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Sistema teatral, isso existe?

Artes, Negócios e Feminismos

Heloisa Marina · 2025-09-01 17:18 · 0 claps · 3.4 min read
#teatro #produção-cultural #cultural-management #atriz
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Sistema teatral?

Artes, Negócios e Feminismos

Fonte: Buenhabit

Fonte: Buenhabit

Com treze anos decidi que queria ser atriz. Nesse mesmo ano (1998), cheguei à conclusão que devia parar de fazer os papéis principais nas peças da escola, porque isso já estava se tornando arrogante demais.

Mas eu amava tanto!!

Então pensei, “deixa espaço nas peças da escola para outras pessoas Helô. Vamos fazer o seguinte, vamos levar isso a sério e pensar na coisa de forma profissional”.

Nesse ano descobri onde eu poderia estudar para virar atriz: na faculdade. Em Floripa, onde vivia, na UDESC. Mas e antes? Antes de chegar lá? em 2000 iniciei um curso de atuação para TV e cinema numa escola livre, e quando entrei no ensino médio comecei a investigar cursos de formação livre em São Paulo. Nessa época invoquei que devia estudar na USP, para mesclar formação técnica em cursos livres, com formação acadêmica. Isso porque as opções de cursos livres em Floripa eram poucas, e se eu queria trabalhar com algo tão difícil como teatro, tinha que ter a melhor formação, ou seja, a USP.

Tão vendo? Eu já pensava em estratégias antes de saber fazer Plano de Negócios, mas no fundo era isso: ativar várias frentes formativas para ampliar os leques de atuação profissional.

Não passei na USP. (Aparentemente por não ser de São Paulo, já que na entrevista do vestibular — 2005 — a banca me perguntou: como vais estudar na USP se tua família não mora em São Paulo? Fiquei em 19, passavam 10).

Bem, a formação era só um passo, o primeiro, claro, pra avançar nas possibilidades de inserção profissional. No Brasil ainda temos uma percepção muito limitada do sistema teatral. A gente faz um curso profissionalizante, técnico, livre, acadêmico, e depois?

Depois com certeza virá um agente, um empreendedor, um produtor e tcham tcharam tcham tcham, nos lançará no estrelato do mundo cênico, em seguida iremos parar no campo do audiovisual e, com sorte e glória, ao Oscar. Temos váaaaarios exemplos assim, né?

Bom, bom que fosse. Mas não é. O meu esforço como atriz aposentada (hahaha, que dor), e como super atuante acadêmica que acredita de uma forma louca no poder da arte, é que estudantes e aspirantes ao mundo artístico tenham cada vez mais cedo a noção de como o campo se move, existe.

No Brasil, há espetáculos musicais, produzidos basicamente no Rio e São Paulo, que fazem audições, contratam elenco, e se pode viver o sonho dourado (ou nem tanto) de ser uma atriz que brilha. — Deixo o texto do Miguel Arcanjo aqui para pensarmos nisso tudo. >>> Atores investem até R$ 6.000 do próprio bolso para estar em um musical.

Mas esses casos são muito pontuais e, por vezes, nem significam a total subsistência de atores e atrizes (há vários artistas arrasando em séries de streaming — a Malhação dos anos 2020 — e que, ainda assim, não vencem suas contas). Isso eu tirei de uma citação bem contundente de Pedro Wagner no seu Instagram: eupedrowagner.

Por isso, é fundamental conhecermos a cadeia, ou o sistema, do mundo teatral, que envolve artistas da cena, artistas de bastidores (sobre esse conceito, no lugar de técnicos de bastidores, ver a dissertação de Bruno Cerezoli: BACKSTAGE: Influências da execução técnica de bastidores na cena contemporânea de Belo Horizonte), programadoras de centros culturais, curadoras, uma rede de festivais de diferentes portes (festivais grandiosos e internacionais, pequenos e independentes, etc). Há a academia, que produz pesquisa e valida determinadas estéticas, há produtoras que muitas vezes são as próprias atrizes, há as pessoas da comunicação (jornalistas, influenciadores do campo cultural), fazedores de políticas públicas (que também em geral são as próprias atrizes e atores) e por aí vamos.

Resumidamente, o sistema se estabelece na interlocução que artistas conseguem fazer com outros artistas, com espaços onde podem ser programadas sua peças, com festivais por onde podem circular e, em geral, não é um grande mecenas ou uma grande empresária que irá alçar atrizes a estes locais, mas sim as próprias atrizes, ou seja, em geral artistas precisam ser produtoras de si e, para tanto, ter noção desse sistema e de como estabelecer relações e pontes com diferentes agentes (pessoas, instituições, etc).

Nisso tudo é crucial entender nosso tamanho, nossa localização, nosso modo de produzir. Eu não fiz USP, estive apenas uma vez em um grande festival, renomado. Mas foi a partir do meu território, uma Ilha pacata, bucólica e tida como paraíso de classe média alta, que desenvolvi pesquisas artísticas e acadêmicas experimentais e arriscadas, circulando principalmente por cidades do interior do Santa Catarina. Meu território ajudou a definir o tamanho dos meus espetáculos e os tipos de rede que eu podia e queria criar.

Em breve quero fazer uns cards de Instagram, tentando resumir de forma visual esse sistema teatral. Alguém me ajuda? Até o momento incluí esse agentes, quem vocês diriam que está faltando?

Pessoas — profissionais Artista da cena Artistas de bastidores (técnicas) Produtoras (em diversos níveis) Programadoras — gestoras de espaços Curadoras Agentes públicos responsáveis por criar políticas culturais Secretárias de cultura Jornalistas Influenciadoras culturais

Instituições Espaços Culturais Festivais Sites de venda de ingressos Poder público

essa.foi.a.5


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