja, dizendo que era um bom lugar e que tinha um grande profeta que tinha muito conhecimento sobre Jesus, e que elas iam gostar de conhecê-lo, elas foram até a igreja, localizada no segundo andar de um prédio e todos foram muito simpáticos e inteligentes, pareciam que se preocupavam muito com o próximo, a maioria eram universitários, o que fez essa mulher pensar que era normal, até que um dia, ela foi em um evento da JMS onde viu as moças usando roupas como líderes de torcida, elas eram muito altas e pareciam modelos, isso fez a mulher achar tudo muito legal, depois, uma pessoa que já fazia parte da igreja contou para a mulher que Jung Myung-Seok estava interessado em conhecê-la e queria ter um encontro pessoal com ela, o que deixou a moça animada, afinal, era uma honra conhecer o Messias, pois nem todas as pessoas tinham esse “privilégio”.
A mulher que deu esse depoimento disse que queria se encontrar com ele porque queria pedir um conselho, afinal, ela queria participar do Miss Coreia, então a pergunta seria sobre ela participar ou não do concurso, porque muitas pessoas falavam para ela que essa não era uma boa ideia e que deveria pedir permissão para o Jung Myung-Seok. Quando ela chegou na sala privada onde estava marcado o encontro, ele pediu para ela dar uma volta para olhar o corpo dela, em seguida, pedindo para ela retirar a roupa, até então, a mulher estava achando normal, pois achava que ele precisava olhar para o corpo dela para saber se era uma boa ideia entrar no concurso, mas depois disso, ele abusou da mulher e falou que ela não devia entrar no Miss Coreia, pois se isso acontecesse, os homens tentariam “comê-la”.
Essa história é a mesma de muitas outras mulheres que ficaram conhecidas como “As Esposas de Deus”, que eram as esposas de Jung Myung-Seok, um nome considerado carinhoso por ele para elas significando que, naquele momento, ele era o dono delas, as mulheres eram proibidas de casar, e se ficassem com outro homem, ele as aterrorizava falando que isso significava traição e elas iriam para o inferno, se elas engravidassem de outro, o bebê nasceria deformado, assim, elas se tornavam propriedade de Jung Myung-Seok através da manipulação.
Jung Myung-Seok dizia para as pessoas de fora da igreja que essas mulheres eram as repórteres da JMS buscando informações em várias igrejas espalhadas pelo país para relatar a ele, ninguém desconfiava de nada. Já essas mulheres se mantinham ao lado dele por medo, e algumas se mantinham por causa dos benefícios que ele fornecia a elas dentro da igreja, pois elas podiam ganhar muito dinheiro e se tornar pastoras, porém, a consequência disso tudo era o abuso e ser obrigada a participar dos crimes dele, porque as mulheres ficavam responsáveis pelo aliciamento dos jovens e isso as comprometiam, então elas não tinham como denunciar para a polícia, pois também tinham participação, já que ele transformava as vítimas em criminosas.
A maioria desses crimes aconteciam em Dalbak-gol, que atualmente é conhecido como Wolmyeong-dong, diziam ser o local de nascimento do Jung Myung-Seok, localizado no meio das montanhas, era considerado uma Jerusalém para os seguidores da JMS, a transformando em um santuário, onde centenas de mulheres moravam em um prédio que era um contêiner naval que tinha dois andares, essas mulheres viviam em péssimas condições.
Algo que também acontecia é que ele participava de vários festivais que ocorriam na JMS, é contado pelo Dan que haviam festivais de futebol onde ele chegou a fazer 1200 gols, pois as pessoas tinham medo de deixá-lo perder, por isso, ele magicamente fazia seus gols enquanto as líderes de torcida estavam animadas com a presença dele, depois, ele as levava para um banheiro e tinha relações sexuais com cada uma delas, inclusive, uma delas relata que houve uma noite que ele fez isso com 50 mulheres e ouviu falar que o número de vítimas em uma noite chegou a 100, ele também havia contado para um seguidor próximo dele que tinha o sonho de se deitar com 10 mil mulheres.
No final dos anos 90 e no início dos anos 2000, as primeiras denúncias começaram a aparecer, demorou tanto tempo por causa das ameaças, uma ex-membro chegou a relatar que quando quis sair de lá, muitos fiéis falaram que ela estava possuída pelo demônio e precisavam tirá-lo dela, foi quando a encheram de chutes, o que a deixou ferida, mesmo assim, isso não a assustou, ela saiu do santuário e os fiéis faziam um inferno na vida dela, ligando para a família, para o trabalho, perguntando quando que ela voltaria para a igreja e falando que ela estava possuída, as ameaças foram tão absurdas que eles foram até a casa dessa ex-membro, a chutaram e a levaram de volta contra a vontade dela para uma van, onde a levariam para a casa do Jung Myung-Seok porque ele realizaria um ato sexual em grupo com as seguranças dele.
A ex-membro começou a olhar pela janela da van para qualquer um que aparecia na rua enquanto estava sendo levada fazendo sinais pedindo socorro, foi quando passou uma viatura da polícia achando tudo estranho e parou o carro para falar com ela, nesse momento, aconteceu a primeira grande denúncia contra Jung Myung-Seok em 1999.
O Jung Myung-Seok fugiu pelas montanhas, ele havia falado para os seus seguidores desde os anos 80 que em 1999 seria o período da crucificação dele, onde passaria por coisas parecidas com o que Jesus Cristo passou, usando novamente as fórmulas matemáticas que ele sempre usava. Ele fugiu para fora da Coreia do Sul, indo para Hong Kong, ao mesmo tempo que estava sendo processado por muitos ex-seguidores e ex-seguidoras, porém, ele usava o pretexto de que estava viajando para uma missão internacional, foi então que surgiu Kim Do-hyung.
Do-hyung era professor de matemática em uma universidade e quase perdeu a sua vida por causa da JMS, nutrindo um ódio enorme pela seita e querendo que cada um dos responsáveis fosse devidamente punido, por isso, ele abriu um fórum chamado EXODUS nos anos 2000, onde ele e os ex-seguidores da JMS expunham o sofrimento dentro da igreja, se tornando uma grande organização de ativistas.
O Do-hyung se encontrou com a JMS pela primeira vez em 1995, ele estava se especializando na universidade e estava perto de sua formatura, foi quando ele passou na igreja que ficava perto, o Jung Myung-Seok estava pregando, ao chegar, ele percebe que tudo era uma loucura e que o Jung Myung-Seok falava coisas malucas como um tiozão falando com os jovens, tanto que ele se referiu ao Grand Canyon como Gran Puta nessa pregação, fazendo piadas sobre isso e as pessoas riam como se ele tivesse sido muito engraçado, o que fez Do-hyung se perguntar o que raios era aquela pataquada.
Do-hyung percebeu que aquilo era uma farsa, mas um dia, ele estava conversando com a namorada e ela relatou que fez parte da JMS, sendo possuída pelo presidente, foi quando ela citou a Modern Religion, uma instituição na Coreia do Sul que faz pesquisas sobre as seitas no país, eles tinham um material que não havia sido lançado oficialmente, esse material falava sobre o depoimento de uma aluna em 1983 que foi abusada pelo Jung Myung-Seok, essa aluna teria sido a namorada do Do-hyung, por causa disso, Do-hyung começou a coletar os depoimentos das vítimas como a namorada e pessoas que pediam anonimato por temer pela sua vida.
Do-hyung sentiu tanta raiva da JMS que comprou uma arma com a justificativa de usar contra o Jung Myung-Seok, mas não aconteceu, em vez disso, ele ligava todos os dias para as igrejas da JMS perguntando onde estava o Jung Myung-Seok e queria ter uma conversa séria com ele.
Sabendo que Do-hyung estava irritado com eles, Jung Myung-Seok e seus seguidores diziam que o rapaz era a reencarnação do Diabo e ainda pregavam dentro das igrejas da JMS que as pessoas contra Jung Myung-Seok eram demônios pecadores que não merecem pregação, incitando ódio contra as pessoas que não concordavam com as práticas da igreja dele, esse ódio era o que fazia alguns seguidores da JMS perseguirem as pessoas que não concordavam com Jung Myung-Seok, falando que precisavam eliminar essas ameaças, inclusive, perseguiram um universitário que fazia parte do fórum EXODUS e tentaram bater no rapaz com uma barra de ferro, por sorte, o estudante não morreu porque segurava o seu livro de processo criminal no momento do ataque e colocou o livro na sua cabeça para se proteger.
Os seguidores da JMS foram atrás do Do-hyung, mas ele se precavia, evitava sair a noite, pedia o mesmo para os seus pais, mas isso não evitou que algo brutal acontecesse com o seu pai, pois, um dia, o pai de Do-hyung precisou fazer algo no trabalho e saiu a noite, quando Do-hyung ligou para ele, seu pai informou que estava voltando para casa enquanto dirigia, mas a ligação foi interrompida por gritos pavorosos do pai dele.
O que aconteceu foi que os seguidores da JMS perseguiram o carro do pai do Do-hyung, quebraram o carro com barras de ferro e atingiram o rosto do pai sem parar, ao ponto que o senhor tem dificuldades para abrir a boca por completo, não consegue piscar um dos olhos e nem fechar o olho totalmente ao dormir até hoje, inclusive, ele precisou fazer uma cirurgia de reconstrução facial na época.
No documentário, Do-hyung relata que o irmão dele foi até o pai deles no dia do ocorrido e viu que um lado do rosto do senhor parecia mole, quando levantou a toalha para olhar, o pai deles tinha um buraco do tamanho de uma bola de beisebol no rosto, inclusive, o médico disse que todas as veias do lado esquerdo do rosto do pai dele tinham se rompido e que o senhor teve muita sorte. Outra coisa que foi relatado pelo Do-hyung é que seu pai diz que se ele não fosse atacado, o Do-hyung teria sido atacado, então achava bom que tivesse acontecido com ele, em vez de acontecer com o seu filho, e no documentário, o pai de Do-hyung reforça que é muito grato a Deus por ele ter sido atacado ao invés de Do-hyung.
“Alguns anos atrás, quando Kim Do-hyung descobriu sobre a agressão sexual habitual de Jung Myung-seok, ele ficou furioso e protestou, mas foi perseguido pelo guarda-costas de Jung Myung-suk, e finalmente foi agredido, resultando em um ferimento que exigiu 30 pontos em seu rosto. O caso foi ridiculamente descartado como “negligência mútua”.”
A coisa parecia estar muito perigosa e as pessoas não tinha a quem recorrer, pois muitas pessoas influentes na Coreia do Sul como promotores, eram membros da JMS, eles tinham informações privilegiadas das pessoas como placa do carro, telefone, endereço, foto, se tinha filhos ou não, informações das famílias, então era difícil fazer algo contra a JMS. Se isso não fosse o suficiente, os poucos processos que existiam contra Jung Myung-Seok foram paralisados.
Ele ficou sumido, mas não demoraria muito para ele praticar algum crime fora da Coreia do Sul, o local foi Taiwan, onde Jung Myung-Seok abusou de, pelo menos, 100 universitárias de uma universidade que ele costumava frequentar para atrair seguidores, os abusos que ocorreram em Taiwan eram os mesmos que aconteciam na Coreia do Sul, porém, no Taiwan, o assunto explodiu e apareceu em diversos jornais, por isso, Jung Myung-Seok fugiu e foi para Hong Kong, pois era o único local que ele podia ir sem precisar de um visto, o problema é que depois de ir para vários países ao redor da Ásia, o passaporte dele estava cheio, não tinham mais páginas que pudessem ser carimbadas, então ele precisava passar no Consulado para que novas páginas fossem entregues, mas no caso do Jung Myung-Seok, ele não tinha como fazer isso, porque estava sendo procurado na Coreia do Sul, mesmo assim, ele foi até o Consulado disfarçado e tentou entregar algumas joias com cristais valiosos para o chefe, que não caiu no papo dele e não aceitou, pois achou estranho que aquele homem estava entregando esse tipo de presente para colocar páginas novas no passaporte.
Ao pesquisar no sistema do Consulado, viu que ele estava sendo procurado e que haviam muitos processos paralisados contra Jung Myung-Seok, foi quando o chefe do Consulado disse que ele precisava voltar imediatamente para a Coreia do Sul, seria extraditado, foi então que Jung Myung-Seok fugiu do Consulado.
Na Coreia do Sul, o caso explode de novo por causa do que ocorreu no Consulado de Hong Kong e porque o Unanswered Questions, um programa de investigação da SBS que era muito famoso, realizou uma matéria em 2002, revoltando os seguidores da JMS, que reuniram dez mil pessoas para protestar na frente do prédio da SBS, acontece que muitos seguidores presentes não faziam ideia do que estava acontecendo porque eram proibidos de assistir televisão.
Em um dos protestos contra a SBS, uma garota chamou a atenção por estar muito feliz em defender Jung Myung-Seok, por causa disso, a JMS convidou ela e a irmã dela para visitar o Jung Myung-Seok no esconderijo secreto dele em Hong Kong, foi quando essa garota descobriu a verdadeira identidade do presidente. A garota e a irmã dela foram abusadas em Hong Kong em 2003, mas não denunciaram Jung Myung-Seok por lá porque temiam pela vida, só fizeram isso quando chegaram na Coreia, elas relataram todo o ocorrido para a equipe do EXODUS.
Mas vocês acham que esses abusos aconteciam apenas pessoalmente? Infelizmente não, muitas mulheres da JMS tinham a missão de enviar fotos sensuais para o Jung Myung-Seok, sendo elas de biquíni, com lingeries ou até mesmo, nuas, mas tinha um processo inteiro para isso, elas enviavam essas fotos para a China, que enviava para um escritório do Jung Myung-Seok que ficava em Hong Kong para, depois, enviar para o esconderijo dele, quem cuidava desse escritório era um cara, que quando ficou sabendo sobre o fechamento do escritório, levou um disco rígido que continham 500GB de arquivos para a Coreia e entregou para a galera do EXODUS, o caso recebeu o apelido de Arquivo X de Hong Kong, foi quando Jung Myung-Seok foi colocado no alerta vermelho da INTERPOL ainda em 2003.
Jung Myung-Seok se tornou um procurado internacional, mas as investigações na Coreia do Sul continuavam muito lentas, lembrem-se que haviam promotores que faziam parte da JMS, foi nesse momento que os membros do EXODUS começaram a agir, indo escondidos para Hong Kong, chegando no mesmo dia que os seguidores da JMS haviam feito o mesmo. No aeroporto, o EXODUS percebeu que as mulheres da JMS estavam usando roupas diferentes das fotos na Coreia, o que quase fez o EXODUS perdê-las de vista. Quando as mulheres da JMS chegaram em Hong Kong, elas entraram em uma van da igreja em direção a casa do Jung Myung-Seok, o EXODUS seguiu, viu que a van passou perto de uma montanha, subiu e entrou em um local desconhecido, o EXODUS caminhou até o local sem fazer barulho e captou com o zoom da câmera, uma janela que mostrava o Jung Myung-Seok tendo relações sexuais com três mulheres, foi quando eles levaram a filmagem para o Escritório de Imigração de Hong Kong.
No dia seguinte, dez oficiais do Escritório de Imigração de Hong Kong com o EXODUS encontraram Jung Myung-Seok em um mosqueteiro tendo relações sexuais com algumas mulheres em trajes de banho no ambiente externo da casa dele, finalmente ele foi “preso”, pois quando entrou na Delegacia de Hong Kong, Jung Myung-Seok saiu depois que pagou 100 mil dólares de fiança com a ajuda do advogado dele, e fugiu para a China sem passaporte.
Na China, Jung Myung-Seok também foi descoberto porque ele continuava cometendo crimes contra as mulheres, dessa vez, a vítima era uma mulher que fazia parte da delegação da equipe de Taekwondo da JMS, pois eles tinham equipes de vários esportes, essa delegação teria sido convidada a fazer uma demonstração de Taekwondo para Jung Myung-Seok em uma cidade, elas entraram em um navio acreditando que era apenas isso, quando elas chegaram, tinha uma placa falsa indicando que ali era a cidade na qual elas foram mandadas, mas uma das meninas da delegação só descobriu que não estavam na cidade mencionada quando pegou a embalagem de uma colher em um restaurante e viu que ali estava impresso o nome de outra cidade, achando tudo muito estranho, essa confusão com as cidades teria sido feita por Jung Myung-Seok para não descobrirem a verdadeira localização dele.
Mesmo assim, a delegação foi se encontrar com o Jung Myung-Seok onde sofreram coisas horrorosas, uma delas relatou que foi até a sauna da casa e foi agredida pelo Jung Myung-Seok, ele colocou uma mangueira com água quente nas partes íntimas da menina, o que a fez gritar de dor, ele ameaçava de cortar as partes íntimas dela se continuasse gritando daquele jeito, claro que esse caso foi exposto e o Jung Myung-Seok fugiu de novo, sendo encontrado só em 2007 quando o Ministério da Defesa da China ligou para o Do-hyung contando que havia um homem em uma cidade que eles estavam desconfiando ser o Jung Myung-Seok.
Na Delegacia, o Jung Myung-Seok mudou o comportamento agindo como se fosse louco tentando mostrar que não era são, ele negou as acusações e alegou para os oficiais chineses que ele era só um pastor de igreja, ele foi extraditado para a Coreia do Sul, foi então que as acusações suspensas voltaram e os processos continuaram. Outra coisa que aconteceu foi que antes de Jung Myung-Seok ser extraditado, os advogados dele tentaram fazer acordos com as vítimas no valor de 1 milhão de dólares para cada uma delas, algumas pessoas desistiram por causa disso e por causa do medo de denunciar, mas quatro pessoas recusaram os acordos e levaram ele a julgamento.
Nesse julgamento, Jung Myung-Seok tentou desmentir tudo, falando para os oficiais que as mulheres estavam cobertas com uma toalha e que ele estava nu, mas apenas tinha abraçado elas, alegando que não tinha nenhum mal nisso, além disso, enquanto uma das mulheres estava testemunhando, ele fingiu ter uma convulsão, desmaiando dentro do tribunal, a ambulância levou ele, mas os médicos relataram que não havia nada errado com ele, a tentativa de convulsão era uma forma de tentar adiar o depoimento das vítimas, mesmo assim, ele foi condenado oficialmente apenas em seis anos de prisão…sim…apenas seis anos de prisão…a pena até foi aumentada para dez anos através de recurso em 2012 contando o tempo que ele já estava preso, ainda considerada uma pena muito leve.
Vocês acham que acabou? Infelizmente não, durante os dez primeiros meses que Jung Myung-Seok ficou preso, ele transcreveu Salmos e Provérbios dados por um santo na China e novamente se comparando a Jesus Cristo, alegando que foi crucificado pelo povo por livrá-los do pecado e comparou a tornozeleira eletrônica com as Chagas de Jesus Cristo…ai sério…QUE ÓDIO!
Inclusive, a prisão dele não significou nada para a JMS porque todos na igreja ainda acreditavam no Jung Myung-Seok dizendo que ele estava sendo injustiçado, o que ninguém contava é que teria uma nova vítima na história, a Maple.
Maple nasceu no Canadá e foi morar em Hong Kong, a história dela com a JMS começou em 2012, no seu Ensino Médio, ela foi em um shopping com a irmã, até que um casal se aproximou. Na época, a Maple estava passando por diversos problemas na escola relacionado a violência escolar, além disso, os pais dela não se davam bem, por isso o psicológico dela estava muito abalado, essa foi a brecha perfeita que a JMS achou para entrar na vida dela.
A Maple ligou para a mulher que deu o contato perguntando qual era o propósito da vida, a mulher fez a Maple assistir as palestras dadas pela JMS e ela entrou na igreja, foi pedido para Maple tirar fotos em trajes de banho para mandar ao Jung Myung-Seok, nessa época ele estava em Hong Kong e estava fazendo aquele esquema explicado anteriormente, que as fotos eram enviadas para a China, depois para um escritório em Hong Kong e depois para o esconderijo dele, essa prática continuou acontecendo enquanto o Jung Myung-Seok já estava preso, inclusive, ele pedia para as mulheres nas quais ele se sentia atraído, visitá-lo na prisão, e muitas se sentiam honradas, pois ainda acreditavam estarem se encontrando com o Messias, com o grande profeta.
Em 2018, o Jung Myung-Seok foi solto depois que completou a sentença de dez anos preso, mas ficaria usando a tornozeleira eletrônica por mais sete anos, nessa época, a Maple virou cantora dentro da JMS, como se fosse uma idol de K-Pop deles, ela participava de eventos oficiais da igreja e se apresentava pelo país inteiro, mas por ser uma rotina cansativa, ela pediu para a JMS conseguir outra posição para ela, então a colocaram para ser âncora dos canais da JMS, depois, ela se tornou pastora e uma figura importante dentro da igreja e da religião, foi aí que ela se tornou a “Esposa de Deus” pela primeira vez sendo abusada por uma mulher que foi nomeada como J, Maple não revelou o nome da mulher, mas ela afirma que essa mulher trabalhava há anos ao lado do Jung Myung-Seok, sendo responsável por aliciar as mulheres.
Depois de ser abusada, Maple relata no documentário da Netflix que ficou confusa e perguntou para a J se isso era normal, o que foi respondido com um “sim” e a J falou que queria que isso acontecesse porque gostava da Maple, inclusive, falou que a Maple deveria se sentir honrada por ser uma “Esposa de Deus” assim como a J e outras mulheres, depois disso, a Maple ficou muito assustada com tudo, mas permaneceu na igreja, pois sentia que estava sendo abençoada, o abuso com a J não foi a única vez, a Maple foi aliciada outras vezes, e depois de ver até as estrangeiras passando por esse horror, inclusive, algumas que a Maple foi obrigada a aliciar, ela entendeu que precisava fugir daquele lugar o mais rápido possível, usando a desculpa de que visitaria seus pais em Hong Kong, os membros da JMS deixaram, mas antes de voltar para o seu país, mas ela teve uma febre durante alguns dias antes, mesmo assim, o Jung Myung-Seok entrou no quarto dela fazendo horrores contra ela, o que ele não contava é que Maple estava precavida e gravou todo o ocorrido.
A Maple fugiu para Hong Kong, e cinco meses depois, organizou uma Coletiva de Imprensa na Coreia do Sul contando tudo o que aconteceu ao lado da equipe da Netflix que já estava se preparando para realizar o documentário, pois a plataforma ficou sabendo dos relatos da Maple com a ajuda da equipe do EXODUS, ainda foi complicado fazer a conferência com a Maple porque ao voltar para a Coreia do Sul, haviam carros procurando por ela, inclusive, um carro estava estacionado perto do hotel em que ela estava hospedada e ela já sabia que eram os membros da JMS. Quando ela chegou no aeroporto, também haviam membros da igreja observando ela para meter medo na Maple, mas isso não a deteve e ela falou a sua versão da história para o mundo no documentário.
Vocês lembram que o Jung Myung-Seok foi solto em 2018 após cumprir dez anos da sentença, mas que ele ainda estava cumprindo mais sete anos com a tornozeleira eletrônica? Pois então, os crimes cometidos contra a Maple e que foram expostos pela Netflix ocorreram enquanto ele estava cumprindo a condicional de sete anos com a tornozeleira eletrônica, isso significa que ele descumpriu a sentença, por isso, Jung Myung-Seok foi preso preventivamente em 2022, ocorreu um julgamento em 2023 onde ele recebeu uma pena de 70 anos de prisão graças ao documentário da Netflix.
Outra coisa que ocorreu foi que alguns membros da emissora KBS faziam parte da seita e abafavam o caso, assim como várias outras pessoas influentes na Coreia do Sul, mas após essa descoberta, esses membros foram demitidos. Já que estamos falando isso, o Dan falou uma coisa importante, que é: A Coreia do Sul se importa muito com a imagem internacional deles, então a coisa chega em outro patamar quando os outros países começam a ver alguma coisa do país deles como problemática, ou seja, se algo sair da Coreia do Sul, eles ficam preocupados e começam a tomar medidas cabíveis, por isso, o documentário da Netflix foi muito importante porque as pessoas não precisam se esconder e podem criar coragem para denunciar outros crimes e fazer a justiça acontecer.
Como falei anteriormente ainda existem algumas igrejas da JMS espalhadas pela Coreia do Sul, mas são comandadas por pessoas diferentes, algumas dessas pessoas ainda apoiam o Jung Myung-Seok falando que ele está sendo injustiçado, mas outras pessoas afirmam que continuam com a doutrina, mas não concordam com o ato pecaminoso do Jung Myung-Seok, inclusive, eles tem canal no Youtube onde vários ensinamentos do Jung Myung-Seok são compartilhados para as pessoas mundialmente.
Alguns promotores que estavam envolvidos com a JMS também foram demitidos, além disso, o cantor, Kyoungyoon, que foi integrante do grupo DKZ, chegou a comentar em entrevista para a Dispatch sobre a JMS, eles haviam recebido uma pista sobre o Kyoungyoon ter feito parte da JMS e o entrevistaram para que ele falasse um pouco sobre isso. O cantor relatou que fez parte da igreja porque cresceu em um ambiente familiar que era muito doutrinado, e quando era criança, ele tinha água no cérebro dele, a mãe do Kyoungyoon levou ele para a JMS e o Jung Myung-Seok falou que ele iria se curar, isso, de fato, aconteceu, ele se curou e a mãe do Kyoungyoon acreditou que aquilo era um milagre achando que JMS era a salvação, inclusive, os pais do Kyoungyoon estavam nessa igreja há vinte anos, mas ao crescer, ele se afastou da JMS porque não via sentido em nada daquilo, inclusive, ele comentou que quando viu o documentário, percebeu como aquela situação era perturbadora e deixou claro que não compactuava com a JMS e nunca difundiu os ensinamentos para os grupos de K-Pop, para os fãs e nem para os integrantes do DKZ. Infelizmente as palavras do Kyoungyoon não foram o suficiente para os sul-coreanos, ele foi atacado e a empresa o expulsou do DKZ.
A minha opinião pessoal é que eu fico muito feliz que as pessoas estão sendo responsabilizadas por terem feito tanto mal a essas pessoas e eu acredito que muita gente ainda vai ser presa, principalmente quem persegue as vítimas como no caso da Maple e do pai do Do-hyung, mas não achei justo o que fizeram com o Kyoungyoon porque ele alegou que nunca mais fez parte daquela seita, que aquilo não tinha nada a ver com ele, infelizmente, ele não tem culpa de ter nascido em um âmbito familiar que pregava essas coisas, ele parou de participar a medida que foi crescendo, talvez fizessem apenas parte da igreja, não do santuário, tem muitas coisas para levar em conta, mas cada um sabe o que acha melhor ser feito.
É perceptível que seitas são algo comum na Coreia do Sul, essa é apenas a seita mais famosa, mas o documentário da Netflix fala de outras seitas, além disso, existem milhares que enganam até mesmo estrangeiros, a Jade e o André Melo chegaram a dar relatos no vídeo do Dan sobre essas seitas, então precisamos conscientizar as pessoas, não apenas que estão indo para a Coreia do Sul, mas para qualquer pessoa em qualquer lugar, não é como se no Brasil também não houvessem seitas que fazem mal para as pessoas.
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